terça-feira, 31 de janeiro de 2006

Paz nas tempestades


Paz nas tempestades


Ministração por Elaine C. Castro
na Igreja Jesus Voltará - Paranoá /DF,
em 28 de janeiro de 2006.



"Percebendo, pois, Jesus que estavam prestes a vir e levá-Lo à força para O fazerem rei, tornou a retirar-Se para o monte, Ele sozinho. Ao cair da tarde, desceram os Seus discípulos ao mar; e, entrando num barco, atravessavam o mar em direção a Cafarnaum; enquanto isso, escurecera e Jesus ainda não tinha vindo ter com eles; ademais, o mar se empolava, porque soprava forte vento. Tendo, pois, remado uns vinte e cinco ou trinta estádios, viram a Jesus andando sobre o mar e aproximando-Se do barco; e ficaram atemorizados. Mas Ele lhes disse: Sou Eu; não temais. Então eles de boa mente O receberam no barco; e logo o barco chegou à terra para onde iam." (João 6.15-21)

O ser humano tem uma tendência natural a acreditar somente naquilo que vê. E ainda assim, muitas vezes vê e não crê. Mas Deus tem convidado Seu povo a permitir-Lhe lhes revelar coisas muito mais maravilhosas que nossos olhos já puderam ver e os nossos pensamentos imaginar. Coisas celestiais. Coisas sobrenaturais.

As multidões que cercavam Cristo quando esteve em corpo na Terra esperavam um messias que seria seu salvador. Contudo, O esperavam para um reino terreno. O povo tinha só a visão terrena de Jesus, embora Cristo já tivesse demonstrado por Seus feitos e Seus milagres que tinha poderes sobrenaturais e que veio estabelecer valores principalmente espirituais ao mundo.

Observamos a atitude limitada e terrena do povo de Israel que queria "levá-Lo à força para O fazerem rei". Um rei que dominasse os termos de Israel e resolvesse seu problema de miséria e escravidão, de menosprezo diante das nações.

Jesus, porém, percebendo isso, declarou-lhes:

"Em verdade, em verdade vos digo que Me buscais, não porque vistes sinais, mas porque comestes do pão e vos saciastes. Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; pois neste, Deus, o Pai, imprimiu o seu selo." (João 6.26-27)

Da mesma forma Cristo nos alerta hoje a vivermos uma vida voltada para os bens espirituais e perenes, respaldando-nos numa prática constante de oração e meditação da Palavra de Deus, que são o alimento para nossas almas e a direção para nossas vidas. Ele age de forma sobrenatural, numa dimensão celestial, para que nós possamos contemplar Sua glória aqui, em vida terrena.

Nesse grande mar que é a vida, cheio de perigos e açoites das águas, muitos de nós insistem em navegar sem a presença de Cristo em seus barquinhos. Os discípulos nos deram esse exemplo, quando desceram sozinhos ao mar e deixaram Jesus para trás, em terra. A mesma passagem no Evangelho segundo Marcos, diz:

"E, tendo-os despedidos [os da multidão] , [Jesus] foi ao monte para orar. E, sobrevindo a tarde, estava o barco no meio do mar, e Ele [Jesus], sozinho em terra."

A grande maioria das pessoas toma suas decisões, realiza suas atividades, formula seus projetos, estabelece suas metas, traça seus próprios destinos sem a orientação de Deus e, pior, sem Sua ajuda. Sem muitos esforços podemos observar que o mundo em que vivemos é formado por uma grande massa de pessoas frustradas e descontentes com a vida, enquanto uma minoria – intitulada "os filhos de Deus" – é conduzida pelo Espírito Santo de Deus e conhece a paz e a felicidade de se viver uma vida sob a orientação de Deus e gozando de Suas graças:

"Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus." (Romanos 8.14)

Jesus ficou em terra, a orar. Os discípulos se aventuraram a navegar:

a) sem oração;
b) sem a companhia de Cristo.

Se tivessem praticado a oração com Cristo antes de se arriscarem a sair ao mar aparentemente calmo, provavelmente saberiam como agir diante daquela situação constrangedora que se formou. Provavelmente teriam mais fé.

Mas a o descaso à oração e à companhia de Cristo os levou a se apavorarem diante da tempestade que se formou no mar. Sozinhos no barco não havia muita esperança para eles. E em nossas vidas também não é diferente. Sozinhos não sabemos como lidar com os problemas que aparecem em nosso caminho. As tempestades assombrosas em nossas vidas nos perturbam e nos oprimem, com a impressão de não haver uma saída para nós.

Tantos corações tristes perambulam pelo mundo sem direção, sem contentamento, sem esperança porque estão sozinhos no barco, conduzindo seus destinos a seu bel-prazer, segundo o que lhes convém!

Mas Jesus... "vendo que se fadigavam a remar porque o vento lhes era contrário, perto da 4ª vigília da noite aproximou-Se deles andando sobre o mar e queria passar-lhes à frente" (Marcos 6.48).

Embora tenha sido deixado para trás por Seus discípulos, Jesus sabia que eles não poderiam sobreviver àquela tempestade sozinhos. Então, vê-los fadigados, cansados, já sem resistências diante daquela fúria que não podiam vencer, foi-lhes ao encontro e quis lhes passar à frente.

Observe: para que a situação fosse dominada por Cristo, Ele devia estar à frente. Constatamos o ensinamento de Deus para nós, onde aprendemos que o Senhor deve sempre estar à nossa frente, conduzindo nossas vidas por onde quer que venhamos a andar; de onde concluímos que, se Cristo não estiver à nossa frente, nos direcionando em tudo, facilmente nos cansaremos, nos fadigaremos, pois combateremos e não conseguiremos vencer os levantes contrários. Ele deve estar à nossa frente e em nosso barquinho em todo o tempo, pois só Ele "dá vigor ao cansado e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor." (Isaías 40.29)

Seja qual for a adversidade, Jesus vem ao nosso encontro quando clamarmos com fé porque sabe que deve estar sempre à nossa frente.

Muitas vezes, porém, Cristo Se aproxima, opera sinais e maravilhas, faz o milagre acontecer para que possamos ser salvos da situação constrangedora em que nos encontramos, mas não percebemos isso. Como aqueles discípulos, confundimos Jesus com um fantasma, isto é, não cremos no milagre... Nós, simplesmente, não acreditamos que Ele seja capaz de andar sobre as águas...

Ora, Jesus andava por sobre as águas, mas aqueles discípulos não creram, porque "não tinham compreendido o milagre dos pães; antes o seu coração estava endurecido" (Marcos 6.52). Pouco antes de andar sobre as águas para salvar Seus discípulos, Jesus havia realizado o milagre da multiplicação dos peixes e dos pães (Marcos 6.30-44; Mateus 14.31-21; Lucas 9.10-17; João 6.1-14).

E não é diferente conosco. Mesmo depois de termos contemplado tantos bens do Senhor em nossas vidas, ainda não cremos que Ele seja verdadeiramente Deus poderosos e capaz de fazer infinitamente mais do que pedimos ou pensamos (Efésios 3.20-21). Nossos cuidados a cada dia sobre nossos destinos não nos permitem observar o agir de Deus. E isso realmente não é possível porque Deus não age onde nos interferimos. Ele é capaz de cuidar sozinho de todo o universo:

"Ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por Ele." (Colossenses 1.17)

"O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens." (Atos 17.24)

O contrário também é verdadeiro: enquanto muitos confundem Cristo com fantasmas (e não crêem nEle), há também muitas e muitas pessoas que confundem fantasmas com Cristo. Por exemplo: os sinais que Moisés realizou para que Faraó permitisse libertar o povo de Deus, também foram reproduzidos pelos magos do Egito, mas por meio de "encantamentos":

"Então Moisés e Arão foram a Faraó, e fizeram assim como o Senhor ordenara; e lançou Arão a sua vara de Faraó, e diante dos seus servos, e tornou-se em serpente. E Faraó também chamou os sábios e encantadores; e os magos do Egito fizeram também o mesmo com os seus encantamentos. Porque cada um lançou sua vara, e tornaram-se em serpentes; mas a vara de Arão tragou as varas deles. (...) E Moisés e Arão fizeram assim como o Senhor tinha mandado; e levantou a vara e feriu as águas que estavam no rio, diante dos olhos de Faraó e diante dos olhos de seus servos; e todas as águas do rio se tornaram em sangue. E os peixes que estavam no rio morreram, e o rio fedeu, e os egípcios não podiam beber a água do rio; e houve sangue por toda a terra do Egito. Porém os magos do Egito também fizeram o mesmo com os seus encantamentos. " (Êxodo 7.10-12, 20-22)

Deus é soberano! Essa certeza estava no coração de Moisés... e deve estar no seu também. Mas houve um momento em que Moisés e as outras pessoas ao seu redor contemplaram outras pessoas, por meio da magia, fazendo obras como as de Deus. Creio que Faraó tenha se enchido de glória e exultado de alegria dentro de si em pensar que Deus estava sendo pormenorizado no momento em que seus magos imitaram os milagres de Deus.

Contudo, atente para uma palavra que faz toda diferença para interpretarmos bem essa passagem: "ENCANTAMENTOS".

Segundo o dicionário Aurélio, a palavra encantamento quer dizer "Ato ou efeito de encantar", por conseguinte, a palavra "encantar" significa "lançar encantamento ou magia sobre; enfeitiçar; transformar supostamente um ser em outro, por artes mágicas."

Qual a diferença? A diferença é que, para as maravilhas que Deus realizou, a Bíblia utiliza o termo "tornou-se" (a vara tornou-se em serpente, as águas "tornaram-se" sangue). Isto é, elas se transformaram realmente. Houve uma transformação concreta, diferente do que fizeram os magos, que apenas "transformaram supostamente um ser em outro por meio da mágica" para confundir os presentes daquele lugar sobre o poder e a soberania de Deus.

Ora, as bênçãos de Deus são concretas. Elas realmente acontecem e existem. Elas transformam vidas de verdade e são eternas. As maravilhas que o mundo (no texto que lemos é representado pelos magos do Egito) não se compararam. Podem parecer... mas são somente "suposições"... "parecem, mas não são". São ilusões, exatamente como o que aqueles magos fizeram... somente ilusões que supostamente a vara havia se transformado em serpente (como Deus realmente fez acontecer) e as águas se transformado em sangue (como realmente Deus transformou).

O mundo usa encantamentos para iludir milhões. E a falta de sabedoria, de discernimento espiritual tem permitido muitas pessoas descambarem para uma vida de incertezas, inconstâncias, inquietude, desânimo... desilusão!

Sim, desilusão. Porque o que o mundo oferece acaba com o tempo ou com as circunstâncias. Contudo, o que vem da parte de Deus permanece para sempre. E isso é compreendido quando lemos que a serpente que Ele fez de uma simples vara tragou as serpentes ilusórias dos magos... provando a máxima autoridade de Deus, que não se confunde, não se detém nem se deve desprezar.

O mundo oferece muito... mas tudo se acaba com o tempo ou com as circunstâncias; o que vem Deus, porém, é eterno e muitíssimo superior em significância e qualidade.

Por isso devemos estar atentos à voz de Deus, sensíveis a discernir o que vem do Senhor e o que não vem, a fim de não nos confundirmos diante de tantas ofertas agradáveis do mundo para nós, "porque hão de surgir falsos cristos e falsos profetas, e farão grandes sinais e prodígios; de modo que, se possível fora, enganariam até os escolhidos". (Mateus 24.24)

Quando estamos atentos a Cristo, podemos ouvir Sua doce voz, como aqueles discípulos ouviram, dizendo: "Sou Eu, não temais" (João 6.20). E podemos realmente entender que não há motivos para temer, como também não havia motivos para aqueles discípulos temerem quando viram Cristo Se aproximar, porque:

a) Jesus já tinha realizado milagres para que vissem e cressem que só Ele é o Senhor (como a transformação da água em vinho nas bodas de Canaá – João 2.1-12; a cura do filho de um oficial do rei – João 4.43-54; a cura de um paralítico no tanque de Betesda – João 5.1-15; a multiplicação dos pães e peixes – João 6.1-15; outros que não foram citados pela Bíblia – João 21.25). A cada dia podemos observar os milagres de Cristo em nossas vidas, nas vidas dos que nos cercam, e por todo o mundo. Não há dúvidas que Ele realmente é o Senhor e tem todo poder:

"Levantai ao alto os olhos e vede quem criou estas coisas, quem produz por conta o Seu exército, quem a todas chama pelo seu nome; por causa da grandeza das suas forças e pela fortaleza do seu poder, nenhuma faltará. Porque, pois, dizes, ó Jacó, e tu falas, ó Israel: o meu caminho está encoberto ao Senhor, e o meu juízo passa de largo pelo meu Deus? Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o Senhor, o Criador dos confins da terra, nem se cansa, nem se fatiga? Não há esquadrinhação do seu entendimento." (Isaías 40.26-28)

b) Jesus já tinha feito a promessa que eles O veriam morrer e ressuscitar ao terceiro dia (João 2.19-22). Aquele barquinho não iria afundar e aqueles discípulos não iriam morrer sem que a promessa se cumprisse. Assim também o Senhor nos declara: o barquinho de quem tem promessa de Deus não se afundará porque as promessas de Deus serão cumpridas.

"... fiel é Deus, o qual não deixará que sejais tentados acima do que podeis resistir, antes com a tentação dará também o meio de saída, para que a possais suportar." (1Coríntios 10.13)

"...retenhamos inabalável a confissão da nossa esperança, porque fiel é Aquele que fez a promessa." (Hebreus 10.23)

Concluímos, com tudo o que vimos (e com o que o Espírito Santo revelará em teu coração posteriormente) que Cristo deveria estar naquele barquinho desde o início, e que os discípulos não deveriam abrir mão da presença do Senhor sem da comunhão com Ele através da oração por nada nesse mundo.

Para concluírem sua viagem e chegarem ao porto com segurança, os discípulos, "de boa mente O receberam [a Jesus] no barco; e logo o barco chegou à terra para onde iam" (João 6.21).

Talvez você conheça Jesus, como aqueles discípulos conheciam. Mas exatamente como eles fizeram você esteja deixando Cristo para trás e se aventurando a navegar sem a presença do Senhor conduzindo teu barquinho. Se você sente que falta domínio em sua vida sobre as dificuldades, sobre as tempestades que se formam no grande mar, e o teu barquinho parece querer afundar, chame Cristo e de boa mente mente O receba...

Ele quer passar à tua frente...

... e te levar feliz, em paz e seguro(a) até o porto!


Com o amor do Senhor...