sábado, 2 de dezembro de 2006

Nascidos de Propósito

NASCIDOS DE PROPÓSITO


Foto: Menina após o batismo nas águas.

5 Existiu, no tempo de Herodes, rei da Judéia, um sacerdote chamado Zacarias, da ordem de Abias, e cuja mulher era das filhas de Arão; e o seu nome era Isabel.
6 E eram ambos justos perante Deus, andando sem repreensão em todos os mandamentos e preceitos do Senhor.
7 E não tinham filhos, porque Isabel era estéril, e ambos eram avançados em idade.
8 E aconteceu que, exercendo ele o sacerdócio diante de Deus,na ordem da sua turma,
9 segundo o costume sacerdotal, coube-lhe em sorte entrar no templo do Senhor para oferecer o incenso.
10 E toda a multidão do povo estava fora, orando, à hora do incenso.
11 Um anjo do Senhor lhe apareceu, posto em pé, à direita do altar do incenso.
12 E Zacarias, vendo-o, turbou-se, e caiu temor sobre ele.
13 Mas o anjo lhe disse: Zacarias, não temas, porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João.
14 E terás prazer e alegria, e muitos se alegrarão no seu nascimento.
23 E sucedeu que, terminados os dias de seu ministério, voltou para sua casa.
24 E, depois daqueles dias, Isabel, sua mulher, concebeu, e por cinco meses se ocultou, dizendo:
25 Assim me fez o Senhor, nos dias em que atentou em mim, para destruir o meu opróbrio entre os homens.
57 E completou Isabel o tempo de dar à luz, e teve um filho.
58 E os seus vizinhos e parentes ouviram que Deus tinha usado para com ela de grande misericórdia, e alegraram-se com ela.
67 E Zacarias, seu pai, foi cheio do Espírito Santo, e profetizou, dizendo:
68 Bendito o Senhor Deus de Israel, porque visitou e remiu o Seu povo...
76 E tu, ó menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque hás de ir ante a face do Senhor, a preparar os Seus caminhos...
80 E o menino crescia, e se robustecia em espírito. E esteve nos desertos até o dia em que havia de mostrar-se a Israel.

(Evangelho de Jesus, segundo Lucas, cap.01)


É bastante comum nos depararmos com expressões como “não sei de onde venho, nem sei para onde vou” ou “não sei dizer o motivo pelo qual estou aqui”. E o mais impressionante é que, muitas vezes, tais argumentos vêm de bocas que se anunciam como cristãs, evangélicas, salvas. A vida de pecados que o mundo oferece, realmente não contribui para que entendamos o valor e o significado da existência humana que, à princípio, é para o louvor da glória de Deus (Efésios 1.11-12). Os salvos em Cristo, porém, têm uma missão especial além desta. A passagem bíblica que lemos acima nos explica o valor, o significado e a utilidade da vida de um filho de Deus.

João, o batista, era um filho muito desejado do casal Izabel e Zacarias. A mulher, como lemos, era estéril, e já em idade avançada teve um filho que foi anunciado por Deus. O nascimento de João trouxe alegria para as pessoas que conheciam seus pais. Trouxe também alegria para o Senhor Deus, porque João se tornaria o profeta que anunciaria o Messias – Jesus Cristo o Senhor que viria trazer luz aos que andavam em trevas e libertar os cativos (Isaías 9.2,6,7).

Ele mesmo se revelou como a pessoa acerca de quem escreveu o profeta Isaías, no capítulo 40.3-5 de seu livro:

Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai no ermo vereda a nosso Deus. Todo vale será exaltado, e todo monte e todo outeiro serão abatidos; e o que está torcido se endireitará, e o que é áspero se aplainará. E a glória do Senhor se manifestará, e toda carne juntamente verá que foi a boca do Senhor que disse isso.

Como o descrito pelo evangelista Lucas, João, o batista, “percorreu toda a terra ao redor do Jordão, pregando o batismo de arrependimento, para o perdão dos pecados, segundo o que está escrito no livro das palavras do profeta Isaías” (Lucas 3.2-4).

A missão de João era preparar o mundo para receber o Messias, que remiria o povo de seus pecados e reconstituiria uma nova aliança – perpétua – por Seu sangue entre Deus e o homem caído. Para tal, João valeu-se da pregação e do ensinamento da Palavra de Deus aos povos, e ainda do batismo, que foi instituído pelo Senhor como um símbolo dessa nova aliança (Mateus 16.16).

Em dias recentes, observamos faltar muito pouco tempo para que Jesus volte ao mundo pela segunda vez, para julgar as nações. O arrebatamento da Igreja é um fato extrema e ansiosamente esperado pelos filhos de Deus, e o retorno de Jesus para julgar o mundo precisa ser anunciado aos povos que ainda não têm conhecimento sobre a graça de Deus.

Os filhos gerados pela Igreja (cristãos) têm, hoje, a missão que João Batista teve há dois mil anos atrás: a missão de anunciar a vinda do Messias.

Os sinais preditos por Cristo em Mateus 24 têm se cumprido rigorosamente, e a Igreja tem vivido os sinais dos últimos dias, anunciado pelo profeta Joel e também pelo apóstolo Pedro, acerca do Espírito Santo:

E acontecerá, depois, que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões; até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias.” (Joel 2:28-29; Atos 2.17-18)

Esses filhos serão os “porta-vozes de Deus” para o mundo de hoje, a fim de angariarem o máximo de vida até a volta de Jesus, anunciando o Reino de justiça, paz e equidade, que será a morada eterna de todos quantos forem agregados à família de Deus ao receberem Cristo como único, suficiente e eterno Senhor e Salvador.

Esses filhos da Igreja e de Deus foram gerados à custa de muito pranto, intensas orações, insistentes pregações, pacientes ensinos, e até derramamento de sangue.

O cristianismo cresceu sob intensa perseguição. No Coliseu de Roma, por exemplo, os seguidores de Jesus foram devorados por leões, despedaçados, servindo como atração circense para ateus. Nero (um dos imperadores romanos) ordenava que cristãos fossem incendiados como tochas vivas pendurados em postes para iluminar as ruas. Um grande e desconhecido número de pessoas foram queimadas vivas em fogueiras, torturadas, assassinadas das mais cruéis e inimagináveis maneiras. Mas nada impedia o crescimento da fé, a ponto de, no quarto século desta era, os cristãos serem uma força política irresistível.

Para que hoje tivéssemos o quantitativo de cristãos com que contamos na Igreja, lágrimas e sangue foram semeados até que a Palavra de Deus nos alcançasse.

Deus insistiu porque previa as gerações futuras que careceriam, certamente, ainda mais da Sua Palavra para resistirem às tentações e ao pecado, devido à evolução dos meios de comunicação e do aprimoramento da sutileza nas obras do diabo para enganar e destruir as vidas sem Cristo. Jesus previu que “E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará” (Mateus 24.12), e chegou mesmo a indagar: “Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” (Lucas 18.8). Sabendo que sem fé e sem amor é impossível agradar a Deus (Hebreus 11.6; 1Coríntios 13), temos que anunciar a verdade contida nas Santas Escrituras para que o mundo seja resgatado da ilusão do pecado e se reconcilie com Deus. Essa foi a comissão ordenada por Jesus (Marcos 16.15; Mateus 28.19-20) aos Seus discípulos para todos os tempos (2Timóteo 4.2-5).

Como João foi esperado por seus pais com amor para que se cumprisse a promessa de Deus, a minha e a tua vida, irmão e irmã em Cristo, também foram esperadas com alegria e muitos se regozijaram por nosso nascimento. Anjos se alegraram nos céus quando nós levantamos nossas mãos e dissemos “sim!” para Cristo entrar em nossas vidas, numa atitude de reconhecimento que precisávamos (e nunca deixaremos de precisar) do auxílio de Jesus para sairmos da lama do pecado. Foi o próprio Senhor quem falou que “há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende” (Lucas 15.10). Os membros da Igreja, como um todo, se alegraram em nos receber como novos irmãos em Cristo.

E em cada filho da Igreja, Deus viu um ser que poderia ser capacitado por Ele para anunciar o Evangelho. João, o batista, foi chamado “profeta do Altíssimo”, porque iria “ante a face do Senhor, a preparar os Seus caminhos” (Lucas 1.76). Jesus nos chamou de “discípulos” (João: 8.31; 13.35; 15.8), porque nos incumbiu de ensinar ao mundo tudo o que aprendemos com Ele:

Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a observar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.” (Mateus 28.19-20)

Muitas vezes, porém, não vemos (ou, antes, não conseguimos ver) o mover de Deus em nossas vidas, como se estivéssemos num deserto, sem explicações aparentes para isso, desprovidos de todo socorro e completamente abandonados por todos.

O texto do cap. 01 do Evangelho de Lucas nos explica, no verso 80 que João Batista “crescia, e se robustecia em espírito. E esteve nos desertos até o dia em que havia de mostrar-se a Israel.” Deus nunca envia um soldado para a batalha antes de lhe dar um treinamento rigoroso para a guerra. E o deserto é o lugar onde o Senhor nos treina, nos ensinando a viver sob Sua total dependência, nos quebrantando, nos ensinando a amar até os que nos fazem e querem mal. São os desertos da vida que nos capacita a enfrentarmos a fúria do inimigo atroz e a suportar as aflições da vida como bons soldados que não se embaraçam com nada mas militam legitimamente (2Timóteo 2.1-5).

Chegou, porém, o dia de João ser revelado a Israel. Hoje, as nações esperam por Deus e nós seremos o canal pelo qual Ele chegará até elas. Agora, é a nossa vez de nos empenharmos por crescermos em espírito também (como João crescia), para que possamos nos apresentar ao Senhor “como obreiros aprovados, que não têm de que se envergonhar” (2Timóteo 2.15). Pois os filhos de Deus têm uma origem (nasceram de Deus), têm um propósito (adorar a Deus e ganhar as nações para Cristo), e têm um destino (habitar nas moradas celestiais). A insignificância é uma palavra que não cabe como sinônimo da vida de um cristão autêntico, lavado e redimido por Cristo. O mundo não tem esta certeza e, por isso, padece permanentemente distante de Jesus, o Salvador.

Certa vez, Goeth(1) escreveu:

"Enquanto não souberes morrer e renascer, serás um viajante aflito a errar na terra escura."

As muitas pessoas, dentro da Igreja de Deus, que têm vivido uma grande ausência de significado em suas vidas e que, em geral, têm-se demonstrado amargas de espírito, oprimidas, relutantes, resistentes, individualistas, complexadas e até depressivas por não conhecerem a importância e a utilidade de suas vidas, agora podem entender que, além de terem sido criadas para o louvor da glória do Senhor, foram renascidas de Deus para executarem a nobre tarefa que os anjos desejaram realizar: anunciar, pelas palavras do Senhor e ladeadas pelo Espírito Santo, o Evangelho que salva.

Hoje, novamente o Pai Celeste ainda pergunta: “A quem enviarei? E quem há de ir por nós?” (Isaías 6.8)

E que todos os Seus filhos, prontamente e com alegria, certos da grandeza de seus chamados, possam responder sem titubear: “Eis-me aqui, Senhor! Envia-me, a mim.

E que o Espírito de Deus repouse em nossos corações, nos fortalecendo a cada dia para levarmos Cristo a todos os cantos desta terra.

Amém.


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(1) Johann Wolfgang von Goethe foi das mais importantes figuras da literatura alemã e do Romantismo europeu, nos finais do século XVIII e inícios do século XIX.