quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Sacrifícios no deserto

SACRIFÍCIOS NO DESERTO




E irás, tu com os anciãos de Israel, ao rei do Egito, e dir-lhe-eis: o Senhor Deus dos hebreus nos encontrou. Agora, pois, deixa-nos ir caminho de três dias para o deserto, para que sacrifiquemos ao Senhor, nosso Deus.” (Êxodo 3.18)


Deus havia prometido aos hebreus (Israel) que os levaria à uma terra que mana leite e mel (Êxodo 3.17). Aquele povo estava sendo escravizado cruelmente por faraó. E o seu clamor (dos judeus) chegou aos ouvidos de Deus. (Êxodo 3.7)

Contudo, observando a orientação de Deus para Moisés, acerca do que este deveria falar ao rei do Egito para que deixasse livres os hebreus, verificamos que Deus não mandou o povo ir diretamente para a cidade. Deus sequer mandou o povo caminhar para a cidade prometida. Em toda a história do êxodo, o Senhor Deus mandou o povo andar pelo deserto, para o lugar onde Ele indicaria. Nós não encontramos Deus falando algo como: “Moisés, leve o meu povo para a cidade tal...” .

Deus chegou mesmo a citar o nome da cidade em Êxodo 6.4, mas não disse a Moisés pra levar o povo para este lugar, como se Moisés soubesse o caminho. Não. Nós vemos Deus mandando Moisés tirar o povo do Egito para levá-los para o deserto, para sacrificarem ao Senhor Deus... no deserto! O caminho e o local de destino, quem indicaria seria o próprio Senhor.

Havia um propósito do Senhor em conduzir o Seu povo para o deserto. Deus queria Se revelar àquela nação como o Senhor e Rei eterno e Santo, fiel e poderoso nas batalhas. Deus queria estabelecer concertos e intentava provar aquele povo para que houvesse temor ao Seu nome e renúncia ao pecado (Êxodo 20.20).

Vemos assim que Deus nunca nos leva ao deserto sem um propósito!

Contudo, quando as adversidades se projetam em nossas vidas formando uma gigantesca sombra sobre nós, nossa tendência é buscarmos Deus na esperança que Ele nos transfira imediatamente do lugar aterrorizante das batalhas para uma sala arejada, com um sofá plenamente confortável onde nos deitamos à frente de uma bela mesa com um farto banquete à nossa espera, e criados nos servindo e lustrando as jóias caríssimas que nos adornam e adornam nossas vestes reais. Pensamos e desejamos realmente que Deus faça isso por nós. Chegamos mesmo a impor que só serviremos a Deus se Ele realmente fizer isso por nós.

Deus, verdadeiramente, “levanta o homem do pó, e do monturo levanta o necessitado, para o fazer assentar com os príncipes, mesmo com os príncipes do Seu povo” (Salmos 113.7-8). Mas desse monturo até a sala onde os príncipes estão assentados (isto é, nosso lugar de honra entre os príncipes neste mundo e na eternidade) há um grande... um imenso e assombroso DESERTO.

E Deus não nos transfere automaticamente de um lugar de escravidão e infelicidades para outro lugar onde tudo é muito lindo e nenhuma adversidade mais haverá. Esse lugar perfeito e agradável existe. Mas ainda não é o tempo de entrarmos nele. Fomos tirados do Egito e agora seguimos pelo deserto, para sacrificarmos ao Senhor nosso Deus.

Aqui, neste deserto, há chacais, lobos, leões, escorpiões, serpentes... Há um sol causticante, que por vezes nos desanima em meio a tanta sequidão e aridez. Contudo, há uma diferença muito grande entre estar sendo escravo no Egito e estar caminhando por um deserto: no deserto, Deus Se fez presente o tempo inteiro cuidando dos hebreus e garantindo sua sobrevivência e proteção. Neste deserto Ele também Se faz presente conosco.

O povo foi levado para lá para sacrificar a Deus holocaustos que Lhe fossem agradáveis. E é aqui, em meio ao deserto em que estamos, que devemos oferecer ao Senhor os nossos sacrifícios agradáveis. É fácil entoarmos hinos de louvor e adoração a Deus quando estamos em um oásis, onde jorram fontes de águas cristalinas, onde há vegetação e sombra fresca. Mas os oásis existem em alguns trechos curtos do imenso deserto. E nós não podemos ficar neles a vida inteira, ou nunca chegaremos à cidade para onde estamos rumando.

Assim é nossa vida com Deus. Há momentos em que vemos mais tranqüilidades nas batalhas e bênçãos recaem sobre nós. Contudo, Deus não nos permite acomodar. Ele toma nossas mãos e continua caminhando. Foi só uma pausa para nos abastecer das águas e descansar um pouco. Ainda faltam algumas milhas desse deserto para seguirmos. Deus está nos levando para casa, lembra? Nós não sabemos o caminho. Mas Ele sabe! E é pelo deserto.

Por isso, mesmo quando não houver nenhum oásis, e a imagem mais bela que podemos ver são os extensos montes de areia tórrida à nossa frente, retaguarda e em redor, lembremos que é mesmo no deserto onde nossos sacrifícios devem ser apresentados a Deus.

A quarta estrofe do hino 126 da Harpa Cristã nos lembra:

Quando aqui as flores já fenecem (morrem), as do Céu começam a brilhar; quando as esperanças desvanecem, o aflito crente vai orar. Os mais belos hinos e poesias foram escritos em tribulação, e, do Céu, as lindas melodias se ouviram, na escuridão.

É no deserto que Deus prova a nossa fé: confiamos realmente que Deus é o Senhor que cuida, que está presente e que fala e responde? Estamos realmente dispostos a agradá-Lo, confiando que Ele faz o impossível e estamos decididos a vivermos com Ele os impossíveis? Ou somos tão apegados ao material e físico que nos limitamos a querer viver somente com o que vemos? Nossa fé realmente nos faz confiar que Deus está no controle de tudo, que Ele não Se acovarda e não Se distancia de nós nas lutas? Nossa fé realmente tem nos levado a depositar a esperança em Deus e não permiti-la morrer porque Ele é eterno e firme em Suas promessas e palavras? O deserto nos mostrará se realmente acreditamos em Deus e até que ponto acreditamos.

É no deserto também que Deus prova a nossa fidelidade a Ele. Amamos e queremos realmente a Deus ou queremos somente as Suas bênçãos? Somos realmente capazes de abraçar o Senhor e não O renunciarmos por nada, seja qual for a circunstância da nossa vida? Podemos verdadeiramente cantar louvores a Deus quando tudo está dando errado, porque acreditamos que diante de todo o mal que nos rodeia o Senhor Deus continua sendo Deus, e Santo, e Justo, e Limpo, e Forte, e Verdadeiro, e Grande, e Fiel, e Digno? Nosso verdadeiro caráter torna-se nu no deserto.

O deserto é o lugar onde nossos sacrifícios sinceros serão aceitos por Deus, porque realmente não é fácil sermos crentes fiéis em meio ao deserto.

E quando oferecerdes sacrifícios de louvores ao Senhor, o oferecereis da vossa vontade.” (Levítico 22.29)

Contudo, a certeza que Israel tinha quando foi levado para o deserto é que Deus estava com o povo. Essa é a nossa certeza, e a garantia que o deserto tem fim. Faltam algumas milhas para caminharmos por ele até que cheguemos ao Lar... mas a presença de Deus conosco faz toda a diferença. E isso inspira o nosso ser a entoar os mais belos hinos de louvor e gratidão ao Deus de toda a Glória, que é infinitamente maior que qualquer deserto!

Sim! O deserto está aí, intransponível e amedrontador. Mas ele tem fim. E a presença de Deus transforma esse deserto em um jardim secreto, lugar de intimidade e comunhão com o Senhor. É no deserto onde vivemos as experiências mais impressionantes com o Senhor, e onde temos a oportunidade de conhecê-Lo mais de perto. É ali que acontece o nosso encontro particular como Deus, e assim podemos nos aproximar mais dEle (e nos apaixonar ainda mais por Ele).

Notemos, ainda, que no êxodo, Deus não deixou Moisés conduzir o povo sozinho. Ele nem mesmo indicou o lugar exato para Moisés levar o povo. Não. Deus estava no comando, conduzindo Moisés, e este direcionava Israel de acordo com as orientações do Senhor. Dessa maneira o Senhor faz conosco. Ele não nos abandona nas mãos dos homens nem permite que sigamos as direções que eles querem ou podem nos traçar. Quando confiamos e obedecemos ao Senhor, Deus faz questão de permanecer no controle das situações, por mais difíceis que pareçam de serem resolvidas. Pra Ele nada é tão difícil!

Lembremos que Ele sabia o que estava fazendo com aquela nação inteira no deserto. Ele sabe exatamente o quê, como e porquê está fazendo em nossas vidas também! Por isso, em vez de nos esgotarmos tentando ensinar a Deus como cuidar de nós (totalmente inútil!!!), vamos reunir nossas forças para adorá-Lo pela Sua grandeza, beleza, perfeição, santidade e bondade para conosco.

Será bem mais fácil seguirmos pelo deserto quando atentarmos para o fato que não estamos sozinhos nele, mas que a companhia do Senhor é sempre presente. E por mais que falte todo o mundo, a presença de Deus é plenamente suficiente!





Vamos orar...


Pai, quantas vezes eu observo ao meu redor e vejo as dificuldades da vida querendo me tragar. O deserto parece que não tem fim, e cada vez mais vejo as lutas se erguendo. Eu só posso e só devo olhar para Ti, para que haja garantia da minha sobrevivência. Por favor, não me deixes perecer na fé enquanto caminho Contigo. Eu quero permanecer fiel até o fim. Sei que falta pouco. O Senhor também conhece bem os meus limites e sabe até onde vou conseguir. Mas Pai, não me permita nunca me distanciar do Senhor. Segura bem firme a minha mão e não me deixes cair. Esconde-me em Ti quando os leões atacarem. Eu sei que Eles Te respeitam. E assim não poderão me encontrar. Sê Tu a minha força, Pai, porque só assim eu conseguirei chegar ao Lar Contigo. No nome de Jesus Cristo, Teu Filho amado e meu irmão mais velho que prepara meu lugar de descanso no Lar, eu oro. Amém.