domingo, 19 de novembro de 2006

Intimidade com o Pai

FILHOS QUE O PAI CONHECE...

E as [virgens] loucas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam. (...) E elas, tendo ido comprá-lo [o azeite que lhes faltava], chegou o Esposo, e as que estavam preparadas entraram com Ele para as bodas, e fechou-se a porta. E depois chegaram também as loucas, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos a porta. Ele, respondendo, disse: Em verdade vos digo que vos não conheço.” (Mateus 25.8,10-12)


As nossas vidas devem ter uma cultura constante de busca da intimidade com o Senhor.

A passagem que lemos hoje sobre as dez virgens nos revela a contradição na vida de muitas pessoas que se anunciam cristãs, crentes, mas que não estão salvas, porque não têm buscado viver um relacionamento perfeito com seu pai.

Um relacionamento perfeito entre pai e filho não é aquele onde o filho não comete erros, mas sim aquele onde o filho erra e admite seu erro ao seu pai, na intenção de ser perdoado e receber dele a orientação, a ajuda necessária para continuar andando, agora mais experiente, mais correto em suas atitudes.

Se nós, sendo homens, temos bons conselhos e sabemos abençoar nossos filhos errantes, que podemos imaginar de Deus, Santo e Perfeito, Justo e Bondoso, poderá fazer por nós, para nos instruir e ajudar em Seu caminho? Ele é perfeitamente capaz de nos perdoar e quer nos ajudar a sermos retos. Ele sabe que somos falhos e respeita isso em nós, mas está disposto a nos ensinar a sermos santificados a cada dia, pois só assim poderemos Lhe encontrar quando a nossa história nesta terra se findar.

Um relacionamento perfeito entre pai e filho não é aquele onde o filho não conta ao pai os seus segredos para não ser repreendido por este. Contudo, é um relacionamento onde não há segredos entre pai e filho.

Deus também quer compartilhar nossos momentos e intimidades conosco. Ele Se revela aos que Lhe buscam e quer participar de todos os nossos momentos, sem que nos reservemos em nada. Ele não nos deixará nos perder na vida e nem sermos envergonhados em nada, se nós nos abrirmos sempre com Ele e contarmos-Lhe tudo o que se passa conosco, seja física, seja mental, seja social, seja profissional, seja familiar, seja sentimentalmente... Deus quer dividir todos os nossos momentos conosco!

Um relacionamento perfeito entre pai e filho não é aquele onde o pai dá plena liberdade para seu filho escolher seu destino e este faz dele tudo o que lhe apraz. Mas sim, um relacionamento onde o pai dá liberdade para seu filho fazer suas escolhas até o ponto em que as tais não lhe conduzirão ao sofrimento, a caminhos perversos, a atitudes reprováveis. O pai respeita a liberdade do filho até onde sabe que ele saberá fazer as melhores decisões sozinhos, baseado na aprendizagem que teve pelo convívio com o pai e sua família. E o filho respeita a liberdade que o pai tem de se interferir em sua vida quando entender ser necessário, para lhe orientar da forma mais correta e experiente.

Da mesma maneira, Deus quer ser respeitado por Seus filhos quando for necessário que Ele Se interfira em nossas vidas. Ele nos dá livre arbítrio e nos ensina a cada momento, em cada acontecimento, sobre a maneira correta para vivermos neste mundo sendo sal e sendo luz... sendo modelos de Cristo, nosso irmão mais velho. Mas o Senhor quer que respeitemos quando Ele precisar ou quiser Se interferir e tomar a dianteira da situação. Muitos filhos, porém, não Lhe permitem isso. Recebem todos os cuidados de Deus, mas não O permite participar de suas decisões.

Deve haver uma reciprocidade entre pai e filho também no que diz respeito aos seus bens. A herança do Senhor é para Seus filhos. Os filhos, porém, muitas vezes, não querem usufruir ou, simplesmente, não sabem gozar dos bens que o Pai nos deixou. A salvação tem sido utilizada por exemplo, para nos livrar da vida de lutas e provações, como se quem proferisse o nome de Cristo jamais tivesse que sofrer perseguições ou enfrentar as afrontas de satanás. Isso nós conhecemos como o “evangelho triunfalista”, um evangelho fácil, que não exige renúncias nem mudança de comportamento, e que prega não ser correto haver crises na vida de quem serve a Deus. Isso, porém, contradiz completamente a Palavra do Pai, que ensina que quem quiser ir após Jesus, “negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz,” e siga-o. (Marcos 8.34)

Os bens do Senhor, para a edificação de Seus filhos e honras ao Pai, por vezes, têm sido utilizados para promover a ascensão de muitos filhos ao estrelato. A casa do Pai, em diversas situações, tem sido utilizada como salão de shows e clube de eventos sociais, onde não há um compromisso com a família do Pai nem com a Sua pessoa.

E tantas outras características sobre o relacionamento sincero e íntimo de Pai para filho e de filho para Pai nós poderíamos citar. Vamos, porém, nos ater a estes, que já nos demonstram bem falhas no nosso relacionamento com Deus.

Haviam dez virgens que esperavam o noivo, mas a metade delas não estava preparada para recebê-lo. E buscavam nas outras virgens o azeite de que precisavam para manterem suas lamparinas acesas. Igualmente verificamos filhos de Deus buscando um relacionamento com outras pessoas, buscando uma capacidade espiritual forte através das experiências de outras pessoas... querendo manter suas lamparinas (suas vidas) acesas com o óleo (a unção do Espírito Santo) que há nas lamparinas (nas vidas) de outras pessoas.

As cinco virgens loucas não eram prudentes e não buscavam se relacionar direta e intimamente com o Senhor, embora vivessem sob o mesmo teto que as virgens prudentes. Na casa do Pai, vemos filhos na mesma situação: estão na mesma família, mas não têm um relacionamento pessoal e intenso com o Pai Celestial.

Quando o esposo levou as virgens prudentes para as bodas, aquelas que eram loucas ainda estavam se preparando, buscando o azeite que não conseguiram obter enquanto tinham tempo, seja por desleixo, seja por desatenção, seja por ocupação com coisas vãs... e isso não lhes permitiu conhecer o Senhor, nem serem conhecidas dEle. Não tiveram tempo para se comunicar e se conhecerem.

E assim vemos cristãos, filhos do Pai Eterno, que não estão se ocupando com um relacionamento onde possam se conhecer, se aceitarem.

Deus quer Se tornar conhecido de nós. Ele tem desejo e prazer em Se revelar, em ser aceito, em ser experimentado por Seus filhos. E nós deveríamos ter o mesmo prazer em nos revelarmos e sermos apreciados por Deus, também. Ele quer nos conhecer, quer nos ajudar a nos conhecermos mais... Ele quer nos ensinar a mudar muitas coisas que não condizem com as características de um verdadeiro adorador.

E quando Ele vier reunir todos os Seus filhos para levá-los para o Lar, quer ter o prazer de dizer: “Todos os meus filhos estão aqui, nenhum deles se perdeu. Eu conheço a todos e tenho intimidade com todos eles.

O Senhor não conhecia as virgens louca e as deixou do lado de fora da sua casa, porque elas não procuraram ter intimidade nem conhecerem a vontade do Pai. Faltou-lhes azeite. Faltou-lhes comunhão. Faltou-lhes familiaridade, embora o Senhor já Se fizesse conhecido delas (elas esperavam o esposo).

Que não nos falte nada disso. Mas tenhamos uma relação recíproca, pessoal, verdadeira e fortalecida com nosso Pai, para que, quando Ele vier nos buscar, possa chamar cada um de Seus filhos pelo nome...

PARA MEDITAR...
Nosso Pai Celestial anseia em gastar tempo valioso com Seus filhos.

VAMOS ORAR...
“Pai, estou aqui para Te abraçar como uma criança que reconhece a figura mais forte, poderosa e confiável em seu pai. Estou aqui para Te dizer que não encontro palavras que expressem o que sinto por Ti, nem e o quanto entendo que dependo de Ti. Reconheço que não sou perfeito mas que preciso do Senhor me ajudando a crescer como um filho bem educado e bem sucedido na vida espiritual (e, por que não, na vida material, também?). Eu erro e tenho muito a aprender. Eu sei. Mas me alegro pela certeza que o Senhor não me abandonará e quer me ajudar a ser um filho exemplar. Quero me abrir com o Senhor agora. Quero te dizer que (... conte a Ele o que se passa com você... conte-Lhe coisas que você jamais pensou em revelar a Ele... Ele quer te ouvir!). E sei que o Senhor me compreende e me ajudará a superar meus medos, a fazer as coisas certas e, acima de tudo, a viver segundo a Tua imagem e semelhança. No nome do meu irmão mais velho, o Teu Filho Amado Jesus Cristo, eu oro. Amém.”
E que o Espírito Santo fale melhor ao teu coração...
No amor de Cristo.