domingo, 19 de março de 2006

O Sagrado Alimento

~ O SAGRADO ALIMENTO~

(Primeira publicação em nosso antigo blog: 14/01/2005)



Lendo um livreto do Nosso Pão Diário (Ministérios RBC – http://www.rbc.net/pt), deparei-me com a seguinte frase:

“A BÍBLIA FOI DESTINADA A SER PÃO PARA O CONSUMO DIÁRIO,
E NÃO UM BOLO PARA OCASIÕES ESPECIAIS.”

A Bíblia é o manual de fé e vida deixado por Deus aos homens, para que possamos conhecer a vontade do Deus Vivo e viver da maneira correta neste mundo.

Até o século XVI, a igreja católica não permitia que a Bíblia fosse lida por leigos. Por vários séculos ela condenou todas as versões da Bíblia Sagrada, exceto a sua própria, que não estava ao alcance do povo.

E, embora seja declarado pelo catolicismo o dogma da infalibilidade papal, onde os papas seriam infalíveis em questões de fé e moral e seus pronunciamentos oficiais são considerados “irreformáveis”, não podendo por isso ser questionados, os concílios e decretos desta igreja e de seus papas têm sido, através dos tempos e com muita freqüência, contraditórios. Alguns papas têm fomentado a leitura da Bíblia por parte do povo; outros a têm condenado. São exemplos a determinação do papa Sixto V (1585-1590), que recomendou a leitura da Bíblia por parte do povo leigo, e do papa Clemente XI (1713, Pio VII (1800-1823), juntamente com outros, que condenaram tal prática.

A Palavra de Deus, porém, em nenhuma passagem, priva alguém de conhecer as Escrituras. Ao contrário, ela nos anima a fazê-lo. O próprio Jesus falou:

"Examinai as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de Mim testificam" (João 5.39).

Paulo também adverte a Timóteo:

"Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a Palavra da Verdade" (2Timóteo 2.15).

No Velho Testamento:

"Eis que rejeitaram a Palavra do Senhor; que sabedoria pois teriam?" (Jeremias 8.9).

O motivo pelo qual se proibiu por tanto tempo a leitura das Sagradas Escrituras, deve-se a outro dogma católico que institui que neste mundo deve haver uma autoridade infalível que interprete as Escrituras. Proclama além disso, que somente ela possui tal autoridade, e que essa “autêntica interpretação da Palavra de Deus” pertence exclusivamente aos bispos da igreja em união com o papa.

E essa doutrina foi levada aos extremos. Durante séculos a Bíblia esteve disponível principalmente nas versões do grego da Septuaginta e da Vulgata Latina, mas não nas línguas comuns dos diferentes povos.

Um precursor da Reforma Protestante, John Wycliff (1220-1384, promoveu a tradução da Bíblia para a língua do povo. Foi então que se traduziu e publicou uma versão inglesa.

John Wycliff era conhecido do rei da Inglaterra e do Senado. Mesmo assim foi condenado pelo papa Gregório XI, que ordenou sua prisão no ano de 1377. Mas ele não foi levado a julgamento, e continuou escrevendo contra o que ele acreditava serem doutrinas e práticas antibíblicas da igreja católica romana.

Já depois de morto, Wycliff foi condenado pelo Concílio de Constança, em 1415, que lhe atribuiu 250 diferentes crimes. Ordenaram que seus restos mortais fossem exumados e retirados para fora do cemitério, o que se fez em 1428. As cinzas de seus restos mortais foram atiradas em um rio próximo.

Outro precursor da Reforma Protestante, William Tyndale (1494-1536), fez uma tradução inglesa da Bíblia das línguas originais hebraica e grega. Não lhe permitiram publicar a obra na Inglaterra, e assim começou a imprimir o Novo Testamento em Colônia, Alemanha, em 1525. A obra foi completada em Worms. Várias cópias entraram por contrabando na Inglaterra, onde foram imediatamente condenadas pela igreja.

Essa tradução converteu-se na base da “Versão do Rei Tiago”, e teve tremendo impacto no mundo de língua inglesa. Tyndale, contudo, foi condenado por heresia, estrangulado e queimado pela Igreja Católica.

O governo repressivo de Maria I (1516-1558). Rainha católica da Inglaterra, pôs fim à impressão de Bíblias neste país durante vários anos. Proibiu-se a leitura pública da Bíblia e condenou-se sua presença nas igrejas.

Em outras partes da Europa a história foi quase idêntica. Um dos monarcas notáveis da Espanha, Jaime I de Aragão (1208-1276), proibiu a possessão da Bíblia em “romance” (língua vernácula espanhola), e ordenou que os que desobedecessem sua ordem fossem queimados.

Se é verdade que o povo não pode entender as Escrituras, por que então Deus ordenou aos pais judeus que as ensinassem a seus filhos e também a torná-las públicas?

“E estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração; e as intimarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por testeiras entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas.” (Deuteronômios 6.6-9)

Por que Esdras, o escriba, lia longos trechos da Bíblia a todo o povo judeu que se havia reunido? (Leia Neemias 8.1-18)

Por que Timóteo sabia as Escrituras desde sua infância, havendo sido ensinado por sua mãe e sua avó?

"Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido. E que, desde a tua meninice, sabes as Sagradas Letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus." (2Timóteo 3.14-15)

Por que as massas populares gostavam tanto de ouvir o Senhor Jesus, se Suas palavras somente pudessem ser entendidas por aqueles que possuíam estudos teológicos?

“(...) E a grande multidão O ouvia de boa vontade.” (Marcos 12.37)

Os saduceus eram alguns dos grupos religiosos dos dias do Senhor Jesus. Leiamos as palavras que o Senhor lhes dirigiu:

"Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus." (Mateus 22.29)

É difícil subestimar a importância da Bíblia para o verdadeiro crente.

a) Pela Palavra de Deus somos nascidos de novo:

“(...) tendo sido regenerados, não de semente corruptível, mas de incorruptível, pela palavra de Deus, a qual vive e é permanente.” (1 Pedro 1.23)

b) Por meio da Palavra de Deus crescemos na graça:

“Desejai ardentemente, como meninos recém-nascidos, o puro leite espiritual, para por ele crescerdes para a salvação.” (1Pedro 2.2)

c) Graças à Palavra somos guardados do pecado:

“Como purificará o jovem o seu caminho? Observando-o segundo a Tua Palavra.” (Salmos 119.9)

d) Somos limpos por meio da Palavra. Cristo orou desta forma por aqueles que haviam de segui-Lo:

“Santifica-os na verdade; a Tua Palavra é a verdade.” (João 17.17)

e) A Bíblia ilumina todas as nossas decisões e nos ensina a permanecermos sempre no centro da vontade de Deus.

“Lâmpada para os meus pés é a Tua Palavra e luz, para o meu caminho.” (Salmos 119.105)

f) A Palavra tem tantos benefícios que o salmista chega a dizer:

“Mais preciosa é para mima lei da tua boca do que milhares de moedas de ouro e de prata.” (Salmos 119.72)

O livro de Apocalipse, versículo 3 do capítulo 1, nos adverte explicitamente:

“BEM-AVENTURADO É AQUELE QUE LÊ, E OS QUE OUVEM AS PALAVRAS DESTA PROFECIA, E GUARDAM AS COISAS QUE NELA ESTÃO ESCRITAS.”

Recursar-se a ler a Bíblia é sinônimo de permanecer na ignorância absoluta e tornar-se presa fácil para o sofrimento e a destruição.

“O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento.” (Oséias 4.6)

Amados, não podemos nos orgulhar dos anos em que nossas Bíblias foram consideravelmente pouco usadas, ou, simplesmente, usadas como um adorno para a estante da sala. Durante este tempo, nós, que estivemos alheios à prática a leitura bíblica, estivemos caindo aos pedaços. Certo professor da Bíblia dizia que “todo crente deveria gastar uma cópia da Bíblia, cada dez anos.” Em outras palavras, nós deveríamos usar tanto as nossas Bíblias até que se gastem gradualmente. Lembre-se:

“UMA BÍBLIA QUE ESTÁ CAINDO AOS PEDAÇOS
GERALMENTE PERTENCE A ALGUÉM QUE NÃO ESTÁ!”

Que Deus ilumine os vossos corações e desperte em todos o desejo ardente de ler, crer e praticar a palavra de Deus! Pois:

“O homem tem que: ler a Bíblia para ser sábio,
crer na Bíblia para ser salvo,
praticar a Bíblia para ser santo!”