segunda-feira, 27 de agosto de 2007




“Depois de falar com eles, o Senhor Jesus foi levado para o céu e sentou-Se do lado direito de Deus. Os discípulos foram anunciar o Evangelho por toda parte. E o Senhor os ajudava, por meio de milagres, a provar que a mensagem deles era verdadeira.” (Marcos 16.19-20 - NTLH)


Se a igreja deixasse o comodismo em que se encontra em termos de evangelismo e, em vez de criar inúmeros meios para atrair as pessoas até si, ela se dispusesse a deixar o conforto do ambiente entre as quatro paredes do templo, com o propósito de apresentar Jesus às pessoas, certamente veria maiores milagres acontecendo através do poder que Deus lhe outorgou na terra, e assim satisfaria muito mais o coração do Senhor.

“Os discípulos foram anunciar o Evangelho por toda parte.” Eles não ficaram inventando campanhas mirabolantes e deterministas para aliciarem fiéis. Nem adotaram rituais pagãos para transferir a fé das pessoas do foco que é Jesus para os objetos, causando idolatria e ampliando o número do rol de membros. Tampouco se dispunham a “modernizar” os cultos, servindo-se de festas mundanas e adaptando-as ao estilo “gospel” de ser da igreja do século XXI.

Os discípulos de Cristo não tinham à sua disposição a tecnologia de que dispomos hoje. Contudo, intrepidamente se negaram a inverter a ordem de Jesus e deixar de cumprir o IDE para praticar o VINDE, e assim se enganar que estavam cumprindo a missão a que o Senhor lhes incumbiu.

Os discípulos foram anunciar o Evangelho das Boas Novas, isto é, a mensagem da salvação expressada por Jesus, para ganhar almas para Deus e expandir o Seu Reino. Eles não foram anunciar o evangelho da prosperidade, que proclama o triunfalismo e uma bonança material hiperbólica, através de homens interessados em ganhar mais adeptos e expandir seus próprios reinos.

Eles simplesmente obedeceram e “foram.” E não foram somente aonde lhes interessava. Não selecionando lugares de fácil acesso ou mais agradáveis de estar. Eles “foram por toda parte”. Certamente aos presídios e aos centros de recuperação da época; aos prostíbulos, às praças, às cortes, às cidades sobre os montes ou às das encostas e dos vales; às favelas, aos lugares secos. Lá, onde estão os menos favorecidos e os mais excluídos da sociedade; os mais esquecidos pelos homens porém, constantemente presentes nos pensamentos do Senhor que os ama; nos guetos, nos becos, nas ruas, onde perecem os mais indignos da atenção humana mas os mais dignos dos cuidados de Deus.

Debaixo de chuva ou de sol escaldante, mesmo tendo que renunciar seus programas favoritos do domingo à tarde. Os discípulos foram. E “foram por toda parte” falar daquilo o que eles viram e ouviram. Eles não guardaram o que sabiam e a experiência que tinham com Deus para pregarem só aos crentes dentro dos templos. Eles foram testemunhar do lado de fora quem Deus era e o que Ele podia fazer. Mas sempre levaram Deus consigo. Não iam sozinhos exibir suas belas vozes, nem fazer lançamento de suas “modinhas gospels”. Nem ainda iam tentar convencer as pessoas acerca de suas filosofias de vida e convicções pessoais. Eles faziam tudo contando com a ajuda de Deus e de acordo com o que recebiam dEle. “Porque eu recebi do Senhor o que hoje vos ensino...” (1Coríntios 11.23). E Deus os ajudava e abastecia, porque Deus Se agrada de quem obedece.

A desobediência foi o primeiro pecado cometido pela raça humana e continua sendo a grande causa do caos espiritual em que ela se encontra desde então.

“ ... Obedecer é melhor do que sacrificar...” (1Samuel 15.22)

Os discípulos entendiam isso e levavam ao pé da letra. Poderiam ter se maravilhado de ter assistido à ascensão de Cristo, e simplesmente se sentado e cruzado os braços para esperar que Jesus retornasse do Céu por aqueles dias para buscá-los, como havia prometido. Mas o tempo de Deus não é o mesmo tempo dos homens: “Meus queridos amigos, não se esqueçam disto: para o Senhor um dia é como mil anos e mil anos, como um dia” (2Pedro 3.8). E o que eles esperavam acontecer em alguns dias, nos planos de Deus já chega aos dois mil anos!

E o mesmo ocorre hoje, mas pelo inverso: a humanidade e, tristemente, grande parte da igreja, estão vivendo como se a volta de Cristo não fosse acontecer nos próximos dois mil anos. Mas de acordo com o extraordinário cumprimento das profecias bíblicas, o que poderá levar milhares de anos na visão humana dos dias de hoje, conforme os planos de Deus poderá ocorrer a qualquer momento!

Os discípulos criam nisso, no retorno breve de Cristo. E se empenhavam no árduo trabalho evangelístico, centrados nesse foco. Os milagres aconteciam, porque eles criam e obedeciam. Buscavam a Deus fervorosamente para que pudessem continuar gerando vidas para o Reino dos Céus, antes que Cristo voltasse.

Lembremos, porém, que Deus não abandonou Sua igreja na terra. Ao contrário: se ela tem subsistido em meio aos anos tendo enfrentado tantos altos e baixos, e tem feito valer parte da autoridade espiritual que possui, é exatamente por causa da presença do Espírito Santo em seu meio. Mas não como poderia ser.

A igreja, com toda a liberdade que possui atualmente em grande parte das nações, poderia ser ainda mais imperiosa, ainda mais avivada, ainda mais influente, ainda mais abrangente se retornasse às suas origens e pregasse a salvação em vez de bênçãos materiais e financeiras; se ensinasse a renúncia em vez do canto e da dança; se ministrasse o Evangelho puro e simples como Ele é, em vez de enfeitá-Lo e tentar, principalmente pelas vias teológicas, melhorá-Lo para adaptá-Lo a cada tipo de gosto, a cada estilo de vida.

Deus tem muito mais para fazer através da Sua igreja, isto é, através de mim e de você.

Ele sonha em ver a volta do Evangelho Pleno, que vai além dos “brados de louvor” que ecoam das grandes multidões reunidas em frente às plataformas. Um Evangelho que ensina mais que interesses materiais, e que induz o homem a buscar primeiramente o Reino de Deus e a Sua vontade (Mateus 6.33). Um Evangelho libertador, que cura não só o corpo mas principalmente a alma; que transforma, regenera; que salva. Um Evangelho cuja veracidade é atestada pela presença do próprio Deus realizando Seus milagres e revelando a Sua glória.

Que o Espírito Santo nos auxilie nesse regresso à Palavra original de Jesus.

E que Ele mesmo fale melhor em teu coração.

Em Cristo.