sábado, 14 de junho de 2008



PEQUENOS GIGANTES

Depois de um ataque da Síria contra Israel, o exército sírio, chefiado por Naamã, foi vitorioso e levou alguns cativos consigo. A Bíblia nos conta, em especial, um pequeno episódio sobre uma menina israelita que tornou-se serva da mulher de Naamã.

É pequeno o número de pessoas que têm dado atenção a esses poucos versículos da Bíblia, mas bem ali, escondidos entre as preciosidades do Antigo Testamento, mais precisamente os quatro primeiros versos do quinto capítulo do segundo livro dos Reis, está um curto trecho de uma história que identifica muito a maneira de ser de verdadeiros cristãos.

Essa história começa assim:

1. E NAAMÃ, capitão do exército do rei da Síria, era um grande homem diante do seu senhor, e de muito respeito; porque por ele o Senhor dera livramento aos sírios; e era este homem herói valoroso, porém leproso.

E continua...

2. E saíram tropas da Síria, da terra de Israel, e levaram presa uma menina que ficou ao serviço da mulher de Naamã.
3. E disse esta à sua senhora: Antes o meu senhor estivesse diante do profeta que está em Samaria; ele o restauraria da sua lepra.
4. Então foi Naamã e notificou ao seu senhor, dizendo: Assim e assim falou a menina que é da terra de Israel.
5. Então disse o rei da Síria: Vai, anda, e enviarei uma carta ao rei de Israel. E foi, e tomou na sua mão dez talentos de prata, seis mil siclos de ouro e dez mudas de roupas.
6. E levou a carta ao rei de Israel, dizendo: Logo, em chegando a ti esta carta, saibas que eu te enviei Naamã, meu servo, para que o cures da sua lepra.
7. E sucedeu que, lendo o rei de Israel a carta, rasgou as suas vestes, e disse: Sou eu Deus, para matar e para vivificar, para que este envie a mim um homem, para que eu o cure da sua lepra? Pelo que deveras notai, peço-vos, e vede que busca ocasião contra mim.
8. Sucedeu, porém, que, ouvindo Eliseu, homem de Deus, que o rei de Israel rasgara as suas vestes, mandou dizer ao rei: Por que rasgaste as tuas vestes? Deixa-o vir a mim, e saberá que há profeta em Israel.
9. Veio, pois, Naamã com os seus cavalos, e com o seu carro, e parou à porta da casa de Eliseu.
10. Então Eliseu lhe mandou um mensageiro, dizendo: Vai, e lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne será curada e ficarás purificado.
11. Porém, Naamã muito se indignou, e se foi, dizendo: Eis que eu dizia comigo: Certamente ele sairá, pôr-se-á em pé, invocará o nome do Senhor seu Deus, e passará a sua mão sobre o lugar, e restaurará o leproso.
12. Não são porventura Abana e Farpar, rios de Damasco, melhores do que todas as águas de Israel? Não me poderia eu lavar neles, e ficar purificado? E voltou-se, e se foi com indignação.
13. Então chegaram-se a ele os seus servos, e lhe falaram, e disseram: Meu pai, se o profeta te dissesse alguma grande coisa, porventura não a farias? Quanto mais, dizendo-te ele: Lava-te, e ficarás purificado.
14. Então desceu, e mergulhou no Jordão sete vezes, conforme a palavra do homem de Deus; e a sua carne tornou-se como a carne de um menino, e ficou purificado.
(2Reis 5.1-14)

Uma primeira observação a ser feita sobre a serva de nome desconhecido é que, embora nós não saibamos o seu nome, nós sabemos qual era a sua identidade. Ela era israelita (v.4). E a Palavra de Deus nos conta que da mesma maneira, não importa ao mundo saber o nosso nome, conhecer-nos pelos nossos títulos ou patentes, mas reconhecer que somos filhos de Deus pela nossa identidade.

Os filhos de Deus são israelitas por adoção...

Porque não recebestes o espírito de escravidão, para outra vez estardes em temor, mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai.” (Romanos 8.15)

E têm uma nacionalidade. Nossa pátria é Sião...

Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura.” (Hebreus 13.14)

Desde que formos recebidos na família de Deus já não podemos nos confundir mais com os moradores deste mundo pecador:

Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz.” (Efésios 5.8)

Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas.” (1Tessanonicenses 5.5)

Nossa identidade celestial nos dá um nome que Deus conhece, um sobrenome de honra, a saber, o de Deus, nosso Pai (Isaías 45.4). Nos dá também:

a) a nossa origem (somos nascidos de Deus):

Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, incontaminável, e que não se pode murchar, guardada nos céus para vós...” (1Pedro 1.3-4)

b) o motivo de nós estarmos aqui neste mundo (para o louvor da glória de Deus):

Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual (...) nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado [Jesus].” (Efésios 1.3-6)

c) o endereço do nosso destino final (a eternidade com Cristo Jesus no Céu):

Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também.” (João 14.2,3)

Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda.” (2Timóteo 4.8)

Por isso, buscar de Deus sabedoria para viver uma vida em santificação neste mundo é primordial para que o pecado não exerça nenhum poder sobre nós (Tiago 1.5).

E a sabedoria é uma característica da personalidade da serva de Naamã. Quando a menina quis ajudar seu senhor a resolver aquele problema, ela foi conversar com sua senhora e apontar-lhe o endereço da bênção: o profeta Elizeu em Samaria. A Bíblia não conta que ela tenha saído por aí espalhando a tragédia de Naamã para outras pessoas. Ela tratou desse assunto somente com quem interessava e com o próprio Deus.

Cristãos verdadeiros não contam seus problemas e lutas para os outros com a esperança que eles resolvam suas causas. Tampouco espalham para qualquer pessoa comentários sobre as vidas de pessoas que precisam de auxílio, mas reservam-se a tratar disso com elas – quando as podem ajudar – e diante de Deus, em oração. Entregam tudo diretamente ao seu Senhor porque sabem que Ele é quem pode tudo resolver. Têm prazer em sentar-se aos pés do Rei e mostrar-Lhe cada uma das suas próprias necessidades e as necessidades de seus irmãos, como bons intercessores que são, crendo que até as necessidades que eles mesmos desconhecem serão conhecidas por Deus e supridas por Ele.

A solução para as adversidades nas vidas dos filhos de Deus não está nas casas de outras pessoas, mas aos pés de Cristo.

Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte; lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.” (1Pedro 5.6-7)

Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos.” (Tiago 5.16)

Isso nada mais é do que uma demonstração clara de fé.

E fé é uma outra característica da pequena serva. Fé que o Deus Jeová é Deus de causas simples e de causas impossíveis também. Fé sim, porque na época em que se passou a história de Naamã, a lepra era uma doença incurável e ainda continua sendo altamente contagiosa. Os leprosos sofriam isolamento físico, social, emocional e religioso, devendo, inclusive, morar fora do acampamento (Levíticos 13 e 14).

Se a serva da esposa de Naamã não tivesse fé em seu Deus, certamente não ousaria indicar o profeta do Deus Altíssimo para curar Naamã. Mas ela cria que o Deus do impossível poderia tornar aquela cura possível, porque Sua Palavra declara que “aos homens isso é impossível, mas Deus tudo é possível” (Mateus 19.26).

E a ousadia também é um traço importante a ser observado na vida dessa jovem, pois foi a sua ousadia que a induziu a ultrapassar os seus limites de serva para cumprir o papel de amiga, preocupada com a saúde do esposo da sua senhora.

Um escravo era somente um escravo. Nada mais que isso. Mas essa realidade cruel não inibiu aquela moça de fazer o que era certo. Ela foi até sua senhora e indicou-lhe a solução para Naamã. A fé de uma serva de Deus associada à sua ousadia possibilitaram a um incrédulo homem vivenciar um grande milagre e se aproximar mais de Deus.

Sem a fé, a ousadia da escrava poderia comprometer-lhe seriamente, pois aquela sua atitude fez com que Naamã viajasse um longo caminho entre a Síria até chegar a Israel, mais precisamente em Samaria. Sua atitude envolveu, além disso, outras autoridades, como o rei da Síria, que concedeu carta a Naamã e lhe encaminhou ao rei de Israel.

Abramos aqui uma outra possibilidade: e se Deus não estivesse disposto a fazer nada por aquele homem? Certamente a menina não instrui a esposa de Naamã sem ter a segurança que Deus faria algo. Diferente da triste realidade que vemos hoje, quando tantas profecias são distribuídas ao vento, por causa da falta de intimidade com Deus e para, simplesmente, satisfazer os ouvidos de muitas pessoas (!).

Ser crente não significa que temos intimidade com Deus e que Ele aprovará toda palavra que sair da nossa boca. Se não temos intimidade santa com o Senhor, certamente não temos segurança sobre os Seus propósitos, não compreendemos Sua voz, não percebemos a Sua vontade. Essa é a realidade de quem freqüenta cultos assiduamente, participa de grupos internos com afinco, dá altos dízimos e ofertas, mas não conhece Deus.

A busca pela intimidade com Deus é diária e intensa. A intimidade resulta da renúncia, decisão e atitude de deixar hábitos e preferências que nos afastam de Deus, ainda que sejam extremamente prazerosos para nós. É uma santificação constante, que conta diretamente com a ajuda do Espírito santo e a nossa disposição em obedecer às Suas diretrizes.

Para que haja intimidade com Deus é necessário que nossa adoração seja sincera, pura, espiritual e desinteressada (João 4.23,24). Uma vida de adoração e intimidade santa e profunda com Deus é o que nos permite conhecer a Sua voz e profetizar coisas que, de fato, vão se cumprir.

Se Naamã tivesse viajado até Samaria e, depois de ter perturbado dois reis de nações tão evidentes, não receber a bênção que foi buscar instruído pela palavra da menina sem nome, certamente a pobre escrava teria sofrido sérias conseqüências.

Além de todas as características que já apontamos na serviçal da esposa de Naamã, é importante enfatizar que sua fé era racional, isto é, ela não agiu pelas emoções. O fato de Deus tê-la permitido ser levada cativa por Naamã não significava que o Senhor Deus não poderia realizar milagres nas vidas de outras pessoas.

Essa é a fé que nos faz cantar em tempos de tribulação, como Paulo e Silas na prisão de Tiatira (Atos 16.23-26). A mesma fé, que não se abala diante das circunstâncias, sempre vê uma possibilidade de Deus expressar Sua glória além da nossa visão. As paredes do cárcere que limitam nossas vistas não estão impedindo Deus de trabalhar do lado de fora delas.

Analisemos: essa menina tinha tudo para ser revoltada e pessimista. Era escrava, sem uma posição social, com seus sonhos e projetos tão aprisionados quanto ela, forçada a trabalhar sem salário, sem honras, na casa do homem que invadiu sua terra, que certamente matou seus pais, família, amigos e muitos da sua nação. Sem promessas de melhoria, sem direitos, sem escolhas. “Morra com sua lepra! Que ela corroa a sua carne e alcance até os seus ossos e te faça apodrecer sobre uma cama!” – Esse poderia ser o seu pensamento. Mas sua atitude demonstrou o contrário: em vez de esperar pelo pior, a menina sem nome viu em Deus – o único bem que não puderam tirar dela – uma solução precisa para o problema do seu opressor.

A serviçal não só não se permitiu vencer pelas angústias das adversidades, como também permaneceu otimista e soube expressar bondade e amor por aqueles que lhe faziam mal.

Isso nos lembra as orientações de Pedro sobre a misericórdia:

Vós, servos, sujeitai-vos com todo o temor aos senhores, não somente aos bons e humanos, mas também aos maus. Porque é coisa agradável, que alguém, por causa da consciência para com Deus, sofra agravos, padecendo injustamente. Porque, que glória será essa, se, pecando, sois esbofeteados e sofreis? Mas se, fazendo o bem, sois afligidos e o sofreis, isso é agradável a Deus. Porque para isto sois chamados; pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas. O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano. O qual, quando o injuriavam, não injuriava, e quando padecia não ameaçava, mas entregava-se àquele que julga justamente; Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados.” (1Pedro 2.18-24)

Não precisamos ser cravados em uma cruz para demonstrar aos homens o nosso amor por eles, mas podemos dar o bom testemunho da submissão a Deus, o justo Juiz, e, em vez de revidarmos as afrontas, entregá-las diante do Senhor e praticarmos o bem àqueles que nos querem mal. Seja por palavras, seja por orações, seja por atitudes, sempre há algo muito bom que podemos fazer por eles e que, além de além de abençoá-los e ajudá-los a se aproximarem de Deus através de nós, também envergonha o diabo, que é o nosso verdadeiro inimigo e que usa essas pessoas para nos atingir.

E, finalmente, sede todos de um mesmo sentimento, compassivos, amando os irmãos, entranhavelmente misericordiosos e afáveis. Não tornando mal por mal, ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo; sabendo que para isto fostes chamados, para que por herança alcanceis a bênção.” (1Pedro 3.8-9)

A garotinha oportunista da nossa história aproveitou bem a ocasião para praticar o bem e levar alguém até Deus, sem se importar com a sua condição social, com a sua aparência. Ela não tinha um nome que pudesse lhe fazer honras diante dos seus senhores, mas ousou passar por cima disso tudo e apresentar Deus a Naamã.

Uma atitude de coragem que poucos servos de Deus realmente têm tido a favor de Jesus. É a sensibilidade ao sofrimento humano e à sua necessidade de Deus. As enfermidades assolam a todos indistintamente. Naamã era um homem de posição, status, grande, chefe, porém, era leproso. Não estava livre das doenças apesar dos recursos que tinha para evitá-la ou combatê-la. Pense na tristeza, na angústia, na dor, no desconforto e, por quê não pensar também nos problemas familiares, na falta de união, na separação da sociedade a que ele já devia ter se habituado? Certamente escondia dos seus superiores essa doença, pois ainda era o chefe do exército sírio mesmo sendo leproso.

Em muitos casos somos até difamados por estarmos doentes. Exemplo foi o personagem bíblico Jó que, no decorrer da sua enfermidade, foi abandonado pelos seus amigos, que o acusavam de estar em pecado. Além disso, a enfermidade destrói todo o nosso patrimônio. É bem possível que todas essas coisas também tenham acontecido com Naamã. Contudo, havia uma serva de Deus que, conhecendo o seu sofrimento, em vez de criticá-lo e julgá-lo, compadeceu-se da sua angústia, pois era sensível. Sensível ao sofrimento das pessoas e também sensível à voz do Espírito Santo que tem chamado pelo nome de muitos dos que se dizem povo de Deus, e de poucos, porém, têm ouvido a resposta: “Eis-me aqui!... Fala, Senhor, porque o Teu servo ouve!” (Isaías 6.8; 1Samuel 3.10).

Uma vontade casada com uma iniciativa, que resultam num exemplo de amor, “que é o vínculo da perfeição” (Colossenses 3.14). Só vontade não faz um projeto andar, e só iniciativas fazem qualquer projeto desandar. É preciso ter uma vontade que garantirá que tudo seja feito com alegria, com prazer, não por obrigação nem por necessidade apenas. E é preciso ter uma iniciativa, que põe em prática a vontade que já foi projetada anteriormente. Realizar obras sem um projeto, sem uma intenção, faz malograr os planos. É frustrante. E cristãos verdadeiros têm os dois, por isso são bem sucedidos em suas obras... por isso são realizados em Deus.

Todas essas características que citamos sobre a serva de Naamã e tantas outras que poderíamos descrever, nos revelam uma pessoa amparada e guiada por Deus em toda a sua maneira de viver. Tanto que Naamã respeitou mais à orientação da menina do que à orientação do profeta Elizeu. Veja que Naamã acatou a sugestão da menina e fez uma longa viagem da Síria até Israel para se encontrar com o profeta em busca da cura. Mas quando o profeta mandou esse homem mergulhar sete vezes no rio Jordão, sua arrogância e ansiedade não lhe permitiram obedecer:

Naamã ficou muito zangado e disse: ‘Eu pensava que pelo menos o profeta ia sair e falar comigo e que oraria ao Senhor, seu Deus, e que passaria a mão sobre o lugar doente e me curaria! Além disso, por acaso, os rios Abana e Farpar, em Damasco, não são melhores do que qualquer rio da terra de Israel? Será que eu não poderia me lavar neles e ficar curado?’ E foi embora muito bravo.” (2Reis 5.11-12 – NTLH)

Elizeu era um homem de Deus, um profeta em evidência e muito conhecido à distância. Mas Deus não usou somente ele para abençoar a vida de Naamã. Aprouve ao Senhor, para começar toda essa história, usar uma serva cujo nome nem mesmo está descrito pela Bíblia.

E mais: Deus não só usou Sua serva desconhecida diante dos homens, mas também voltou a usar servos cujos nomes também não foram mencionados para convencerem Naamã de obedecer à voz do profeta Elizeu. E novamente vemos Naamã dando mais atenção aos pequenos criados depois de ter resistido à voz do grande profeta:

Então os seus empregados foram até o lugar onde ele estava e disseram: ‘Se o profeta mandasse o senhor fazer alguma coisa difícil, por acaso, o senhor não faria? Por que é que o senhor não pode ir se lavar, como ele disse, e ficar curado?’ Então Naamã desceu até o rio Jordão e mergulhou sete vezes, como Eliseu tinha dito. E ficou completamente curado. A sua carne ficou firme e sadia como a de uma criança.” (2Reis 5.13-14 - NTLH)

Repare a colocação dos humildes servos: “Por que é que o senhor não pode ir se lavar, como ele disse, e ficar curado?”. Eles também tinham a mesma fé da menina que Deus faria grande milagre naquela vida. E foi essa fé, tanto na menina quanto nos servos, que levaram Naamã a experimentar um pouco de Deus.

Mesmo que seus nomes sejam desconhecidos para nós, quis Deus usá-los e abençoar alguém. Certamente eles não sabiam e nem se importavam com honras, mas mesmo assim, Deus garantiu que esse grande feito da parte deles fosse registrado nas páginas do Livro Sagrado e exposto à todas as gerações futuras como um grande exemplo de pessoas que amam mais a glória de Deus que suas próprias vidas.

A Bíblia não conta que Naamã tenha agradecido à menina. Não há nenhum relato bíblico que ele a tenha abraçado com gratidão ou que lha tenha promovido de alguma maneira. Também não comenta nada sobre os escravos que lhe convenceram a obedecer Elizeu. Mas conta o suficiente. Tudo o que devemos saber: que Deus aparece através da vida de pessoas que desaparecem na História.

Que nós, povo que se chama pelo nome do Senhor, possamos nos esvaziar de nós mesmos em tudo o que fizermos, e exonerar nosso ego de elogios, de posições de destaque, de reconhecimentos diante dos homens, para que possamos nos tornar pessoas sem nome aqui nesse mundo e, assim, possamos ter nossos nomes escritos no Livro da Vida (Apocalipse 20.15).

E que o Espírito Santo fale melhor ao teu coração...