domingo, 13 de abril de 2008




Quinze minutos.

Esse foi o prazo que eu e meus dois irmãos levamos para revirar completamente o apartamento em que moro.

Estivemos fazendo uma reforma aqui em casa nesses últimos dias e, confesso, foi sacrificante ver seis anos de organização e limpeza sendo totalmente substituídos por pilhas de coisas desmontadas, misturadas e espalhadas por toda parte.

Muita sujeira, muita sobra de tinta para ser retirada, muito chão e rodapés para esfregar, muitas janelas e portas para limpar... móveis e utensílios de uma casa inteira precisando serem limpos, remontados e recolocados, cada um, no seu devido lugar.

E, como se não bastasse, verifiquei a necessidade de modificar a aparência de algumas coisas por aqui, para tornar meu lar mais aconchegante e mais harmonioso. Daí, além de ter que arrumar toda a bagunça, está sendo também necessário substituir alguns objetos e, por causa disso, tenho vivido uma verdadeira maratona atrás dos lugares que vendem o que eu procuro e o que eu preciso.

Ufa!... Que trabalheira!

É isso o que estou fazendo desde que terminamos a reforma...

No momento em que vi minha casa com o aspecto de um baú cheio de tralhas reviradas e eu dentre dele (era assim que eu me sentia), o Senhor usou aquela situação para ilustrar o que o pecado faz nas nossas vidas.

Foi assim no Éden. Tudo era perfeito e organizado, mas alguns minutos de conversa com o diabo foram suficientes para revirar a história do mundo e transformá-lo neste caos em que vivemos desde então.

Continua sendo assim, ainda hoje. Muitas pessoas limpas de coração e já resgatadas por Deus deixam de vigiar por alguns instantes, dão trela para o mal durante alguns minutos apenas e... caem! Num piscar de olhos vêem suas vidas se desmoronando. Revolvem-se pelo ódio, pela amargura, pela fraqueza, pela falta de tempo, pela prática do pecado.

Aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia!” (1Coríntios 10.12 - NVI)

Essa foi uma exortação do Senhor para Seus filhos. Ter cuidado para não ser derribado pelo inimigo. Mas esse cuidado não exprime que nós somos suficientes para nos mantermos em pé, constantemente, contra o combate do forte príncipe das trevas e de seus aliados. Em Efésios 6.10-12, Paulo nos adverte da seguinte maneira:

Finalmente, fortaleçam-se no Senhor e no Seu forte poder. Vistam toda a armadura de Deus, para poderem ficar firmes contra as ciladas do Diabo, pois a nossa luta não é contra seres humanos, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais.” (NVI)

O exército do mal é astuto e forte. E é uma grande tolice negar isso. O seu líder maior, o diabo, era um querubim ungido (Ezequiel 28.14), vivia no Céu com Deus e, por isso, ele entende muito mais que nós sobre táticas de guerra espiritual. Quando foi expulso de lá, satanás teve o poder de levar consigo um terço dos anjos de Deus (Apocalipse 12.4), fato que prova sua força e capacidade de influenciar.

Olhando para nós, que podemos dizer da nossa força, inteligência e capacidade diante dos anjos de Deus? Considere isto: se parte desses seres fortíssimos e perfeitos foi corrompida pelo mal, imagine o que pode acontecer conosco, sendo nós, seres humanos, pessoas tão imperfeitas e limitadas como nós!

Foi ciente disso, que Jesus deixou Seu maravilhoso convite ressoando a cada instante em cada acontecimento da nossa história: “Vinde a Mim... e Eu os aliviarei.” (Mateus 11.28)

NEle está a nossa força e o nosso refúgio em tempos de guerra. A nossa salvação de todo o mal. O alívio imediato para as nossas dores. A resposta correta e precisa para nossos anseios, dúvidas e temores.

Num dos salmos mais conhecidos do mundo nós temos a mesma resposta sobre como podemos vencer o mal e permanecermos em pé diante dele, sem nos contaminarmos, sem nos envolvermos com esse veneno que pode matar nossa alma. Leiamos:

Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará.” (Salmos 91.1)

Habitar no esconderijo do Altíssimo...

Pode parecer uma loucura alguém deixar sua casa para viver em um esconderijo...

Mas é esse o chamado do Senhor para Seus filhos, e é isso o que devemos fazer: deixar nossa casa espiritual, isto é, as pilhas de valores, convicções e motivações que nos cobrem mas que, ao mesmo tempo, nos deixam tão expostos à ação do nosso predador (o diabo), para nos escondermos em Deus, em Sua sombra, lugar seguro onde nenhum mal pode nos afligir.

E não é só ficar lá por alguns dias, mas habitar ali. Morar, residir. Ponto.

Muitas pessoas buscam Deus com o único intuito de receber dEle provisões e soluções para seus problemas. Correm para o esconderijo do Altíssimo quando tudo está difícil, mas em tempos de bonança, pouco ou nada se lembram de Deus. Exigem do Senhor bênçãos sem medida e, em muitos casos, chegam mesmo a “prensá-Lo contra a parede” (como se alguém realmente tivesse esse direito e tal capacidade), marcando, inclusive, datas para que recebam o que pedem, e até ameaçando o Senhor de deixá-Lo ou tomar dEle a direção de suas vidas caso suas exigências não sejam deferidas por Deus. Mas habitar no esconderijo do Altíssimo significa nos sujeitarmos à vontade soberana e perfeita de Deus. E não apenas exigir dEle o que nos é de interesse.


Muitos cristãos almejam o Céu unicamente para escaparem do inferno. Não têm vontade de morar com Deus eternamente por causa do próprio Deus, por amor a Ele e intenso desejo de tê-Lo para sempre ao seu lado.

Contudo, o homem que pretende habitar no esconderijo do Altíssimo deve, primeiramente, buscar o Senhor pelo que Ele é... Imagine o tamanho do sacrifício que seria conviver com alguém por toda uma eternidade só por amar as coisas que essa pessoa tem, sem amá-la primeiramente. Há, no mundo, quem se arrisque a tal aventura, mas vive uma vida completamente frustrada e vazia. E, no final de tudo, volta ao seu estado de solidão e inquietude, de desalento... de insatisfação e incoerência. De plena infelicidade!

Por isso mesmo, o próprio Deus não Se submete a tal situação. Ele próprio renuncia a presença de pessoas que O buscam somente por interesses pessoais. O Senhor ama o mundo e cada homem que está perdido, mas não quer que ninguém fique com Ele forçadamente (Zacarias 4.6). Ele busca pessoas que O amem, que O adorem em espírito e em verdade (João 4.23-24) e ama os que O amam (Provérbios 8.17).

Outra coisa a se observar em “habitar no esconderijo do Altíssimo”, é que uma pessoa que vive em um esconderijo, se sujeita ao senhorio de quem lha concedeu asilo. E, quando vemos o pecado entrando pelas brechas nas vidas de muitos irmãos em Cristo, quando vemos irmãos na fé caindo pelo pecado e tendo suas vidas danificadas pelo mal, podemos entender que, em algum ponto muito importante, esses irmãos não estão se sujeitando ao senhorio de Deus, mas fazendo vista grossa aos Seus sábios e necessários conselhos.

Veja algumas palavras de verdadeiros adoradores, pessoas que habitavam no esconderijo do Altíssimo:

Ó SENHOR, tu és o meu Deus; exaltar-te-ei, e louvarei o teu nome, porque fizeste maravilhas; os teus conselhos antigos são verdade e firmeza.” (Isaías, em Isaías 25.1)

Guiar-me-ás com o teu conselho, e depois me receberás na glória.” (Asafe, em Salmos 73.24)

Pelos Teus mandamentos alcancei entendimento; por isso odeio todo falso caminho.” (Desconhecido, em Salmos 119.104)

Dirige os meus passos nos Teus caminhos, para que as minhas pegadas não vacilem.” (Davi, em Salmos 17.5)

Tu, com a Tua beneficência, guiaste a este povo [Israel], que salvaste; com a Tua força o levaste à habitação da Tua santidade.” (Moisés, em Êxodo 15.13)

Sede meus imitadores, como eu também sou de Cristo.” (Paulo, em 1Coríntios 11.1)

Permitir-se ser dirigido por Deus, nosso Protetor... Esse é o segredo de uma vida de adoração sincera: dependência do Pai. Ora, se Deus é o nosso Protetor, não devemos (nem podemos) ditar a Ele o que fazer para nos guardar. Ele sabe exatamente o que tem que ser feito, e dita toda a nossa maneira de agir para que estejamos sempre seguros. Cabe a nós, refugiados no Senhor, obedecermos Suas instruções.

Isso é viver pela fé: entender que o Senhor fará Sua parte corretamente, sem a nossa interferência, e confiar nisso plenamente. Ele dispensará Sua atenção preciosa e magnífica paciência, Seus cuidados e Seu tempo em nosso favor. Ele Se disporá a nos envolver e amparar de todos os lados e em todas as situações, a fim de garantir nosso bem-estar e nossa paz em qualquer circunstância da vida.

Mas essa certeza só existe na vida daquelas pessoas que firmam com Deus uma aliança e se empenham para que ela não seja quebrada (2Crônicas 15.2b; 24.20b). É o próprio Deus Quem afirma: “Porquanto tão encarecidamente Me amou, também Eu o livrarei; pô-lo-ei em retiro alto, porque conheceu o Meu nome. Ele Me invocará, e Eu lhe responderei; estarei com ele na angústia; dela o retirarei, e o glorificarei. Fartá-lo-ei com longura de dias, e lhe mostrarei a Minha salvação.” (Salmos 91.14-16)

O próprio Deus Se recusa a conviver com pessoas que não se sujeitam a Ele, que O ignoram, que O desprezam. Ele não quer e nem precisa da piedade de ninguém. Os homens é que carecem da Sua presença (Romanos 3.23) e das Suas misericórdias (Lamentações de Jeremias 3.22-23).

Cabe também, observarmos, que um refugiado não pode deixar seu abrigo para ficar buscando alimentos fora do esconderijo, mas sujeita-se a comer o que o seu guardião lhe providencia. E a falta desse cumprimento também tem levado muitos cristãos à miséria espiritual.

Deus tem providenciado para Seu povo alimento celestial, plenamente espiritual, saudável e necessário para nos abastecermos como é correto. Mas vemos uma triste realidade de pessoas que buscam novidades no mundo e as inserem dentro da Igreja do Senhor. Trazem doutrinas estranhas, alimentos impróprios, muitas vezes estragados, e se fartam deles.

É como se a Graça do Senhor não estivesse nos bastando (2Coríntios 12.9a), como se não estivéssemos nos contentando com o que o Senhor tem nos oferecido. Infelizmente, nesses últimos dias, temos visto a história de Israel se repetir em nós...

Assim diz o Senhor: (...) Houve alguma nação que trocasse os seus deuses, ainda que não fossem deuses? Todavia o meu povo trocou a sua glória por aquilo que é de nenhum proveito. Espantai-vos disto, ó céus, e horrorizai-vos! Ficai verdadeiramente desolados, diz o Senhor. Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas, cisternas rotas, que não retêm águas.” (Jeremias 2.11-13)

Descansar à sombra do Onipotente é um direito reservado àqueles que habitam no esconderijo do Altíssimo, isto é, àqueles que convivem com Deus diariamente, que permanecem com Ele no lugar onde Ele está, que se sujeitam ao Seu direcionamento, que se alimentam da boa comida espiritual que Ele oferece de graça.

Ninguém está mais seguro do que aquele que está descansando à sombra de Deus. Mas o Senhor está numa esfera espiritual e Se manifesta por meio de Seus filhos na terra material. Deus é Espírito (João 4.24). E os que habitam com Ele também devem viver a espiritualidade, e não a carnalidade (Colossenses 3.1-3; Gálatas 5.24-25); devem viver pela fé e não pelo materialismo (Habacuque 2.4); devem amar mais a face do Senhor do que as Suas mãos (2Crônicas 7.14).

Quando entendemos isso, somos encontrados pelo Senhor. Ele retoma o justo que pereceu e recomeça a sua história, pois “ainda que caia, não ficará prostrado, pois o Senhor o sustém com a sua mão.” (Salmos 37.24)

Os lembretes de João são imprescindíveis para nos encorajar e induzir a voltarmos a Deus quando nos encontrarmos caídos:

Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.” (1João 1.9)

Meus filhinhos, escrevo-lhes estas coisas, para que vocês não pequem; se, porém, alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo. Ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos pecados do mundo inteiro.” (1João 2.1-2 - NVI)

Com amor, o Senhor recomeçará a limpeza espiritual daquela vida, assim como o oleiro recomeça o vaso que rachou:

Como o vaso, que ele fazia de barro, quebrou-se na mão do oleiro, tornou a fazer dele outro vaso, conforme o que pareceu bem aos olhos do oleiro fazer. (...) Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? diz o Senhor. Eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel.” (Jeremias 18.4,6)

Exige paciência, mas o Senhor a tem. Exige amor, mas Senhor o tem incondicionalmente. Exige disposição, mas o Senhor tem mostrado Seu interesse por nós, mesmo ao longo de tantos anos de pecado e desobediência.

Essa segurança nos leva a concluir que nossa força, nossa ciência, nossa sabedoria não são suficientes para nos manter de pé. Mas nossa iniciativa de retornar ao Senhor é que nos sarará, que nos fortalecerá, nos manterá seguros diante do mal que quer nos consumir.

Gosto muito das palavras de Davi no Salmo 20:

Uns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós faremos menção do nome do Senhor nosso Deus. Uns encurvam-se e caem, mas nós nos levantamos e nos pomos em pé.” (Salmos 20.7-8)

A vida de um filho de Deus não está isenta de pecar. Mas deve manter-se vigilante para evitar que isso aconteça (Mateus 26.41). Contudo, se nos voltarmos para o Senhor, como Oséias nos convida (Oséias 6.1), o final será nosso levantar, ainda mais experientes e mais decididos a permanecermos firmes na fé. Devemos retornar, assim como o filho pródigo voltou ao lar e foi ter com seu pai (Lucas 15.18), porque o Pai Celeste está sempre disposto a recomeçar Sua história com um filho que se volta arrependido para Ele. É um trabalho lento, difícil, até que Deus retire as manchas do pecado em nós, mude nossa maneira de pensar, de agir, de viver... Dá trabalho nos revigorar, reorganizar nossa vida espiritual, limpar novamente nossa alma, reformar o nosso ser... mas nada que Deus não possa fazer, se nós realmente estivermos dispostos a sermos regenerados.

É, certamente, uma missão muito mais árdua do que a que eu estou tendo para reorganizar minha casa depois da reforma. Até agora estou nessa luta, mas creio que logo vou terminar e terei muita satisfação do resultado final.

Louvado seja o Senhor, cujo coração anseia por Se alegrar em ver o fruto do Seu penoso trabalho! (Isaías 53.11)

Bendito seja Deus, cujas mãos não Se cansam de trabalhar! (Isaías 40.28)

Ainda bem que Deus ama ter esse tipo de trabalho conosco...


Que Ele mesmo fale melhor ao teu coração.

No amor de Cristo...