segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Quem mais está no cárcere?



QUEM MAIS ESTÁ NO CÁRCERE?

A história é bastante conhecida.

Paulo e Silas, direcionados pelo Espírito Santo, passavam alguns dias em Filipos, uma cidade do primeiro distrito da província da Macedônia, que também é colônia romana.

Certo dia, quando estavam indo para o lugar de oração, foi ao seu encontro uma escrava. E a Bíblia segue narrando que essa moça estava dominada por um espírito mau que adivinhava o futuro, e os seus donos ganhavam muito dinheiro com as adivinhações que ela fazia. A moça começou a seguir Paulo e Silas, gritando assim: “Estes homens são servos do Deus Altíssimo e anunciam como vocês podem ser salvos!”

Ela fez isso muitos dias. Por fim, Paulo se aborreceu, virou-se para ela e ordenou ao espírito: “Pelo poder do nome de Jesus Cristo, eu mando que você saia desta moça!”. E no mesmo instante o espírito saiu.

Quando os donos da moça viram que não iam poder mais ganhar dinheiro com as adivinhações dela, agarraram Paulo e Silas e os arrastaram até a praça pública, diante das autoridades. Eles os apresentaram a essas autoridades romanas e disseram: “Estes homens são judeus e estão provocando desordem na nossa cidade. Estão ensinando costumes que são contra a nossa lei. Nós, que somos romanos, não podemos aceitar esses costumes.”

Aí, uma multidão se ajuntou para atacar Paulo e Silas. As autoridades mandaram que tirassem as roupas deles e os surrassem com varas. Depois de baterem muito neles, as autoridades jogaram os dois na cadeia e deram ordem ao carcereiro para guardá-los com toda a segurança. Depois de receber essa ordem, o carcereiro os jogou numa cela que ficava no fundo da cadeia e prendeu os pés deles entre dois blocos de madeira. (Atos 16.11-24 – NTLH)

Eu confesso que tentei escrever algo sobre pessoas comuns, que querem ser bons cristãos, vencer as lutas e entrar de cabeça erguida do Céu. Mas meu coração travou... e só se abriu novamente para receber a mensagem do Espírito Santo quando deixei o Senhor conduzir essa história de Paulo e Silas para me falar sobre cristãos autênticos que foram chamados e aceitaram o desafio de fazerem a diferença no mundo.

Eu vejo nessa passagem o diabo, exatamente como nos dias de hoje, aprisionando vidas, fazendo arte pelo mundo, “tomando conta do pedaço”... Depois, eu vejo homens de Deus que não dão ousadia para o mal, que não brincam com o pecado nem perdem tempo com coisas vãs. Eles chegam e, exatamente como a Igreja instituída por Jesus, começam a “colocar ordem na casa”, isto é, expulsar demônios, curar enfermos, pisar em serpentes e escorpiões. Mandar o mal embora, edificar vidas, anunciar a verdade que salva, dissipar as trevas pregando a Palavra de vida de Deus.

Mas ser uma pessoa segundo o coração de Deus e disposto a fazer a diferença é algo de dupla interpretação, sem, contudo, haver contradição alguma nos dois sentidos. Ambas as interpretações, embora em linhas antagônicas, se completam.

Por um lado, não é difícil obedecer a Deus e cumprir o Evangelho como Jesus nos ensinou. O Evangelho é fácil, simples e gracioso para conosco. A Palavra de Deus não traz enfeites, adornos – como querem tantos pregadores que têm modificado o Evangelho, relaxado ou enrijecendo os ensinamentos de Cristo. Tampouco traz peso maior do que nós podemos suportar (1Coríntios 10.13). O julgo que pesa para muitas pessoas viverem a prática do Evangelho vem, principalmente, das doutrinas humanas aplicadas sem consonância com a Palavra de Deus, embora sirvam-se dEla para fundamentarem-se (Leia Lucas 11.46).

Por outro lado, o Evangelho destina uma cruz a ser levada por cada cristão assumido. Uma cruz que não pode ser cortada para tornar-se mais leve, tampouco pode ser trocada. Não deve ser abandonada, não deve ser recusada, se o nosso objetivo é verdadeiramente sermos filhos de Deus.

Essa cruz fala diretamente da renúncia às vaidades do mundo, ao nosso ego, à nossa própria vontade, às paixões e encantos de uma vida regada pelo nosso próprio querer carnal e irracional.

E os que são de Cristo crucificaram a carne com suas paixões e concupiscências.” (Gálatas 5.24)

Essa cruz refere-se a conceder a Deus a liberdade para dirigir nossas vidas de acordo com a Sua santa e perfeita vontade. Fala de fé, de confiança, de entrega. Fala de dependência de Deus e inconformismo para com o mundo, e fala da renovação de uma nova mentalidade respaldada pelas diretrizes espirituais que Jesus nos ensinou.

E não sede conformados com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12.2)

E é por isso que ser um cristão autêntico torna-se uma missão, um desafio neste mundo. Há todo um legado que tem sido transferido de geração a geração, anunciando que a nossa liberdade está em realizarmos tudo o que queremos e, conseqüentemente, encontraremos assim a felicidade. Essa é a concepção de satisfação que o mundo tem cultivado e praticado desde Adão.

Contudo, a liberdade é um estado de espírito. E o mundo está cheio de gente presa a um montão de coisas, e que nem se dá conta de quantas restrições tem. As pessoas que não têm Jesus estão presas pelos seus corações, pela vontade própria, pelo orgulho, pelo dinheiro, pelos preconceitos...

A verdadeira liberdade está em ter paz mesmo nas adversidades. E só cristãos autênticos, guiados pelo Espírito Santo de Deus em todos os seus passos, podem viver uma vida sem culpas, sem restrições, porque satisfazem às expectativas de Deus.

Eles são capazes de surpreender Deus em algumas de suas atitudes. São capazes de contrariar sistemas mundiais em favor de Deus.

E foi exatamente esse o motivo que levou Paulo e Silas àquela prisão. Eles não estavam seguindo os padrões humanos de convivência, baseados principalmente em relações de poder e prazer carnal e temporal. Os homens de Deus estavam seguindo os padrões celestiais de conduta, que se baseiam em princípios de santificação e comunhão com Deus, e que perduram pela eternidade.

Pessoas que querem ser filhos amados do coração de Deus, não devem esperar “tapinhas nas costas” por parte do mundo, nem reconhecimento algum que possa nos privilegiar ou destacar honrosamente.

Não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo torna-se inimigo de Deus.” (Tiago 4.4)

Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser.” (Romanos 8.7)

Não vos prendais a um julgo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?” (2Coríntios 6.14)

Diante do mundo, os santos de Deus são motivos de escárnio, assim como fizeram com Paulo e Silas, diante daquela multidão. Levaram os homens de Deus para serem expostos e humilhados diante daqueles que pensavam deter a sabedoria e a verdade, mas que seguiam nada mais nada menos que seus próprios saberes e concepções.

Se dissermos que temos comunhão com Ele [Jesus] e andamos em trevas, mentimos, e não praticamos a verdade.” (1João 1.6)

Aquele que diz que está nEle [em Jesus] também deve andar como Ele andou.” (1João 2.6)

Depois, jogaram os servos de Deus dentro de um calabouço, o pior que havia... a cela mais do fundo da cadeia e ordenaram ao carcereiro para guardá-los com toda segurança (Atos 16.23-24).

Satanás trabalha exatamente assim... Ele humilha os cristãos que querem ser legítimos diante de Deus, pensando que isso os desanimará da corrida. E o mais interessante, é que muitas vezes – e, ultimamente, com espantosa freqüência – ele tem usado pessoas de dentro da própria Igreja para deter as intenções de corações inclinados em espírito e em verdade para Cristo. Não precisamos ir longe para procurar: dentro da própria congregação há crentes se deixando ser verdadeiros instrumentos nas mãos do maligno e sendo usados para machucar, oprimir e até desviar pessoas da presença de Deus.

E o irmão entregará à morte o irmão...” (Mateus 10.21; Marcos 13.12). Sinal dos últimos dias, que não se aplica somente às famílias físicas, mas também à família espiritual do homem na terra.

Porque ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois porventura carnais, e não andais segundo os homens?” (1Coríntios 3.3)

Humilhações, exposições da nossa pessoa, do nosso nome, por parte de gente que deveria promover a unidade do corpo mas acaba manobrando outras pessoas a se voltarem contra um filho de Deus que, ou não fez algo que lhes agradasse, ou disse algo que não lhes agradou.

Que triste verdade e infeliz realidade é essa que nos enquadra como juízes dos nossos próprios irmãos! Pessoas tão pecadoras e erradas, carentes da misericórdia e do perdão de Deus tanto quanto qualquer um de nós!

O homem iracundo suscita contendas, mas o longânimo apaziguará a luta.” (Provérbios 15.18).

Nisto, todos conhecerão que são Meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.” (João 13.35).

O fato é que pessoas que querem viver o Evangelho genuíno de Jesus sofrem perseguições, seja dentro ou fora da igreja.

E também todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições.” (2Timóteo 3.12)

Começa um processo de desvalorização da pessoa humana, de desrespeito aos sentimentos que trazemos dentro de nós, de desonra à nossa moral, ao nosso caráter. Uma teia de esquecimento, de abandono, de desprezo, que envolve não só os irmãos em Cristo mas também a família, os “amigos” (muitas vezes até os mais chegados).

Sutilmente deixam de nos aceitar em seu meio, pregando um amor lindo em discursos encantadores mas, na prática, exercendo a exclusão, a condenação e a impiedade.

Uma das frases mais duras de se ouvir na vida é “não temos lugar para você aqui”. E essa costuma ser a verdade implícita nos julgamentos que muitos irmãos fazem sobre outros que dedicam suas vidas incondicionalmente a Deus.

Jesus também viveu isso. Ele conhecia os sentidos dessas palavras. Ainda no ventre materno ouviu o estalajadeiro dizer a Maria e a José: “Não há lugar para vocês aqui.”

Quando os moradores de Sua cidade natal tentaram apedrejá-Lo, estavam dizendo a mesma coisa: “Não temos lugar para profetas nesta cidade!”

Ao ser acusado de blasfêmia, os líderes judeus estavam dizendo a Jesus na cara: “Não temos lugar para aqueles que se auto-proclamam Messias neste país!”

E ao ser levantado na cruz, a mensagem direta que Jesus estava ouvindo era: “Não temos lugar para você neste mundo!” (1)

Ser contrário ao mundo por amor a Deus é ser sujeito a tudo isso. Foi assim com Paulo e Silas naquela praça pública e dentro daquele cárcere. Não será diferente conosco hoje. Da mesma maneira que não precisa ser diferente o final da história.

A Bíblia nos conta que, “perto da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a Deus, e os outros presos os escutavam. E, de repente, sobreveio um tão grande terremoto, que os alicerces do cárcere se moveram, e logo se abriram todas as portas, e foram soltas as prisões de todos.” (Atos 16.25-26)

Há algumas linhas atrás eu disse que verdadeiros adoradores são capazes de surpreender Deus em algumas de suas atitudes. E foi isso que Paulo e Silas fizeram no meio da grande luta que estavam vivendo. Vejamos outros relatos bíblicos que envolvem as atitudes de Pedro, outro apóstolo de Jesus, no meio de grandes lutas:

Depois que Jesus foi preso, quando estava sendo levado para a casa do Grande Sacerdote, tudo se arrochou para Pedro, e sua atitude foi negar o Senhor (Mateus 26.69-75). Era uma atitude esperada por Jesus. Ele mesmo já havia previsto e predito isso sobre Pedro (Mateus 26.34).

Voltemos mais alguns versos e leremos que “todos os discípulos abandonaram Jesus e fugiram” no momento em que Ele estava sendo preso. Mateus era um deles, e foi muito franco em admitir que, naquele momento de tensão, todos abandonaram Jesus e fugiram. (Mateus 26.56). Isso também já havia sido previsto por Cristo, e foi narrado pelo Evangelho segundo João: “Eis que chega a hora, e já se aproxima, em que vós sereis dispersos cada um para sua parte, e me deixareis só...” (João 16.32)

No quarto capítulo dos Atos dos apóstolos e do Espírito Santo, temos a narrativa de como Pedro e João foram presos depois de terem curado um coxo e pregado o Evangelho aos presentes. O chefe da guarda do Templo de Jerusalém e alguns saduceus ficaram muito aborrecidos porque os dois apóstolos estavam ensinando ao povo sobre Jesus. “Então, prenderam os dois e os puseram na cadeia para ficarem lá até o dia seguinte, pois já era muito tarde”. (Atos 4.3)

A Bíblia não nos conta que Pedro e João tenham cantado, clamado, orado, dentro da prisão. Apenas conta que eles esperaram até o dia seguinte, quando seriam levados diante dos grandes de Jerusalém. Novamente uma atitude esperada. É geralmente essa a reação de quem está preso e prestes a ser retaliado, julgado e condenado pelos poderosos de sua sociedade. E Deus somente tocou naqueles corações acusadores para soltarem os apóstolos.

Essa mesma cena se repete com Pedro, dessa vez sozinho no cárcere. Está em Atos 12. Contudo, é uma narrativa ainda mais trágica. Tendo Tiago sido decapitado (Atos 12.2), Pedro somente aguardava o dia da Páscoa para que acontecesse também a sua morte. E sua reação foi, nada mais nada menos que... dormir (!). Quem estava orando por ele era a igreja. Ele mesmo estava era dormindo (Atos 12.5,6). E tanto estava incrédulo sobre um possível acontecimento sobrenatural que, quando o anjo veio libertar-lhe, Pedro, embora tenha obedecido às suas instruções, “não sabia se, de fato, o anjo o estava libertando. Ele pensava que aquilo era uma visão.” Só lá no meio da rua, já livre, é que Pedro entendeu o que estava acontecendo, e disse: “Agora sei que, de fato, o Senhor mandou o Seu anjo e me livrou do poder de Herodes e de tudo o que os judeus tinham a intenção de me fazer.” (Atos 12.9,11). O agir de Deus aqui foi enviar um anjo para libertar Pedro. (Leia Atos 12.6-19). Ponto!

A incredulidade, a depressão, o comodismo, também são atitudes que Deus já espera como possíveis em nós diante de problemas. Contudo, Deus arrisca decepcionar-Se, mas prefere confiar que nossas ações O surpreenderão.

Aquela mulher do fluxo de sangue (Lucas 8.43-48) conseguiu surpreender o Senhor. Ela estava junto com uma multidão que apertava Jesus de todos os lados, mas não tinha fé suficiente para ver um milagre acontecer. A atitude de fé da mulher fez a diferença ali. Foi tão rápida e precisa no meio daquela multidão que espremia Jesus, que ocorreu como se um curto-circuito tivesse acontecido no Céu, fazendo com que o Espírito de Jesus passasse um segundo à frente do corpo físico de Jesus e realizasse o milagre. Só um segundo depois Jesus – o homem – percebeu que havia saído virtude de Si e uma cura milagrosa havia se concretizado ali.

Creio que Jesus estivesse meio desapontado em ver tantas pessoas vivendo somente daquilo que viam, nunca daquilo que ouviam acerca de Deus.

...tudo o que não se baseia na fé é pecado.” (Romanos 14.23)

Mas a mulher desconhecida do fluxo de sangue surpreendeu Jesus e mostrou-Lhe, com um gesto, que ela tinha fé, que ela acreditava realmente ser Ele exatamente quem dizia ser: o Filho de Deus, o Emanuel – o próprio Deus Conosco.

E foi isso que Paulo e Silas também fizeram dentro daquele cárcere. Certamente Deus pensou na possibilidade de ambos se renderem ao cansaço, às dores das surras que levaram, ao desespero de não conseguir prever o que lhes aconteceria no dia seguinte.

E foi assentado no Trono que Deus começou a ouvir duas vozes, talvez não tão entoadas nem tão belas, porém sinceras e gratas cantando para a Ele. Essa é a maior beleza que uma voz pode oferecer em seus louvores a Deus: a sinceridade da adoração e a gratidão de corações rendidos ao único Senhor do Céu e da Terra. Ele sentiu-Se atraído por aquelas orações e por aqueles hinos de louvor.

Perto está o Senhor dos que têm coração quebrantado, e salva os contritos de espírito.” (Salmos 34.18)

Houve movimento no Céu. O coração de Deus Se abalou, Se comoveu com aquele louvor que reconhecia muito mais quem Deus era do que as coisas que Ele fazia. Era um louvor que buscava mais a face do que as mãos do Senhor. E em vez de enviar alguém para ajudar, Deus provocou um terremoto e fez com que Seus santos saíssem daquela prisão com honra, com seus próprios pés. Receberam tratamento para os ferimentos que da surra que haviam levado, receberam comida, receberam os pedidos de desculpas das mesmas autoridades que lhes prenderam e só deixaram o cárcere quando foram reconhecidos com integridade por seus opressores (Atos 16.32-40).

O Senhor eleva os humildes, e abate os ímpios até a terra.” (Salmos 147.6)

Eles surpreenderam Deus quando fizeram algo diferente para o Senhor. Suas atitudes tocaram o íntimo do Altíssimo e isso fez com que a reação do Pai fosse imediata, assim como o foi com a mulher do fluxo de sangue. Um terremoto aconteceu. As cadeias foram quebradas, os grilhões despedaçados. Não só as de Paulo e Silas, mas as prisões de todos foram soltas (Atos 16.26).

As vidas ali foram libertas. E isso demonstra o efeito de uma oração e de um louvor aprovado por Deus. Seja em meio a lutas e provas, seja em meio a perseguições ou já dentro do cárcere, a adoração sincera de cristãos autênticos move a mão do Senhor em favor de pessoas que carecem da Sua Graça.

Esquecido lá nas páginas empoeiradas do Velho Testamento, o pequeno grande tesouro que é o livro de Sofonias, nos lembra como Deus Se comporta quando vê atitudes adoradoras como as de Paulo e Silas e da mulher do fluxo de sangue:

O Senhor, seu Deus, está com vocês; Ele é poderoso e os salvará. Deus ficará contente com vocês e por causa do Seu amor lhes dará nova vida. Ele cantará e Se alegrará, como se faz num dia de festa.” (Sofonias 3.17-18 - NTLH)

Aqueles dois homens não se renderam às dificuldades que estavam enfrentando. Mas no meio delas eles evangelizaram vidas ao seu redor, ganharam a família do carcereiro para Jesus e exaltaram o nome do Senhor (Atos 16.32-34).

Eles não se precipitaram em fugir da situação adversa, nem murmuraram. Eles não se iraram contra Deus, nem O pressionaram contra uma parede exigindo provisões, atitudes de Deus. Eles não impuseram nada ao Senhor, mas escolheram passar suas últimas horas – caso fossem suas últimas horas – fazendo aquilo a que foram chamados: eles escolheram adorar a Deus.

O Senhor Se agrada dos que temem e dos que esperam na Sua misericórdia.” (Salmos 147.11)

Hoje, nossos cárceres podem ser os piores. Nossa situação pode ser das mais lastimáveis, material ou espiritualmente. Contudo, não estamos sozinhos na cela. Paulo estava com Silas. E nós também temos um Silas conosco.

O significado de Paulo é “pequeno”. E este somos nós: eu, você e todos quantos querem agradar o coração de Deus e viver a Sua vontade. Somos pequenos, frágeis, indefesos, expostos.

Silas é uma variação latina de Silvano, e uma variação grega de Saul. Seus significados são “terceiro” e “pedido”. E esse é ninguém menos que o Terceiro Ser da Trindade Santa... o Espírito Santo de Deus, que intercede por nós de dentro do cárcere até os ouvidos de Deus na Glória, mesmo quando não conseguimos nem mesmo exprimir nossos gemidos (Romanos 8.26). Nosso pedido de socorro chega ao Senhor porque o Silas que Jesus nos deu canta e ora em santidade por nós.

Uma grande diferença entre eles e nós, porém, é que o apóstolo Silas estava preso com Paulo naquele cárcere. Mas o nosso Amigo Espírito Santo está completamente livre. Ele entra no cárcere e ali mesmo trata das feridas em nós, causadas pelas surras que a vida nos dá. Lá dentro Ele nos põe em Seu colo, nos conforta, aplica Seu bálsamo caro sobre nossas chagas, limpa as purulências e nos reveste de amor... sopra sobre nosso corpo quente e agitado e refrigera nossa alma; renova nossas forças e canta conosco.

Sim! O Espírito Santo não está presente só em momentos que estamos tristes, abatidos. Não. Ele divide momentos de alegria, participa dos nossos cantos, sejam eles entoados em estações de glória ou de dor.

Se elevamos cantos sinceros e espontâneos para Deus, tenha certeza, nossos louvores são produto da própria presença do Espírito Santo em nós. Ele nos ajuda a cantar e Se encarrega de induzir esse canto até a Sala do Trono, para que os ouvidos de Deus possam ouvi-Lo e Se agradar dele.

...Porque o Reino de Deus não é uma questão de comida ou de bebida, mas de viver corretamente, em paz e com a alegria que o Espírito Santo dá. E quem serve a Cristo dessa maneira agrada a Deus...” (Romanos 14.17-18a)

Se você está se esforçando para viver uma vida agradável aos olhos de Deus, tenha certeza que você não está sozinho no cárcere. Há mais alguém lá com você. Alguém que sabe qual é o momento exato de te tirar de lá e de te exaltar diante daqueles que desaprovam você, seus dons, seu ministério.

Por isso, continue adorando, cantando hinos a Deus e orando. A providência já está vindo e quando você menos esperar um terremoto vai acontecer...

Se você se empenha para ser um cristão autêntico, o teu louvor faz a diferença. Por isso, adore, mesmo dentro do pior dos cárceres, e nunca se esqueça que você é o mais livre de todos os que estão ali se o Espírito Santo habita dentro de ti.

Nessas circunstâncias, você sempre será um adorador mais livre que o carcereiro, mais livre que os presos em liberdade, mais livre do que a tua própria liberdade sem Jesus, “porque não há cadeias onde há adoração”. (2)


No amor de Cristo...

______________________
(1) LUCADO, Max. Quando Cristo Voltar. 1ª ed. Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 1999. Pág. 24 – ADAPTADO).
(2) EYSHILA. Álbum: Terremoto, MK Puiblicitá, 2006. Faixa 4 - Trecho.