sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

EBENÉZER




“A arca da aliança ficou na cidade de Quiriate-Jearim bastante tempo, isto é, mais ou menos vinte anos. Durante esse tempo todos os israelitas oravam a Deus, o Senhor, pedindo ajuda.

Samuel disse ao povo de Israel:

_ Se vocês querem com todo o coração voltar a Deus, o Senhor, joguem fora todos os deuses estrangeiros e as imagens da deusa Astarote. Dediquem-se completamente ao Senhor e adorem somente a Ele. E Ele livrará vocês do poder dos filisteus.

Aí, os israelitas jogaram fora as suas várias imagens de Baal e também as de Astarote e adoraram somente a Deus, o Senhor.

Então Samuel mandou que todos os israelitas se reunissem em Mispa. E prometeu que ali oraria por eles ao Senhor. Assim todos eles se reuniram em Mispa. Tiraram água e a derramaram em oferta ao Senhor, jejuaram o dia todo e disseram:

_ Nós pecamos contra Deus, o Senhor.

E ali em Mispa Samuel julgava e governava o povo de Israel.

Quando os filisteus souberam que os israelitas haviam se reunido em Mispa, os cinco governadores filisteus saíram com os seus homens para atacá-los. Os israelitas souberam disso e ficaram com medo. E disseram a Samuel:

_ Não pare de orar ao Senhor, nosso Deus, pedindo que Ele nos livre do domínio dos filisteus.

Então Samuel matou um carneirinho e queimou todo ele como sacrifício a Deus, o Senhor. Pediu que o Senhor ajudasse o povo de Israel, e Ele respondeu à sua oração. Enquanto Samuel estava oferecendo o sacrifício, os filisteus avançaram contra os israelitas. Mas o Senhor os atacou com fortes trovoadas. Então eles ficaram em completa confusão e fugiram. Os israelitas saíram de Mispa e perseguiram os filisteus até Bete-Car, matando-os pelo caminho. Aí, Samuel pegou uma pedra, pôs entre Mispa e Sem, e disse:

_Até aqui o Senhor Deus nos ajudou.

Por isso deu a ela o nome de Ebenézer.”
(1Samuel 7.2-12-NTLH)


Quiriate-Jearim era a cidade dos cananeus, centro de culto a Baal, o principal deus da fertilidade. Na verdade, havia várias formas de Baal. Em Siquém, por exemplo, havia o “senhor da aliança”, ou Baal-Berite (Juízes 8.33). No monte Peor, adoravam principalmente a Baal-Peor, ou o “senhor da abertura” (Números 25.1-5). Baal Zebube (2Reis 1.2-16) era o “senhor das moscas”, adorado em Ecrom. É também chamado de “belzebu”, que é o príncipe dos demônios.

O culto a Baal em suas diversas formas, assemelha-se muito à realidade do mundo e, infelizmente, à realidade de boa parte da igreja nos dias de hoje. Pelo que não relutamos em afirmar que vivemos em uma espécie de “Quiriate-Jearim do terceiro milênio pós Cristo”.

Por mais ou menos vinte anos os israelitas tiveram a arca do Senhor, isto é, o sinal da poderosa presença de Deus, em seu meio, mas o povo não Lhe apreciava como era devido. Seus corações, embora orassem constantemente ao Senhor pedindo ajuda, não estavam voltados com sinceridade para Deus. Semelhantemente, verificamos cultos tão vazios sendo realizados por muitas pessoas pouco ou nada compromissadas em fazer valer seu sacrifício diante do Senhor. É como se fosse uma obrigação para as tais dirigir a Deus uma oração, fazer um culto, oferecer um jejum.

Na congregação onde sirvo a Deus, os jovens têm o costume de irem em jejum para a Escola Bíblica Dominical, a fim de se consagrarem mais a Deus. A aula termina sempre às 10h e, durante algum tempo, após ela seguiu o ensaio do departamento de mocidade. Certa vez, vi uma das regentes jovens fazendo o seguinte comentário: “Vamos fazer uma vaquinha para comprar lanche e comermos depois da Escola Dominical, porque ficar aqui sem tomar café da manhã ate 10h... ninguém merece!

Essa atitude foi manifesta em palavras por uma irmã sem sabedoria e com pouca espiritualidade. Mas, assim como ela, há tantos irmãos que, no oculto do seu coração, têm o mesmo pensamento que a vida com Deus é um obrigação! Por isso é tão comum ver pessoas crentes “jogando” um jejum qualquer para Deus, “cumprindo rapidamente” uma oração antes de dormir ou junto com o dirigente do culto, “cantando” um hino que acha bonito ou que ajude-os a expor sua bela voz, “assistindo” um culto no domingo à noite, para cumprir seu papel de congregado e mostrar presença da igreja.

Os termos corretos são: “oferecer”, em oração sincera e dependente, um jejum com amor a Deus e esperar que Ele o receba; “conversar com Deus” e dividir momentos a sós com Ele em qualquer momento ou lugar; “louvar e adorar” a Deus com hinos que Ele queira ouvir; “cultuar” a Deus juntamente com os irmãos, em comunhão, e valorizando a unidade do Corpo de Cristo, sem hipocrisia, sem falsidade.

Mas não há uma atitude diante de Deus, com o propósito de criar para Ele um trono de louvor. Entregamos a Deus o tempo que nos sobra, cantamos para Ele os hinos que massageiam o nosso ego, pregamos o Evangelho como nos convém, oramos não para levantarmos clamores e sim para exigir providências de Deus, forjamos atitudes que priorizam nossos interesses pessoais e não glorificam o nome do Senhor.

O resultado de tudo isso é a deficiência de nossa adoração.

Em Mateus 6.33 o Senhor Jesus nos faz a seguinte exortação:

“Buscai, primeiro, o Reino de Deus e a Sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.”

O Reino de Deus é lugar santo. Os injustos não o herdarão. “Nem devassos, nem idólatras, nem adúlteros, nem efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizente, nem os roubadores herdarão o Reino de Deus” (1Coríntios 6.9-10). “Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas” também não permitem os que cometem tais coisas a herdarem o Reino de Deus (Gálatas 5.21). E “quanto aos tímidos, aos incrédulos, aos abomináveis, e aos homicidas, e aos fornicários, e aos feiticeiros, e aos idólatras, e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte.” (Apocalipse 21.8)

Buscar o Reino de Deus significa abdicar tudo o que possa ser empecilho no nosso relacionamento para com o nosso Criador. Isso exige deixar de nos conduzir e entregar o controle das nossas vidas a Deus, pois nossos pés nos guiam por caminhos do nosso coração, e o nosso coração é enganoso (Jeremias 17.9; Provérbios 16.25).

Significa priorizar a nossa fé em Deus e nos santificar através dela constantemente, a fim de garantirmos sempre a presença do Senhor em nossas vidas e prestarmos sempre o bom testemunhos dos santos para o mundo. É viver uma prática de vida que exclui o pecado e foge da aparência do mal. Que busca e aceita a vontade de Deus baseando-se num relacionamento de obediência, confiança, dedicação e renúncia.

Há uma notória inversão de valores na prática. O que nos apraz é o que temos buscado e o que agrada a Deus só nos interessará se não ferir os nossos valores e se nos acrescentar de alguma forma.

E isso é um tipo de idolatria. Estamos idolatrando nossa vontade e a sobrepondo à vontade perfeita e santa de Deus. Estamos nos exonerando apenas daquilo que não nos traz satisfação natural, mas nem tudo o que desagrada a Deus tem sido excluído do nosso lar, do nosso ambiente de trabalho, da nossa casa, dos nossos relacionamentos, do nosso caráter, da nossa maneira de ser e de viver.

Todo o bem material que o Bondoso Pai tem reservado para os Seus filhos lhe serão acrescentados quando o Reino de Deus e a Sua justiça forem priorizados nas suas vidas.

“Chegai-vos a Deus, e Ele Se chegará a vós. Alimpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai os corações.” (Tiago 4.8)

Essa é a vontade de Deus: que nos acheguemos a Ele e não somente gritemos por Ele quando precisamos ou quando bem desejarmos. É da Sua vontade ver em nós mãos puras que não se contaminam com o pecado e que trabalham pelo bem, pés que trilham pelo caminho da santidade e da obediência, corações decididos a adorarem somente a Deus, e retos, que descem os degraus do quebrantamento e não sobem pela escada da auto-suficiência. Enfim, uma separação do mundo, do profano e do ego, para que o Senhor seja tudo em nós e nos mostre quão mais excelente é a Sua vontade para conosco.

O povo de Jearim (ou Quiriate-Jearim) guardava em suas casas as imagens de deuses estrangeiros e da deusa Astarote (deusa Cananéia da fertilidade e da guerra). Não havia real devoção ao Senhor.

Um verdadeiro adorador assumido e relatado nas páginas da Bíblia, o rei Davi, se dispunha a viver exatamente o contrário deste povo e, sem hipocrisia, orava assim:

“Ó Senhor Deus, ensina-me o que queres que eu faça, e eu Te obedecerei fielmente! Ensina-me a Te servir com toda a devoção.” (Salmos 86.11-NTLH)

“Toda a devoção”. Devoção em seu modo de pensar (nos propósitos e nas coisas que passariam pela sua mente). Devoção em suas palavras. Devoção em sua visão (no que sonharia e no que enxergaria com seus olhos carnais). Devoção em suas atitudes. Devoção em seu andar diário. Devoção em cada momento da vida para jamais desonrar o nome do Deus que ele levava.

Paulo previa que a sinceridade poderia ser banida de muitos corações, por causa dos enganos do mundo que levam o homem ao pecado.

“Pois, assim como Eva foi enganada pelas mentiras da cobra, eu tenho medo de que a mente de vocês seja corrompida e vocês abandonem a devoção sincera e pura a Cristo. Porque vocês suportam com alegria qualquer um que chega e anuncia um Jesus diferente daquele que nós anunciamos. E aceitam um espírito e um evangelho completamente diferente do Espírito de Deus e do Evangelho que receberam de nós.” (2Coríntios 11.3-4-NTLH)

A idolatria no mundo é bastante nítida e não convém neste momento dar um espaço maior que este para ela. Maior pesar é o que nos deve ocorrer por causa da idolatria camuflada dentro da Igreja de Deus. Moda, namoro, liberdade incondicional, amizades, tv, astros da música e da televisão, pregadores, pastores, interesses por irmãos da congregação, trabalho, cargos, bem-estar, riquezas, sentimentos de mágoa, de ira, de paixão, etc... etc... etc. Qualquer coisa que ocupe nosso coração mais do que Deus torna-se um ídolo e deve ser banido das nossas vidas.

Dizermos que amamos a Deus e não nos dispomos a entregar a Ele o trono do nosso coração com o intuito deixá-Lo reinar e Se alegrar em nos salvar, faz de nós mentirosos. E a mentira também é fator que nos deixará de fora do Reino dos Céus (Apocalipse 22.15).

Quem ama alguém dá à pessoa amada a primazia da sua vida. Por que, então, nos empolgamos tanto com outras coisas e damos os restos ao Deus que dissemos tanto amar? E por que dissemos amar a Deus com tanta facilidade mas dificilmente (ou nunca) voltamos nossa atenção para Ele com confiança?

Enquanto houver esse descaso para com Deus e esse impasse em nosso relacionamento com Ele, estaremos abandonados por Ele à inércia dos ídolos que elegemos para nossas vidas. E nada vai mudar na nossa história:

“Mas isto lhes ordenei, dizendo: Dá ouvidos à Minha voz, e Eu serei o vosso Deus, e vós sereis o Meu povo; e andai em todo o caminho que Eu vos mandar, para que vos fá bem. Mas não ouviram, nem inclinaram os seus ouvidos, mas andaram nos seus próprios conselhos, no propósito do seu coração malvado; e andaram para trás, não para diante.” (Jeremias 7.23-24)

“Quando clamares, livrem-te os ídolos que ajuntastes; mas o vento a todos levará, e um sopro os arrebatará...” (Isaías 57.13a)

“Senhor Deus diz: Como o ladrão fica envergonhado quando é pego, assim povo de Israel passará vergonha: todos vocês, e seus reis e príncipes, os seus sacerdotes e profetas. Passarão vergonha todos aqueles que dizem a um pedaço de madeira: 'Você é op meu pai', e a uma pedra: 'Você é minha mãe'. Isso vai acontecer porque vocês me viraram as costas, em vez de virarem o rosto para o meu lado. No entanto, quando estão em dificuldades, vocês vêm Me pedir que os salve. Onde estão os deuses que vocês fizeram para vocês mesmos? Quando vocês estão em dificuldades, que eles os salvem, se é que podem...” (Jeremias 2.26-28-NTLH)

“Por isso, Eu, o Senhor, aviso que vou fazer cair uma desgraça sobre eles, e eles não escaparão. E quando gritarem pedindo socorro, Eu não escutarei. Aí, o povo de Judá e os moradores de Jerusalém vão pedir socorro aos deuses a quem vivem oferecendo sacrifícios. Mas, quando a desgraça chegar, esses deuses não poderão salvá-los.” (Jeremias 11.11-12-NTLH)

Quando dias difíceis chegarem às nossas vidas, qual é o cantor que poderá nos salvar? Qual é o cargo eclesiástico que poderá nos suprir? Qual é a pessoa, seja ela o pastor, o pregador renomado ou um amigo, que poderá nos satisfazer? Qual é o trabalho ou a ocupação que pode nos dar paz e alegria nesta vida e na eternidade? Qual foi o tamanho da riqueza material paga para que tivéssemos o direito pelo perdão dos nossos pecados?

“De nada aproveitam as riquezas no dia da ira, mas a justiça livra da morte.” (Provérbios 11.4)

“Uns confiam em carros, e outros em cavalos, mas nós faremos menção do Senhor nosso Deus. Uns se prostram e caem, mas nós nos levantamos e estamos em pé.” (Salmos 20.7-8)

O que tem sido nosso tesouro nesta terra? Em que nosso coração tem sido ancorado todos os dias? Qual é a riqueza que temos ajuntado nesta vida? De qual riqueza nossa mente está cheia?

Para que haja livramento e presença de Deus no nosso arraial, necessário é que os ídolos sejam lançados fora. Mesmo o cansaço pode tornar-se um ídolo se dermos mais lugar para ele que para Deus. O povo israelita entendeu a mensagem do profeta Samuel e assumiu uma postura diferente no meio da imundície de Quiriate-Jearim: uma postura de obediência à voz do Senhor.

Primeiramente, o povo livrou-se da idolatria. Abriu mão de tudo o que esteve sendo reverenciado no lugar do Deus Vivo e devolveu a Ele a honra que Lhe é devida.

Depois, reuniu-se em Mispa. Essa palavra hebraica quer dizer “torre de vigia”, pelo que entendemos que não só devemos abandonar a idolatria como também devemos nos tornar atalaias, sentinelas, vigias constantes contra qualquer mal que possa interferir e prejudicar o nosso relacionamento com Deus.

“Quão melhor é adquirir a sabedoria do que o ouro! E quão mais excelente é adquirir a prudência do que a prata!” (Provérbios 16.16)

“O prudente prevê o mal, e esconde-se; mas os simples passam e acabam pagando.” (Provérbios 22.3)

Em seguida, os hebreus tiraram água e a derramaram em oferta ao Senhor (v.5). Essa representa o choro, uma oferta que podemos dar ao Senhor com sinceridade. É necessária até, porque expressa nossos mais profundos sentimentos.

Chorar aos pés de Jesus em reconhecimento à Sua Santidade e Poderio, em adoração à Sua Majestade, em clamor pela Sua bondade, misericórdia e socorro, em agradecimento pelo Seu amor, perdão e graça.

Chorar. Abrir o coração e expressar nossos mais íntimos sonhos, desejos e emoções. Expor nossas desilusões e frustrações. Declarar nossas dúvidas e mágoas. Liberar nossa visão e pensamentos, certos que o Senhor nos ouvirá sem nem mesmo nos interromper, e entenderá perfeitamente cada uma de nossas palavras e expressões. Se não concordar, dirá com amor e nos orientará. Não mentirá para nós a fim de nos lisonjear em alguma coisa, mas com sinceridade falará tudo o que precisamos saber.

“Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao Senhor vosso Deus; porque Ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-Se, e grande em benignidade, e Se arrepende do mal.” (Joel 2.13)

“E buscar-Me-eis, e Me achareis, quando Me buscardes com todo o vosso coração.” (Jeremias 29.13)

Outra atitude louvável daquele povo arrependido foi restaurar o jejum e a oração, agentes sem os quais não podemos manter um relacionamento com o Senhor.

A finalidade básica do jejum é fazer com que nós nos desliguemos do alimento e das coisas mais necessárias e canalizemos essa energia que deveria ser usada para processar os alimentos para buscar a presença de Deus.

O jejum não é greve de fome. Ninguém deve fazer jejum para convencer Deus a fazer alguma coisa. Ele também não é para mortificar ou enfraquecer o corpo, mas para concentrar energia em Deus. Jejum também não é uma troca ou barganha com Deus, isto é, jejuar para receber alguma coisa. O jejum serve para saber qual é a vontade de Deus em nossas vidas. O jejum serve como uma disciplina espiritual para que nós aprendamos melhor a ouvir a Palavra de Deus.

E é exatamente isso que não pode faltar no nosso relacionamento com Deus: sensibilidade para ouvirmos e atendermos à Sua voz. (Leia mais sobre o jejum em Isaías 58 e no capítulo 6 de Mateus).

A oração, por sua vez, libera o grande poder de Deus para mudar o curso da natureza, das pessoas, das nações, das nossas próprias vidas.

Nós oramos para termos comunhão com Deus, recebermos encorajamento e força espiritual para vivermos uma vida vitoriosa e mantermos intrepidez para um testemunho vibrante para Cristo.

Oração é comunicar-nos com Deus. E uma verdadeira oração é expressar nossa devoção sincera ao Pai Celestial, convidando-O a falar conosco enquanto nós falamos com Ele. É o nosso canal de comunicação direta com o Eterno e de alimento para nosso espírito. Sem a oração, nada fará sentido em nossa caminhada cristã. Por isso, “orai, sem cessar” (1Tessalonicenses 5.17).

Por fim, os israelitas confessaram seus pecados: “Nós pecamos contra Deus, o Senhor” (v.6).

Com sinceridade, contrição e quebrantamento, o homem consegue alcançar o coração de Deus:

“Perto está o Senhor de todos os que O invocam, de todos os que O invocam em verdade.” (Salmos 145.18)

“Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado; e salva os contritos de espírito.” (Salmos 34.18)

Essas atitudes do povo hebreu aconteceram porque ele resolveu obedecer. Obedecer às orientações do profeta Samuel e direcionar sua adoração somente ao Senhor Deus.

Uma adoração aceitável por Deus inclui, portanto, livrar-se da idolatria e dar sempre primazia ao Senhor em nossas vidas; ser vigilante e não permitir que nada interfira no nosso relacionamento com Deus; ser sincero, íntimo para com Deus, chorar quando preciso, orar e jejuar espontaneamente; comunicar-se com Deus de todas as maneiras possíveis a nós; arrepender-se, confessar e deixar os erros pra que se possa viver uma nova vida em Cristo Jesus.

“...vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; e vos renoveis no espírito da vossa mente; e vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdade, justiça e santidade.” (Efésios 4.22-24)

“Agora, pois, ó Israel, que é que o Senhor teu Deus pede de ti, senão que temas o Senhor teu Deus, que Andes em todos os Seus caminhos, e O ames, e sirvas ao Senhor teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma, que guardes os mandamentos do Senhor, e os Seus estatutos, que hoje te ordeno, para o teu bem?” (Deuteronômio 10.12-13)

Essas atitudes alegram o coração do nosso Pai de amor, mas, em contra-partida, faz com que o diabo concentre ainda mais forças para conseguir que esmoreçamos e desistamos da caminhada com Deus, de uma vida de verdadeira adoração.

“Quando os filisteus souberam que os israelitas haviam se reunido em Mispa, os cinco governadores filisteus saíram com os seus homens para atacá-los. Os israelitas souberam disso e ficaram com medo”(v.7), mas não é medo que devemos ter do mal, e sim, ousadia para dizer-lhe: “Não!”. Isso é, dependência de Deus, para vencer o mal com o bem.

Quando os inimigos nos vêem pagando um preço para sermos diferentes em nossa Quiriate-Jearim (o mundo), eles se avigorarão para atacar e desmantelar nossas esperanças e forças.

Nossa força, porém, é o Senhor. Ele é “o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia” (Salmos 46.1). Tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo, espada... nada disso, nem forma semelhante, deve nos causar espanto e temor, porque “em todas essas coisas somos mais do que vencedores, por Aquele que nos amou.” (Romanos 8.33-37)

Basta-nos permanecer em obediência, nos aproximando dia-a-dia do Senhor, e descansar nEle, para que toda a nossa vida tome a direção certa e passe bem mesmo em meio às noites mais frias e escuras.

“O Senhor Se agrada dos que O temem e dos que esperam na Sua misericórdia.” (Salmos 147.11)

“Espera no Senhor, e guarda o Seu caminho, e te exaltará para herdares a terra; tu O verás quando os ímpios forem desarraigados.” (Salmos 37.34)

Naquela situação amedrontadora, a única coisa que restou para Israel foi sacrificar. E aqui aprendemos mais uma vez que depender de Deus é sempre a melhor saída.

Israel não tentou fazer coisas em seu próprio benefício, mas adorou ao Senhor no meio da adversidade. Esse era o sacrifício. Sacrifício de adoração. “Samuel matou um carneirinho e queimou todo ele como sacrifício a Deus, o Senhor. Pediu que o Senhor ajudasse o povo de Israel, e Ele respondeu à sua oração. Enquanto Samuel estava oferecendo o sacrifício, os filisteus avançaram contra os israelitas. Mas o Senhor os atacou com fortes trovoadas. Então eles ficaram em completa confusão e fugiram.” (v.9-10)

Atravessar lutas é bem mais fácil quando nos dispomos a sacrificar, como adoradores, ao Senhor: (1) erguendo um altar de louvor na luta, porque Deus continua sendo Deus e, portanto, digno da nossa adoração em qualquer situação que venhamos a passar; (2) guardando a fé em Deus diante do impossível a nós, “porque para Deus não nada é impossível” (Lucas 1.37); (3) entregando a Deus a direção de tudo, porque Ele sabe exatamente o que faz.

Os grandes vencedores souberam oferecer o seu melhor a Deus no meio das tribulações.

“Louvarei ao Senhor em todo o tempo; o Seu louvor estará continuamente em minha boca.” (Salmos 34.1)

“Tudo isso nos sobreveio; contudo não nos esquecemos de Ti, nem houvemos falsamente contra a Tua aliança. O nosso coração não voltou atrás nem os nossos passos se desviaram das Tuas veredas; ainda que nos quebrantaste num lugar de dragões, e nos cobriste com a sombra da morte.” (Salmos 44.17-19)

“Em todo o tempo sejam alvas as tuas vestes, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça.” (Eclesiastes 9.8)

E como fez para com Israel, o Senhor atacará os nosso inimigos (não seremos nós). Enquanto adoramos em toda a nossa maneira de ser, Ele guerreará as nossas batalhas e vencerá as nossas guerras, porque Deus cuida de quem depende dEle. “Nele faremos proezas, porque Ele é Quem pisará os nossos inimigos” (Salmos 60.12).

O mal fugirá confundido, nós seremos abençoados e o Senhor ainda mais glorificado, porque o nosso Deus é a nossa “Pedra de Ajuda”, a nossa Ebenézer.

O próprio Deus dará testemunho a nosso favor, como fez sobre Jó (Jó 1.8 e 2.3), pois Se alegrará em nós e falará pessoalmente a nosso respeito. Ninguém mais poderá nos condenar porque já não há mais lugar em nossos corações para os ídolos, a nossa vida já pertence totalmente a Deus, e o Senhor reina absoluto e soberano em nós. É Ele mesmo Quem nos justifica. (Romanos 8.33)

Quiriate-Jearim, isto é, o mundo, não residirá em nós, tampouco os filisteus, nosso inimigos, se apossarão das nossas vidas, porque a nossa maneira de viver é sincera e voltada para Deus. E em todo o tempo oraremos como Davi:



“Tu és o meu Rei, ó Deus; ordena salvações para Teu povo.
Por Ti venceremos os nossos inimigos;
pelo Teu nome pisaremos os que se levantam contra nós.
Pois eu não confiarei no meu arco, nem a minha espada me salvará.
Mas Tu nos salvaste dos nossos inimigos,
e confundiste os que nos odiavam.
Em Deus nos gloriamos todo o dia,
e louvamos o Teu nome eternamente.”
(Salmos 44.4-8)


Que o Espírito Santo fale melhor em teu coração.

Amém.