sábado, 4 de março de 2006

Zaqueu e prosperidade da alma

Zaqueu e a Prosperidade da Alma

(Primeira publicação em nosso antigo blog: 22/02/2005)


Em muitos momentos de nossas vidas nos deparamos com situações onde os bens materiais parecem ser a única solução para resolver os nossos problemas. São situações onde buscar a espiritualidade e o companheirismo do Divino parece não fazer muito sentido, porque não aparenta ser possível que do espiritual obtenhamos a resposta que gostaríamos de obter diante dessas dificuldades.

Quero falar sobre Zaqueu.

A Bíblia não nos diz que ele sofria necessidades materiais. Ao contrário, Zaqueu era um publicano cobrador de impostos. Homem de pequena estatura, porém, muito rico. E esse homem foi, a meu ver, um dos maiores exemplos de corações necessitados de uma novidade de vida que se manifestaram ao Filho de Deus e receberam o seu troféu de vitória.

Sob uma ótica materialista, Zaqueu possuía tudo o que era necessário para ser feliz: era homem renomado (chefe dos publicanos), conhecido e respeitado em todos os cantos da cidade e possuidor de bens, pois era rico.

Contudo, ao meditar a história do publicano Zaqueu, encontro nesse homem sentimentos que poderiam ser traduzidos nos dias atuais como a solidão e o vazio interior, haja visto Zaqueu ser considerado por muitos como "um homem pecador" (leia Lucas 19.7), o que provavelmente fazia com que a maioria das pessoas se afastassem dele. Eram sentimentos que o tornavam desejo de uma novidade de vida:


"E procurava ver quem era Jesus e não podia, por causa da multidão, pois era de pequena estatura." (Lucas 19.3)


Ele queria ver quem era Jesus. Até aquele dia em que Jesus entrou em Jericó, Zaqueu via somente o que seus limites materiais permitiam. De repente, Se aproxima dele alguém cujas vestes eram simples e as sandalhas em muito gastas; alguém que não tinha um teto onde reclinar a cabeça (Mateus 8.20), nem possuía nenhum parecer ou formosura (Isaías 53.2). Era alguém que não possuía uma sala de aula mas que Se servia das pedras das encostas e da areia do deserto para explicitar os mais sábios ensinamentos que já se viu em toda a história da humanidade. Alguém que, embora tenha conhecido a pobreza e com ela tenha feito muita intimidade, jamais ensinou ao homem a ajuntar tesouros nesta terra.


"Não ajunteis para vós tesouros na terra; onde a traça e a ferrugem os consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem os consumem, e onde os ladrões não minam nem roubam." (Mateus 6.19-20)


Esse homem era Jesus.

Que coisa intrigante para Zaqueu era conhecer alguém que não via nos bens materiais ou no dinheiro a razão da vida, mas anunciava uma nova vida onde a comunhão com Deus era o bem mais precioso! Que coisa interessante para Zaqueu era ver o Messias, aquele que era esperado pelos povos como alguém entronizado, cheio de riquezas e títulos, andando em meio às multidões de enfermos e pobres, curando-os e ensinando-os uma nova maneira de vida: uma vida separada do materialismo e ligada à espiritualidade celestial.

Zaqueu se interessou por conhecer esse Jesus. E esse, sem dúvidas, é o primeiro passo para se obter a verdadeira felicidade: querer conhecer Jesus.

Atualmente nos falta esse interesse que o publicano demonstrou. Acreditamos que conhecemos o bastante de Cristo somente por freqüentar regularmente aos cultos e ouvir mensagens a seu respeito. Zaqueu também tinha ouvido mensagens diversas a respeito do Messias. Porém, não se contentou em ouvir. Ele queria vê-Lo. Como Zaqueu, precisamos ter em nossos corações o desejo de ver Jesus pessoalmente, mesmo que as multidões queiram nos impedir de fazer isso. Zaqueu era homem de pequena estatura e, por isso, a multidão que seguia Jesus não lhe permitia vê-Lo.

Qual é a multidão que tem nos impedido de ver Jesus: Os pecados? O orgulho? A vaidade? A auto-confiança? O egoísmo? O materialismo? ... O quê? Seja qual for, precisamos vencê-la.

Zaqueu tinha o problema de sua pequena altura. Mas não deixou esse obstáculo impedí-lo de chegar a Cristo. Somos seres pequenos. Nossa estatura espiritual é quase nada diante de Deus. Mas nada pode nos impedir de manifestar o nosso desejo de ter uma nova experiência, uma nova vida, mais completa e mais feliz.

A saída que Zaqueu encontrou para ver aquela novidade foi subir em uma árvore, para aproveitar a oportunidade de ver Jesus quando passasse naquele lugar:

"E, correndo adiante, subiu em uma figueira brava para O ver, porque havia de passar por ali." (Lucas 19.4)

Vejo em Zaqueu alguém que sabe aproveitar as oportunidades para agir. Quantos de nós está perdendo a oportunidade que o Senhor está nos dando para termos uma vida nova e amplamente abençoada por Deus!

O publicano precisava conhecer o novo, que fosse além do materialismo a que era convertido. E soube que em Jesus milagres aconteciam, virtudes surgiam, o sobrenatural se manifestava, e o material não fazia nenhuma diferença. Mas Zaqueu não deixou que a multidão o impedisse de se aproximar; foi, porém, estratégico para aproveitar aquele momento ímpar.

Mesmo que não tenha dito isso a Jesus (a Bíblia não menciona nada a esse respeito), Zaqueu manifestou sua vontade em conhecê-Lo, em ver a novidade. E Jesus, da mesma forma que deseja para nós, desejou entrar no lar de Zaqueu e levar-lhe abundância de paz e vida.

"E, quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, viu-o e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, porque, hoje, Me convém pousar em tua casa." (Lucas 19.5)

Quando o Senhor encontra um coração ansioso por vê-Lo, logo Se prontifica a entrar nesse coração para o abençoar.

"Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a Minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele Comigo." (Apocalipse 3.11)

Assim foi com Zaqueu. Assim foi comigo. Assim foi com tantos... assim pode ser com quem quiser!

"O sacrifício aceitável a Deus é o espírito quebrantado; ao coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus." (Salmo 51.17)

Jesus Se agradou daquela atitude. E que coisa feliz foi para Zaqueu ouvir do próprio Jesus o desejo de também estar com ele, embora fosse somente um homem!

"E, apressando-se, desceu e recebeu-O com júbilo." (Lucas 19.6)

Imaginemos que grande bênção é para nós quando o Senhor Se agrada do nosso sacrifício!

Vejo em Zaqueu tanto desejo por ver o novo para sua vida, a ponto de ele mesmo se expor ao ridículo para que isso acontecesse... pois, subir em uma árvore e depois ser apontado ali por Jesus faria com que toda aquela multidão se voltasse para ele. Além disso, muitos o condenavam como "um homem pecador" (leia Lucas 19.7), o que os levaria a fazer julgamentos sobre ele. Mas Zaqueu preferiu tentar encontrar Jesus.

E diferentemente daquele homem, vejo hoje em tantas pessoas não evangélicas e até mesmo em tantos crentes a vergonha de se expor por amor a Jesus ou para receber algo da parte dEle. É como se fosse "feio" chorar diante de Deus... É como se fosse "vil" admitir que nossas vidas não têm sentido algum se vividas distante de Deus... É como se fosse "indecoroso" admitir o uso da fé quando se vive em um mundo que se sustenta sobre o materialismo...

É como se fosse "ridículo" falar da salvação para um mundo que se satisfaz com seus próprios conceitos, ainda que sejam tão limitados!

"Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes. E Deus escolheu as coiss vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são para aniquilar as que são; para que nenhuma carne se glorie perante Ele. (...) Como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que O amam." (1Coríntios 1.27-29 e 2.9)

A multidão murmurou e julgou Zaqueu pela sua condição de pecador (Lucas 19.7). Mas Zaqueu não se importou e recebeu Jesus em sua casa. Jesus também não deu ouvidos aos que Lhe criticavam porque naquele momento tratava pessoalmente com mais um coração quebrantado acerca da sua salvação. E isso realmente é o que importa. No versículo 8, vejo o publicano Zaqueu demonstrando que compreendeu que as riquezas mateiriais não compram felicidade nem salvação.

"E, levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor: Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se em alguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado." (Lucas 19.8)

Vejo novos princípios sendo estabelecidos pelo próprio Zaqueu para sua vida:

a) Zaqueu reconheceu que o apego aos bens materiais jamais deverá superar o apego à espiritualidade...

Um dos maiores ensinamentos de Cristo ao mundo foi o desprendimento das coisas materiais. Ele nos mostrou na Sua própria prática de vida o elevo espiritual (e também material) que têm aqueles que buscam primeiramente o Reino de Deus e a Sua justiça hoje. Ele não tinha nada neste mundo mas tinha toda a glória na eternidade.

As nossas necessidades e importâncias materiais não podem nem devem interferir no nosso relacionamento com Deus e com a Sua justiça, nem para o hoje nem para o amanhã. E isso nos leva a refletir: Que diferença fará daqui a 100 anos se hoje temos carros importados ou se andamos a pé? Que diferença fará daqui a 100 anos se hoje comemos nos melhores e mais caros restaurantes ou se levamos marmita para almoçar no trabalho? Que diferença fará daqui a 100 anos se hoje vestimos roupas de grifes caras ou de feira? Que diferença fará daqui a 100 anos se hoje vamos aos melhores e mais caros hospitais ou em hospitais públicos? Que diferença fará daqui a 100 anos se hoje fazemos viagens internacionais ou se simplesmente passeamos à praça da cidade aos domingos e feriados? Que diferença fará daqui a 100 anos se hoje tivemos os melhores salários do país ou somos simplesmente assalariados? Que diferença fará daqui a 100 anos se hoje somos proprietários de mansões e fazendas ou simplesmente pagamos aluguel para morar? Que diferença fará daqui a 100 anos se hoje temos um nome famoso e que está em evidência ou simplesmente vivemos no anonimato, como mais um dos 170 milhões de pessoas desse país? Que diferença fará daqui a 100 anos se hoje freqüentamos os melhores clubes e pontos de encontro da alta sociedade ou simplesmente nossa condição nos permite ir ao máximo à casa do vizinho? Que diferença fará?...

Para nossa vida pessoal, realmente não fará nenhuma diferença. Mas se hoje vivemos com Cristo e buscamos primeiramente o Reino de Deus para nossas vidas, então, verdadeiramente, daqui a 100 anos fará uma grande diferença... porque nesse tempo, provavelmente todos que leram esta reflexão hoje, já tenham morrido... E, de acordo com suas prioridades do hoje, daqui a 100 anos estarão ou no Céu ou no inferno... e isso, realmente, fará toda a diferença!

b) Zaqueu se dispôs a reparar os seus erros, conforme as palavras de Jesus nos orientam...

"Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres." (Apocalipse 2.5)

E, quando essas atitudes passaram a integrar a vida de Zaqueu, o Senhor ordenou Sua bênção sobre aquele homem, porque viu seu coração ansioso por uma mudança, tanto que o próprio homem procurou maneiras de se redimir dos erros para viver uma nova vida. E fez isso bem: na presença de Jesus.

Quando buscamos ao Senhor de todo coração e nos prontificamos a mudar, Ele nos ouve e Se movimenta em nosso favor. Foi Ele mesmo quem falou:

"Se o Meu povo, que se chama pelo Meu nome, se humilhar, e orar, e Me buscar, e se converter de seus maus caminhos, então Eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a vossa terra." (2Crônicas 7.14)

Zaqueu foi um bem-aventurado, que não rejeitou sua oportunidade de ter um encontro real com o Salvador. Que nós também possamos estar atentos, prontos a hos humilhar e a demonstrar ao Senhor o nosso real interesse e necessidade de convivermos com Ele.

E assim, como fez a Zaqueu, Jesus também ordenará a salvação sobre a nossa casa...