quinta-feira, 15 de março de 2007

Amor





Hoje, vi uma placa de um motel com a seguinte frase: “Motel ***, um convite para o amor.” Na verdade, eu passo todos os dias por ela à caminho da escola onde trabalho. Mas foi hoje que esta frase me chamou atenção... nesta ocasião, eu estava orando em espírito e pedindo ao Senhor que me desse algo para escrever sobre Sua Palavra. Foi quando olhei para a grande e chamativa placa, e uma interrogação veio-me subitamente ao coração: “QUAL É O CONCEITO DE AMOR QUE O MUNDO TEM ELABORADO PARA SI E TEM DIVULGADO?”

No tocante ao que informa o painel, o amor entre as pessoas se resume em algumas horas ou, quando muito, uma noite de prazeres obtidos por atos sexuais entre pessoas com relacionamentos hetero, bi ou homossexuais.

Comumente, as novelas, seriados e filmes têm considerado o amor como um sentimento momentâneo que domina alguns seres humanos de forma a induzi-los a atitudes muitas vezes extravagantes ou jamais premeditadas. Mas por ser um sentimento intolerante, impaciente, ciumento, inconseqüente, irresponsável, injusto, leviano, soberbo, egoísta, incrédulo, mentiroso, entre tantos outros adjetivos deste seguimento que qualificam bem o que o mundo reza como “amor”, este amor que se apresenta pelas telas da TV e do cinema tem um tempo de vida útil que varia de pessoa para pessoa e, mais cedo ou mais tarde, simplesmente se acaba.

A influência que a mídia exerce sobre a sociedade é pesada e realíssima. Por isso, é comum encontrarmos pessoas ao nosso redor anunciando por aí que o amor que elas sentiam, simplesmente se acabou. Não se trabalhou nas vidas um amor nobre, que “tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta” (1Coríntios 13.7), mas um que deva ser retido ao menor sinal de descontentamento numa relação. Exatamente como a mídia prega que deve ser, e exatamente o contrário do que a Bíblia ensina que é.

A Bíblia nos fala de três tipos de amor. No grego antigo, havia três palavras que significava “amor”: (1) EROS, que se referia ao amor sexual e é o que deve existir entre homens e mulheres que formam famílias; (2) PHILEO, que refere-se ao amor entre pais e filhos e entre irmãos, e, por isso, também deve existir nas famílias; e (3) ÁGAPE, que é o mais profundo e o mais sublime de todos. Este é o amor que caracteriza Deus e refere-se ao que Ele sente incondicionalmente pela humanidade. As qualificações dos três tipos de amor, porém, são as mesmas, e estão relatadas por Paulo na primeira carta que escreveu aos coríntios, a saber:

O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha.” (1Coríntios 13.4-8)

Ao longo de toda a Bíblia, o amor é descrito por atitudes que se encaixam perfeitamente nos versos acima.

Seja o amor entre um homem e uma mulher, seja entre irmãos, seja de Deus para conosco, o amor é um sentimento capaz de suportar mesmo as mais profundas decepções, bem como de perdoar, seja qual for o grau da ofensa.

Jesus exemplificou com Seu sacrifício que isso é possível, porque o amor que Ele nos ensina a ter não se vende, não se troca, não se cria, mas se cultiva ao longo do tempo, dia após dia, sobre fundamentos espirituais e com uma focalização para a eternidade.

Primeiramente, a Bíblia nos diz que o amor é SOFREDOR. Entendemos que amar, ao contrário do que o mundo ensina, traduz a voluntariedade em assumir um relacionamento que gere tanto o bem-estar quanto momentos difíceis. Nestes últimos, exige-se maior esforço para se manter a paz e a compreensão, a fim de não se permitir que sejam rompidos os laços afetivos. O verdadeiro amor se dispõe a compartilhar alegrias e tristezas sem se alterar.

A Bíblia também nos ensina que o amor é BENIGNO, e isso está diretamente para a certeza de paz num relacionamento. O verdadeiro amor, não se porta com ameaças, insultos, grosserias, nem é perigoso ou maligno, mas traduz um relacionamento de segurança, de benevolência e benefícios.

Diz também que o amor NÃO É INVEJOSO, isto é, não declara insegurança, nem despeitos, nem cobiças por ser ou estar o outro em situação melhor, mas se alegra com sucesso da pessoa amada e também trabalha por isso.

A Bíblia também nos ensina que o verdadeiro amor NÃO TRATA COM LEVIANDADE. Não julga nem procede irrefletidamente. Não é irresponsável. Mas cuida, prevê, observa, reflete, assume.

O amor NÃO SE ENSOBERBECE. É verdade que o orgulho ao extremo, a arrogância, o envaidecimento e a elevação do eu têm sido fatores de descontentamentos e interrupções nos ditos relacionamentos amorosos firmados no mundo. A Bíblia nos ensina que o verdadeiro amor não permite em nenhuma das partes aflorar tais sentimentos, o que garante harmonia nas relações por ele estabelecidas.

Ensina também que o amor NÃO SE PORTA COM INDECÊNCIA, mas é digno, honesto, decoroso. É respeitável, destaca-se por sua decência e adequação às situações. Chega a ser atraente um relacionamento que tem esse pilar do amor verdadeiro.

A Bíblia declara ainda que o amor NÃO BUSCA OS SEUS INTERESSES. Não é “auto-centralizado”, mas “outro-centralizado”, chegando mesmo a se anular para permitir a satisfação e o bem-estar do outro. Não permite que um dos lados se focalize em si mesmo, mas que busque o bem eterno do outro, sempre procurando conhecer seus interesses e respeitando com prazer os limites da relação.

A Bíblia também diz que o verdadeiro amor NÃO SE IRRITA, isto é, não permite que uma das partes se exaspere, nem fique facilmente amargurada, não se zangue, não se altere, nem perca o controle de si mesma, da mesma forma que procure não provocar ou importunar a outra.

O amor NÃO SUSPEITA MAL, mas demonstra, de todo coração, confiança. É a base que permite uma segunda chance porque firma um relacionamento também sobre o pilar da sinceridade. Evita julgamentos e folga-se em acolher e ouvir.

O amor verdadeiro não é aquele que aceita ou apóia os erros a fim de não se ofender a pessoa que os praticou. Não. Este amor NÃO FOLGA COM A INJUSTIÇA, MAS FOLGA COM A VERDADE, e isto significa que ele sabe corrigir quando é necessário, exatamente porque deseja o bem e o sucesso da pessoa amada. Abraça a verdade, doa a quem doer, e ensina as partes a viverem sobre ela, renunciando todo o mal e praticando todo o bem. Procura dar a cada um aquilo que é seu e julgar com exatidão, a fim de aniquilar qualquer possibilidade de favoritismo.

O amor TUDO SOFRE, isto é, está pronto a para ser atormentado, afligido, passar por experimentos desgostosos, trabalhosos, quando for preciso. Enfrenta tudo de frente e luta com honra.

Ele TUDO CRÊ, tem fé, e aceita por verdadeiras as palavras de vitórias e bênçãos que Deus lança sobre os relacionamentos por ele firmados. Não se desfalece diante das dificuldades, mas tem por certo o triunfo no final de tudo.

O amor verdadeiro TUDO ESPERA com ânimo e paciência. Respeita o tempo determinado por Deus para que todas as realizações sejam completas e satisfatórias.

Este mesmo amor TUDO SUPORTA. Por causa de todas as características anteriores, ele pode resistir a tudo o que lhe sobreviver, sem se enfraquecer, sem se desmontar, sem se desfazer. Sobrevive às piores situações e permanece esplendoroso, como que firmado numa rocha e pronto para continuar, sempre.

Vemos todas essas atitudes em Jesus Cristo, na brava atitude de Se entregar como sacrifício diante de Deus para a humanidade. Quero citar um trecho de um texto de Max Lucado, que exemplifica claramente o que acabo de dizer:

Posso falar sobre pecado? Eu poderia lembrar a você e a mim mesmo que o nosso passado é recheado de explosões de raiva, manchado com noites de paixão ilícita, e pintado de cobiça sem limites?

Que tal se o seu passado se tornou público? Imagine ficar em pé num palco enquanto um filme com cada segundo secreto e egoísta da sua vida é projetado numa tela por trás de você?

Você tentaria se esconder debaixo do tapete? Você gritaria para que os céus tivessem misericórdia? Será que você sentiria uma fração somente uma fração daquilo que Cristo sentiu na cruz? O desgosto gelado de um Deus que odeia pecado?

Você vê Cristo na cruz? Aquilo é um fofoqueiro pendurado lá. Vês Jesus? Sonegador. Mentiroso. Racista. Vê o carpinteiro crucificado? Ele bate na mulher. Viciado em pornografia e assassino. Está vendo o menino de Belém? Chame-o pelos seus outros nomes – Adolf Hitler, Osama bin Laden, e Jeffery Dahmer.

Mas, espere aí, Max. Você não pode juntar Cristo com estes pecadores. Não jogue o nome dele na mesma frase com aqueles!

Eu não o fiz. Foi ele que fez. De fato ele fez muito mais. Mais do que colocar o nome dele na mesma frase, ele se colocou no mesmo lugar. E no seu.

Com as mãos cravadas abertas, ele convidou Deus, “Trate-me como os trataria!” E Deus o fez. Num ato que quebrou o coração do Pai, e ao mesmo tempo honrou a santidade do céu, o julgamento que lavou todo pecado foi derramado sobre o filho inocente de Deus.

E o céu deu à terra seu melhor presente. O cordeiro de Deus que levou o pecado do mundo.

“Deus meu, Deus meu, porque me abandonaste?”

Por que Cristo clamou aquelas palavras?

Para que você nunca precise fazê-lo.


Ele mesmo levou em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, a fim de que morrêssemos para os pecados e vivêssemos para a justiça.” (1 Pedro 2:24 - NVI)

Jesus traduzia o verdadeiro amor. Por isso Ele deve ser o centro e a base de qualquer relacionamento. O mundo rejeita este fato, e por isso, suas relações são temporais e insatisfatórias enquanto duram.

Ele é o amor ágape de Deus, expresso pela Bíblia em João 3.16 e Romanos 5.8-11, entre outros versículos, que dizem, respectivamente:

Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu Seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida. E não somente isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora alcançamos a reconciliação.

O amor é a maior coisa do mundo, o maior privilégio e poder conhecido pelo homem. A sua ênfase na vida e na palavra mudou o curso da história quando os cristãos do primeiro século demonstraram uma qualidade de vida jamais testemunhada antes nesta terra. Os gregos, os romanos, os gentios e os judeus se odiavam. A simples idéia de amor e auto-sacrifício era alheia ao pensamento deles. Quando observavam os cristãos de muitos países, com diferentes idiomas e culturas, amando realmente uns aos outros e se sacrificando para se ajudarem mutuamente, eles reagiam espantados: "Vejam como essas pessoas se amam!"

Todos querem ser amados. A maioria dos psicólogos concorda que a maior necessidade do homem é amar e ser amado. Nenhuma barreira pode resistir à força poderosa do amor.

Certamente este amor ágape, altruísta, deve ser aprendido por todos nós. As palavras que definem este amor são renúncia, sacrifício, doação. Foi isto que Cristo fez por todos: Ele renunciou Sua glória, sacrificou-Se por nós e doou-Se. É o amor sobrenatural que Ele quer produzir em nós e através de nós a outros, pelo Seu Espírito Santo. O amor ágape é dado por causa do caráter da pessoa amada e ao invés do merecimento do objeto desse amor. Algumas vezes trata-se de amar "apesar de" em vez de "por causa de".

Deus enfatiza a importância desse tipo de amor através dos escritos inspirados do apóstolo Paulo, como registrado no início do capítulo 13 da carta aos coríntios, que já citamos. Nesta belíssima e notável passagem das Escrituras, Paulo escreveu que, sem o amor, nada que possamos fazer para Deus ou para outros, tem valor. Consideremos estas palavras:

Se eu tivesse o dom de falar em outras línguas sem tê-las aprendido, e se pudesse falar em qualquer idioma que há em toda a terra e no céu, e no entanto não amasse os outros, eu estaria só fazendo barulho. Se eu tivesse o dom de profetizar, e conhecesse tudo sobre o que vai acontecer no futuro, soubesse tudo sobre todas as coisas, e contudo não amasse os outros, que bem faria isso? Mesmo que eu tivesse o dom da fé, a ponto de poder falar a uma montanha e fazê-la sair do lugar, ainda assim eu não valeria absolutamente nada sem amor. Se eu desse aos pobres tudo quanto tenho e fosse queimado vivo por pregar o Evangelho, e contudo não amasse os outros, isso não teria valor algum.” (1Coríntios 13.1-3, Bíblia Viva)

Em outras palavras, não importa o que você faça para Deus ou para outros. Nada será de valor se não for motivado pelo amor de Deus. Por isso, Jesus deve ser o centro e o fundamento das nossas relações e atitudes, pois Ele é o próprio amor de Deus... e a Bíblia também nos ensina que O AMOR NUNCA FALHA!

Que o Espírito Santo fale melhor em teu coração.


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