domingo, 12 de novembro de 2006

Impelidos para o deserto

IMPELIDOS PARA O DESERTO


Lutas e provações, todos os servos de Deus estão sujeitos a viver.

Observando o episódio de Jesus sendo tentado no deserto, segundo a narrativa escrita pelo evangelista Marcos (e divinamente inspirado por Deus para escrevê-la), aprendemos algumas verdades sobre nossas vidas neste mundo e diante de Deus quando somos submetidos à situações adversas.

E logo o Espírito O impeliu [a Jesus] para o deserto. E ali esteve no deserto quarenta dias, tentado por Satanás. E vivia entre as feras, e os anjos O serviam.” (Marcos 1.12-13)

Enquanto esteve na terra, Jesus era homem como nós, fisicamente falando. E, como homem, Ele soube o que era ter fome (Mateus 4.2), teve sede (João 19.28), teve cansaço físico (João 4.6), sentiu pena das pessoas (Marcos 3.5), sentiu alegria (Lucas 10.21), teve compaixão das pessoas pois conhecia o sofrimento delas (Mateus 20.34).

Como homem, Jesus nos deixou um grande exemplo (talvez o maior de todos os muitos que Ele nos deixou humanamente falando): Ele confiou na orientação vital do Espírito Santo.

Há uma observação interessante feita por Benny Hinn:

Sem o Espírito Santo, o Senhor Jesus nunca teria entrado no mundo. Ele nunca teria levado nossos pecados na cruz e nunca teria levantado do túmulo. Se o Senhor Jesus era tão dependente do Espírito Santo enquanto estava na terra, podemos nós ser menos dependentes? Billy Graham diz: ‘Se quisermos viver uma vida sã em nosso mundo moderno, se desejamos ser homens e mulheres vitoriosos, precisamos deste dom duplo que Deus nos ofereceu: primeiro, a obra do Filho de Deus por nós; segundo, a obra do Espírito de Deus em nós.’ ” (BENNY HINN, Bem-Vindo, Espírito Santo!. 2ª ed. São Paulo, Bom Pastor, 2005. Pág. 140)

Por vezes a Palavra de Deus nos conta que Jesus andou Se retirando para um lugar deserto para orar. No decorrer do Seu ministério, Jesus citou passagens de pelo menos vinte livros do Velho Testamento (só o que sabemos narrado pela Bíblia – fora o que não foi registrado em livros), e mostrou estar perfeitamente familiarizado como conteúdo dele. De fato, Ele o conhecia tão bem que chegou mesmo a contrastar sua precariedade com a inteireza daquilo que Ele ensinava (Mateus 5.17-48). Jesus não só conhecia as Escrituras, como também as assimilou de tal modo que as podia aplicar livre e perfeitamente às necessidades e ocorrências do dia.

Mas Jesus sabia das circunstâncias adversas que viveria nesta terra enquanto estivesse encarnado. E não Se atreveu a viver suas lutas sozinho, contudo, praticou o exemplo e o deixou para nós: que devemos viver neste mundo sob a direção do Espírito Santo de Deus, o único ser capaz de nos proteger e orientar em qualquer situação. Jesus andou sempre orando, conhecendo a Palavra e praticando a comunhão com o Espírito Santo de Deus.

Infelizmente, muitas pessoas rejeitam o Senhor em suas direções e enfrentam o mundo inteiro sozinhas. O resultado é sempre frustração, mais cedo ou mais tarde, e um descontentamento interior imensamente observável em cada uma de suas atitudes.

Graças a Deus, o mesmo Espírito Santo que estava operando na vida de Cristo é o Espírito Santo que opera em nossas vidas hoje. E se nós confiarmos no poder do Espírito Santo, como Cristo fez no meio da tentação, venceremos em Seu poder, amadurecidos e preparados para a vida e para o ministério que Deus tem para nós.

Outro fato importante, é que o Espírito foi quem impeliu [impulsionou para um certo lugar; coagiu; obrigou] Jesus a ir para o deserto.

Isso nos prova que Deus prova sim!

Há pessoas que vêem Deus como um Deus bonzinho, que nunca castiga nem prova nenhum de Seus filhos... porque “Deus é amor!”.

Essa é uma meia verdade. Deus realmente é amor, mas também é fogo consumidor. Ele castiga e também prova todos quantos ama.

Pois tu, ó Deus, nos provaste; tu nos afinaste como se afina a prata. Tu nos puseste na rede; afligiste os nossos lombos, Fizeste com que os homens cavalgassem sobre as nossas cabeças; passamos pelo fogo e pela água; mas nos trouxeste a um lugar espaçoso.” (Salmos 66.10-12)

Que é o homem, para que tanto o engrandeças, e ponhas nele o teu coração, e cada manhã o visites, e cada momento o proves?” (Jó 7.17-18)

Porque o Senhor corrige o que ama,E açoita a qualquer que recebe por filho. Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija?” (Hebreus 12.6-7)

Filho meu, não rejeites a correção do Senhor, nem te enojes da sua repreensão. Porque o Senhor repreende aquele a quem ama, assim como o pai ao filho a quem quer bem.” (Provérbios 3.11-12)

Nenhum de nós está livre de ser levado para o deserto para ser provado por Deus. Porém, quando isso acontecer, devemos confiar que o Espírito Santo estará ali conosco, nos ajudando e ensinando a vencer as tentações, e imprimindo em nós o caráter do Senhor Jesus Cristo.

O Espírito Santo, pela provação de Cristo no deserto, nos mostra quanto Ele pode fazer por nós quando estivermos no deserto da vida também. Numa meditação recente sobre a tentação a Cristo no deserto, observamos que o diabo havia Lhe oferecido SOSSEGO (sustento material – Mateus 4.3), SEGURANÇA (Mateus 4.6) e SUCESSO (Mateus 4.8), e mencionamos o seguinte:

O recurso de Cristo era o Espírito Santo de Deus, que colocava em Sua boca, mente e coração, as palavras necessárias para vencer satanás naquela grande batalha espiritual a que estava sendo submetido o Divino Mestre. O nosso recurso no deserto também não pode ser outro! Só a presença do Espírito Santo de Deus nos garantirá força e sabedoria necessárias para atravessarmos pelos desertos da vida com SOSSEGO (porque Ele suprirá todas as nossas necessidades materiais, de acordo com o que precisamos); com SEGURANÇA (porque Ele não permitirá que nada nos atinja, uma vez que temos traçados planos e projetos do Pai para nosso futuro); e com SUCESSO (porque o deserto tem fim, e nós o atravessaremos... não ficaremos nele toda a vida).” (Elaine C. Castro. Amanhecer com Deus – Devocional Bíblico de 05/10/2006).

Uma terceira lição que recebemos, meditando na narração do Evangelho segundo Marcos sobre a prova de Cristo no deserto, é que Ele esteve por ali “40 dias, tentado por satanás” (Marcos 1.13).

Entendemos que Jesus não foi provado somente as três vezes que são narradas pela Bíblia. Certamente o diabo se alegrou quando viu Jesus sendo conduzido para aquele lugar desprovido de recursos, de companhias... impiedoso promotor de sede, de necessidades, de solidão.

Desde muito tempo satanás queria pôr fim à história de Cristo na terra, quando usou Herodes para ordenar a matança dos meninos de dois anos pra baixo (Mateus 2.16), porque temia o fim que Deus havia lhe decretado desde o Éden, depois que levou Eva e Adão a cometerem o primeiro pecado (Gênesis 3.15 com Isaías 7.14). Ver Jesus aparentemente sozinho, desprovido e necessitado no deserto era a oportunidade que satã estava esperando para destruí-Lo.

Se com o Rei Jesus satã foi ousado a ponto de aproveitar todas as chances que teve para exterminá-Lo, que podemos dizer de nós, tão reduzidos quanto somos?...

Certamente o diabo cochichava aos ouvidos de Cristo coisa do tipo: “Jesus, você acha mesmo que o Senhor está aqui? Ele não está. Ele não vai fazer nada por você. Você está sozinho no mundo, não vê? Não adianta... não há mais jeito para você! Por quê você não desiste logo dessa sua missão? Você não vai conseguir!

Algo semelhante conosco? Claro que sim! O diabo não cansa. Ele atuava assim com Cristo e também atua hoje conosco. Suas táticas são bem visíveis do decorrer da Bíblia e permanecem ao longo dos anos sendo aplicadas, uma a uma, na tentativa de destruir o homem que também reinará com Cristo sobre todo o mal:

E ao que vencer, e guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei poder sobre as nações, E com vara de ferro as regerá; e serão quebradas como vasos de oleiro; como também recebi de meu Pai. (...) Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono.” (Apocalipse 2.26-27; 3.21)

Uma quarta lição é para nós observarmos que Cristo não esteve livre de viver “entre as feras” (Marcos 1.13). Naquele deserto, Ele estava próximo aos seres que Ele mesmo havia formado na Criação e que, posteriormente, viriam a demonstrar sentimentos por Ele quando morresse crucificado (a natureza soube demonstrar isso melhor que nós). Porém, Jesus estava sujeito a ser atacado a qualquer momento.

Isso nos mostra que no deserto das nossas aflições, as pessoas que pensávamos ser muito amáveis de repente se expressam ausentes, alheias ao nosso sofrimento e indiferentes. Por vezes, até aquelas de quem mais esperamos consideração são as primeiras que se levantam para nos atacar.

Mesmo assim, o deserto é um caminho necessário para a nossa maturidade espiritual. E nele aprendemos, entre as tantas lições possíveis, que todos os seres humanos são falhos e omissos, pateticamente insensíveis ao próprio sofrimento.

Há um pensamento que diz:

Às vezes Deus costuma usar a solidão para nos ensinar sobre a convivência. Às vezes, usa a raiva para que possamos compreender o infinito valor da paz. Outras vezes usa o tédio, quando quer nos mostrar a importância da aventura e do abandono. Deus costuma usar o silêncio para nos ensinar sobre a responsabilidade do que dizemos. Às vezes usa o cansaço, para que possamos compreender o valor do despertar. Outras vezes usa a doença, quando quer nos mostrar a importância da saúde. Deus costuma usar o fogo, para nos ensinar a andar sobre a água. Às vezes, usa a terra, para que possamos compreender o valor do ar. Outras vezes usa a morte, quando quer nos mostrar a importância da vida.” (Desconheço o autor)

E eu completaria, dizendo que Deus, muitas vezes, usa o deserto para nos mostrar os maravilhosos oásis cheios mananciais que estão reservados a espera daqueles que reconhecem e aceitam quem é Deus e quem somos nós realmente.

Tomar conhecimento desse conceito muda tudo em nossas vidas, e nos ensina a viver confiando somente em Deus, esperando somente em Deus e buscando primeira e insubstituívelmente a companhia de Deus.

Mas já em nós mesmos tínhamos a sentença de morte, para que não confiássemos em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos.” (2Coríntios 1.9)

O final de todo esse aprendizado no deserto e da nossa permanência em sermos fiéis ao Senhor nos proporciona uma agradável ceia, servidos pelos anjos, quando o Senhor entender ser o tempo certo de ordenar a bênção sobre nós.

Jesus já estava há quarenta dias e quarenta noites sem Se alimentar. Seu corpo humano, com certeza, já devia Se encontrar bastante abatido e exausto. Contudo, Ele Se negou a receber comida que o mal pudesse Lhe dar, ainda que isso, aparentemente, significasse saciar Sua fome, isto é, sanar uma de Suas grandes necessidades daquele momento.

Aprendemos com Jesus a suportar as necessidades a fim de esperar que Deus venha nos abençoar no tempo certo. E o tempo certo acontece sempre depois que aprendemos a resistir ao mal com autoridade da parte do Senhor; Depois que aprendemos a suportar a prova com humildade; depois que aprendemos a reconhecer que Deus é superior a tudo e, por isso, o Ser mais competente para nos abençoar com coisas e situações ainda melhores que tudo o que o mundo possa nos oferecer; Depois que adquirimos responsabilidade, maturidade e sabedoria para administrar e zelar bem das bênçãos que o Senhor nos conceder; Depois que demonstramos viver sob total dependência do Senhor, esperando nEle a ocasião e a providência perfeitas... depois que Deus é glorificado por mais uma luta vencida e menos uma situação que desonre Seu santo e poderoso nome na vida de quem é cognominado “servo de Deus”.

Antes, crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.” (2Pedro 3.18)

A melhor decisão foi a que Cristo tomou: a de não ceder aos mimos malignos para que fosse abençoado por Deus também da melhor maneira, “porque de quem alguém é vencido, do tal faz-se também servo.” (2Pedro 2.19)

Anjos” foram servir Jesus (Marcos 1.13). Sabemos que, para servir Jesus – um único homem, bastava um único anjo, ou nenhum, pois Cristo poderia perfeitamente servir-Se sozinho. Contudo, a expressão usada nos leva a entender que Deus havia preparado um banquete completo para Cristo... Primeiramente, podemos justificar que “anjos” foram servir Jesus por ser Ele o Rei da Glória, que venceu o diabo no deserto. Mas o exemplo também nos mostra a recompensa que é dada aos homens por se confiar, esperar e agir somente em Deus.

Os pães que o maligno ofereceu não se podiam comparar ao banquete que Cristo havia de receber do Pai... porque o Pai sempre tem o melhor para entregar aos Seus filhos. E Jesus cria nisso. Ele não Se precipitou em tomar uma decisão: Ele esperou e Se posicionou em Deus e em Sua Palavra de forma a não abandonar Sua confiança na providência divina, mas a agradar a Deus com uma atitude de fé. O pe. Tabir R. Teixeira, certa vez, declarou: “A fé é o norte da nossa vida.” E Jesus demonstrou-nos na prática que guardar a fé em Deus realmente é a maneira mais correta para ser um vencedor.

Atentemos, também, para o fato a expressão: os anjos “O serviam”... (v. 13); não “O serviram”. Há que se observar aqui a colocação do verbo: se “serviram”, já não servem mais, isto é, fizeram sua obrigação e foram embora. Porém, a Palavra relata que os anjos de Deus “serviam” a Jesus, e isto nos leva a entender que eles O serviam sempre que Cristo tivesse uma necessidade... O verbo, nessa colocação, transmite a idéia de uma obra contínua, ininterrupta.

No deserto, Deus não nos deixa desamparados. Ele nos ampara contínua e gradativamente. Ele envia anjos para nos servir segundo as nossas necessidades (e não segundo as nossas vontades). Dessa maneira, Ele trabalha nosso caráter, e nos molda de maneira a nos reformar conforme Sua imagem e semelhança pois “sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos...” (2Pedro 2.9)

Certa vez alguém sabiamente disse que “não há nada de nobre em sermos superiores ao próximo. A verdadeira nobreza consiste em sermos superiores ao que éramos antes.” E entendemos que o deserto é realmente o lugar mais propício para que Deus nos ensine a sermos melhores!

Se há um deserto em sua vida neste momento, siga os passos que Cristo trilhou...

E, certamente, caminhando por ele sob a direção do Espírito de Deus, confiando somente em Deus, sendo fiel a Deus e permitindo-Lhe cuidar ternamente de você, você chegará a um lugar tranqüilo e regado, onde o próprio Deus te exaltará, te assentará a uma mesa farta, onde Seus anjos pessoalmente te servirão diante dos teus inimigos... e você verá que valeu à pena andar pelo deserto segurando na mão do Senhor.

Bem-aventurado o varão que sofre a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que O amam.” (Tiago 1.12)

E que o Espírito Santo fale melhor em teu coração...




OREMOS:

Todo-Poderoso Deus,
quero que o Senhor seja verdadeiramente o Deus da minha vida.
Renuncio qualquer tentativa por minha parte
de manipular ou usar a Tua graça e bondade por meu próprio benefício.
Submeto a minha vontade à Tua.
Sei que o Senhor deseja moldar em mim o caráter de Cristo.
Mas, Santo Pai, confesso que luto às vezes
com meus próprios desejos egoístas e malignos que me desviam.
Por favor, desperta em mim a paixão por Te servir direito
e por ser fiel a Ti enquanto eu viver.
Perdoa-me quando meu coração está frio e meus ouvidos surdos à Tua vontade.
Por favor, tome controle da minha vida hoje
e me conduza por este deserto que devo atravessar.
Através de Jesus meu Senhor, e no nome Dele,
peço essas coisas que aceito a sua vontade como Deus da minha vida.
Amém.