sábado, 11 de março de 2006

Aba, Pai!

Aba, Pai!

(Primeira publicação em nosso antigo blog: 07/01/2005)

Deus instituiu "pastores" para conduzir o Seu rebanho, e não "papas" nem "padres". Desde o Antigo Testamento já encontramos esse termo citado pelo próprio Deus:

"E vos darei pastores segundo o Meu coração, que vos apascentem com ciência e com inteligência." (Jeremias 3.15)


"Obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles, porque velam por vossa alma, como aqueles que hão de dar conta delas." (Hebreus 13.17)

A palavra "papa" vem do latim "papa" que significa "pai". Cristo, porém, foi bem claro ao exortar que ninguém poderia ser chamado de pai (no âmbito espiritual) a não ser Deus:

"E a ninguém na Terra chameis vosso pai, porque um só é o vosso Pai, o qual está no céu. Nem vos chameis mestres, porque um só é o vosso mestre, que é o Cristo."
(Jesus Cristo, em Mateus 23.9-10)

Vejo, nestas palavras, Jesus outorgando aos homens salvos uma das maiores bênçãos que podemos receber: o direito de chamar o mais nobre de todos os seres de "Pai". Vejo também, da parte de Jesus, um zelo profundo a esse atributo exclusivo de Deus, que quer ser, somente Ele, o nosso "Papai".

A expressão "pai" é um termo muito amplo. O conceito mais aceitável de "pai" exprime que "pai" não é somente aquele que gera, mas, principalmente, aquele que cuida. Esses cuidados, porém, não se remetem somente às necessidades espirituais mas também às materiais e da ordem sentimental também.

Portanto, vemos aqui uma impossibilidade de termos um "pai" terreno, como quer a igreja católica romana. Pois, por mais que o "papa" se esforce em suprir nossas necessidades espirituais (ainda que não possa, porque é homem como nós), ele jamais poderia suprir as necessidades materiais ou sentimentais do mundo todo.

Porém, Deus, O Pai Celeste, é o único Ser que tem essa condição. Ele tanto pode suprir (e tem suprido) muito bem as necessidades materiais dos Seus filhos, quanto supre-nos com espiritualidade irrevogável e cuida também dos nossos sentimentos, modificando-os, interrompendo-os ou expandindo-os, conforme for preciso.

"Vosso Pai sabe o que vos é necessário antes de vós lho pedirdes." (Mateus 6.8)
"Ele [Deus] tem cuidado de vós." (1Pedro 5.7)

Quando Jesus nos exortou a sermos como crianças para podermos entrar no Reino dos Céus (Mateus 18.3-4), Ele não fez isso por acaso. Havia um propósito muito grande em nos ensinar que devemos viver como "filhos do Pai", nascidos dEle, cuidados por Ele, educados por Ele, dependentes dEle, unidos a Ele, fiéis a Ele, sinceros com Ele, obedientes a Ele, amando-O, respeitando-O, dividindo com Ele todos os nossos momentos com cumplicidade e intimidade.

Como crianças caminhando com seus papais, nós também estamos seguindo pela estrada da vida, sabendo que nossa passagem aqui neste mundo é breve, "porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura."(Hb 13.14)

Às vezes parece um pouco difícil para a pequena criança acompanhar os passos largos de seu pai, o que a leva, muitas vezes, um pouco arrastada pelo bracinho para seguir o ritmo do adulto. Bem assim tantos de nós não conseguem acompanhar os pensamentos de Deus, Suas estratégias, Seu agir. O andar de Deus nos parece impossível de ser acompanhado... então, muitos desistem de andar por esse caminho.

"Os jovens se cansarão e se fatigarão, e os mancebos cairão, mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças; subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; andarão, e não se fatigarão." (Isaías 40.30-31)

Em sua caminhada, muitas vezes a criança se distrai com propagandas, imagens, pessoas, prédios, luzes, cores, movimentos. E, no ímpeto de não parar, o pai se vê obrigado a puxar seu filho pelo braço para continuar. Uma dessas distrações poderiam levar a criança a se desprender da mão de seu pai e a se perder do seu destino. Mera semelhança? Não. Absolutamente.

Quantas vezes, no caminho para o céu, o maligno usa de todo tipo de distração para nos induzir a soltar-mos a mão do nosso Pai, dominados pelos encantos do mundo! Os "puxões" que recebemos do Pai para continuar são Suas exortações e conselhos, que tanto nos abençoam e fortalecem. Distraídos, podemos deixar o caminho da salvação. Podemos ficar pelo meio do caminho e não chegarmos ao destino.

"Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios." (1Timóteo 4.1)

Quando a criança caminha desprendida da mão de seu papai, corre o sério risco de cair... e, como cai!!! Porém, estando firmemente segura em seu pai, não estará livre de tropeçar nem de se esbarrar em alguma coisa. Contudo, o máximo que poderá lhe acontecer é conseguir alguns arranhões, hematomas ou pequenos ferimentos.

Com Deus em nossas vidas não é diferente. Seguros em suas mãos, jamais nos prostramos, por mais provas e tentações que passemos. A mão do Senhor não nos deixa cair. É certo que da vida obteremos arranhões, hematomas, feridas. É inevitável. Desprendidos da mão de Deus, porém, não temos a menor possibilidade de ficarmos em pé diante de qualquer adversidade.

"Eu, o Senhor teu Deus, te seguro pela tua mão direita, e te digo: Não temas; eu te ajudo." (Isaías 41.13)

Quando uma criança fica assim, distraída, a primeira atitude de seu pai é exortá-la. E bem assim também é Deus na caminhada com Seus filhos. Ele nos exorta, nos corrige, nos ensina, para que fiquemos atentos e concentrados em nosso destino, que é o Céu. As distrações nos afastam de Deus e comprometem nossa ida para a Glória.

"Filho meu, não rejeites a correção do Senhor, nem te enojes da Sua repreensão; porque o Senhor repreende aquele a quem ama, assim como o pai ao filho a quem quer bem." (Provérbios 3.11-12)

Mas ser pai não significa ser alguém duro, disposto somente a exortar e corrigir. Um pai de verdade dá afeto ao seu filho, faz questão de acompanhá-lo em todos os seus momentos, provê seu alimento com satisfação, cuida com carinho nas horas enfermas, acalenta nas horas de tristeza e sabe dizer palavras confortantes, abençoa ao invés de amaldiçoar, não mede esforços por nos dar sua proteção e nos garantir segurança, se preocupa sempre em oferecer o melhor... E é exatamente isso o que Deus faz com Seus filhos.

"Como um pai se compadece de seus filhos, assim o Senhor se compadece daqueles que o temem." (Salmos 103.13)

Em nossa vida, Deus quer sempre estar presente, fazendo parte de todos os nossos momentos e dividindo conosco a alegria e o triunfo. Também não deixa faltar o alimento material e espiritual de Seus filhos.

"Decerto, vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas essas coisas." (Mateus 6.32)

Para as enfermidades do corpo, Ele mesmo se encarrega de providenciar a cura; e para as enfermidades a alma Ele mesmo é o bálsamo.

Nossas tristezas e desilusões podem ser plenamente sucumbidas pelo carinho dos braços do Pai e pelo afago de Suas mãos. Suas palavras confortam o nosso ser de forma incomparável.

Deus, também, sempre projeta bênçãos para Seus filhos. A maldição é reservada para aqueles que não O aceitam como Pai. É conseqüência na vida de todos os que não vivem com Ele, porque o mal, automaticamente, está onde Deus não está. Aos filhos, porém, está decretada dupla honra e o melhor dos bens: a vida eterna.

Como um verdadeiro pai que protege o seu filho e está sempre disposto a dar até mesmo sua própria vida para que seu filho permaneça seguro, assim é Deus para com os Seus filhos. Em Seus braços é o lugar onde há plena segurança e o mal não pode nos alcançar.

Contudo, Deus, consegue exercer Suas atribuições de "Pai" melhor e mais perfeito que qualquer outro pai possa fazer. Um exemplo é que Deus é o mais fiel de todos os pais. Ele nunca promete algo que não venha a cumprir. Muitas vezes o pai se esquece do que prometeu. Deus, porém, jamais se esquece da palavra que sai da Sua boca.

Um pai, muitas vezes não tem a paciência necessária com seu filho. Deus, porém, permanece paciente, calmo e sereno. Um pai, às vezes, exagera para mais ou para menos ao corrigir o seu filho, ao contrário de Deus, que é exato e preciso em todas as Suas decisões e atitudes, fazendo tudo sob a mais perfeita proporção.

Um pai, por mais que se esforce, nunca será completo em se tratando de compreender seu filho, nem estará disposto a dialogar todas as vezes que seu filho o procurar. Mas Deus, que se chama Jeová, compreende Seus filhos mesmo antes que eles Lhe digam algo. E nunca negará diálogo com seus filhos. Ao contrário, quer e demonstra ser necessário que tenhamos um diálogo íntimo e sincero permanentemente com Ele.

"Qual dentre vós é o homem que, se seu filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou, se lhe pedir peixe, lhe dará uma serpente? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhas pedirem?" (Mateus 7.9-11)

Uma criança depende de seus pais para todas as atitudes que deva tomar. Tudo o que ela vive é (ou deveria ser) aprendido com seus pais, pelo menos nos primeiros anos de sua vida, até que seu caráter esteja formado. É por isso que o próprio Jesus nos ensina a chamar somente a Deus de "Pai":

"Aba, Pai!" ["Paizinho!"] (Marcos 14.36)

Ele quis nos privar de aprender os ensinamentos dos homens para o nosso caráter, pois é Deus quem pode citar todos os princípios que devem reger a nossa vida.

Como uma criança busca os braços de seu papai quando está cansada, assim deve ser o nosso relacionamento com Deus. Como uma criança confia em seu pai para suprir suas necessidades, também devemos confiar em Deus. Como uma criança respeita o seu papai e lhe obedece, também devemos respeitar e obedecer ao nosso Deus. Como uma criança, depois de exortada por seu pai, lhe dirige a palavra com amor e está sempre disposta a lhe beijar o rosto, nós também devemos dedicar nosso amor e carinho ao Pai Celestial, que nos tem corrigido porque nos ama e não quer perder nenhum só de Seus filhos.

Muitas pessoas estão privadas desse bem, porque não receberam a Jesus em suas vidas. Através de Jesus, somos feitos filhos de Deus.

"A todos quantos O receberam [a Jesus] deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus." (João 1.12)

Conheçamos, pois, e prossigamos em conhecer ao Senhor (Oséias 6.3), para que possamos desfrutar dos direitos de filhos na Casa do Pai. Pois, enquanto muitos conhecem a Deus somente como uma força, mas nós, lavados e redimidos pelo sangue de Cristo – nosso irmão mais velho - temos o direito e o privilégio de chamar a Deus de "Pai"!