domingo, 3 de setembro de 2006

Escolhidos para lutar e Ungidos para vencer!


ESCOLHIDOS PARA LUTAR... UNGIDOS PARA VENCER!


Ser amado por Deus e receber a graça de ser escolhido por Ele para ser um porta-voz do Altíssimo nesta terra é, aos Seus eleitos – meros mortais limitados em seus recursos e incapacitados por sua própria natureza – uma incomparável honra e um imensurável privilégio.

Os anjos desejaram a missão de anunciar o Evangelho e discipular pessoas pelo mundo. Contudo, Deus preferiu dar ao homem essa nobre missão.

Costumo dizer que a humanidade está dividida em três classes: (1) Uma multidão que será lançada no abismo eterno pó não terem sido encontrados os seus nomes inscritos no Livro da Vida (Apocalipse 20.5); (2) Uma multidão que entrará no Céu por receber e praticar o Evangelho (Apocalipse 9.1-9); (3) Um grupo pequeno de pessoas que, além de receber e praticar o Evangelho, também dedicaram suas vidas a anunciar a salvação pelo mundo, a fim de aumentar o número de almas da multidão dos salvos. E é sobre este pequeno grupo que queremos tratar neste estudo.

Quando Jesus chamou Seus apóstolos e lhes instituiu a grande comissão para “fazer discípulos em todas as nações”, Ele também ordenou que os batizassem “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”, e ainda determinou que os tais deviam ensinar a “guardar todas coisas” que o próprio Jesus os tinha ensinado. (Mateus 28.19-20)

Entendemos que os apóstolos não tinham somente a missão de falar de Cristo, mas de instruir, de ensinar, de zelar pelo bom caminhar das pessoas. Eles eram servos com um chamado especial: o de liderar e conduzir vidas até o Céu.

Existem, dentro das igrejas, algumas pessoas que têm um chamado especial da parte do Senhor para discipular. São pessoas separadas por Deus para conduzirem o povo até a Nova Jerusalém por meio do ensinamento da Palavra e da aplicação de modelos que partem de suas experiências pessoais com Deus. São líderes eleitos pelo Senhor para formar discípulos de Cristo e ajudar muitas pessoas a se encontrem com Jesus e se firmarem no Evangelho da salvação. São, ninguém menos que, profetas do Altíssimo, selecionados rigorosamente por Ele para darem continuidade à obra que o Senhor Jesus Cristo começou.

Com o auxílio e a direção do Espírito Santo, ele se espalham pelo mundo e enfrentam todo tipo de dificuldade para que o Evangelho Salvador da Graça chegue às vidas que desconhecem Jesus ou que O conhecem mas ainda não O aceitaram.

Muitos deles recebem o título de missionários. Outros, de pastores. Alguns, evangelistas; outros, presbíteros; outros, diáconos; outros, auxiliares... e muitos deles não recebem título nenhum. Simplesmente trabalham para Deus, independente da hierarquia que ocupam dentro de sua denominação religiosa.

Certo é, porém, observarmos que há muitas pessoas ocupando tais nomenclaturas sem ter recebido um real chamado de Deus para exercerem essas funções. Enchem os púlpitos das congregações sob a permissão de Deus mas foram indicadas pelo próprio homem, por vários fatores, como a conveniência, o favoritismo, a piedade e, pasme, a hereditariedade, entre outros.

Os verdadeiros escolhidos, indicados para exercerem a função de discipular, são pessoas que passam por um processo de formação muito intenso. O Deus que os separou Se encarrega de prová-los pessoalmente, com o propósito de formar neles um caráter como o de Cristo: ousado, resistente, amoroso, cuidadoso, fiel, corajoso, criativo, paciente, manso, humilde, sincero, bondoso, etc.

Procura apresentar-te a Deus como obreiro aprovado, que maneja bem a Palavra da verdade e que não tem de que se envergonhar.” (2Timóteo 2.15)

Vemos Paulo exortando Timóteo a procurar apresentar-se a Deus aprovado. Entendemos que é necessário um esforço por parte desses eleitos para suportarem as provas e se apresentarem sem reprovação alguma e sem motivos que os envergonhem.

E aqui chegamos ao ponto principal da análise deste artigo.

Há muitos que, simplesmente, fingem não ter entendido de Deus o chamado. E assim, mantêm-se inertes, com seus talentos enterrados, improdutivos e frustrados por contemplarem a realização plena desse chamado na vida de todos quantos se prontificaram a obedecê-lo, enquanto um vazio e uma angústia causados pela falta de realização do mesmo em suas próprias vidas lhes apertam a mente e o coração.

A Bíblia nos conta sobre uma parábola onde um servo tinha um único talento que recebeu de seu Senhor e, ao invés de trabalhar para multiplicá-lo, simplesmente enterrou-o (Mateus 25.14-18). E assim também vemos pessoas simplesmente enterrando os dons e o chamado para o qual Deus lhes separou.

Quando o Senhor daquele servo retornou para receber de volta os talentos, todos os outros sérvios tinham granjeado novos talentos a partir daqueles que receberam inicialmente (Mateus 25.19-23). Trocando em miúdos, todos tinham produzido lucros para apresentarem como resultado positivo ao Senhor dos talentos, com exceção do servo que havia enterrado seu talento.

Um talento era a mais valiosa moeda daquela época. Era feita de ouro e, por vezes, foi citada pela Bíblia, tanto no Antigo como no Novo Testamento, para especificar grandes valores ou representar a idéia de bens cujo valor são extremamente preciosos, como o caso dos dons de Deus e a separação ministerial.

Aquele servo que escondeu seu talento apresentou-se de mãos vazias diante de seu Senhor, e ficou envergonhado, pois poderia (e deveria) ter produzido algo com o que recebeu e alegrar o coração do Senhor com o resultado do seu trabalho. Mas, como ele, muitos cristãos simplesmente estão enterrando a vontade de Deus para suas vidas, e se tornando membros improdutivos para o Reino de Deus.

Não desprezes o dom que há em ti...” (1Timóteo 4.14)

Ainda nessa mesma passagem sobre o servo negligente que enterrou seu talento, observamos que ele o fez por medo:

Chegando por fim o que recebera um talento, disse: Senhor, eu te conhecia, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste, e recolhes onde não joeiraste; e, atemorizado, fui esconder na terra o teu talento; eis aqui tens o que é teu.” (Mateus 25.24-25)

Ele desistiu de fazer algo que agradaria o seu Senhor por medo de não obter sucesso, por medo de decepcionar seu Senhor. Preferiu, simplesmente, não agir.

Há muitos irmãos em Cristo que desistem de atender o chamado de Deus por medo de não resistirem às provações e acabarem decepcionando ao Senhor, não atentando eles que a maior decepção já é causada a Deus quando dizemo-Lhe: “Não”, e nos decidimos a não obedece-Lo. Logo no início de suas chamadas abrem mão de todo privilégio que podem gozar ao exercer a missão de serem obreiros do Senhor. Pessoas que têm esse tipo de atitude são tratadas por Deus como “servos inúteis” e a eles reservam-se as “trevas exteriores”, onde “haverá pranto e ranger de dentes”. (Mateus 25.30)

Em certa ocasião, Jesus declarou que o Evangelho não deixaria de ser anunciado, ainda que fosse através das pedras:

E, enquanto ele [Jesus] ia passando, outros estendiam no caminho os seus mantos. Quando já ia chegando à descida do Monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos, regozijando-se, começou a louvar a Deus em alta voz, por todos os milagres que tinha visto, dizendo: Bendito o Rei que vem em nome do Senhor; paz no céu, e glória nas alturas. Nisso, disseram-lhe alguns dos fariseus dentre a multidão: Mestre, repreende os teus discípulos. Ao que ele respondeu: Digo-vos que, se estes se calarem, as pedras clamarão.” (Lucas 19.36-40)

Entendemos que Deus, sendo a Onipotência majestosa do mundo, não precisa do ser humano para nada, até porque o ser humano (como tudo o que há) é obra de Suas mãos poderosas. Deus usa quem Ele quiser, inclusive as pedras (já usou uma jumenta – Números 22). E usa no momento em que quiser. Contudo, Deus conta com Seus filhos para que o mundo seja evangelizado e deseja que eles se esforcem para fazerem sempre o melhor.

Maldito aquele que fizer a obra do Senhor fraudulentamente!” (Jeremias 48.10)

Deus despreza o sentimento de covardia e risca de Sua lista de convocados aqueles que se identificam como covardes. Veja a escolha dos trezentos homens de Gideão...O primeiro quesito para eliminar os excessos foi fazer voltar os tímidos e medroso (Juízes 7.3). Vendo Deus que ainda havia muita gente desqualificada para batalhar, um segundo critério foi imposto: Qualquer que lambesse as águas com a língua, como o lambe o cão, ou qualquer que se abaixasse de joelhos para beber, deveria ser posto à parte. Somente trezentos homens levaram a mão à boca para beber da água do rio (Juízes 7.4-7), pois foram esses que demonstraram urgência e disponibilidade para fazer a obra que lhes era imposta.

Abaixar como um cão significava prostrar-se diante da dificuldade, bem como relatava uma certa despreocupação em resolver rápido o problema, além de uma certa medida de indisposição pessoal, fatores que não podem interferir na missão da Igreja, uma vez que os dias são maus (Efésios 5.16), uma vez que estamos a poucos minutos da volta de Jesus (Apocalipse 3.11), e uma vez que o povo de Deus é zeloso de boas obras (Tito 2.13), segundo o exemplo do próprio Deus, que “viu tudo o que tinha criado, e eis que tudo era muito bom” (Gênesis 1.31).

Deus prefere os homens porque quer dar aos escolhidos a honra de vencer o mal como Jesus venceu e resgatar das garras de satã as vidas, cujo vlor é inestimável.

Em segundo lugar, observamos que o mundo tende a crer somente naquilo que vê. Pessoas que foram salvas e transformadas por Cristo têm uma novidade de vida que lhes é o maior testemunho, evidenciado pela presença do Espírito Santo e que também é o desejo daqueles que andam buscando uma solução para suas existências.

Os profetas de Deus já encontram o caminho da salvação e agora devem, por meio desse testemunho pessoal de vida com Deus, conduzirem o mundo à salvação que ele também deseja mas não consegue encontrar. O mundo procura a salvação e a paz em tratados e documentos firmados em papéis, procura em imagens de esculturas, em rituais de magia, em simpatias e feitiçarias, em idolatrias, em práticas libertinas, em outros seres humanos, ao tempo que os eleitos de Deus foram assim declarados porque já compreenderam que a salvação, a paz e a vida eterna somente encontramos em Jesus Cristo, o único Senhor. (João 14.6)

Portanto, como Jesus alertou, a luz dos salvos não pode ser escondida, mas deve brilhar e iluminar as trevas, para que Deus seja glorificado.

Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem os que acendem uma candeia a colocam debaixo do alqueire, mas no velador, e assim ilumina a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.” (Mateus 5.14-16)

Cabe à Igreja de Deus, como um todo, ser luz e, como o próprio Jesus adverte em Mateus 5.13-14, ser também sal para este mundo. Abrimos aqui um parêntese para comentar as palavras de Jesus, que dizem: “E se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens” (Mateus 5.13). Insípido significa sem sabor. Simplificando, Jesus nos dizia que, se um eleito de Deus, convocado para influenciar as vidas das pessoas que não têm nenhuma alegria longe do Senhor, se recusa a buscar de Deus a capacitação e usá-la para esse fim, esse eleito acabará sendo lançado fora da presença de Deus para se tornar pior que os próprios homens pecadores, tão insignificantes quanto ele. Veja a que humilhação uma pessoa que despreza os dons de Deus é submetida: ser pisada por homens, que, diante de Deus, são, como ela, meros mortais limitados e falíveis.

Nenhum salvo em Cristo pode se omitir, mas deve ser reconhecido por carregar em si as marcas de Cristo Jesus (Gálatas 6.17). Contudo, aos que foram separados dentre os salvos para formarem discípulos, cabe empenhar-se ainda com maior zelo para que o rebanho de Deus não se disperse e novas ovelhas sejam agregadas a ele.

Quero frisar, porém, que não há, na Bíblia, qualquer passagem que isenta um único salvo em Cristo de anunciar o Evangelho. Ao contrário, essa é a missão de toda a Igreja sobre a face da terra. Estamos, porém, neste artigo, tratando sobre pessoas que têm chamados especiais da parte de Deus para lidar com multidões, formar discípulos... enfim, para desenvolver ministérios.

O irmão Paulo foi uma dessas pessoas.

Ele havia sido um terror para a igreja de Jesus Cristo antes de ter um encontro com o Senhor no caminho para a cidade de Damasco (Atos 9). Aquele encontro mudaria sua vida. E Paulo tornou-se o mais exemplar de todos os apóstolos de Cristo.

Como todos os servos de Deus, ele sofreu muitas afrontas, perseguições, provações e lutas intensas para garantir o exercício de seu ministério e a prática de sua nova vida em Cristo. Porém, Paulo nos deixou um grande legado que nos remete à priorização do amor e da obediência a Deus.

Estudando a vida de Paulo, observamos que ele conhecia bem o sofrimento a que a igreja era submetida por anunciar Cristo, até porque ele mesmo já havia encerrado muitos na prisão e participado da tortura e da morte de outros tantos... Porém, uma coisa é maltratar alguém; outra coisa é receber maus-tratos. E Paulo teve a oportunidade de, literalmente, mudar de posição e viver as duas situações.

Lendo os atos dos apóstolos, nas primeiras atividades de Paulo, verificamos seu entusiasmo espontâneo e a disposição com que pregava o Evangelho. Com o passar do tempo e diante de tantos sofrimentos a que foi disposto (2Coríntios 11.24-28), Paulo não perdeu tais graças, mas passa a se expressar como alguém que ficou anestesiado para as adversidades que há na vida de um apóstolo de Cristo. Chega a dizer em Atos 20.24: “(...) em nada tenho a minha vida como preciosa para mim, contando que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus.

Sob a ótica e o desejo de muitos profetas da atualidade, para eles seria melhor morrer rapidamente e irem mais depressa “descansar” junto de Deus, já que garantiram sua salvação em vida. Paulo, porém, nos ensina que, mesmo tendo esse e outros direitos junto a Cristo, por amor às vidas que precisam encontrar Jesus Cristo, os verdadeiros profetas do Altíssimo devem renunciar.

Mas o que para mim era lucro passei a considerá-lo como perda por amor de Cristo.” (Filipenses 3.7)

Os salvos em Cristo Jesus reconhecem que o melhor acontecimento para suas vidas após terem adquirido a salvação em Cristo é, verdadeiramente, o fato de poderem se encontrar com Ele pessoalmente e, finalmente, irem conviver com o Senhor e Rei da Glória no Céu. Creio que este é o sonho de todos que conheceram a Jesus Cristo.

Porém, a Palavra é clara que, embora nosso desejo de ir morar na Glória seja intenso, temos algo a fazer nesse mundo. Temos que ajudar muitas vidas a terem esse mesmo encontro com Cristo, pois esta é a missão da Igreja do Senhor na terra.

Não podemos deixar que os momentos difíceis da vida aflorem em nós um egoísmo de peso mui grande que nos leve a pensar somente em nós mesmos, desejando a nossa morte para nos livrar das lutas e descansar eternamente em Deus. Precisamos reconhecer que a vida ao lado de Cristo é mui preciosa e desejável. Mas a vida aqui na terra é necessária, não só para a nossa edificação (porque todas as coisas, independentes de serem boas ou más aos nossos olhos, contribuem para o bem dos filhos da luz – Romanos 8.28), mas também para a salvação de muitas pessoas que precisam saber sobre Jesus.

Cada peso de luta e prova deve ser revertido em ensinamentos que nos fortalecerão para alcançar vitória, que servirão de exemplo para outras pessoas, e que também serão novas oportunidades para anunciar o Evangelho da Paz aos corações aflitos.

Quem sabe Deus permitiu que cheguemos o fundo do poço porque existe alguém que chegou lá antes de nós e que precisa saber que Jesus Cristo salva? ...Observemos a utilidade que cada servo de Deus tem e façamos de cada momento (bom ou ruim) uma oportunidade para sermos usados por Deus!

Na carta aos Filipenses, Paulo faz uma opção digna de aplausos, por revelar tamanho amor por Jesus e pelas vidas que carecem conhecer o Evangelho. Ele diz:

Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro. Mas, se o viver na carne resultar para mim em fruto do meu trabalho, não sei então o que hei de escolher. Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor; todavia, por causa de vós, julgo mais necessário permanecer na carne. E, tendo esta confiança, sei que ficarei, e permanecerei com todos vós para vosso progresso e gozo na fé.” (Filipenses 1.21-25)

Mais especificamente, Paulo ansiava estar no Céu, mas entendeu que era necessário permanecer na terra, para que Cristo alcançasse muitos que ainda andavam perdidos. E tanto foi importante a sua permanência aqui que todas as gerações posteriores a Paulo recebem ensinamentos preciosos através de seus escritos, divinamente inspirados para fortalecer, instruir e exortar os homens até que Jesus Cristo volte.

É parte do resultado de ter se deixado ser útil para Deus, pois não há ninguém que sofra com paciência e suporte o tempo do Senhor que não venha colher os frutos de seu penoso trabalho. O nome de Paulo entrou no Livro da Vida e nos anais da História. E seu exemplo é digno de ser seguido por muitos em todos os tempos.

Veja essas outras palavras o apóstolo de Cristo, que, mesmo diante de tantas dificuldades, conhecendo todas as suas limitações e tendo que renunciar o privilégio de estar com Deus na Glória para ficar aqui no mundo anunciando Cristo, não cessou de demonstrar seu amor e obediência a Deus, contando ao mundo o que viu e ouviu para que Deus fosse glorificado por mais vidas ainda:

E estando discordes entre si, retiraram-se, havendo Paulo dito esta palavra: Bem falou o Espírito Santo aos vossos pais pelo profeta Isaías, dizendo: ‘ Vai a este povo e dize: Ouvindo, ouvireis, e de maneira nenhuma entendereis; e vendo, vereis, e de maneira nenhuma percebereis. Porque o coração deste povo se endureceu, e com os ouvidos ouviram pesadamente, e fecharam os olhos; para que não vejam com os olhos, nem ouçam com os ouvidos, nem entendam com o coração nem se convertam e eu os cure.’ Seja-vos pois notório que esta salvação de Deus é enviada aos gentios, e eles ouvirão.” (Atos 28.25-28)

Jesus Cristo havia formado uma grande comissão pra anunciar o Evangelho a toda criatura e formar discípulos em todas as nações (Mateus 28.19-20; Marcos 16.15-16).

O Evangelho não se resumiria à vinda do Messias para libertar Israel, porém, para libertar todo o mundo (João 3.16-17).

Israel viu, ouviu e conviveu com o Messias, lado a lado, por 33 anos... mas não o recebeu (João 1.11).

Dois mil anos depois, quem não O viu nem teve a honra e o privilégio de estar pessoalmente com Jesus, hoje O recebe como único Senhor e Salvador a quem devemos honras, louvores e adoração, devoção, obediência e santidade.

A afirmação de Paulo aos romanos é que “esta salvação de Deus [Jesus Cristo] é enviada aos gentios, e eles a ouvirão.

Glórias a Deus, pois tal salvação chegou até nós!

E Cristo, comissionando Seus discípulos para a nobre missão de divulgar esta salvação ao mundo, não os enviou desprovidos e aleatoriamente. Mas, primeiramente, os aparelhou com dons celestiais e poder do alto (Lucas 24.49 com Atos 1.8 e 2.1-13), através da presença insubstituível do Espírito Santo de Deus, o qual tem sido o único representante eleito por Deus para representá-Lo na terra e direcionar os seguidores de Cristo pelo caminho da salvação (João: 14.16-18; 15.26; 16.7,13).

O livro dos Atos dos Apóstolos nos conta muitos dos feitos dos discípulos de Cristo em parceria com o Espírito Santo de Deus.

É curioso observar, porém, que a Bíblia tem, no Novo Testamento, seis livros apenas (Evangelhos segundo Mateus, Marcos, Lucas e João, Atos e Apocalipse). Os outros subtítulos do Novo Testamento, na verdade, são cartas escritas pelos apóstolos para exortação, orientação e discipulado das igrejas do Senhor.

Desses seis livros, todos são encerrados com a palavra “Amém”, com exceção do livro dos Atos.

Os Evangelhos narram a primeira vinda do Messias, Seu sacrifício vicário e expiatório para firmar a nova aliança do povo com Deus, e Sua ascensão ao Céu. E termina com um “Amém”, isto é, a palavra grega que confirma, dizendo: “Assim seja.”

O Apocalipse narra, em termos gerais, trata do retorno do Messias (segunda vinda) para arrebatar Sua Igreja, bem como da vida dos salvos em Cristo na Glória Eterna. E também se encerra com um “Amém”.

Esses cinco livros são fechados com um “Amém”, transmitindo a idéia de uma história conclusa, que se tem por encerrada.

O livro dos Atos não. Ele expressa esse meio-tempo entre a ida de Cristo para o Céu e Sua segunda vinda para cumprir o arrebatamento dos salvos, ou seja, Atos narra o trabalho da igreja com o Espírito Santo depois do Evangelho e antes do Arrebatamento: o trabalho de evangelizar e anunciar a Palavra de Deus e a salvação em Seu Filho até que Ele volte.

E, por se tratar dos feitos dos discípulos de Cristo em sociedade com o Espírito Santo, entendemos que não se poderia ter encerrado ainda o livro dos Atos. Até os dias de hoje, a Igreja permanece praticando atos no mundo inteiro sob a direção do Santo Espírito de Deus, a fim de dar continuidade à obra redentora de Cristo, proclamando-a por entre as nações, tribos, línguas e raças, enquanto não retorna o Salvador Amado.

O livro dos Atos dos apóstolos e do Espírito Santo é narrado, pela Bíblia, até o versículo de número 31 do vigésimo oitavo capítulo, e não se encerra com “Amém”. Isso é para nos lembrarmos que, sendo nós, hoje, os atuais discípulos de Cristo, somos também os responsáveis por realizarmos os próximos atos da Igreja na terra. E assim redigiremos os próximos versículos desta linda história, cujo capítulo 29 começa com a minha e a tua entrada na Família de Deus por meio do perdão e da salvação que, um dia, também nos alcançaram.

Portanto, vamos...

Ainda há muito o que fazermos nesta grande seara que é o mundo perdido e pecador, até que venha o Senhor para que, então, possamos Lhe apresentar os resultados da colheita e, finalmente, descansarmos em paz eterna. A M É M !

Vamos orar...

Paulo disse que por amor dos homens
ele preferia ficar vivo do que morrer e ir viver sozinho com Cristo.
Senhor, vejo Teu ungido renunciando temporariamente
a maravilhosa bênção de viver ao lado de Cristo
para ajudar muitas vidas a também terem um encontro com o Salvador.
Ele queria produzir muitos frutos e não chegar sozinho no Céu,
mas acompanhado por muitos irmãos resgatados pela pregação do Evangelho.
Ensina-me, pois, a ter esse amor tão imenso pelos homens, Senhor!
Não permita que o egoísmo me faça querer o bem da salvação apenas para mim.
Mas, por maior desejo que eu tenha de ir para o Céu,
entendo que meus irmãos precisam de mim.
Tenho uma obra a cumprir aqui.
Quero ajudá-los a entrarem no caminho da salvação.
Eles caminharão com seus próprios pés até chegar aos portões de Sião,
mas preciso ajudá-los, em meio a tantas densas trevas,
a encontrarem o caminho da luz, onde já estou por Tua bondade e favor.
E, para cumprir essa honrosa missão, conto com Tua graça,
Tua força e Tua sabedoria todos os dias,
me orientando e fortalecendo, para que a Tua glória Se revele em mim
e produza um peso excelente de salvação no mundo...
começando em minha casa.
Em nome de Jesus, o meu Amado e Desejado Senhor, eu oro.
Amém
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