terça-feira, 28 de março de 2006

Prosseguir... como Jesus!


Falando sobre Jesus Cristo, a nossa impressão é que Ele, por ser o Filho de Deus, sempre teve uma vida maravilhosa, sem lutas nem provas, sem problemas na Sua juventude, envolvido por poderes sobrenaturais que Lhe privavam do sofrimento terreno em toda a Sua história como homem nesta terra. Muitos de nós limitam o sofrimento de Cristo às dores que Ele sofreu no Calvário.

Grande engano o nosso!

Certo é que Jesus foi cem por cento Deus, contudo foi também cem por cento homem, de carne e osso, humano no sentido integral da palavra (Romanos 8.3-4). Ninguém foi mais homem que o Filho de Deus.

A diferença entre Cristo e nós é que Cristo não viveu em pecado, embora tivesse toda estrutura para pecar. Ele Se fez fraco, tornando-se carne, para nos ensinar como sermos fortes diante das adversidades. Ele teve que Se adaptar e lutar contra a natureza humana, para confrontar emocionalmente todas as situações. Sua vida não foi uma vida à parte das emoções internas. Tudo o que nós passamos Ele também passou, mas o fez sem pecar.

Jesus nasceu numa manjedoura, não teve privilégios, nem mesmo opções de escolhas para sobreviver. Ele esperou 30 anos pelo dia em que entraria na sinagoga para Se revelar como aquela pessoa que havia sido predita pelo profeta Isaías setecentos anos antes do Seu nascimento (Isaías 61.1-3 com Lucas 4.14-30). Contudo, foi expulso de lá, isto é, não foi aceito pelos que estavam presentes.

A estrutura de vida de Jesus não foi tranqüila, a começar pela Sua origem. Jesus era judeu e cresceu num mundo hostil, difícil, onde Ele não poderia fazer tudo o que queria na Sua condição humana. O povo judeu era explorado, escravizado pelos romanos, em bens e em tudo o que possuíam. Mas isso não fez de Jesus um homem agressivo para com os Seus.

Era filho de um carpinteiro que era Seu pai humano mas que não era Seu pai legítimo. Era um incômodo na história da vida de Jesus, e ainda assim, não cresceu revoltado, amargurado, como nós faríamos (ou fizemos) na nossa adolescência.

Jesus cresceu, viveu e aprendeu a profissão pela qual Ele iria morrer. Ele aprendeu esse ofício com seu pai José. E o fato de saber que morreria numa cruz, pregado com pregos em madeiro (materiais que Ele manipulou a vida inteira no Seu ofício de carpintaria), isso somente era motivo suficiente para torná-Lo alguém estressado, depressivo, masoquista, desanimado de Seu viver. Contudo, nem isso fez de Jesus um homem que sempre esperasse o pior da vida.

Jesus aprendeu todos os ritos da religião judaica. Ele tinha que ir a Jerusalém uma vez por ano para oferecer sacrifícios. E tais sacrifícios judaicos eram cheios de detalhes minuciosos. Jesus sabe que qualquer inversão no ritual, qualquer falha, por menor que fosse, tornaria aquele sacrifício inválido. Jesus via aquele cordeiro sendo morto e, nem mesmo o fato de saber que aquilo tudo se repetiria com Ele um dia, O fez deixar de ter gosto de ir para a Casa do Pai. Ele tinha prazer de oferecer sacrifícios a Deus.

Ele teve que Se relacionar socialmente, mas nunca foi reconhecido. Mesmo assim, Ele não Se tornou uma pessoa fechada. Ele não ficou ressentido com as intolerâncias e com as cegueiras que provinham daqueles que eram iguais a Ele mas que O desprezavam e O desmereciam a todo tempo.

Jesus era um excelente professor. Mas sempre que colocou Sua autoridade e sabedoria em público, Ele foi discriminado e incompreendido. Havia sempre um questionamento amargo das pessoas que O ouviam e provocavam. Mas Ele nunca Se deixou perturbar, nunca ficou indignado. Porém, manteve-Se equilibrado, sensível e amável, consolando Seu coração com o exemplo dos profetas do passado, que passaram por situações semelhantes mas não desistiram pelo caminho. Embora fosse sempre contrariado ao ensinar por causa da dificuldade de Seus discípulos em entendê-Lo, Ele sempre acreditou no íntimo de cada um dos Seus seguidores, e utilizava, com paciência, a ignorância das pessoas para instruí-las acerca do Reino de Deus.

O fato de ter vindo para os Seus e não ter sido aceito por eles (João 1.11), essa Sua marca de vida, isto é o Seu propósito específico que era o de vir e saber que nem sempre seria aceito por todos, fez com que Jesus chorasse, mas não Se rendesse à rejeição. Ao contrário, isso O impulsionava a acreditar que havia fé no mundo. E quando Ele encontrava um coração cheio de fé, ali o nome de Deus seria glorificado.

Como se não bastasse, Jesus seria traído e passaria por julgamentos falsos. Seria vendido pelo valor de um escravo (as 30 moedas de prata que Judas recebeu para denunciar Cristo, mesmo depois de ter andado com o Mestre e recebido Seus ensinamentos, equivaliam ao preço de um escravo). Jesus, porém, consciente do valor da amizade, embora tendo sido decepcionado por Seu discípulo, Ele o olha com amor pra Judas e o saúda como "amigo" no momento em que este O denunciava com um beijo aos soldados que O queriam prender (Mateus 26.50). Ele não o xingou, nem condenou ali, nem o tornou pior, menor que ninguém. É possível entender Jesus dando a Judas mais uma oportunidade para refazer sua vida pessoal diante de Deus no momento em que recebe o beijo da traição, quando Ele o faz refletir: "Com um beijo trais o Filho do Homem?" (Lucas 22.48). Mesmo sendo traído, Jesus continuou amando seu discípulo.

Como se isso não bastasse para destruir a integridade de uma pessoa, Jesus seria espancado e humilhado na Sua crucificação por soldados romanos. Em uma crucificação, para evitar revoltas, entre 400 a 600 soldados, aproximadamente, eram dispostos para o evento. Não precisaria tantos homens para prender Jesus, pois Ele Se entregou com calma, sem renúncias nem ansiedade de morrer de uma vez (como muitos de nós clamam que aconteça a fim de terminar logo o nosso sofrimento). O profeta chega a dizer que Ele foi "como ovelha muda para o matadouro" (Isaías 53.7). Poderia usar Seus poderes para Se libertar daquelas amarras, mas Se silenciou diante da injustiça e da violência incoerente e irracional a que estava sendo disposto.

Ele foi trocado por Barrabás. No ápice da crucificação, as pessoas aplaudiam a soltura de um criminoso como se ele tivesse feito algum ato heróico em sua vida, enquanto o verdadeiro Herói do mundo era ridicularizado por aqueles a quem Ele tanto amou. E depois de crucificado, Sua filiação, Seu poder, Sua intimidade com o Pai foram questionados pelas pessoas incrédulas. Mas Ele não relevou tal ironia e, no meio da desconfiança daqueles que antes testemunhavam Seus milagres e que, agora, diante da cruz, já não criam que Ele podia fazer algo para Si, Jesus fez mais um milagre: instruiu Seus seguidores a se consolarem uns aos outros (João 19.26-27). E ainda assim, Ele não Se revelou triunfalista, mas de uma maneira doce e equilibrada emocionalmente, Jesus afirmou com duas palavras: "Está consumado!" (João 19.30).

Que equilíbrio emocional este! Que saúde para os relacionamentos e para a vida tinha Jesus!


Com todas as dificuldades da vida que teve, Cristo nos convidou a encontrar descanso, a receber dEle um fardo mais leve, a adquirir alívio para as nossas almas na pessoa dEle: "Vinde a Mim, todos os cansados e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei" (Mateus 11.28-30). Quem disse isso foi alguém que nunca teve, aos nossos olhos, sossego na vida.

Quando Jesus ouviu, em vida, a notícia da morte de João Batista, vemos um dos momentos de angústia do Mestre, onde Ele Se retira para um local deserto, isolado, provavelmente para orar e chorar a perda de Seu primo, o precursor do Messias na terra.

Contudo, vendo uma multidão necessitada, carente da Sua Palavra, do Seu trabalho, Jesus não Se priva mais. Ele supera mais uma dificuldade de perda e vai àquela multidão para curar os seus enfermos.

Dentre as tantas lições de vida que Jesus nos dá, elaboramos este resumo sobre a História de Cristo para destacar a importância do "continuar", do "prosseguir", do "enfrentar de frente" todos os nossos problemas, sem desfalecer. Jesus, em Sua condição humana, era firmado, fortalecido em Deus. E Ele deixou este glorioso exemplo para nós.

Ser discípulo de Jesus é saber que a vida dEle tem que refletir no nosso discipulado, isto é, na nossa vida também. Esse equilíbrio tem que fazer parte das nossas atitudes e nos manter firmes no caminho que Deus estabeleceu para nós.

Mesmo sob a vulnerabilidade e as limitações da sua condição humana, em Sua árdua caminhada Jesus nunca desistiu de nada porque queria nos ensinar a superarmos tudo.

Vamos orar...



"Faltam palavras, meu Deus e Pai,
para expressar a Ti a gratidão que tenho
pelo Cristo Vivo ter sido e continuar sendo tudo o que foi e é para nós.
Reconheço que Ele é o motivo que impulsiona minhas forças
para prosseguir quando elas querem se acabar.
Por isso, ainda prossigo.
E sigo confiante que chegarei ao lugar estabelecido por Ti.
Sim, Senhor, eu chegarei para Ti e Te louvarei pessoalmente,
porque Jesus já traçou todo o caminho e me deu todas as condições
para continuar nele, por mais que forças opressoras queiram me desviar.
Obrigado, meu Senhor, por tanto amor e paciência comigo!
Humilde, encarecida e eternamente, muitíssimo obrigado!
Amém."