sexta-feira, 20 de julho de 2007

Um espírito excelente...




Como você reage quando as tribulações vêm ao seu encontro?

Murmurando?

Desesperando-se?

Esmorecendo?

Simplesmente não reage, isto é, perde a noção das coisas e dos fatos e cai numa profunda falta de saber o que fazer?

Daniel nos deixou uma receita prática e objetiva sobre como devemos reagir em situações de adversidades para chamar a atenção de Deus para nós: DEVEMOS NOS AJOELHAR E ORAR.

De joelhos e... orando. Que posição mais intrigante, porém, excelentemente estratégica e eficaz para combater os inimigos!

Há uma frase, cujo autor desconheço, que diz que “nenhum exército é tão poderoso quanto aquele que batalha de joelhos, orando”.

E essa gloriosa verdade se refere aos filhos de Deus. Aqueles que ganharam de Jesus o direito de entrar no santo dos santos para conversar pessoalmente com Deus e Lhe apresentar todas as situações de suas vidas (e dos outros, também). E o melhor: sem nenhum intermediário, a não ser o próprio Jesus, por quem chegamos sem pecados ao Pai com liberdade.

E Jesus, dando um grande brado, expirou. E o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo.” (Marcos 15.37-38)

Deus fez questão de registrar esse fato em três dos quatro evangelhos, para que nos lembrássemos sempre que Ele mesmo, do alto, concedeu aos homens, que estavam embaixo separados pelo pecado, o direito de acessar o santuário e apresentarem pessoalmente sua oferta a Deus. E depois disso, Ele mesmo inspirou outros autores das epístolas a nos lembrar que podemos nos achegar “com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno” (Hebreus 4.16); que devemos orar “sem cessar” (1Tessalonissences 5.17); que “a oração de um justo pode muito em seus efeitos” (Tiago 5.16), entre outras maravilhosas verdades.

Mas voltemos ao exemplo de Daniel.

Você conhece a história.

Ele foi constituído por Dario como um dos três presidentes que supervisionariam o reino. Mas se destacou e sobrepujou aos outros, “porque nele havia um espírito excelente” (Daniel 6.3). E o rei até pensava em lhe constituir também rei sobre todo o reino.

A inveja e o despeito levou os presidentes e príncipes a procurarem um meio para destituírem Daniel.

Alguma novidade até aqui?

Certamente que não. A inveja tem sido um fator preponderante nas investidas contra alguém que se destaca por sua eficiência e talentos. Não foi assim desde o início? O diabo começou a se deixar dominar por esse mal, desejou a glória e o domínio sobre o Universo. Ele também quis ser Deus.

E de lá pra cá, essa história, ainda que em menores proporções, só tem se repetido constantemente. Em todos os seguimentos da vida, inclusive dentro das congregações cristãs. Não dificilmente encontramos pessoas amargas, ressecadas pelo pecado da inveja a irmãos que se revelam como pessoas talentosas, cheias de dons, usadas por Deus.

E até maquinam contra os castiçais da igreja, a fim de ofuscar-lhes a luz de Deus que encontrou espaço em suas vidas para brilhar livremente.

Foi assim que, cobiçosos e cheios de ciúmes, aqueles homens então forjaram um plano para prejudicar o ungido de Deus. Como “não podiam achar ocasião ou culpa alguma, porque ele era fiel e não se achava nele nenhum erro nem culpa” (Daniel 6.4), os associados maldosos foram ao rei Dario e mentiram que “todos os presidentes do reino, os capitães e os príncipes, conselheiros e governadores, concordaram” em promulgar um edito real e confirmar a proibição que qualquer que, por espaço de trinta dias, fizesse uma petição a qualquer deus, ou a qualquer homem, a não ser ao rei Dario, seria lançado na cova dos leões (Daniel 6.7).

Não eram “todos”. Daniel era o maior dos presidentes e nem soube desse decreto antes de ele ser aprovado (veja Daniel 6.10).

E aqui vemos a importância de sermos vigilantes e de nos esforçarmos para estar sempre fortalecidos e retos em Deus. Nunca sabemos qual será a armadilha que o mal está preparando para nos ofender.

Deus não deu ao homem a capacidade de prever o futuro, nem de saber tudo o que está acontecendo em vários lugares simultaneamente. “Vigiai e orai” (Mateus 26.41; Marcos 13.33, 14.38). Esta foi a determinação do Amado Mestre Jesus. Vigiar, não só para estar protegido de não pecar, mas também para não ser atingido pelas investidas do mal contra nós.

Na verdade, quem está vigilante na presença de Deus não peca voluntariamente, mas sem vigilância torna-se apto a, consciente e inconscientemente, fazer coisas muito más aos olhos do Senhor. Da mesma sorte, quem está vigilante na presença de Deus também não está isento de sofrer as investidas contrárias, mas está protegido, fortalecido e capacitado, apto a combatê-las pelo poder do Sangue de Jesus que lhe reveste.

Foi o que aconteceu com Daniel. Ele orava três vezes ao dia. E no seu quarto havia janelas abertas do lado de Jerusalém, o que indica que suas orações eram sinceras, fechadas para o mundo, abertas e direcionadas somente para onde Deus está (lembre-se que a Nova Jerusalém – no Céu – é o lugar que Jesus está preparando para os salvos – Apocalipse 21.9-27). Isso, porém, não serviu para livrar Daniel da provação na cova dos leões, mas trouxe a presença de Deus para junto de si no meio da prova quando os leões o poderiam devorar.

A oração intercessora de Jesus faz a seguinte observação: “Dei-lhes a Tua Palavra, e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como Eu não sou do mundo. Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal” (João 17.14-15). Cabe dizer aqui que uma vida direcionada por Deus não nos eximirá de sofrer fúrias, perseguições, provações, lutas. Mas trará o livramento do Senhor e nos edificará em meio a cada uma das situações difíceis que tivermos que enfrentar. E a prudência, tanto para não pecar pela fraqueza da nossa carne quanto para nos manter sob os cuidados de Deus é um decisivo para tal.

A vigilância do homem de Deus atraiu um anjo do Senhor para lhe guardar dentro daquela cova, no meio daquela grande luta.

Se Daniel estivesse desapercebido quanto à sua dependência de Deus e obediência para com Sua Palavra, certamente não teria sobrevivido a esse episódio para escrever seu livro e relatar os gloriosos feitos de Deus dentro da fornalha, dentro da cova dos leões, no banquete do rei Belsazar, nos sonhos que interpretou, nas visões reveladoras que teve, enfim. Teria outro fim, bastante lastimável e que seria tristemente narrado por outras pessoas. Ou, simplemente, seu nome teria caído em esquecimento, e suas histórias não seriam contadas.

Daniel foi elevado ao posto mais destacado, e com isso seguiu-se a inveja da multidão, o ciúme dos príncipes e a intriga de homens ambiciosos. E assim, por meio de trapaça e bajulação, o rei Dario assinou uma proclamação real determinando que era proibido orar. Em tais assuntos, porém, Daniel seguia os mandamentos não de um rei terreno, mas do Rei do Céu e da Terra, o seu Deus.

Daniel, quando soube que o edito estava assinado, entrou em sua casa (ora, havia no seu quarto janelas abertas do lado de Jerusalém), e três vezes no dia se punha de joelhos, e orava, e dava graças diante do seu Deus, como também antes costumava fazer. Então aqueles homens foram juntos, e acharam a Daniel orando e suplicando diante do seu Deus.” (Daniel 6.10-11)

Oh, como gosto de meditar sobre esses dois versículos!

É comprovado que quem ama quer sempre e sempre agradar a pessoa amada. E os ensinamentos implícitos nessas passagens nos são revelações abençoadoras de uma conduta agradável a Deus.

Amamos a Deus?

Então, nunca nos esqueçamos que “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hebreus 11.6).

E foi isso que Daniel teve: FÉ.

Ele soube da tramóia estabelecida contra todo o reino – pois o decreto era para condenar qualquer um que orasse, embora o alvo principal fosse atingir Daniel –, e na verdade, e preferiu desagradar a todos do reino e firmar-se em agradar o seu Amado Senhor.

Fico imaginando o restante de pessoas daquele reino que diziam ser tementes a Deus, mas que obedeceram a Dario e deixaram de orar a Deus por trinta dias. Uma coisa é certa: causaram um grande desgosto ao Senhor.

Três capítulos antes, e lemos que os três jovens que foram jogados dentro da fornalha foram salvos, os três, pela presença do Anjo do Senhor porque, os três, se recusaram a desobedecer a Deus para se prostrarem diante da estátua de ouro do rei Nabucodonosor e adorá-la (Daniel 3).

No caso do decreto do rei Dario, imagino que nenhuma outra pessoa no reino, além de Daniel, tenha se recusado a deixar de orar. Se outras pessoas tivessem sido jogadas na cova dos leões por esse motivo, a Bíblia certamente faria menção desses valentes, assim como fez de Azarias, Misael e Hananias.

O fato é que pessoas dispostas a obedecer Deus até ultrapassar os seus limites naturais é uma raridade. Fala-se muito sobre seguir a Deus até o fim, mas quando as pequenas dificuldades da nossa vida surgem (sim, pequenas, se comparadas ao fato de ser jogado dentro de uma cova cheia de leões famintos e acostumados a serem alimentados com carne humana), somos instintivamente levados a murmurar, a desacreditar, a desistir.

É por isso que Jesus nos fala que “aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus” (João 3.3). Nascer de novo sem as dúvidas que Deus é capaz de nos manter firmes quando o vento soprar mais forte contra nós; nascer de novo para viver pela fé a obediência Àquele que é perfeito em todas as Suas atitudes, pensamentos e palavras; nascer de novo como nova criação adoradora; nascer de novo, com a convicção de que não pertencemos mais a este mundo – espiritualmente falando – e que, por isso, tudo em nós pertence a Deus e deve ser utilizado para o louvor da Sua glória (Eféios 1.11). Nascer de novo para viver os milagres do período da graça, que o Espírito Santo promove por Jesus neste mundo materialista e cheio de incredulidade. Enfim, nascer de novo para viver em santidade, como é a vontade de Deus, e não agradando a homens ou a nós mesmos.

Muitas vezes nos preocupamos tanto em agradar outras pessoas e a nós mesmos também, que acabamos deixando Deus esquecido, como se nenhuma importância tivesse o Seu parecer a nosso respeito. Aqui e acolá eu me surpreendo pensando em como somos espontâneos em excluir o Senhor da nossa vida para realizarmos as coisas que nos convém, e também como somos naturalmente dirigidos a culpá-Lo quando tudo dá errado.

“Senhor, o que Tu queres de mim hoje? O que posso fazer para te corresponder e satisfazer neste dia? Tens Tu Te agradado de mim assim, com o que tenho feito e da maneira como tenho vivido até aqui?” São perguntas simples, que podem mudar toda uma história de vida, quando atentamos de forma obediente e confiante para as respostas que Deus nos dá em cada uma delas.

Acreditar em alguém que é invisível tendo a certeza que Ele é real e “poderoso para fazer muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos” (Efésios 3.20) é direcionar nossa fé ao Deus Vivo.

Embora Sua existência possa ser testemunhada pelas obras de toda a Criação, (Salmos 19.1; Romanos 11.36; Colossenses 1.17), Deus não é visto fisicamente como um ser humano é. E viver de forma a esperar e acreditar naquilo que não se vê (Hebreus 11.1) é o que agrada o coração de nosso Amado Senhor.

Foi isso que Daniel fez. Quando ele soube das atitudes malvadas daquelas pessoas, em vez de se apavorar, de murmurar, de desfalecer ou de simplesmente não conseguir reagir nem mesmo para orar, ele tomou uma atitude – a mais poderosa e sábia atitude que alguém pode tomar: ele foi ORAR.

E, na verdade, Daniel não fez isso só por causa da dificuldade em que se encontrava. Não. A prática da oração era uma constante na vida deste jovem servo de Deus: “... e dava graças diante do seu Deus, como também antes costumava fazer” (Daniel 6.10). Ele não orou apenas porque entrou em tribulação, mas mesmo sendo presidente no império círico, Daniel já adorava a Deus sempre.

Outra observação extraordinária que esta passagem nos dá é o fato de ele, Daniel, estar dando “graças diante do seu Deus”, e não somente fazendo pedidos, determinando vitórias, impondo condições para Deus agir em seu favor, como vemos na realidade de muitas orações feitas pelos cristãos.

A fé não deve ser posta em ação somente quando estamos em dificuldades e precisamos do socorro do Senhor. Ao contrário, em tempos de paz e de abundância de bênçãos, o Senhor deve ser entronizado em nossas vidas e constantemente lembrado como o Deus Vivo, Santo e Perfeito que é. Ele não é somente Poderoso. Ele é, igualmente, Altíssimo.

Tampouco a fé deve ser posta em ação somente para requer de Deus as providências e provisões de que precisamos. Muito além disso, em tempos de dificuldades, Deus continua sendo Deus e, portanto, continua sendo digno de receber a nossa adoração, a verdadeira exaltação refletida por um amor sincero e desinteressado.

Por este mesmo versículo ainda lemos que esta fé levou Daniel a buscar o Senhor. Ele “entrou em sua casa” para orar (Daniel 6.10). Ele não foi para a casa de nenhum profeta para “receber alguma revelação”, nem foi consultar sua caixinha de promessas. Ele foi contrário às leis da incredulidade e do materialismo. Foi usufruir mais um pouco de seu relacionamento pessoal e íntimo com Deus, cultivado ao longo de seus anos através da sensibilidade para ouvir, confiar e obedecer a Deus.

Sensibilidade para ouvir, confiar e obedecer a Deus. Essa também tem sido uma necessidade urgente em nossos dias. Quão fácil e mais conveniente é para nós buscarmos em pessoas e coisas as respostas para nossas dúvidas, as soluções para os nossos problemas, as providências para as nossas necessidades!

É mais fácil contarmos nossas dores para um vizinho, parente ou irmão em Cristo do que nos abrir em oração com o próprio Cristo. É mais fácil dividirmos nossos segredos e temores com pessoas do que com o único Ser que pode nos entender mesmo sem pronunciarmos uma única palavra. É muito mais fácil cumprir tarefas em obras que trarão o retorno imediato para nós, do que esperarmos até que as maravilhas sobrenaturais de Deus aconteçam no tempo em que Ele determinou e sabe que será o correto para nossas vidas. É bem mais prático e cômodo viver de experiências dos outros do que viver as nossas próprias experiências com Deus.

Reconheçamos que ter experiências com Deus exige de nós a renúncia, o uso da fé, a paciência, a obediência.

Poucos se dispõem a seguir adiante até o fim. Muitos param pelo caminho quando o cansaço vem e a cruz parece pesada demais. Na verdade, é a mesma cruz. Nós é que nos cansamos e esmorecemos pelo caminho, quando vemos o quanto ainda falta para chegar, e o quanto a estrada é estreita e árdua. Há quem realmente desista de tudo.

Olhando para a situação de Daniel não podemos enxergar um ser humano como eu e como você?

Por amor à sua própria pele, que poderia ter virado filé para leões, ele poderia ter desistido e até argumentado: “Puxa, são só 30 dias. Deus certamente vai entender.”

Mas insistiu em ser fiel a Deus. E surpreendido durante as orações matinais, Daniel foi levado diante do rei. Com relutância, a pena foi pronunciada. Daniel deveria ser atirado na cova dos leões (leia o capítulo 6 do livro de Daniel).

Quem verdadeiramente ama a Deus, se dispõe à fidelidade, e não a abandona, nem em grandes nem em pequenas situações difíceis da vida. Essa fidelidade permanece em qualquer tempo e circunstância, e enobrece quem a cultiva.

Quem aplica-se à fidelidade, tem respostas como a de Daniel para dar às adversidades e aos seus inimigos: “O meu Deus enviou o Seu anjo, e fechou a boca dos leões, para que não me fizessem dano, porque foi achada em mim inocência diante dEle; e também contra ti, ó rei, não tenho cometido delito algum.” (Daniel 6.22)

Sem alardes, sem desespero. Daniel foi encontrado orando e com absoluta certeza desceu àquela cova orando e assim também permaneceu lá dentro. E no seu silêncio Deus agiu gloriosamente.

Como Deus não é mudo mas um Senhor que Se pronuncia e expressa Sua vontade e também faz revelações aos Seus amados, é bem provável que num de Seus encontros com Daniel através da oração Deus tenha lhe contado que estaria intervindo nessa causa. E isso fortaleceu ainda mais a fé daquele homem.

Ah, se os cristãos parassem para ouvir e crer na voz do Senhor que suavemente se expressa através de impressões dentro dos corações retos! Terminantemente a situação atual da igreja seria outra e Deus estaria bem mais satisfeito com Seus servos.

Em ouvir e guardar as Palavras do Deus Vivo, o livramento é concedido e o nome do Senhor é exaltado. Pelo testemunho de Daniel, o nome do Senhor foi glorificado. E se nossas atitudes forem semelhantes a estas, pelos nossos testemunhos Deus também será exaltado.

Veja as palavras do rei Dario:

Da minha parte é feito um decreto, pelo qual em todo o domínio do meu reino os homens tremam e temam perante o Deus de Daniel; porque Ele é o Deus Vivo e que permanece para sempre, e o Seu reino não se pode destruir, e o Seu domínio durará até o fim. Ele salva, livra, e opera sinais e maravilhas no céu e na terra; Ele salvou e livrou Daniel do poder dos leões.” (Daniel 6.26-27)

Novamente cabe lembrar que se Daniel tivesse murmurado, desistido, afrouxado ou não tomado nenhuma atitude, sua história teria terminado dentro daquela cova. Mas como confiou em Deus e manteve-se fiel, gozando da amizade do Senhor, aquele homem foi exaltado além do que ele possuía, e o seu exemplo tem sido lembrado com grande honra em todas as gerações posteriores desde a sua própria.

No início da história, após a conquista da Babilônia, Ciro, que era agora senhor de toda a Ásia, desde a Índia até aos Dardanelos, colocou Dario, um príncipe da Média, no trono e durante os dois anos do seu reinado, Daniel ocupava a posição de primeiro dos "três príncipes" do império. Depois e todo o ocorrido, a Bíblia fecha essa história registrando que “este Daniel, pois, prosperou no reinado de Dario e no reinado de Ciro, o persa” (Daniel 6.28), a quem terá influenciado grandemente no que se refere ao decreto que pôs fim ao cativeiro (536 a.C.).

A exaltação da parte de Deus é uma conseqüência natural na vida das pessoas que se mantêm fiéis e dependentes dEle. Mas ela vem no momento determinado por Deus, quando estamos aptos a lidar com ela sem nos engrandecer a nós mesmos nem diminuir os méritos de Deus.

Havia em Daniel um espírito de excelência, que lhe permitia sobrepujar os homens mais inteligentes e destacados do império. Essa excelência vinha de Deus e tinha que ser revelada diante dos homens, para que o nome do Senhor fosse glorificado pelo Seu manifestar.

Inicialmente, lemos em Daniel 6.3 que o rei Dario até queria fazer dele um rei sobre todo o reino. Mas a intervenção dos acusadores invejosos era, na verdade, um propósito de Deus. (1) Um propósito que levaria Daniel a provar para Deus, na prática, o quanto ele dependia do Senhor, pois sobreviver àqueles leões realmente só seria possível através de um milagre; (2) Um propósito que demonstraria aos poderosos da terra que Deus está acima de tudo e de todos, inclusive dos decretos de reis; (3) Um propósito que faria lembrar as conseqüências de viver sem temor a Deus e em desrespeito aos Seus ungidos (os acusadores de Daniel “foram lançados na cova dos leões, eles, seus filhos e suas mulheres; e ainda não tinham chegado ao fundo da cova quando os leões se apoderaram deles, e lhes esmigalharam todos os ossos” – Daniel 6.24); (4) Um propósito que relembra o poder sobrenatural da fé; (5) Um propósito que revela sobre a importância da obediência e da fidelidade a Deus; (6) Um propósito que ensina sobre a fidelidade, a bondade e os cuidados de Deus para com a Sua Criação, e principalmente para com aquelas pessoas que Lhe amam sobre todas as coisas; (7) Um propósito que ensina sobre a necessidade do testemunho cristão no meio do mundo pecador e amaldiçoado em que vive; (8) Um propósito que prova que a tentação não vem maior do que podemos suportar (1Coríntios 10.13). Entre outros propósitos.

Propósitos que exaltam a Deus.

Propósitos. Deus nunca permite nada acontecer sem eles.

Talvez, se Daniel tivesse se tornado rei logo quando Dario intentou fazê-lo, seu comportamento mudasse em algum ponto para com Deus. Ou, simplesmente, seria proclamado rei Daniel. Depois de todo esse acontecimento, Daniel passou a ser visto como rei Daniel, servo do Deus Altíssimo. Todos que olhassem para ele ou ouvissem seu nome saberiam que Deus estava com ele.

A partir de então é que Daniel que teve uma série de visões proféticas que lhe foram dadas por Deus e que concederam ao povo de Deus uma esperança de um futuro glorioso, as quais devem ter transmitido paz e felicidade ao seu espírito na sua velhice, futuro pelo qual ele esperou, no seu posto, até "ao fim dos dias".

O momento e as circunstâncias da sua morte não estão registrados. Importa, porém, o seu exemplo de vida dedicada à oração.

Certa vez, Samuel Chadwick, renomado pastor da Inglaterra, disse que “a maior preocupação do nosso inimigo é afastar os cristãos da oração. Ele não teme os estudos, nem o trabalho e nem a religião dos que não oram. Ele ri de nossa labuta, zomba de nossa sabedoria, mas treme quando nós oramos.

Nos ocupar tanto e deixarmos essa prática para quando tivermos tempo é uma inversão de valores muito comprometedora, que nos desalinha da vontade de Deus, que nos desampara da proteção divina e também nos enfraquece espiritualmente.

Quando os inimigos de Daniel o encontraram, ele estava orando (Daniel 6.11). Quando Judas foi entregar Jesus nas mãos dos malfeitores, ele também encontrou Jesus orando (João 18.2). Judas sabia onde Jesus estaria durante este período intenso de preparos religiosos que deveria passar para ser sacrificado como um cordeiro pascal. Não era segredo que Jesus estaria com seus discípulos no jardim, orando juntos. Se alguém quisesse nos trair, aonde aquela pessoa diria para nossos inimigos nos procurarem? Saberiam aonde iríamos para orar? Perguntas interessantes, não são? Você pode imaginar um elogio melhor do que nossos inimigos sabendo que poderiam nos achar num lugar de oração?

Que nós possamos nos aplicar mais aos momentos de adoração, de intimidade com Deus, através da oração, pois a autêntica vida cristã é vida de oração. A oração tem o poder de trazer os céus a terra; e quando isto acontece, o único lugar que sobra para o diabo é o inferno.

E que o Espírito Santo fale melhor em teu coração.

No amor do Senhor...