sábado, 6 de janeiro de 2007

O sonho que tive esta noite...



Escreve a visão e torna bem legível sobre tábuas,para que a possa ler quem passa correndo” (Habacuque 2.2). Esta foi a Palavra que recebi do Senhor a respeito de um sonho que tive esta noite. Sonhei com uma igreja.

Era uma igreja construída sobre uma pequena elevação de terra sem grama ou plantas, como um pequeno morro isolado do restante das casas que havia ao redor.

Por fora, via-se um supermercado, como aqueles de periferia, que têm alguns retângulos pintados com tinta preta nas paredes, nos quais se escreve com giz os preços de algumas mercadorias em promoção. E realmente os preços estavam neste prédio onde funcionava a igreja no meu sonho. Ninguém dizia que era realmente uma igreja, a não ser pelo letreiro luminoso suspenso sobre o telhado, mas que não estava aceso.

Por dentro estava acontecendo um culto super lotado de pessoas. Era um grande salão que estava dividido ao meio por uma parede de madeirite, sobrando apenas uma pequena porta à direita, pela qual os dois lados se comunicavam escassamente.

Um dos lados era o lado do fundo, no qual havia muitas pessoas vestidas com roupas simples. Muitas delas estavam vestidas em molambos mesmo. Eram pessoas aparentemente mal-tratadas, cansadas, famintas, com um aspecto sofredor. E deste lado havia uma grande porta na parede oposta à de madeirite, que divida com o outro lado sobre o qual falaremos já. Era uma grande porta, como que de um galpão. Ela estava aberta. Totalmente aberta. E eu via do lado de fora dela como que um deserto, semelhante ao antigo Texas, com quenions e sol escaldante sobre a terra árida. Algumas das pessoas que estavam deste lado da sala passavam por essa porta e caíam gritando lá fora. Outras se amontoavam do lado de dentro, evitando chegar perto dela.

O outro lado da parede de madeirite, a sala era escura. Era, na verdade, a parte da frente da igreja. Também estava lotado de pessoas, mas com um aspecto diferente. Essas pessoas estavam, todas, vestidas socialmente. Todos os homens usavam terno e gravata. Deste lado, as luzes estavam apagadas e um jogo de luzes piscava, como numa grande boate. Ali, as pessoas falavam línguas, pulavam e sapateava, mas não se misturavam com as pessoas que estavam do outro lado. No momento em que a pregação acontecia aqui, as pessoas do lado mais claro podiam ouvi-la através da pequena porta no madeirite pela qual se comunicavam os dois lados da igreja. Deste lado também havia uma pequena porta na parede oposta ao madeirite, pela qual todos entraram no templo e por onde todos saíram quando terminou o culto.

Recordo que deixei a Bíblia no banco do lado mais escuro e fiquei incomodada em ver como o pregador pregava para este lado mas não para o outro. Por vezes eu ia à outra sala ver como as pessoas lá estavam.

Ao término culto, os irmãos do lado escuro saíram primeiro mas não se comunicavam entre si. Apenas um dos irmãos se prontificou a me levar em casa juntamente com sua cunhada. Era tarde e o lugar estava bastante deserto. Mas quando saiu de dentro da igreja, o irmão que estava lá de terno e gravata já estava no caminho para casa vestido com roupa de academia, daquelas que usam quem pratica fisiculturismo. Seu corpo, inclusive, estava bastante inchado, como ficam o das pessoas que utilizam anabolizantes.

Voltando para casa, ladrões dobraram a esquina e nos afrontavam, para nos assaltarem. Foi neste momento em que o Senhor me despertou para mais uma madrugada com Ele.

Queridos, o sonho nada mais é que uma demonstração clara da parte do Senhor sobre como está andando, de uma forma geral, o povo que quer ir para o céu.

Atualmente, vemos uma igreja dividida, cuja parede da separação foi levantada pelos próprios crentes, muitas vezes pessoas que querem ser mais santas que o próprio Deus. De um lado vemos estes irmãos recebendo poder, recebendo a pregação do Evangelho, e de outro vemos um povo subnutrido espiritualmente, carente de ouvir as boas-novas que podem mudar o quadro lastimável em que os encontramos no sonho.

Contudo, esse povo subnutrido está dentro da própria igreja. Na verdade, jogado para o fundo, desprezado, talvez por não usar terno e gravata, por não servir à religiosidade que ainda impera em muitas vidas. Pessoas que precisam de um apoio espiritual, de uma atenção especial, mas que estão sendo rejeitadas pela outras que já se acham santas demais a ponto de não poderem se misturar com aqueles que estão doentes. Ora, se Jesus Cristo veio para os doentes (Marcos 2.17), necessário é que reconheçamos qual é a nossa enfermidade. Do contrário, não teremos direito a Cristo. E a enfermidade está tanto naquele que é pecador e se nega a fazer a vontade de Cristo, quanto naquele que faz a vontade de Cristo. Em suma, todos nós somos enfermos e temos pecados. Quem está são aos seus próprios olhos, realmente não tem negócios com o Senhor. E essa sanidade está presente dentro dos templos, provocando acepção de pessoas. E como!

Para com Deus, não há acepção de pessoas.” (Romanos 2.11)

Meus irmãos, não tenhais a fé de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas. (...) Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado, e sois redargüidos pela lei como transgressores.” (Tiago 2.1,9)

Por causa dessa posição separatista, muitos membros excluídos indiretamente acabam passando pela grande porta e se precipitando no grande abismo, como descrevi no início da narração do sonho.

Todo reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda a cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá.” (Jesus Cristo, por Mateus 12.25)

Fora isso, outros aspectos entristecedores a respeito da postura da igreja podem ser claramente observados, como o fato de haver na Igreja pessoas que acham que devemos viver isolados do mundo. Na verdade, não deve haver comunhão entre a luz e as trevas (2Coríntios 6.14). Porém, estamos fisicamente no mundo, e não devemos resumir nossas atividades aos cultos realizados entre as quatro paredes do templo. Jesus Cristo exerceu todo o Seu ministério praticamente fora dos templos, nas ruas, nas praças, nas praias, onde havia pessoas que precisavam ouvir o Evangelho. O fato de não ter tido uma escola formal ou um centro de habilitação para discípulos e fiéis, traduz no desejo de Cristo para Sua igreja: que nós devemos deixar os formalismos e avançar informalmente, buscando as almas onde elas estiverem, e não chamando-as a nós, num descumprimento total ao IDE, que temos revertido num VINDE.

O fato da aparência externa da igreja no meu sonho ser como um supermercado é a demonstração pura e simples de um agravante que tem desmoralizado a igreja de Cristo como um todo, mesmo sabendo que existem ministérios compromissados unicamente com Deus. É o mercantilismo em que tem se tornado os cultos e encontros na igreja, tanto pelas vendas de produtos das mais diversas naturezas antes, durante e depois dos cultos e dentro e fora dos templos, quanto pela arrecadação desenfreada de ofertas que, muitas vezes, bancam luxos de líderes e não raro torna-se destaque em jornais de todo o mundo.

Há, ainda, uma terceira maneira de verificar o sistema mercantil no qual a grande maioria das igrejas hoje está envolvida: Por analogia, podemos dizer que existe em nossos dias um cristianismo que está sempre procurando conquistar também a sua clientela, assim como os supermercados. Habilidade gerencial , técnica de marketing e relações públicas parecem ser a obsessão de muitos pastores que estão no mercado evangélico.

A Igreja que participa deste mercado, para se manter viva precisa passar por adaptações constantes. No mercado, com sabemos, o cliente tem sempre razão e como o gosto os clientes muda rapidamente, a mentalidade mercantil da Igreja força que ela se adapte aos novos sabores dos novos ventos. Daí, vamos entender porque tantos modismos no meio evangélico e tantos novos ventos de doutrina: uma necessidade de agradar o cristão como se fosse um cliente.
A Igreja moderna está sempre procurando se adequar ao que a clientela exige. Como afirmou o pastor Rubens Amorese: "No mercado religioso não é Deus quem nos escolhe, mas nós é que O selecionamos na prateleira."

Essa atitude de adaptação ao mercado tem vendido uma fé barata. E pior, a concorrência é que tem determinado o preço. Quanto mais pastores disputam os mesmos "clientes" (crentes), menos exigentes vão se tornando os sermões. No balcão das liquidações, produtos religiosos são oferecidos a um custo cada vez mais baixo. O importante é manter a casa cheia.

Gildásio Reis faz a seguinte colocação: “Se a necessidade da vizinhança é uma religião "água com açúcar", proclama-se um evangelho bem ralinho. Se a tendência é tremer, vamos tremer, se é cair, então o que estamos esperando? Se os jovens gostam de música bem ritmada e pouco compromisso, o caminho então é o pastor botar um boné na cabeça e transformar o culto num sambão evangélico ou num "Programa Livre". Afinal, o pastor precisa estar constantemente atualizado e procurar estar na "crista da onda", oferecendo aos seus membros o que há de melhor e mais moderno. Na religião de supermercado, se um membro não gosta de jeito de um pastor pregar, atravessa a rua, e encontra no "mercado" um pregador conforme seu gosto. Se a mensagem do pastor começa a lhe "pegar no pé", o melhor a fazer é levantar-se e ir assistir o culto em outra Igreja que não exige tanto do seu caráter, mas que em lugar disso, proporciona-lhe alguns arrepios.” (Brasil Presbiteriano)

Nem mesmo os cristãos escapam do quadro desenvolvido por uma sociedade de mercado capitalista, visto que encontraram à sua escolha várias propostas de cristianismo diante das quais podem optar; tem cristianismo tradicional (em bom estado), usado, avivado, renovado, recondicionado, revisto e atualizado, tem liturgia dançante e imóvel; tem música de coral e conjunto de "white trash metal rock’n roll", e assim a coisa vai... Assim, vemos estar instituído e oficializado o grande supermercado evangélico-eclesiástico, no qual se pode apanhar na prateleira aquilo que mais agrade o gospel consumidor, com a grande vantagem de poder mudar de acordo com as variações de humor e disposição do público: hoje aqui, amanhã acolá, ao sabor dos ventos (de doutrina).

Observa-se essa satisfação pessoal através do jogo de luzes que piscava do lado onde o evangelho estava sendo pregado. As pessoas estavam como que numa boate. E assim mesmo tem sido a realidade das reuniões religiosas. Shows têm sido apresentados em vez de adoração; desfiles de moda têm sido realizados em vez de encontros de adoradores; reuniões sociais em vez de culto ao Todo-Poderoso. E a luz do letreiro que indica a igreja está apagada. Raras vezes é acesa e identifica a igreja como Casa de oração (Isaías 56.7; Mateus 21.13; Marcos 11.17; Lucas 19.46).

E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas.” (Gênesis 1.4)

Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo!” (Isaías 5.20)

Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas.” (1Tessalonissenses 5.5)

Como o irmão que estava “empalitozado” no culto no meu sonho, e já indo para a casa estava como quem pratica fisiculturismo, verificamos, na realidade, muitas vidas que vivem de aparências dentro da igreja. Pessoas de dupla identidade que, embora cultivem um aspecto santificado dentro da igreja, do lado de fora dela estão inchadas pela prática do pecado, pelas influências mundanas, pela auto-suficiência. E o pior é que essas máscaras muitas vezes permanecem escondendo a verdadeira identidade de certos bodes entre as ovelhas, por receberem apoio dos líderes, influenciados pelo alto dízimo, gordas ofertas e consideráveis ajudas pessoais que esse tipo de membro pode oferecer em muitos dos casos.

Há alguns meses sonhei que uma prostituta entrava na igreja, deixava uma bolsinha cheia de dinheiro sobre o banco e corria para a tribuna. Lá, ela começava a dançar. O pastor da congregação ficava somente olhando, sem expulsá-la de lá. Pedi ao Senhor a interpretação e Ele deixou claro que esse tipo de atitude está ocorrendo com freqüência dentro de Sua casa: pastores, obreiros e líderes que permitem todo tipo de abominação dentro da Casa de Deus por estarem recebendo favores pessoais de pessoas sem compromisso com Deus, ou por medo de perder membros e, conseqüentemente, verificar uma queda no caixa da igreja pela ausência dos dízimos e ofertas das mesmas.

Contudo, eu creio que Deus está chamando Seus filhos para viverem “madrugadas” com Ele, a fim de despertá-los desse pesadelo horrível que é contemplar a igreja de Deus nessa situação lastimável. Creio que o Senhor está acordando muitos dos Seus filhos para a prática da oração, do jejum e da Santa Palavra, a fim de revelar-lhes Seus propósitos para a Igreja vencedora e santa que Ele projetou e que Ele virá buscar.

Façamos a nossa parte e busquemos florescer onde Deus nos plantou. Ele não precisa de nós para nada, mas conta conosco para fazermos a diferença e demonstrarmos, por nossas atitudes, que realmente vale à pena renunciar tudo pra viver, em santificação, a comunhão com Jesus, que se estenderá por toda a eternidade!

Por quê?

Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu Seu Filho unigênito para que todo aquele que nEle crê, não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou Seu Filho, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele.” (João 3.16-17)

A Ele a glória!