quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Nos encontraremos no Paraíso

Nos encontraremos no Paraíso...





Enquanto redijo e digito essa mensagem, lágrimas rolam abundantemente em meu rosto, como expressão de uma paz imensa que me invade, como manifestação de uma dor de perda terrível que veio para se instalar em meu coração, mas principalmente como o desejo de me levantar e continuar, agora ainda mais forte em Cristo, para lutar pela expansão do Reino de Deus.

O fato é que recebi há duas horas um telegrama, dizendo que meu pai faleceu ante-ontem, vítima de um câncer na perna.

Meu coração se entristeceu muito porque eu tinha muita esperança em vê-lo ainda no início do ano que chega, sendo que há 10 anos eu não o via. E há dois não tinha nenhuma notícia dele. Há dois meses recebi uma carta de sua esposa me dizendo que ele estava mal com esse problema que adquiriu com um corte em uma telha de amianto num acidente de trabalho ano passado.

Mas estou feliz demais, porque meu pai era um pastor missionário... E cumpriu a nobre missão de levar muitas vidas aos pés de Cristo. Isso eu tenho certeza e também já fui testemunha. Dormiu aqui para ir para o lugar que eu mais desejo estar, que é os braços do Senhor. Ele conseguiu: venceu em Cristo. Aleluia, por isso!

Há quem pergunte: “...mas... você não vai brigar com Deus porque Ele te negou o direito de ver teu pai antes de morrer, mesmo sendo você tão dedicada a Ele?”

Não, queridos. Eu até quis cobrar isso do Senhor. Mas não consegui orar. Porque não devo fazer isso. O Pai me abençoou ricamente em me conceder a oportunidade de ter conversado com meu pai antes de ele falecer, e saber que ele morreu com convicção que estava reto na presença de Deus. E o Senhor somente abreviou seu sofrimento aqui.

A missionária Eunice (esposa dele), me contou que os irmãos da igreja iam em sua casa para consolá-lo e saindo de lá, estavam todos consolados. Eis aí uma linda característica de um cristão: no meio da sua luta, ele tem sempre uma palavra de conforto e ânimo.

Tenho certeza que os céus se alegraram em recebê-lo anteontem de ontem (dia 12/12/2006), às 9h.

E estou feliz por saber que uma frase que meu pai me disse na última vez em que nos vimos (há 10 anos), teve um efeito marcante em minha vida. Quando ele soube que eu era católica e havia me batizado voluntariamente com 17 anos de idade (eu tinha 19 quando nos vimos), ele perguntou com grande pesar no coração: “E o Evangelho em tua vida, filha, onde fica?”

Dez anos se passaram e ele ficou orando por minha vida. No primeiro mês de abril depois daquele dezembro eu fui recebida por Cristo em Sua família de adoradores sinceros, que não dividem a Glória que Lhe é devida com imagens de esculturas.

E hoje eu sei dizer com intrepidez onde está o Evangelho do Senhor em minha vida: está no meu coração, onde Cristo está reinando absoluto assentado num trono que é somente dEle, graças às orações do servo de Deus que nunca deixou de me apresentar diante do Pai da Glória.

Em nossa última conversa por telefone, há dois meses, ele rejubilou do outro lado quando soube que Deus havia me feito coluna entre meus dois irmãos e mãe fracos na fé (na verdade, um deles e minha mãe desviados do caminho do Senhor, e o outro, precisando nascer de novo – contudo, prefiro admitir que estão mesmo é adquirindo experiências para contarem testemunhos gloriosos quando retornarem para a Casa do Pai e se firmarem no Senhor).

Como filha do pastor José Mendes de Castro, eu realmente estou sofrendo muito dentro de mim, porque sob qualquer circunstância, ele era meu pai, eu pude cumprir meu papel de filha mesmo que distante, ajudando-o como eu pude desde que soube que ele estava doente. Seria uma hipocrisia minha dizer o contrário. Contudo, como serva de Deus, regozijo por sua vitória, porque ele partiu para o lugar onde eu mais gostaria de estar agora: partiu para os braços do Pai.

A morte, a perda, em quase todas as vezes são vistas por nós como danos irreparáveis. Contudo, entendo que somos muito egoístas em querer manter as coisas eternamente conosco aqui nesta vida. Há dois grandes erros em atitudes como esta: (1) Tudo o que existe, principalmente as pessoas, são propriedades de Deus. Ele criou todas as coisas. E tudo o que Ele fez agora foi recolher para Si uma jóia do Seu jardim. E o fez quando essa jóia já estava lapidada, brilhando, preparada para voltar ao Lar. O Pai está fazendo isso com todos nós. Ele está nos santificando a cada dia, para que possamos nos encontrar com Ele já limpos do pecado e com nossa missão cumprida. Nós também seremos recolhidos desta terra, seja pela via da morte, seja pelo arrebatamento. E se estivermos preparados, nosso destino final será a eterna Casa de Deus. (2) Nós queremos que as pessoas sejam curadas e permaneçam neste mundo mal porque este é o nosso desejo... mas quanto egoísmo o nosso! Meu pai, por exemplo, estava vivendo, fisicamente, seus piores dias neste mundo. Há 60 anos ele vivia neste mundo e contemplava o sofrimento, as frustrações, as dores, as enfermidades, a violência, o mal trabalhando desenfreadamente, o sofrimento dos justos. Agora, ele está repousando no melhor lugar que já existiu. Ele almejou ir para lá e conseguiu chegar lá. Eu devo exultar em saber que ele está incomparavelmente mais feliz agora, que ele foi liberto da opressão deste mundo e que ninguém mais vai poder tirar essa vitória dele. Ele recebeu de Deus o maior presente que alguém pode receber. E isso realmente deve alegrar nossos corações!

Eu não pude estar lá com ele enquanto esteve doente. Não pude sequer vê-lo em seu sepultamento, pois moro em Brasília-DF, e ele morava no Mato Grosso. Mas estou muito alegre com meu Deus, porque meu pai venceu em Cristo. Ele conseguiu chegar ao lugar tão almejado por todos os cristãos. Ele foi, finalmente, viver na Glória. Nada mais poderá tirar isso dele por toda a eternidade. Nós, porém, que ficamos aqui, ainda corremos o risco de sair dos caminhos do Senhor.

Sei que estamos nos empenhando para que isso não aconteça nunca. Nunca! Contudo, um único segundo de falta de vigilância para nós – os vivos – é o suficiente para que satanás trabalhe, desvie nosso olhar e nos tire da presença de Deus, com a possibilidade de nos ceifar fora da salvação do Senhor Jesus.

Que esta mensagem de hoje, sirva como reflexão para você que se encontra fraco na fé, desorientado por alguma circunstância adversa, a fim de te fortalecer sobre nossa passagem neste mundo. Somos peregrinos nesta terra e temos algumas missões a cumprir. A primeira de todas é sermos adoradores, porque fomos criados para o louvor da Glória de Deus. Creio que outra é sermos felizes, e só conseguimos isso quando Cristo Jesus é o Senhor absoluto de nossas vidas. Não aquele deus com quem nos encontramos uma vez aos domingos, mas o Senhor que nos acompanha constantemente e compartilha conosco todos os momentos – sejam felizes ou tristes – e que tem liberdade em nossas vidas para tomar as decisões que Ele sabe que são as melhores a nosso respeito. E uma missão conseqüente da de sermos felizes em Cristo, é dividirmos essa felicidade com outras pessoas que precisam conhecer Jesus também, ou que se afastaram dEle por algum motivo. Essa maravilhosa boa nova está em nós, salvos pelo Senhor, e pode alcançar milhões através do nosso empenho em contar para o mundo que Jesus Cristo vive e reina para todo o sempre e quer cumprir Seu plano glorioso de salvação em nossas vidas.

Enquanto vivemos aqui, porém, devemos nos empenhar em cumprir como melhor zelo e dedicação esses nobres encargos a que o Senhor nos destinou. Sejamos, pois, valentes, fortes no Senhor. É Ele a nossa força e a nossa salvação.

Eu havia iniciado alguns planos de ir à casa dele no próximo janeiro, para conhecer a igreja onde estava congregando e cantar com ele hinos que aprendi com ele mesmo e com minha mãe, quando criança. Ele havia me convidado para irmos passear no sítio do seu cunhado. Mas essas coisas não estavam nos planos de Deus. Contudo, há algo que está nos planos do Senhor: não precisarei mais visitá-lo e deixá-lo outra vez, como há dez anos atrás. Quando nos encontroarmos novamente, eu irei morar no mesmo Lar onde meu pai está agora (o Lar Celestial), nós cantaremos pessoalmente hinos de louvor para o nosso Rei e passearemos juntos com Ele pelas ruas de ouro. E melhor: teremos toda a eternidade para fazer isso.

As dificuldades vêm, e nós queremos culpar Deus por cada uma delas. Queremos tomar a direção das situações e resolvê-las como nós achamos ser correto. Queremos mesmo cobrar de Deus uma satisfação pela qual Ele não fez as coisas como nós queríamos. E decidimos “puni-Lo”, nos afastando dEle.

Graças a Deus que Ele não nos atende como e quando queremos!

Com toda nossa imperfeição e visão terrenal, certamente já teríamos perecido por ver nossos planos fracassados, limitados a este mundo e nada mais. O que Deus tem para nós é muito maior que isso!

Meu pai teve essa visão, e deixou o Senhor conduzir sua vida. Conheceu minha mãe porque foi dirigir a igreja onde ela congregava. Se casaram e viveram num lar abençoado por Deus até meus sete anos de idade. Ela o traiu e se separaram. Ele a perdoou e quis reatar o casamento, mas ela não aceitou mais. Ele mudou-se para outra cidade e voltou para Deus depois de alguns anos distante. Se reconciliou e Deus providenciou uma esposa abençoada para ele – uma missionária. E agora, nesse exato momento, ele está gozando do descanso no Lar. Alcançou a promessa de Deus para todos os que se reconciliam com Ele e buscam viver sob Sua direção.

Persevere. Lute. Descanse em Deus. E não se afaste dEle por nenhum motivo que seja. Não vale à pena. Realmente, não vale à pena trocar Jesus e Sua salvação por nada neste mundo.

Meu pai passou muitas lutas e conviveu com um tumor de quase 2 kg em sua perna por um ano. Mas insistiu em viver sob a abundante graça de Deus.

Tenho certeza que hoje ele está mais feliz que qualquer um de nós.

E que, como meu pai passou seus últimos dias enchendo seu coração da paz do Senhor, alegrando e fortalecendo com a Palavra de Deus as vidas que o apreciavam e tocando violão e entoando hinos de adoração ao Senhor e Deus de sua vida, que o louvor em nossos lábios jamais cesse de glorificar e engrandecer o Altíssimo que nos abriga à Sua sombra, seja qual for a situação em que estamos. Pois o canto de alegria dos salvos não cessa.

Certamente, se um dia se findar aqui neste mundo, continuará...

...lá na Glória!

Que o Espírito Santo fale melhor em teu coração.

Em Cristo.