domingo, 26 de fevereiro de 2006

Confiar...



Meditando nos capítulos 26 e 27 do primeiro livro de Samuel, tive um encontro glorioso com mais um lindo e necessário ensinamento da Palavra do Senhor, e uma questão me veio à mente: como devemos agir quando as perseguições e o sofrimento das nossas vidas são oriundos de pessoas de dentro da nossa própria casa espiritual (a igreja)?

É fácil encontrarmos na Bíblia estratégias para combatermos o mal que assola o mundo. Porém, há muitas vidas dentro das igrejas causando o mal aos seus irmãos. E isso é um assunto sobre o qual gostaria de meditar, baseando-me nas atitudes de Davi para com a perseguição que sofreu da parte de Saul.

Voltando alguns capítulos atrás, lemos em 1Samuel 18.14-15:

“E Davi se conduzia com prudência em todos os seus caminhos, e o Senhor era com ele. Vendo então Saul que tão prudentemente se conduzia, tinha receio dele.”

Há crentes que são santos somente em certas áreas e momentos de suas vidas. Há, porém, servos autênticos de Deus, como Davi, que mantêm o bom testemunho em qualquer lugar e a qualquer hora. Ora, Davi se conduzia com prudência em TODOS os seus caminhos. E servos assim são os que incomodam ao inferno.

Milcal, a filha de Saul, amava muito a Davi, porque o Senhor era com ele. E isso provocou ciúmes em Saul, que já contava com o desprezo da parte de Deus (1Samuel 16.1) e ainda estava perdendo os da sua casa e o respeito de Israel e Judá para Davi (1Samuel 18.16,28).

Quando o inimigo começa a perder terreno em nossas vidas por causa da nossa comunhão com Deus, ele procura nos esmorecer com estratégias mais sutis: ele deixa de se revelar como um demônio malvado em pessoa e passa a usar pessoas de dentro da nossa igreja para nos confundir e derrubar. Ao servo de Deus, porém, cabe descansar na providência do Senhor e esperar que Ele – somente Ele – faça Sua justiça.

Observe:

“Foram, pois, Davi e Abisai de noite ao povo; e eis que Saul estava deitado, dormindo dentro do acampamento, e a sua lança estava pregada na terra à sua cabeceira; e Abner e o povo estavam deitados ao redor dele. Então disse Abisai a Davi: Deus te entregou hoje nas mãos o teu inimigo; deixa-me, pois, agora encravá-lo na terra, com a lança, de um só golpe; não o ferirei segunda vez. Mas Davi respondeu a Abisai: Não o mates; pois quem pode estender a mão contra o ungido do Senhor, e ficar inocente?” (1Samuel 26.7-9)

Davi teve a oportunidade de matar Saul por duas vezes. No capítulo 24 do mesmo livro, Davi chegou a cortar um pedaço da orla do manto de Saul sem que este o visse, mas não ousou fazer-lhe mal. Dois capítulos depois, e novamente Deus permite a Davi matar Saul enquanto dormia. Porém, Davi preferiu confiar que a justiça pertence ao Senhor. E dessa forma, não fez o que lhe parecia certo, mas sim o que era certo diante dos olhos do Senhor.

“Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira de Deus, porque está escrito: Minha é a vingança, eu retribuirei, diz o Senhor. Antes, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.” (Romanos 12.19-21)

Outra atitude a se notificar quanto à atitude de Davi é que ele permitiu Deus trabalhar como quisesse em sua vida. Ele não ditou para Deus o que Este deveria fazer:

“Disse mais Davi: Como vive o Senhor, ou o Senhor o ferirá, ou chegará o seu dia e morrerá, ou descerá para a batalha e perecerá.”
(1Samuel 26.10)

Infelizmente há muitas pessoas nas igrejas que vêem e tratam Deus como se Ele fosse um boneco de ventríloquo, que age conforme as orientações que lhes são repassadas e de acordo com a vontade de seu guia.

A vontade de Deus, porém, é soberana. E deve ser respeitada como tal. É a vontade de Deus que determina a existência e os acontecimentos de todas as coisas.

“E esta é a confiança que temos nEle, que se pedirmos alguma coisa segundo a Sua vontade, Ele nos ouve.” (1João 5.14)

“Deus é amor”. Essa é uma frase bastante ouvida por aí. Expressa a bondade, o perdão e os favores imerecidos que Deus nos concede. Mas o que percebemos lucidamente é que prega-se somente que Deus é amor... raras vezes que Ele é justiça e fogo consumidor.

Muitas pessoas esperam somente as providências “boas” de Deus para suas vidas e se esquecem que Deus não é alguém que Se deixa manipular e obedece a outrem. É Ele o Senhor do universo e Ele mesmo quem corrige e exorta sempre que se fizer necessário. A ira de Deus diante da nossa desobediência, porém, é o que, muitas vezes, não conseguimos suportar... nos parece pesada demais. Deus não é um tirano cruel, contudo, não devemos esperar de Deus somente as bênçãos. Deus corrige e açoita todos quantos ama (Provérbios 3.11-12).

Toda a natureza, por maior que seja o seu esplendor e grandeza física, obedece o mandar de Deus (que é o controlador do Universo), sem questioná-Lo nem desrespeitá-Lo. O ser humano, porém, embora seja, fisicamente, dos menores e mais frágeis seres da Criação, é a única criatura de Deus que faz pouco caso de seu Criador, que Lhe desobedece, Lhe critica, questiona, com Ele discute... e desrespeita! É o único dotado de inteligência porém o mais trabalhoso de todos para o Senhor. E a inteligência do homem não o isenta de ser corrigido por Deus e de conhecer Sua ira quando Lhe desobedecer ou rejeitar. O profeta Habacuque viu tanto furor no agir de Deus para com todos que desprezaram Seus estatutos e caminhavam segundo suas próprias vontades, que chegou a questionar a origem de tamanho castigo: “será contra os rios... ou contra o mar?” (Habacuque 3.8). Aparentemente, a pequenez do homem não lhe permitiria provocar tanta ira no Senhor... mas o contrário é verdadeiro: a grande ira de Deus é sobre os homens... sobre todos os homens da terra que não O reconhecem como único Senhor e Deus e que não atentam para Seus mandamentos.

“Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a Sua boa vontade.” (Filipenses 2.13)

Cristo também nos ensinou que a vontade do Senhor não pode ser manipulada e deve prevalecer. A missão que Jesus tinha nesse mundo era árdua e comovente aos homens de bom coração. Morrer numa cruz e se fazer maldito diante de Deus, ainda que se não tivesse pecado algum (como era o caso de Jesus – a única exceção entre os homens), era algo tenebroso e vergonhoso para todos da época. Jesus sabia que morreria assim, mas obedeceu e, em momento algum, deixou sua vontade de se ver livre desse cálice penoso se sobrepor à vontade de Deus:

“Pai, se queres, passa de Mim este cálice; todavia, não se faça a minha vontade, mas a Tua.” (Lucas 22.42)

Confiar em Deus e crer que Sua vontade para nossas vidas é boa e necessária, e permitir ao Senhor agir em sua vida segundo Seus desígnios (que são infinitamente maiores, melhores e mais corretos que os dos homens), permitiu a Davi agir sob a direção de Deus.

“O Senhor, porém, me guarde de que eu estenda a mão contra o ungido do Senhor. Agora, pois, toma a lança que está à sua cabeceira, e a bilha d'água, e vamo-nos.” (1Samuel 26.11)

Davi entendeu que Deus o direcionaria e assim Lhe permitiu fazer. Ele sabia que, guardado pelo Senhor, poderia tomar a atitude correta. E realmente tomou. Davi não sujou suas mãos com o sangue de Saul. Mas este mesmo teve o fim que lhe foi merecido, através das situações que o próprio Deus permitiu acontecer (1Samuel 31).

“Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum.” (Romanos 9.14)

Muitas vezes em nossas vidas preferimos tomar as rédeas da direção nas situações adversas e determinar tudo quanto nos parece certo acontecer. Ditamos o que Deus deve fazer e, se Ele não o faz, procuramos encaminhar todos os fatos segundo aquilo que nos parece justo.

Contudo, a Bíblia não nos isenta das aflições e das perseguições:

“E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições.” (2Timóteo 3.12)

Ela nos ensina, sim, a sermos fiéis a Deus, tementes ao Seu nome e confiarmos que Ele é poderoso e justo para fazer tudo da melhor forma e exatamente como Lhe apraz:

“Sabemos que Deus não ouve a pecadores; mas, se alguém for temente a Deus, e fizer a sua vontade, a esse ele ouve.” (João 9.31)

Haverá um momento em que o Senhor, porém, nos permitirá tomar atitudes que devem estar de acordo com Sua orientação. Para vencer os nossos inimigos e combatermos a guerra que é travada contra muitos filhos de Deus por parte de irmãos dentro da própria congregação, precisamos traçar estratégias para o nosso momento de agir quando Deus permitir.

Davi agiu com estratégia. Ele não fez justiça com as próprias mãos, mas provou para aqueles homens que Ele teve Saul em suas mãos novamente para o matar, porém, preferiu dar-lhe somente provas disso e não executá-lo.

“Tomou, pois, Davi a lança e a bilha d'água da cabeceira de Saul, e eles se foram. Ninguém houve que o visse, nem que o soubesse, nem que acordasse; porque todos estavam dormindo, pois da parte do Senhor havia caído sobre eles um profundo sono.” (1Samuel 26.12)

É indispensável para um cristão traçar estratégias de vida segundo a vontade de Deus. A incerteza gera fragilidade espiritual. E assim ficamos mais expostos aos ataques inimigos.

Para desmoralizar seu inimigo, Davi manteve-se longe dele e em lugar estratégico: sobre o cume do monte:

“Então Davi, passando à outra banda, pôs-se no cume do monte, ao longe, de maneira que havia grande distância entre eles.” (1Samuel 26.13)

A Bíblia nos diz que o Senhor é como os montes que estão em volta de Jerusalém (Salmos 125.1-2). O próprio Davi nos tem declarado Deus em sua vida como o rochedo forte:

“O Senhor é a minha rocha, a minha fortaleza e o meu libertador; o meu Deus, o meu rochedo, em quem me refúgio; o meu escudo, a força da minha salvação, e o meu alto refúgio.” (Salmos 18.2)

Ele estava sobre o cume do monte porque sabia que Deus o tornava alguém fortalecido em Si:

“Desde a extremidade da terra clamo a ti, estando abatido o meu coração; leva-me para a rocha que é mais alta do que eu.” (Salmo 61.2)

E Isaías nos instrui a fazermos o mesmo:

“Confiai sempre no Senhor; porque o Senhor Deus é uma rocha eterna.” (Isaías 26.4)

E o próprio Deus declara:

“Há outro Deus além de Mim? Não! Não há outra Rocha que Eu conheça.” (Isaías 44.8b)

Detectar o problema e permiti-lo permanecer como está não é a solução. Sabendo disso, Davi não deixou seu inimigo adormecido, mas o afrontou com ousadia e autoridade para combatê-lo:

“E Davi bradou ao povo, e a Abner, filho de Ner, dizendo: Não responderás, Abner? Então Abner respondeu e disse: Quem és tu, que bradas ao rei? Ao que disse Davi a Abner: Não és tu um homem? E quem há em Israel como tu? Por que, então, não guardaste o rei, teu senhor? porque um do povo veio para destruir o rei, teu senhor. Não é bom isso que fizeste. Vive o Senhor, que sois dignos de morte, porque não guardastes a vosso senhor, o ungido do Senhor. Vede, pois, agora onde está a lança do rei, e a bilha d'água que estava à sua cabeceira.” (1Samuel 26.14-16)

Davi chamou seu inimigo para dialogar. Partiu dele essa iniciativa. Assim também haverá momentos em que, podendo nos apresentar sem nada que nos envergonhe diante daqueles que nos oprimem, o próprio Deus criará situações onde um diálogo pacífico deverá acontecer. E nós teremos que deixar nosso orgulho de lado para enfrentarmos, frente a frente, as pessoas que nos querem diminuir. Muitos grandes problemas podem ser resolvidos através de um simples diálogo. Contudo, há situações em que nossas atitudes devem ser outras.

Deus criou toda a situação para Davi. Ele mesmo fez cair um sono profundo sobre aquelas pessoas para que Davi pudesse se apossar dos objetos de Saul e depois promover uma acareação (1Samuel 26.12). Esse foi o momento em que Deus permitiu que Davi agisse. Em nossa vidas, porém, nem sempre será necessário afrontar as pessoas numa acareação. Mas a nossa atitude será orar por elas, entregar todas nas mãos do Senhor, jejuar em prol de sua libertação, para que haja transformação daquelas vidas que podem vir a ser verdadeiras bênçãos nas mãos do Senhor. A Palavra nos ensina:

“Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem.” (Mateus 5.44)

“Abençoai aos que vos perseguem; abençoai, e não amaldiçoeis.” (Romanos 12.14)

Essa atitude demonstra parte da limpeza que deve existir no coração de quem ama e teme ao Senhor. Davi pôde indagar: “Por que o meu senhor persegue tanto o seu servo? Que fiz eu? E que maldade se acha na minha mão?” (1Samuel 26.18), porque estava limpo para que não fosse envergonhado diante do inimigo. Dessa forma, as pessoas e o próprio maligno reconhecem um servo autêntico de Deus:

“Saul reconheceu a voz de Davi (...)” (1Samuel 26.17)

E, de Gênesis ao Apocalipse, a Bíblia nos orienta a nos mantermos em comunhão, sem nos contaminar... mas vivendo segundo o Espírito nos direcionar, para que não tenhamos de que nos envergonhar.

"Em tudo te dá por exemplo de boas obras; na doutrina mostra integridade, sobriedade, linguagem sã e irrepreensível, para que o adversário se confunda, não tendo nenhum mal que dizer de nós." (Tito 2.7-8)

“Eu sou o Senhor vosso Deus; portanto santificai-vos, e [sede santo]s, porque eu sou santo.” (Levíticos 11.44)

“Vós sois o sal da terra; mas se o sal se tornar insípido, com que se há de restaurar-lhe o sabor? Para nada mais presta, senão para ser lançado fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem os que acendem uma candeia a colocam debaixo do alqueire, mas no velador, e assim ilumina a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.” (Mateus 5.13-16)

"Procura apresentar-te diante de Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade." (2Timóteo 2.15)

"Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito." (Gálatas 5.25)

Agindo com cautela e com bom testemunho diante de Deus e dos homens, o inimigo reconhece e admite a honra de um ungido de Deus, ainda que este inimigo seja pessoas de nossa própria congregação. Saul reconheceu esse atributo de Davi e teve que admitir seu erro diante de milhares de pessoas:

“Então disse Saul: Pequei; volta, meu filho Davi, pois não tornarei a fazer-te mal, porque a minha vida foi hoje preciosa aos teus olhos. Eis que procedi como um louco, e errei grandissimamente.” (1Samuel 26.21)

Isso aconteceu porque Davi se humilhava diante de Deus, reconhecendo-O como único Juiz, único Senhor e único capaz de conduzir sua vida. E, ao seu tempo, Deus o exaltou.

“Chegai-vos a Deus, e Ele Se chegará a vós. Limpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai o coração. Senti as vossas misérias, e lamentai, e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo, em tristeza. Humilhai-vos perante o Senhor, e Ele vos exaltará.” (Tiago 4.7-10)

“E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido.” (Gálatas 6.9)

“Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte.” (1Pedro 5.6)

Saul, vendo a atitude honrada de Davi, não lhe ousou fazer mal, mas se colocou em seu lugar, em relação a um ungido de Deus. Seguiu seu caminho como bem desejou, mas contemplou a glória de Deus na vida de Davi.

“(...) Então Davi se foi pelo seu caminho e Saul voltou para o seu lugar.” (1Samuel 26.25b)

Servos de Deus, porém, não confiam na palavra do mal nem na aparente calma durante a guerra, então apressadamente fogem da aparência do mal para que não se detenham pelo caminho que devem trilhar até chegar ao Senhor.

“Disse, porém, Davi no seu coração: Ora, perecerei ainda algum dia pela mão de Saul; não há coisa melhor para mim do que escapar para a terra dos filisteus, para que Saul perca a esperança de mim, e cesse de me buscar por todos os termos de Israel; assim escaparei da sua mão. Então Davi se levantou e passou, com os seiscentos homens que com ele estavam, para Áquis, filho de Maoque, rei de Gate.” (1Samuel 27.1-2)

Davi sabia que não podia confiar no homem, por mais que suas intenções fossem boas. As decisões dos homens podem ser transitórias. Elas se firmam hoje e se desfazem amanhã. Saul havia decidido deixar Davi em paz. Mas quem garantiria a Davi que seu inimigo não tentaria algo contra ele no futuro novamente, como da primeira vez em que Davi o pode matar mas o deixou com vida? Contudo, Davi preferiu não confiar em sua aparente bondade. Ele mesmo nos escreveu:

“Não confieis em príncipes nem em filhos de homens, em quem não há salvação. Sai-lhes o espírito, e eles tornam para sua terra; naquele mesmo dia, perecem os seus pensamentos. Bem-aventurado aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio e cuja esperança está posta no Senhor, seu Deus.” (Salmos 146.3-5)

A falibilidade humana é inevitável, independente do tipo de berço em que o homem tenha nascido: seja rico, seja pobre, tenha um nome em evidência ou não, seja mais ou menos estudado, seja um líder religioso ou não... a cova determina o fim de seus pensamentos e atitudes sobre a terra (e após isso, segue-se o juízo – Hebreus 9.27).

Davi, inspirado pelo próprio Deus, nos orienta a não confiarmos em príncipes, porque são instituídos por homens... e, por mais que possuam riquezas neste mundo, pelo simples fato de serem humanos, são falíveis. São homens e filhos de homens, comuns como qualquer um de nós. Portanto... falíveis!

Num momento de decisão, ímpar em sua vida, Davi preferiu confiar em Deus e permiti-Lo agir com justiça em seu favor. O próprio Senhor, no livro de Jeremias, frisa bem que O encontraremos quando O buscarmos de todo o nosso coração (Jeremias 29.13). Deus não tem cobrado isso de nós por ser Ele um Deus egoísta, que pensa somente em agradar a Si próprio recebendo louvores de quantas mais pessoas Ele puder convencer a se voltarem para Si. Mas Ele tem nos instruído a estar sob Sua dependência – como Davi viveu – exatamente por ter consciência, em Sua infinita sabedoria e visão, que o júbilo daqueles que vivem segundo as vontades do mundo é breve, e que a alegria daqueles que, como sepulcros caiados se escondem atrás da imagem da santidade e fingem viver segundo os preceitos do Senhor, dura apenas um momento.

Deus nos ama tanto que tem nos alertado constantemente sobre a necessidade de vivermos com honestidade de coração em Sua presença e seguindo com franqueza os Seus desígnios. Ele Se preocupa porque sabe que ninguém mais, além dEle mesmo, poderá nos dar a verdadeira paz e a alegria que dura por toda a eternidade!

A nós, basta crer e viver com atitudes que demonstram essa fé no Senhor, a fim de permiti-Lo conduzir toda nossa vida.

A fé é imprescindível para termos uma vida de paz com Deus. E a vida com Deus é muito gratificante.

É maravilhoso acordar todos os dias tendo a certeza que temos alguém em que podemos confiar, alguém que estará sempre ao nosso lado nos ajudando a enfrentar todo e qualquer problema que se levante contra nós. Alguém que não mede esforços para nos ver felizes e que Se alegra com nosso bem, porque Ele só quer o nosso bem. É maravilhoso saber que alguém Se preocupa conosco e pode e quer sempre nos ajudar a vencer. É fantástico saber que somos protegidos por uma força tremenda, que a nada pode ser comparada, portanto jamais derrotada. É maravilhoso poder confiar em Deus e saber que nossa paciência não é vã e que não há razões para nos preocupar porque Ele tem o melhor para nos dar. É maravilhoso viver tendo o consolo da certeza que as dificuldades da vida passarão, e que um lugar de descanso e paz nos espera na vida vindoura; que a morte não é o nosso fim; que há um lugar de honra sendo preparado para todos os que vivem a vida de Deus e somente a Ele amam e servem, “porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura” (Hb 13.14).

É simplesmente maravilho ter paz de espírito e não nos preocupar com o dia do amanhã, sabendo que somos herdeiros do que nunca vai se acabar: a vida eterna e a glória que há no céu. É gratificante adorar e servir a Deus, tendo a certeza que Ele nos guarda e livra de todo o mal, que Ele verdadeiramente nos ama e trabalha pela nossa felicidade.

A Deus seja dada toda honra e toda glória para sempre!