quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Louvor X Palavra de Deus


O que importa saber onde Deus mora e não conseguirmos chegar até lá?

Esta indagação martela em minha mente há muitos dias. E hoje, após acordar de um sonho que tive enquanto dormia, senti que devia escrever sobre o seguinte assunto: QUANDO O LOUVOR COMEÇA A PREJUDICAR O POVO DE DEUS E A DESENCANTAR O MUNDO?

No livro dos Salmos, em 22.3, a Bíblia declara que Deus habita entre os louvores. Contudo, em nenhuma passagem a Bíblia nos diz que o louvor é o requisito que nos leva a Deus. Ao contrário: a santificação é que nos permitirá ver o Senhor (Hebreus 12.14) e este processo de limpeza espiritual ocorre pela Palavra de Deus:

Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado.” (João 15.3)

Como purificará o jovem o seu caminho? Observando-o de acordo com a tua palavra.” (Salmos 119.9)

Uma contradição, porém, é o que vem ocorrendo atualmente dentro das congregações. Vemos, não raramente, o período para a ministração da Palavra de Deus sendo esmagado entre longos períodos de louvor e avisos. Num culto de 2h e 30 min, cerca de 1h e 40 min é destinada aos cantos, entre 20 e 30 min gastam-se com avisos, comentários, saudações, testemunhos, e somente o restante (outros 20 a 30 min) são reservados à Palavra (isto é, quando são reservados, porque, na grande maioria das vezes, não é deixado para a pregação da Palavra o tempo que foi reservado, mas sim o tempo que sobrou). Isso equivale a, aproximadamente, 20 a 25 por cento de todo o período do culto, somente.

Há muitas pessoas que podem levantar a seguinte observação: “Quem prega de verdade consegue entregar tudo o que Deus manda em vinte ou trinta minutos, perfeitamente. É tempo suficiente.” Sobre esta afirmação, quero analisar a realidade dos fatos, a partir das indagações abaixo:

a) Sob esta ótica, o “bom pregador”, então, é aquele que limita o tempo em que Deus deve falar num culto (ou seja, no máximo 30 minutos)?

b) Há mensagens que Deus entrega aos Seus servos que realmente podem ser ministradas em menos tempo que vinte ou trinta minutos. Mas, e quando Ele nos entregar mensagens grandes, o que devemos fazer? Resumir o que Deus quer falar? Tirar o que achamos “desnecessário”? Ou devemos jogar fora toda a mensagem e esperar que o Senhor nos entregue outra que caiba em, no máximo, trinta minutos?

c) Se Deus tem um estilo “vapt-vupt” (ligeirinho) para entregar mensagens ao Seu povo, porque Ele passou quarenta dias com Moisés no Sinai só para entregar dez leis que o próprio Deus havia escrito em placas de pedra?

d) Se pregações em 30 minutos são suficientes para a edificação do povo de Deus, porque os conferencistas nacionais e internacionais pregam aproximadamente 2 horas em seus discursos e, a cada dia que passa, mais apostasia há, mais os modismos e o pecado se inserem dentro das congregações e cada vez menos vemos espiritualidade nas vidas de muitos que se intitulam cristãos?

e) Se 30 minutos é tempo suficiente para fortalecer a fé, porque, então, Jesus Cristo, que pregava horas e horas do dia às multidões, chegou a indagar se ainda encontraria fé na Terra quando voltasse? Acaso a fé seria substituível por outra coisa mais importante da qual Jesus não nos alertou ou não soubesse que viria existir nos dias de hoje?

É provável que alguém esteja comentando agora: “Mas se é o Espírito Santo através do profeta, Deus trabalha em poucos minutos.

Concordo. E em nenhum momento argumentei que Deus é impossibilitado de falar, alcançar, libertar, salvar e transformar vidas através de uma Palavra que seja ministrada em poucos minutos. Contudo, a impressão que essa última questão levanta é que Deus fica “enchendo lingüiça” para completar o tempo de 1 ou 2 horas numa longa mensagem... Quer dizer: Deus é prático e só fala ao Seu povo com rapidez e dinamismo, ou seja, em poucos minutos?

Primeiramente, sobre o que estamos falando aqui não é qualquer história que será criada para preencher o tempo da pregação. Estamos falando da Palavra viva e mais poderosa que há em todo a existência: a Palavra de Deus. Em segundo lugar, uma pessoa que vai entregar o que Deus manda falar à congregação, não abre a Bíblia e fala o que lhe parecer conveniente como se qualquer coisa fosse o que Deus quer falar. Antes, o profeta já pagou um preço (em orações, jejuns e até vigílias) para que Deus revelasse Sua Palavra para aquele momento. Por último: quem é o homem – reles criatura mortal e falível – para estipular um tempo para que o Todo-Poderoso Criador e Rei do Universo Se manifeste ao Seu povo?

São questões que precisam ser relevadas, pois temos visto uma grande e rápida substituição da Palavra de Deus pelo louvor.

Não raramente vemos pessoas se sacudirem ao som das músicas que são tocadas nas igrejas, baterem palmas, se alegrarem e, no momento em que a Palavra será ministrada, se levantarem e saírem para fora do templo (seja para beber água, ir ao banheiro, conversar, falar pelo celular..., quando não, ir embora). Enquanto isso, algumas das que permanecem no templo nesse período, simplesmente dormem ou conversam durante toda a pregação. É como se ouvir a Palavra de Deus tivesse se tornado um martírio para muitos crentes.

Um dos fatores que causam tais atitudes de irreverência por parte de muitos cristãos em relação à Palavra de Deus, é a falta de compreensão que nada deve ser mais importante em um culto do que ouvir atentamente a Palavra do Senhor, através da qual Deus Se manifesta em primeira pessoa.

Crede no Senhor vosso Deus, e estareis seguros; crede nos Seus profetas, e prosperareis.” (2Crônicas 20.20b)

Infelizmente, o contrário é certo e amplamente praticado. Existem outras “prioridades” na vida de muitos crentes, como as novelas de maior audiência, que são exibidas, geralmente, no mesmo horário em que acontecem os principais cultos e as preleções. Por esse motivo, há quem permaneça sentado dentro dos templos, mas com o coração e a mente lá no sofá das salas de suas casas, onde poderiam estar confortavelmente sentados assistindo seu programa ou novela preferido.

Outro fator que contribui para esse descaso – e que, por sua vez, é ainda mais grave – é a falta de observância que somente a Palavra de Deus pode edificar o homem para que seja inabalável diante dos vendavais a que a Igreja de Deus como um todo (e seus membros, em particular) são submetidos.

Jesus explicou bem isso:

Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática, será comparado a um homem prudente, que edificou a casa sobre a rocha. E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os ventos, e bateram com ímpeto contra aquela casa; contudo não caiu, porque estava fundada sobre a rocha. Mas todo aquele que ouve estas minhas palavras, e não as põe em prática, será comparado a um homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia. E desceu a chuva, correram as torrentes, sopraram os ventos, e bateram com ímpeto contra aquela casa, e ela caiu; e grande foi a sua queda.” (Mateus 7.24-27)

Quando engenheiros e arquitetos vão construir uma casa, primeiramente eles fazem uma análise do solo, a fim de encontrarem a camada rochosa que há embaixo da terra. Os buracos e valas nos quais se introduzirá concreto para formar o alicerce do edifício deverão ser escavados até encontrarem essa camada rochosa. Só assim a casa oferecerá segurança.

Jesus trata a Sua Palavra como a Rocha sobre a qual devemos construir nossos fundamentos e valores. Pela mesma passagem, deve ser compreendida como o concreto que sustentará toda a casa edificada, desde o seu alicerce até os arremates do telhado e o acabamento. Vejamos:

a) Se usarmos material de má qualidade, não teremos uma casa segura, mas uma que se encherá de rachaduras e, com certeza, oferecerá riscos para quem habitar nela (ou mesmo visitá-la);

b) Se usarmos pouco concreto para construirmos essa casa, certamente teremos sérios problemas e, possivelmente, um desmoronamento quando alguma força externa produzir pressão maior que suas frágeis paredes poderão suportar;

c) O mais correto, então, é que uma casa seja construída com material de primeira qualidade e em abundância, para que a casa seja suficientemente resistente e ofereça segurança.

Como a Palavra de Deus é o cimento sem o qual uma casa espiritual não oferece estrutura confiável, entendemos que ela deve ser de primeira qualidade (sem enfeites, sem modificações, sem adaptações, mas exatamente como Deus a liberar), e deve ser usada em abundância, para que haja sempre confiabilidade na estrutura da casa, isto é, em nossa edificação espiritual. Porque uma casa espiritual erguida sem ou com pouca aplicação da Palavra de Deus, é uma casa frágil e que não oferece nenhuma segurança ao morador nem aos visitantes.

Concluímos, pois, que as vidas dos servos de Deus devem ser construídas, não somente sobre a Palavra, mas também com a Palavra, para que tenham paredes resistentes, inabaláveis.

Numa outra comparação, podemos analisar o louvor e a Palavra , respectivamente, como a água que rega a terra e semente que será plantada nela, onde a terra é o nosso coração.

Vemos, atualmente, uma inversão de valores a esse respeito. A dedicação aos longos períodos de louvor e o esmagamento do período reservado à ministração da Palavra de Deus se devem também ao fato de muitas igrejas estarem perdendo membros por insistirem em aplicar o Evangelho sem modificações, sem misturas, sem adaptações, sem fermentação. E, para que não diminuam as ofertas do caixa, nem a entrada de dízimos, para que permaneça um número grande de membros “satisfeitos” com o “serviço prestado”, muitas “igrejas” têm adaptado seus trabalhos à “demanda” da época.

Mas houve também entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá falsos mestres, os quais introduzirão encobertamente heresias destruidoras, negando até o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. E muitos seguirão as suas dissoluções, e por causa deles será blasfemado o caminho da verdade; também, movidos pela ganância, e com palavras fingidas, eles farão de vós negócio; a condenação dos quais já de largo tempo não tarda e a sua destruição não dormita.” (2Pedro 2.1-3)

E, para tanto, têm anunciado um evangelho fácil, torto, modelado segundo as vontades dos membros das igrejas, que querem entrar no Céu mas não querem fazer nenhum esforço para chegarem lá, contrariando as palavras de Cristo, que dizem que o Céu é tomado a força (Mateus 11.12). Pregam um evangelho barato, que não exige renúncia (diferente do que Jesus Cristo ensinou – Lucas 9.23-24) e, paralelamente, estão substituindo o Evangelho pela música.

O louvor é necessário porque rega a terra seca e faz com que ela fique preparada para receber a semente. A semente que será plantada e brotará, porém, é a Palavra de Deus. D que adianta somente regar, e regar, e regar... e nunca se plantar nada na terra? Que proveito tem uma terra que não produz?

Em João 4.23-24, Jesus adverte à Igreja que “os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, pois o Pai procura a tais que assim O adoram. Ele é Espírito e importa que os que O adoram O adorem em espírito e em verdade.

Louvar, porém, é diferente de adorar.

Louvar implica em entoar canções que exaltem o nome, a pessoa e a santidade do Senhor. Adorar é mais que associar palavras à música. Adoração é atitude. Atitude de obediência, de temor, de reverência, de confiança, de amor. Adoração é entrega, é renúncia, é esvaziamento completo de si para que Deus seja tudo em nós. Adorar a Deus é firmar com Ele um compromisso de morrer para o mundo e nascer novamente para Deus (Gálatas 2.20), o que implica abandonar todo tipo de prática reprovável pelo Senhor, inclusive ações e reações condizentes com nossas próprias vontades, valores e conceitos. É abrir mão de nosso próprio ego, pecador e desprovido da Graça, para que Deus encontre lugar em nós e habite no templo que Ele mesmo edificará segundo Sua soberana, perfeita e incontestável vontade. E, para tanto, a Palavra de Deus tem que ter prioridade em nossas vidas.

Confundir louvor com adoração é um erro que tem prejudicado a Igreja, porque ele tem ocupado o lugar da Palavra sem a qual não há transformação, nem libertação, nem salvação... sem a qual não há alimentação e, portanto, não há vida... e muito menos, adoração.

E assim, respondemos à primeira parte da pergunta inicial: “Quando o louvor começa a prejudicar o povo de Deus?” Quando ele assume o lugar da Palavra. Pois Deus está no meio dos louvores, mas só podemos chegar até Ele através da obediência e da renúncia; através da verdadeira adoração. E isso só poderá ser feito por intermédio da santa e gloriosa, insubstituível e poderosa Palavra de Deus:

a) ...apta a discernir os mais profundos e ocultos pensamentos:

Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração. E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele a quem havemos de prestar contas.” (Hebreus 4.12-13)


b) ...apta a iluminar nosso caminho para que nossos pés não vacilem:

Escondi a tua palavra no meu coração, para não pecar contra ti.” (Salmos 119.11)

Lâmpada para os meus pés é a Tua Palavra, e luz para o meu caminho.” (Salmos 119.105)


c) ...apta a nos dar sabedoria:

O teu mandamento me faz mais sábio do que meus inimigos, pois está sempre comigo. Tenho mais entendimento do que todos os meus mestres, porque os teus testemunhos são a minha meditação. Sou mais entendido do que os velhos, porque tenho guardado os teus preceitos.” (Salmos 119.98-100)


d) ...apta a nos guardar dos falsos ensinamentos:

Pelos teus preceitos alcanço entendimento, pelo que aborreço toda vereda de falsidade.” (Salmos 119.104)


e) ...apta a nos fortalecer e vivificar:

A minha alma apega-se ao pó; vivifica-me segundo a tua palavra.” (Salmos 119.25)

Se a tua lei não fora o meu deleite, então eu teria perecido na minha angústia. Nunca me esquecerei dos teus preceitos, pois por eles me tens vivificado.” (Salmos 119.92-93)


f) etc...

E, somada a tudo o que sustentamos neste artigo, temos, ainda, a verdade que a maior parte dos louvores entoados nas igrejas hoje não trazem em si inspiração divina, mas produzem efeitos que satisfazem somente à nossa carne.

Letras e melodias que expressam todo tipo de mundanícies estão sendo entoadas dentro da Casa de Deus, como num show onde vários números são apresentados à uma grande platéia. Muito barulho e pouca espiritualidade.

O louvor ungido traz em si a capacidade de penetrar nosso ser e mexer com nossos sentimentos profundos. Alegra o coração e não somente o corpo. Mexe com a alma e não com os pés. Está associado à Palavra e, portanto, traz letras que exigem reflexão pessoal e provocam, inclusive, mudança de atitudes no intuito de aproximar o homem de Deus.

Há um amontoado de letras dizendo tudo o que as pessoas querem ouvir, mas raramente o que elas realmente precisam escutar. Dizer que “sem santificação ninguém verá o Senhor” não é tão atrativo quanto anunciar que “as muralhas vão cair, o inimigo vai fugir, o mar se abrirá e o gigante morrerá.” Mesmo que nossas vidas se encontrem em grande prática de desobediência e nosso coração cheio de perversidades, a maioria das letras nos ensinam que “basta crer” para que o milagre e as bênçãos do Senhor cheguem até nós. Inverdade que vai de encontro à Palavra de Deus, que declara expressamente que Deus tem compromisso com quem tem compromisso com Ele:

O Senhor está convosco, enquanto vós estais com ele; se o buscardes, o achareis; mas se o deixardes, ele vos deixará.” (2Crônicas 15.2b)

Lavai-vos, purificai-vos; tirai de diante dos meus olhos a maldade dos vossos atos; cessai de fazer o mal; aprendei a fazer o bem; buscai a justiça, acabai com a opressão, fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva. Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados são como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que são vermelhos como o carmesim, tornar-se-ão como a lã. Se quiserdes, e me ouvirdes, comereis o bem desta terra; mas se recusardes, e fordes rebeldes, sereis devorados à espada; pois a boca do Senhor o disse.” (Isaías 1.16-20)

Assim diz Deus: Por que transgredis os mandamentos do Senhor, de modo que não possais prosperar? Porquanto abandonastes o Senhor, também ele vos abandonou.” (2Crônicas 24.20b)

Mas o fruto do Espírito é: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade, a mansidão, o domínio próprio; contra estas coisas não há lei. E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências. Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito.” (Gálatas 5.22-25)

Pois, quem quer amar a vida, e ver os dias bons, refreie a sua língua do mal, e os seus lábios não falem engano; aparte-se do mal, e faça o bem; busque a paz, e siga-a. Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos, e os seus ouvidos atento à sua súplica; mas o rosto do Senhor é contra os que fazem o mal.” (1Pedro 3.10-12)

“(...) também sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos, e reservar para o dia do juízo os injustos, que já estão sendo castigados; especialmente aqueles que, seguindo a carne, andam em imundas concupiscências, e desprezam toda autoridade. Atrevidos, arrogantes, não receiam blasfemar das dignidades, enquanto que os anjos, embora maiores em força e poder, não pronunciam contra eles juízo blasfemo diante do Senhor. Mas estes, como criaturas irracionais, por natureza feitas para serem presas e mortas, blasfemando do que não entendem, perecerão na sua corrupção, recebendo a paga da sua injustiça; pois que tais homens têm prazer em deleites à luz do dia; nódoas são eles e máculas, deleitando-se em suas dissimulações, quando se banqueteiam convosco; tendo os olhos cheios de adultério e insaciáveis no pecar; engodando as almas inconstantes, tendo um coração exercitado na ganância, filhos de maldição; os quais, deixando o caminho direito, desviaram-se, tendo seguido o caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça, mas que foi repreendido pela sua própria transgressão: um mudo jumento, falando com voz humana, impediu a loucura do profeta. Estes são fontes sem água, névoas levadas por uma tempestade, para os quais está reservado o negrume das trevas.” (2Pedro 2.9-17)

Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito; abre bem a tua boca, e eu a encherei. Mas o meu povo não ouviu a minha voz, e Israel não me quis. Pelo que eu os entreguei à obstinação dos seus corações, para que andassem segundo os seus próprios conselhos. Oxalá me escutasse o meu povo! oxalá Israel andasse nos meus caminhos! Em breve eu abateria os seus inimigos, e voltaria a minha mão contra os seus adversários.
Os que odeiam ao Senhor o adulariam, e a sorte deles seria eterna. E eu te sustentaria com o trigo mais fino; e com o mel saído da rocha eu te saciaria.
” (Salmos 81.10-16)

Dessa maneira, o louvor, em grande parte, tem deixado de chamar a atenção do mundo como um referencial positivo, que expressa a glória de Deus e a alegria e a transformação das vidas que a Ele se entregam. E tem se tornado meras canções que o próprio mundo pode cantar, porque chegam mesmo a se confundir com as tantas que ele próprio compõe e que falam de coisas boas que, aparentemente, acontecem nas vidas de qualquer pessoa sem que ela demonstre nenhuma mudança para recebê-las.

Há, inclusive, pessoas dentro das igrejas colocando letras cristãs em melodias que fizeram sucesso no mundo (temas de filmes, por exemplo). Esse fato enoja todos quantos amam o louvor sincero, única e exclusivamente dedicado a Deus, porque entendem que o Espírito Santo de Deus é perfeita e plenamente capaz de inspirar Seus servos para criarem as mais belas letras e melodias que possam existir, a fim de exaltarem o Senhor.

“...não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus” (2coríntios 3.5)

Já podemos, pois, responder à segunda parte da nossa pergunta inicial: “Quando o louvor começa a desencantar o mundo?” Quando ele deixa de produzir um efeito interno de busca pela salvação contida na Palavra, para produzir um efeito externo manifestado por uma suposta alegria causada pela ausência da Palavra.

O louvor que encanta o mundo é aquele que toca na alma do pecador e desperta nele uma necessidade de se arrepender e buscar o perdão do Senhor, de receber uma novidade de vida respaldada pela fé que vem pelo ouvir a Palavra de Deus (Hebreus 11.6). É aquele que desperta no pecador a vontade de ser feliz e ter a mesma paz que os filhos de Deus demonstram ter por suas atitudes e testemunhos. Muitos louvores que vemos sendo cantados nas congregações provocam no pecador apenas a vontade de participar de um grupo social cujas reuniões semanais são bastante animadas; onde há muitas amizades mas todos podem “ser crentes” sem que ninguém “se interfira em suas atitudes”; e onde todos podem “ser encaminhados para o céu”, sem precisar nascer de novo.

Respondeu-lhe Jesus: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” (João 3.3)

Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos.” (1Pedro 1.3)

Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” (2Coríntios 5.17)

Concluímos, pois, que a Palavra de Deus não pode ser substituída, pois ó Ela é capaz de regenerar o homem e conduzi-lo a Deus. Na armadura de Deus, citada na carta de Paulo aos Efésios, 6.10 a 20, a única arma a que somos instruídos manusear é a “Espada do Espírito, que é a Palavra de Deus” (Efésios 6.17), sem a qual não podemos combater o mal. Não significa que não podemos ou devemos buscar o auxílio do louvor. Ao contrário: o louvor alegra e agrada a Deus (Efésios 1.11-12), mas não pode substituir a audição e a prática da genuína Palavra de Deus, o único meio pelo qual se produz fé e salvação por Cristo Jesus.

Pelo que, despojando-vos de toda sorte de imundícia e de todo vestígio do mal, recebei com mansidão a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar as vossas almas. E sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos.” (Tiago 1.21-22)

E que o Espírito Santo fale melhor em teu coração...

Saudações, no Senhor!