terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Vitorioso por nós



É madrugada.

Ainda escuro.

Há silêncio no jardim.

Todos dormiam. Somente sussurros se ouviam do Homem que estava prestes a Se tornar o maior de todos os mártires e o pior de todos os homens (Gálatas 3.13-14).

Sozinho.

Solitário.

Ninguém mais O queria (ou conseguia) acompanhar. Dali pra frente era somente Ele. Desde que foi dada a ordem dos maiores de Jerusalém para prenderem Jesus, Deus Se afastou e no Getsêmani o Senhor já sentia a agonia do silêncio do Pai. As gotas de Seu suor se transformavam em gotas de sangue (Lucas 22.44), tamanha era a agonia que ali mesmo já se iniciava nas últimas horas de vida que ainda Lhe restavam.

Aproximavam-se os algozes. Aqueles que, pelas próximas horas, se sentiriam honrados, convencidos de estarem fazendo o melhor trabalho das suas vidas, quando, na verdade, estariam maltratando e crucificando a própria razão das suas vidas.

E assim fizeram.

Prenderam, surraram, humilharam Jesus como ninguém mais. O bem que o Senhor tanto fez foi pago com um mal tão sem motivos. O amor que Ele teve e ensinou a ter, naquele momento foi retribuído com um ódio insano e injusto. As curas e a vida que Ele ministrou a todos quantos se achegaram a Ele, de repente, foram correspondidas por Suas chagas e Sua própria morte.

Fúria nos olhares dos pequenos. Sorrisos nos lábios dos grandes.

Satisfação geral dos invejosos e hipócritas do Seu tempo. “Por inveja, os principais dos sacerdotes O tinham entregado.” (Marcos 15.10)

Pessoas que jamais tiveram honras diante de Deus embora tivessem títulos diante dos homens. Naqueles momentos sentiam-se “agraciados” em assistir o simples Carpinteiro, que sem nenhum parecer ou formosura, estudo ou formação realizava milagres e perdoava pecados, sendo então escarnecido, maltratado, “vencido” – conforme seus modos terrenos e incompletos de ver lhes permitiam entender os fatos.

Morria Jesus pelas mãos e pelas vozes de quem Ele curou, amou e perdoou. Sofria mais pela tristeza de ser rejeitado do que pela própria morte física.

“Crucifica-O!” (Marcos 15.13), era a resposta para O Homem que abençoava, dizendo: “Levanta e anda.” , “Sê curado.”, “Vai, a tua fé te salvou.”, “Eu também não te condeno. Vai e não peques mais.”, “Perdoados estão os teus pecados.

E assim fizeram.

Levaram-No ao lugar do Gólgota, que se traduz por lugar da Caveira. E deram-Lhe de beber vinho com mirra mas Ele não o tomou. E, havendo-O crucificado, repartiram as Suas vestes, lançando sobre eles sortes, para saber o que cada um levaria. E era a hora terceira, e O crucificaram. ” (Marcos 15.22-25)

Antes de expirar, Jesus ainda fez o que ninguém poderia fazer, e novamente deu prova do Seu grande e inexplicável amor. Contorcendo-Se de dor e agonia, procurando fôlego num esforço extraordinário, até que citou para um dos ladrões, entre os quais foi crucificado, algumas de Suas palavras mais agradáveis ao nosso espírito pecador. Ele disse: “Em verdade te digo que hoje estarás Comigo no Paraíso”. (Lucas 23.43)

Amou.

Amou até o último segundo da Sua vida.

Amou, perdoou e salvou.

Cumpriu com honra a Sua missão e, por fim, expirou.

Vencemos!” – Festejavam os sacerdotes. “Finalmente tiramos a pedra do osso caminho”. – Certamente congratulavam.

Mas Jesus não era uma pedra. Pedra era Pedro, um dos Seus discípulos (Mateus 16.18). Jesus é rocha. E rocha inabalável.

Só Ele é a minha rocha e a minha salvação; é a minha defesa; não serei abalado.” (Salmos 62.6)

Vinde, cantemos ao Senhor; jubilemos à Rocha da nossa salvação.” (Salmos 95.1)

Confiai no Senhor perpetuamente; porque o Senhor Deus é uma Rocha Eterna.” (Isaías 26.4)

Pedra de esquina, pedra angular, que se for tirada, provoca o desmoronamento de todo o resto do edifício:

Como está escrito: Eis que Eu ponho em Sião uma pedra de tropeço, e uma rocha de escândalo; e todo aquele que crer nela não será confundido.” (Romanos 9.33)

Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina.” (Atos 4.11)

Por isso mesmo, Jesus não poderia ser só mais um ser humano. Tinha que ser mais que isso. Tinha que ser Deus. “Eu e o Pai somos um” (João 10.30). E sendo Deus, nem a morte O poderia deter.

Então... Ressuscitou, “soltas as ânsias da morte, pois não era possível que fosse retido por ela.” (Atos 2.24)

Venceu o inferno e a morte.

Sou o Primeiro e o Último e o que vive; fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém! E tenho as chaves da morte e do inferno.” (Apocalipse 1.17-18)

Para desespero dos que O condenaram e vitória dos que O amam e recebem, Jesus ressuscitou e vive para sempre.

Vive e atua com eficácia pelo mundo inteiro, onde houver um coração sincero buscando o Seu agir, buscando a Sua paz.

Estarei convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.” (Mateus 28.20)

Pensaram que a morte de Jesus cegaria Seus olhos de amor e que nunca mais Ele veria as necessidades dos aflitos, dos cansados, dos oprimidos.

Pensaram que calariam Sua voz quando contemplaram Seu último suspiro no alto da cruz. E concluíram que nunca mais Ela ordenaria a bênção e a vida para todos os que nEle cressem.

Pensaram que Seus pés não mais percorreriam o mundo para libertar e salvar vidas aprisionadas pelo pecado.

Pensaram que Suas mãos nunca mais Se ergueriam para os Céus para agradecer a Deus pelas bênçãos, pelos milagres, pela Graça. Que nunca mais seriam impostas sobre enfermos e os curariam. Que nunca mais quebrariam cadeias, expulsariam demônios e envergonhariam o diabo.

Mas Jesus ressuscitou.

E continuou a fazer o que havia começado.

Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória?” (1Coríntios 15.55)

Jesus ressuscitou e, pelos olhos, bocas, pés e mãos dos Seus discípulos, continua curando, libertando, salvando. “Muitos sinais e maravilhas se faziam pelos apóstolos” (Atos 2.43). “E eles, tendo partido, pregaram em toda parte, cooperando com eles o Senhor e confirmando a palavra por meio de sinais que se seguiam.” (Marcos 16.20)

Milagres ainda acontecem. Coxos ainda voltam a andarem perfeitamente. Cegos voltam a ter visão. Surdos ouvem e mudos falam. Mortos ressuscitam e endemoninhados são libertos pelo poder do Seu nome.

Corações são apaziguados, esperanças são restabelecidas, sonhos são reestruturados, vidas são renascidas. Tudo porque Jesus ressuscitou. Ele vive e por meio dEle o mundo ainda contempla o sobrenatural. Pela força atuante do Seu Espírito Santo o homem ainda é convencido do pecado, da justiça e do juízo. (João 16.8)

Jesus é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente.” (Hebreus 13.8)

Obviamente que os maiorais da Sua época não atentaram para a Sua afirmação, narrada em João 8.58, que diz: “Em verdade, em verdade vos digo que, antes que Abraão existisse, EU SOU.

Se tivessem prestado atenção e guardado em seus corações essa verdade, certamente teriam sido agraciados com o maior dos milagres de Jesus: seriam perdoados e transformados em novas criações que honrariam a glória de Deus.

Os sacerdotes não pararam Jesus.

O povo e a sua falta de amor não pararam Jesus.

A morte não parou Jesus.

Nem o inferno inteiro parou Jesus.

Mas você e eu podemos pará-Lo em nossas vidas, quando não permitimo-Lo entrar em nosso coração e tornar-Se nosso Senhor. “Estou à porta e bato. Se alguém abrir, Eu entrarei...” (Apocalipse 3.20)

Se não abrirmos, Ele ficará do lado de fora, sem Se interferir em nenhuma de nossas decisões, em nenhum dos nossos negócios, em nenhuma das nossas situações. Porque “se O negarmos, também Ele nos negará.” (2Timóteo 2.12) . “Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos, e os Seus ouvidos, atentos às Suas orações; mas o rosto do Senhor é contra os que fazem males.” (1Pedro 3.12)

Que mal maior podemos fazer que rejeitarmos a Jesus maravilhoso, que tudo sofreu, tudo suportou e tudo venceu por amor a nós, pecadores?

Esse mal é a tronco que se ramifica em todos os outros. Sem Jesus, maltratamos nosso próximo, não temos amor, somos arrogantes, prepotentes, esnobes, preconceituosos, mentirosos, infiéis, orgulhosos, capazes de idolatrar, de nos prostituir, de matar, roubar e torturar e de praticar todo tipo de atrocidade. Porque sem Jesus não há temor em nossos corações.

A gloriosa história de Cristo pode ter continuidade através da minha vida e da tua.

Ele nos ama tanto que mesmo depois de O termos recusado em nossos corações, mansamente ainda nos diz: “Vinde a Mim, todos vós que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração. E encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o Meu jugo é suave e o Meu fardo é leve.” (Mateus 11.28-30)

Ele não foi vencido, não Se calou, não parou, primeiro porque Ele é o Senhor de toda glória, depois porque ainda há muitas pessoas que precisam viver os Seus milagres.

E você também está incluído nos planos dEle.

Portanto, se há trevas em teu caminho, decida-Se pela Luz que há em Cristo.

É madrugada escura em tua vida? Saiba que a última madrugada dEle antes de morrer nessa terra foi a mais sombria, a fim de garantir que a aurora aconteceria pra todos nós.

Palavra fiel é esta: que, se morremos com Ele, também com Ele viveremos; se sofremos, também com Ele reinaremos.” (2Timóteo 2.11-12).

Porque Jesus morreu, para que tivéssemos vida. E ressuscitou para que ela continuasse pela eternidade.

E que Ele mesmo fale melhor em teu coração.

Graça e Paz de Jesus, Autor e Consumador da nossa fé.