quinta-feira, 15 de junho de 2006

Após Jesus...



“E, andando junto do mar da Galiléia, [Jesus] viu Simão, e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. E Jesus lhes disse: Vinde após Mim, e Eu farei que sejais pescadores de homens. E, deixando logo as suas redes, O seguiram. E, passando dali um pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam no barco consertando as redes. E logo os chamou. E eles, deixando o seu pai Zebedeu no barco com os jornaleiros, foram após Ele.” (Marcos 1.16-20)

Havia um anjo, um querubim ungido, destacado no Céu por sua formosura. Seu nome era Lúcifer. Os anjos foram criados por Deus antes do homem. E, neste momento da história da Criação, Satanás não traduzia uma figura esquelética, chifruda, rabuda, vermelha e feia como é reproduzido por muitos homens. As passagens de Isaías e Ezequiel declaram que era formoso, vestia-se de pedras preciosas, tinha algumas guarnições de anjos consigo:

“Como caíste do Céu, óh, estrela da manhã, filha da alva! Como foste lançado por Terra, tu que debilitavas as nações! E tu dizias no teu coração: (...) subirei a cima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo. E, contudo, levado serás ao inferno, ao mais profundo abismo.” (Is 14.12-15)

“Tu eras querubim ungido para proteger, e te estabeleci; no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas. Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que fostes criado, até que se achou iniqüidade em ti.” (Ez 28.14-15)

Era querubim da confiança de Deus, reluzia, até que nele se achou uma multidão de iniqüidades, a saber: a soberba, a infidelidade, a avareza, a inveja, a injustiça, a profanação.

Dessa forma ele violou seu estado original (se corrompeu), deixando de ser querubim ungido, sendo lançado fora do Paraíso.

A afirmativa que Deus tenha feito Satã é completamente equivocada, desfundamentada e comprometedora. Deus fez sim um anjo, Lúcifer (portador ou que leva luz) para iluminar e cuidar da Terra que Ele mesmo (Deus) criou. Ora, um pai não cria um filho com a intenção de fazê-lo um marginal.

Mas o que levou Lúcifer a rebelar-se contra Deus?

Ele propunha um plano em seu coração de exaltar-se à cima de Deus e sobre Deus posicionar-se. Deus, mesmo sabendo disso, não o destruiu porque Deus não criou nada nem ninguém para ser destruído. Porém, Deus zela da Sua santidade e autoridade. A outro jamais dará Sua glória (Isaías 42.8).

Por isso, por causa dessa auto-suficiência, isto é, auto-confiança de Lúcifer, Deus providenciou derrubar Lúcifer e não destruí-lo, lançando-o por terra. Após isso, o anjo caído tornou-se o diabo ou o ‘caluniador’, o ‘acusador’. Ou, simplesmente, Satanás, nosso ‘adversário’.

A auto-confiança tem sido um dos fatores que mais têm distanciado o homem de Deus.

Ela convence o homem de uma capacidade que, na realidade, ele não possui, bem como de uma segurança que lhe é incerta, porque a auto-confiança exclui Deus das decisões e atitudes humanas.

Em Jeremias 17.5, a Bíblia nos alerta:

“Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor.”

Quando Jesus escolheu Seus discípulos, Ele fez a seguinte convocação:

“Vinde após Mim.” (Marcos 1.17)

Observe que Jesus não disse: “Vinde comigo!”. A chamada inicial expressou claramente que aqueles que estão dispostos a ser um discípulo de Cristo, também devem estar dispostos a segui-Lo, isto é, ir após Ele, segundo Seus passos.

Com certeza, usando o advérbio de lugar “após”, Jesus queria enfatizar a posição em que um discípulo deve sempre estar em relação à pessoa do Divino Mestre: ATRÁS DELE.

Conhecendo o coração do homem mais que o próprio homem, Jesus certamente sabia também que, se tivesse chamado os discípulos para exercerem Seu ministério Consigo, eles provavelmente se sentiriam no direito de tomar decisões como Jesus, discutir as decisões que Ele tomou, e até mesmo repreendê-Lo por ter tomado tais decisões que, muitas vezes, não lhes pareciam corretas. Isso seria plenamente possível pelo fato de se sentirem, neste caso, no mesmo nível de Jesus, como acontece em uma roda de amigos, onde todos são iguais em relação à liderança.

Mais à frente, no Evangelho de João, vemos Jesus dizendo:

“Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando. Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor, mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de Meu Pai vos tenho feito conhecer. Não me escolhestes vós a Mim, mas Eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça, a fim de que tudo quanto em Meu Nome pedirdes ao Pai Ele vos conceda.” (João 15.14-16)

Nessa passagem Jesus já deixa claro que, após terem sido “servos” e seguido a Cristo como o Senhor, mesmo sem saber o que Ele fazia, aqueles discípulos aprenderam a ouvir e receber dEle toda a instrução necessária para prosseguirem com a obra redentora que Ele começou no mundo. Dar continuidade à pregação do Evangelho como Ele é (puro e simples), tornar-se-ia uma questão de obediência a Deus. E só demonstra obediência ao Senhor quem se prontifica a segui-Lo, isto é, fazer tudo segundo o que Ele instruir.

Depois de aprendermos a obedecer e depender de Deus, o Senhor passa a nos chamar de “amigos”, porque só então teremos maturidade espiritual suficiente para andarmos lado a lado com Deus, sem intentarmos sermos melhores que Ele nem nos equipararmos a Ele, mas sob total dependência dEle.

Grifemos, porém, que Cristo usou a expressão “Vinde após Mim...” (v.17). E a Bíblia enfatiza que os discípulos “O seguiram” (v.18) e “foram após Ele” (v.20).

Analisando alguns motivos pelos quais aprendemos com Jesus que um discípulo deve andar sempre “atrás” do Grande Mestre, chegamos a algumas maravilhosas deduções biblicamente fundamentadas.

Primeiramente, atrás do Senhor, que é o nosso “Refúgio e Fortaleza” (Salmos 46.1), recebemos sempre plena proteção. Sendo o Mestre o nosso “Refúgio”, nossos inimigos não nos enxergarão suficientemente bem para nos atingir, porque o Senhor Todo-Poderoso está na frente. E ainda que nos enxerguem, não poderão nos atingir porque a “Fortaleza” que nos protege é o Senhor da Glória.

Em segundo lugar, é importante observar que seguindo atrás de Cristo, jamais erraremos o caminho por onde demos andar.

Jesus vai à frente, deixando-nos a trilha que conduz ao Céu e, portanto, à vida eterna. Dessa forma, não seremos confundidos com as trilhas apresentadas pelo mal, pois “Há caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte.” (Provérbios 14.12)

Os discípulos de Cristo devem ter sempre em mente que “o temor do Senhor é uma fonte de vida para preservar dos laços da morte.” (Provérbios 14.27)

Os servos autênticos de Deus não têm dificuldades em reconhecer que não podem se auto-conduzirem pelo caminho da salvação, e constantemente apresentam a Deus uma súplica como a de Davi:

“Senhor, guia-me na tua justiça, por causa dos meus inimigos; endireita diante de mim o teu caminho.” (Salmos 5.8)

“Guia-me na tua verdade, e ensina-me, pois tu és o Deus da minha salvação; por ti estou esperando todo o dia.” (Salmos 25.5)

E se determinam como Davi e Josué se determinaram a seguir somente ao Senhor:

“Porque este Deus é o nosso Deus para sempre; ele será nosso guia até à morte.” (Salmos 48.14)

“Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais; se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam além do rio, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor.” (Josué 24.15)

Além disso, seguindo atrás de Cristo, sempre temos um Guia que nos apontará o caminho certo. Diminui-nos o fardo, pois não precisamos nos esforçar para construir um caminho procurando agradar ao homem ou realizando obras que nos engrandeçam a fim de conseguir alguma remissão para nos salvar. O próprio Jesus, nosso único acesso a Deus, já tem nos instruído:

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai a não ser por Mim.” (João 14.6)

“Este é o caminho; andai nele, sem vos desviardes nem para a direita nem para a esquerda.” (Isaías 30.21)

“O Cordeiro que está no meio do trono os apascentará, e lhes servirá de guia para as fontes das águas da vida; e Deus limpará de seus olhos toda a lágrima.” (Apocalipse 7.17)

Em terceiro lugar, seguindo após o Senhor, aprendemos o que é útil. Seguindo os passos de Cristo não perdemos nosso pouco e tão precioso tempo nesta vida com futilidades, com coisas que não edificam.

Muitas pessoas vivem intensas frustrações, mesmo servindo a Deus, porque fogem da vontade do Senhor e acabam vivendo independentes dEle em muitos de seus momentos. Terminam por se aplicarem à coisas e afazeres que não lhes edificam em nada (ou que muito pouco lhes edificam). Não atentam para o que o Senhor diz:

“Assim diz o Senhor, o teu Redentor, o Santo de Israel: Eu sou o Senhor teu Deus, que te ensina o que é útil, e te guia pelo caminho em que deves andar.” (Isaías 48.17)

Há uma frase que recebi do Pr. Wilson Ribeiro, que diz:

“Se eu desperdiço o hoje, destruo a última página de minha vida.”

Como teremos que prestar contas a Deus sobre a maneira como vivemos aqui (Romanos 14.10; 2coríntios 5.10), imagino quão constrangedor será apresentar a Deus um livro (nossas vidas) cheio de páginas rasgadas e também faltando muitas páginas!

Paulo alerta os servos de Deus em Éfeso a se despertarem para o bom proveito do tempo, com vistas ao tamanho da obra que temos a realizar neste mundo enquanto servos do Senhor:

“Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá. Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo; porquanto os dias são maus.” (Efésios 5.14-16)

E aos de Colosso faz o mesmo alerta:

“Andai com sabedoria para com os que estão de fora, remindo o tempo.” (Colossenses 4.5)

A sabedoria está em seguir o Senhor, “porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está escrito: Ele apanha os sábios na sua própria astúcia. (...) Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor deste século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?” (1Coríntios 3,19; 1.20)

E seguir o Senhor exige de nós utilizarmos nosso tempo em edificações pessoais e a outrem, a fim de glorificar o nome do Senhor em tudo. Há muito que se examinar em tudo o que o mundo dispõe para nós (1Tessalonissences 5.21). Devemos reter somente o que é bom e utilizar isso à serviço do Reino. No final de tudo, nossas vidas agradecerão, “porque a nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência, de que com simplicidade e sinceridade de Deus, não com sabedoria carnal, mas na graça de Deus, temos vivido no mundo.” (2coríntios 1.12)

Em quarto lugar, devemos negritar que a atitude de andar “após” Jesus demonstra humildade, submissão e dependência do discípulo em relação ao Mestre.

“O temor do Senhor é a instrução da sabedoria, e diante da honra vai a humildade.” (Provérbios 15.33)

“Em vindo a soberba, virá também a afronta; mas com os humildes está a sabedoria.” (Provérbios 11.2)

Humildade em reconhecer que Deus é o Senhor e nós somos Suas criaturas, isto é, feitos das Suas mãos.

Toda a natureza, por maior que seja o seu esplendor e grandeza física, obedece o mandar de Deus (que é o controlador do Universo), sem questioná-Lo nem desrespeitá-Lo. O ser humano, porém, embora seja, fisicamente, dos menores e mais frágeis seres da Criação, é a única criatura de Deus que faz pouco caso de seu Criador, que Lhe desobedece, Lhe critica, questiona, com Ele discute... e desrespeita! É o único dotado de inteligência porém o mais trabalhoso de todos para o Senhor. E a inteligência do homem não o isenta de ser corrigido por Deus e de conhecer Sua ira quando Lhe desobedecer ou rejeitar.

O profeta Habacuque viu tanto furor no agir de Deus para com todos que desprezaram Seus estatutos e caminhavam segundo suas próprias vontades, que chegou a questionar a origem de tamanho castigo: “será contra os rios... ou contra o mar que estás irado?” (Habacuque 3.8-12)

Aparentemente, a pequenez do homem não lhe permitiria provocar tanta ira no Senhor... mas o contrário é verdadeiro: a grande ira de Deus é sobre os homens... sobre todos os homens da terra que não O reconhecem como único Senhor e Deus e que não atentam para Seus mandamentos.

Devemos observar constantemente, porém, que fomos feitos à imagem e semelhança de Deus. E, embora sejamos dotados de inteligência e criatividade como Ele, somos apenas seres criados à imagem e semelhança de Deus; não somos deuses. Somos seres humanos que, embora sejam a mais perfeita obra da Criação, não passam de pura e simples criação... com certeza, a mais bela obra-prima das mãos do Sublime Criador. Porém, limitada, frágil, impotente diante de Deus.

A auto-confiança, a auto-suficiência levou o diabo a ter para si o fim reservado que conhecemos. Nenhum de nós, porém, não precisa fazer companhia a ele, se não quisermos.

Na Bíblia, desde o início do Gênesis até o encerramento do Apocalipse o Senhor tem alertado Seu povo a seguir atrás dEle, isto é, a viver segundo Suas vontades e em sinceridade para com Ele. No livro de Jeremias Ele frisa bem que O encontraremos quando O buscarmos de todo o nosso coração (Jeremias 29.13), e no Êxodo 23.20-22 declara (como em tantas outras passagens bíblicas) sobre a necessidade de seguirmos o que Seu Anjo estabelecer para nós.

Deus não tem cobrado isso de nós por ser Ele um Deus egoísta, que pensa somente em agradar a Si próprio recebendo louvores de quantas mais pessoas Ele puder convencer a se voltarem para Si. Mas Ele tem nos instruído a estar sob Sua dependência exatamente por ter consciência, em Sua infinita sabedoria e visão, que o júbilo daqueles que vivem segundo as vontades do mundo é breve, e que a alegria daqueles que, como sepulcros caiados se escondem atrás da imagem da santidade e fingem viver segundo os preceitos do Senhor, dura apenas um momento.

“Porventura, não sabes tu que desde a Antigüidade, desde que o homem foi posto sobre a terra, o júbilo dos ímpios é breve, e a alegria dos hipócritas, apenas de um momento? (Jó 20.4-5)

Deus nos ama tanto que tem nos alertado constantemente sobre a necessidade de vivermos com honestidade de coração em Sua presença e seguindo com franqueza os Seus desígnios.

Por isso Jesus nos chama assim:



Ele Se preocupa porque sabe que ninguém mais, além dEle mesmo, poderá nos dar a verdadeira paz e a alegria que dura por toda a eternidade!

Que o Espírito Santo fale melhor em teu coração!

A Paz e a Graça de Cristo sejam contigo.