terça-feira, 12 de setembro de 2006

Vivos entre mortos



O mundo jaz no maligno.” (1João 5.19)

Esta afirmativa por si somente já deveria ser o suficiente para que todo ser humano evitasse se envolver com o mundo para se voltar à claridade da vida e do bondoso amor de Deus.

E a instrução do apóstolo Paulo (divinamente inspirado pelo Espírito Santo de Deus) é que nos apresentemos vivos a Deus. E não mortos pelo pecado.

Imagine...

Se o mundo jaz no maligno, ele não passa de um grande depósito de corpos mortos, dos quais alguns estão congelados em gavetões, a fim de se tentar manter por mais um pouco de tempo aquilo que, aparentemente ainda teria alguma utilidade. Considerando, porém, que não há geladeiras suficientes para a grande quantidade de pessoas que estão mortas no mundo do pecado, a grande maioria está mesmo é apodrecendo, cheia de vermes lhes corroendo as carcaças que exalam extremo fedor resultante da inevitável putrefação.

Morte fala de trevas...

Imagine-se caminhando por um vale onde milhares de corpos estejam jogados a deteriorarem-se sem nenhuma esperança de vida mais. O cenário, certamente, não será dos mais agradáveis. Outra cor não se pode imaginar para o sentimento que se tem quando se observa aquelas vidas, senão um negrume estarrecedor. A graça dos que estão em Cristo é que eles jamais andarão em trevas, porque Jesus Cristo é a luz do mundo:

"Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem Me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida." (João 8.12).

Morte também fala de vazio e solidão...

Fica sempre a ausência de quem morre. Fica sempre um lugar sobrando, que não pode ser preenchido por outro ser humano, porque cada um de nós tem o seu valor único. E os que partem, partem sozinhos. Nada nem ninguém levam daqui (1Timóteo 6.7). Os servos de Deus, porém, possuem um consolo incomparável e eterno que lhes é garantido pela presença do Santo Espírito de Deus, que preenche toda ausência e conforta o mais triste coração:

"Mas, quando vier o Consolador, que Eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito da verdade que procede do Pai, testificará de Mim. (...) E, quando Ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça, e do juízo: do pecado, porque não crêem em Mim; da justiça, porque vou para Meu Pai, e do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado. (...) Mas, quando vier aquele Espírito da verdade, Ele vos guiará em toda a verdade, porque não falará de Si memo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciar o que há de vir." (João 15.26; 16.8-10,13).

Quando partem, não partem para um lugar desconhecido, nem vão para lá sozinhos. Mas sabem exatamente o lugar para onde estão sendo levados e lá estarão eternamente na companhia dos anjos de Deus, e do próprio Senhor do Universo:

"E, pondo-se de joelhos, clamou com grande voz: Senhor, não lhes imputes este pecado. E, tendo dito isto, adormeceu." (Atos 7.60)

"Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho. Mas, se o viver na carne me der fruto da minha obra, não sei então o que deva escolher. Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor." (Filipenses 1.21-23)

"Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura." (Hebreus 13.14)

Morte fala de frieza...

Uma sensação onde os sentimentos não existem e, por isso, uma falta de sentidos absoluta que toma conta das vidas. Jesus, porém, é chama que nos aquece por meio de Sua Palavra, e que nos mantém vivos e dispostos para a vida:

"Esquentou-se-me o coração dentro de mim; enquanto eu meditava se acendeu um fogo..."(Salmos 39.3)

Morte ainda fala de aprisionamento...

Quem foi para o lado da eternidade não pode voltar mais ao mundo dos vivos. A vida que há em Jesus, porém, nos garante liberdade eterna:

"E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.(...) Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres."(João 8.32, 36)

Morte fala de fedor...

Uma das principais características da morte é o mau cheiro que é exalado pelos corpos em putrefação. Segundo a Palavra de Deus, porém, os filhos do Senhor exalam o bom perfume de Cristo, (2Coríntios 2.15) mesmo habitando num mundo que jaz no maligno:

"Porque para Deus somos o bom perfume de Cristo, nos que se salvam e nos que se perdem." (2Coríntios 2.15)
Morte fala de tristeza...

A perda de alguém querido é sempre indesejada para todos nós. A tristeza amarga nos corações que ficam. A alegria e a paz de espírito pertencem, contudo, aos que vivem na presença de Deus. Mesmo ante os problemas e as aflições é possível cantar louvores a Deus, na certeza que Ele mantém o controle de tudo e, Sua presença nos garante paz e abundância de alegria, pois "diante dEle, até a tristeza salta de prazer" (Jó 41.22).

Morte fala de encerramento total da esperança...

Depois da morte, já não há mais esperança para quem faleceu. Ao homem está ordenado e permitido morrer uma única vez e, após isso, segue-se o juízo (Hebreus 9.27). Não há mais atividade alguma para os que descem ao sepulcro. Aos vivos, que exultam na presença do único Deus que é vivo, há atividades, há movimentação, há expectativas pelas quais podem e devem se empenhar por verem concretizadas.

"Os mortos não louvam ao Senhor, nem os que descem ao silêncio. Mas nós bendiremos ao Senhor, desde agora e para sempre. Louvai ao Senhor." (Salmos 115.17-18)

"Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura, para onde tu vais, não há obra nem projeto, nem conhecimento, nem sabedoria alguma." (Eclesiastes 9.10)

Morte fala de esquecimento...

A memória dos mortos fica entregue ao esquecimento. Até o seu amor, o seu ódio e a sua inveja já pereceram e já não têm parte alguma neste século, em coisa alguma do que se faz debaixo do sol.” (Eclesiastes 9.5-6)

Com o decorrer dos anos, deixam de ser lembrados aqueles que, por mais que amamos e participaram das nossas vidas, partiram para a eternidade antes de nós. Restam somente vagas ou eventuais lembranças. Ser um vivificado em Cristo, porém, nos garante que, ainda que nosso próprios pais venham a se esquecer de nós, o Deus a quem dedicamos nossas vidas nos garante que Ele jamais Se esquecerá daqueles que O amam e vivem por e para Ele:

"Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti." (Isaías 49.15).

Em João 10.10, Jesus nos lembra que Ele veio para que tenhamos vida, e a tenhamos com abundância.

Que honra é para os salvos em Cristo se apresentarem como pessoas vivas e ambulantes no meio carnificina a que tem sido submetido o mundo.

O mundo jaz em trevas, em vazio e solidão, frieza, aprisionamento, fedor, tristeza, falta de esperança, esquecimento profundo. Quem está em Cristo, porém, nova criatura é (2Coríntios 5.17) e, para ela, as coisas velhas se passaram... tudo se fez novo.

"Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte? De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida." (Romanos 6.3,4)

É do meio desse vale de ossos secos que o Espírito Santo está ressuscitando pessoas e tornando seus espíritos vivificados por Cristo. São corpos espirituais putrefatos que foram contaminados pelo pecado e morreram, de depois foram jogados, sem nenhum valor, nas valas do esquecimento em algum lugar deste mundo tenebroso. Mas que, ao ouvirem a voz do Espírito, foram regenerados para gozar da vida plena e abundante de Deus por toda a eternidade.

"Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito. Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte. (...) Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito. Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz." (Romanos 8.1-2,5-6)

E você... pode se apresentar a Deus como um vivo dentre os mortos?