sábado, 23 de agosto de 2008

Uma lição para Jairo

Ultrapassamos a marca das 100.000 visitas!

E para nos alegrarmos ainda mais na presença do nosso Deus, estamos chegando ao nosso quarto aniversário.

Mas antes de continuar, quero pedir a todos que têm nos acompanhado que, por favor, não deixem recadinhos parabenizando a mim por essa vitória nesse trabalho. Sou muito grata pelo carinho de todos que se expressaram, mas confesso que muitas palavras de reconhecimento me deixaram constrangida, pois o único responsável por estarmos aqui é o Espírito Santo de Deus. Em vez de receber congratulações eu prefiro ouvir dos irmãos louvores ao nosso Rei Jesus - o único digno, e receber as orações dos queridos em meu favor, pois sou muito carente das intercessões dos santos, tanto para minha vida pessoal quanto ministerial.

Parece que foi ontem que eu estava sentada na frente do computador, fazendo minhas primeiras viagens pela Internet, quando comecei a sentir meu coração arder de vontade de montar um trabalho de cunho evangelístico e disponibilizá-lo para o mundo. Entendi que estava recebendo ali a honra e o privilégio de ministrar virtualmente para milhares de pessoas de diversas partes do mundo.

Glorifico nosso Senhor Jesus Cristo – o fundamento, a inspiração e o objetivo deste trabalho – por todas as pessoas que passaram por aqui, que deixaram recadinhos ou não.

Espero que todas tenham sido tão abençoadas em receber desse maná quanto eu tenho sido em trabalhar para Deus a fim de fornecê-lo com amor, praticamente todos os dias (devocionais).

Cada vez mais satisfeita com nosso Deus, que até aqui sustentou todas as necessidades desse ministério erguido por Ele mesmo, e também que tem dado sabedoria para manter o nível do propósito deste trabalho, dedicado exclusivamente a promover o Senhor Jesus Cristo e Seu Evangelho da Sua Salvação, eu agradeço a Ele, o Senhor, pelos irmãos que têm utilizado desse material para evangelizar e complementar seu trabalho pelo Reino. Que essa teia cresça cada vez mais e envolva o mundo inteiro!

Alegre também com vocês, que há quatro anos me aturam escrevendo coisas com as quais Deus enche o meu coração.

Podem continuar visitando esse espaço o quanto quiserem.

Todos são bem-vindos!

Preparamos (o Espírito Santo e eu) uma pequena lembrança do blog e ficaremos muito alegres se você a receber de coração: pegue nosso papel de parede e aplique na Área de Trabalho do seu computador.



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Não é muito, mas é de coração, assim como tudo o que fazemos aqui.

Que a Graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vocês!









Era um homem culto, poderoso. Aquele chefe da sinagoga, cujo nome era Jairo, era um homem conhecido, cheio de títulos, famoso, admirado e, certamente, rico.

Mas por trás daquela aparência de um chefe de família completo e feliz, Jairo guardava um grande problema: ele tinha uma filha doente. Certamente o auxílio à medicina foi buscado pela família mas nada adiantou. O estado de saúde da menina piorou, e o homem de alta patente se vê forçado a buscar socorro em qualquer um que o pudesse ajudar. Nem que esse “qualquer um” fosse aquele Homem de aparência pouco significante, filho de carpinteiro que Se dizia ser o Filho de Deus e atiçava a ira dos outros maiorais da sinagoga, meio a que pertencia este Jairo.

Era difícil para aquele homem de boa cultura e fama, rico e poderoso, que aparentemente não precisasse de ninguém, de repente tivesse que ir agora procurar Jesus. Era difícil porque quem andava com Cristo eram pessoas sujas, leprosas, prostitutas, endemoninhadas, ladras, paralíticas, cegas, aleijadas, enfermas, bêbadas, viciadas, assassinas... gente da mais baixa classe; a rapa da sociedade; a parte pobre, miserável e inculta que ainda ousava considerar-se humana.

Mas ele foi.

Quando o poder do dinheiro de Jairo chegou ao seu limite e não poderia mais contribuir para melhorar a saúde da sua filha querida, aquele homem soube deixar seu orgulho de lado e ir procurar o socorro de Quem poderia lhe ajudar: Jesus.

E você já conhece a história. Era um homem com uma filha enferma, que lançou-se aos pés de Jesus em busca de socorro. Antes que o Senhor pudesse chegar à sua casa, uma mulher também enferma havia 12 anos venceu uma multidão que apertava Jesus por todos os lados e tocou na orla de Seu vestido. Do Senhor Jesus saiu virtude naquele momento e a mulher foi curada. Nesse ínterim, a filha de Jairo veio a falecer.

Antes de continuar com essa narrativa, quero te convidar a analisar alguns fatos que marcaram esses episódios da Bíblia, ou melhor, da nossa vida.

Quando a filha de Jairo adoeceu, o poderoso chefe da sinagoga investiu como pôde para que ela fosse curada. Marcos conta que, quando não havia mais solução para a menina, Jairo foi até Jesus e “implorou insistentemente” para que o Mestre fosse até sua casa e curasse a menina (Marcos 5.23). Vejamos: se ele “implorou insistentemente”, é porque todos os recursos em que ele confiava já tinham sido explorados e malograram. A expressão denota uma pessoa começando a desesperar-se diante da sua incapacidade de resolver o problema.

Vemos aqui um típico retrato dos dias atuais, onde a esperança no poder aquisitivo, na medicina, na sabedoria do homem são imperativos para a grande maioria das pessoas. Muitas pessoas (inclusive muitos cristãos) precisam confiar mais em Deus do que na força do seu próprio braço ou no poder das suas riquezas. Pois assim como se cumpriu na vida de Jairo também o é para nós todos: “...aqueles que confiam na sua fazenda, e se gloriam na multidão das suas riquezas, nenhum deles de modo algum pode remir a seu irmão, ou dar a Deus o resgate dele. (Pois a redenção da sua alma é caríssima, e seus recursos se esgotariam antes); por isso, tampouco viverá para sempre ou deixará de ver a corrupção” (Salmos 49.6-9).

Em Salmos 37.16, o salmista foi muito franco ao afirmar que “vale mais o pouco que tem o justo, do que as riquezas de muitos ímpios”, assim como Salomão, concluindo que “aquele que confia nas suas riquezas cairá, mas os justos reverdecerão como a folhagem” (Provérbios 11.28)

E o capítulo 62 dos Salmos também é bastante enfático ao exortar-nos sobre o cuidado que devemos ter para não transferirmos a honra do poder que só pertence a Deus para as riquezas: “Não confieis na opressão, nem vos ensoberbeçais na rapina; se as vossas riquezas aumentam, não ponhais nelas o coração. Deus falou uma vez; duas vezes ouvi isto: que o poder pertence a Deus.” (Salmos 62.10-11).

Foi isso que aconteceu com Jairo. Ele era chefe de um grupo religioso mas não tinha humildade. Deus precisou ensiná-lo a ser humilde e a depender do Senhor a quem ele professava ser seu Deus. Mas isso foi um processo que, no caso de Jairo, durou, provavelmente, uma tarde. No nosso caso, muitas vezes dura uma vida inteira!

Observe como o homem foi até Jesus: “E eis que chegou um dos principais da sinagoga, por nome Jairo, e, vendo-o, prostrou-se aos seus pés, e rogava-lhe muito, dizendo: Minha filha está moribunda; rogo-te que venhas e lhe imponhas as mãos, para que sare, e viva” (Marcos 5.22-23).

Jairo era um chefe da sinagoga. Ele era acostumado a dar ordens. Mandava em todos e sempre era atendido por seus subordinados. Por isso, achou que era correto também mandar em Jesus e Lhe dizer exatamente o que Ele deveria fazer: impor as Suas mãos sobe a menina para que ela fosse curada.

Ele não foi até Jesus dizendo ago assim: “Senhor, minha filha está moribunda; por favor, faça algo por ela! Faça o que o Senhor sabe que é necessário fazer, se essa for a Tua vontade. Se não for, cumpra, então, o propósito do Senhor em levá-la e consola, por favor, os nossos corações.

Não. Jairo não falou com Jesus com a humildade de quem precisa do Senhor, mas com a arrogância de quem determina o que Deus deve fazer – exatamente como somos treinados pelos nossos líderes hoje. Em nossos cultos, que atualmente mais parecem reuniões de negócios (tanto que tratam de assuntos só do nosso interesse material), nós “determinamos”, nós “exigimos”, nós “declaramos” tudo o que nós queremos, sem perguntar ao Mestre se essa é, primeiramente, a vontade Dele para nós naquele momento.

Ora, se Deus é o Senhor e nós Seus servos, se Deus é o Pai e nós Seus filhos, se Deus é o Criador e nós Suas criações, se Deus é Deus e nós Seus adoradores, palavras como “exijo”, “determino”, “declaro” não deveriam ser Dele em vez de nossas? E se tudo não for feito “como Deus quiser”, que outra pessoa poderia substituí-Lo para nos dar uma bênção melhor ainda ou uma direção mais perfeita e mais necessária do que Ele?

Nós, como todas as nossas limitações, imperfeições e medos? Nossos ídolos, objetos inanimados criados por nós mesmos?

Precisou que a filha de Jairo morresse para que ele se entregasse, se desse por vencido, e fosse conduzido por Jesus à sua casa. Agora, Jairo já não indicaria mais o que Jesus deveria fazer, mas Jesus olharia para ele e diria: “Não temas, crê somente. Agora, que você já não está mais no controle da situação, Eu assumo o posto e já podemos ir à sua casa. Vamos!”.

Eu gosto muito do comentário do Pr. Alejandro Bullón. Ele diz:

Veja meu amigo, até aquele momento [a morte da sua filha] era Jairo que estava tomando Jesus pela mão e querendo levá-Lo. A partir desse momento foi Jesus que tomou Jairo pela mão, e o levou por onde Jesus quis. Isto é cristianismo. Cristianismo não é tomar Jesus e levar Jesus por onde a gente quer, cristianismo não é acomodar a Bíblia a nossa maneira de pensar. Cristianismo é acomodar a nossa vida e a nossa maneira de pensar ao que está escrito na Bíblia. Esta é, talvez, a maior lição que o cristão tem que aprender, e se para isto Deus tiver que demorar Sua resposta aos nossos clamores, Ele o fará. Se para aprender esta grande lição, tivermos que chorar, não é problema, Deus vai permitir que choremos; se tivermos que falir em nossos negócios, não é problema, Ele vai permitir que cheguemos lá no fundo do poço, a fim de que lá, nos lembremos que o cristianismo não é dirigir a Deus, mas ser dirigido por Ele.” (1)

Certamente Jairo estava apressado. Sua filha seriamente enferma e o homem apavorado por causa da possibilidade de perdê-la para sempre. Devia estar andando bem à frente de Jesus, com passos largos e acelerados. Mas Jesus não tinha pressa. Continuou devagar, sendo apertado pela multidão e ainda curando outras pessoas que encontrava enfermas pelo caminho.

Muitas vezes parece que Jesus não tem pressa em nos abençoar, não é?

Mas Ele tem sim. Nós é que retardamos Seu agir. Não estamos preparados para receber o que Ele quer nos entregar, seja porque não compreendemos a Sua bênção, seja porque não temos maturidade para assumi-la. É preciso tempo para que o Senhor trabalhe em nossa personalidade, nos dê experiências com Ele, nos amadureça.

Muitos de nós, porém, não sabem esperar o momento de Deus e correm à Sua frente. Fazem coisas completamente fora da direção do Pai por causa da ansiedade. Mas Deus não quer que façamos isso. Ele quer que depositemos nossa fé Nele e esperemos por Ele para que, ao Seu tempo, tudo seja perfeitamente realizado em nossas vidas.

Correr adiante de Deus é tolice. “Tens visto o homem que é sábio a seus próprios olhos? Pode-se esperar mais do tolo do que dele.” (Provérbios 26.12)

Melhor é seguir o conselho do salmista e esperarmos no Senhor, com ânimo até que o tempo certo chegue para nós. Ele fortalecerá nossos corações (Salmos 27.14), “porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de ti que trabalha para aquele que nele espera.” (Isaías 64.4)

Considerando o coração enganoso do homem (Jeremias 17.9) e também a condição de religioso que tinha, podemos concluir que Jairo deva ter se entristecido muito porque a outra mulher – que sofria do fluxo de sangue – tenha ido “atrapalhar” Jesus de ir à sua casa.

Ora, ele era um mestre na sinagoga. Mestres da sinagoga se consideravam sem pecados. A mulher que sofria, provavelmente, de um distúrbio menstrual era considera impura e indigna de até mesmo andar no meio das pessoas.

Como Jesus poderia estar dando mais atenção a uma pecadora do que ao santo homem seguidor de Moisés?

Mas Jesus não segue o mesmo raciocínio de Jairo. “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Vão aprender o que significa isto: Desejo misericórdia, não sacrifício. Pois Eu não vim chamar justos, mas pecadores”, foi o que Ele disse. (Mateus 9.12-13-NVI)

E quando a mulher tocou na veste do Mestre, Jesus parou. Parou e foi resolver outro assunto, para Ele mais urgente que o da filha de Jairo enfermada sobre um leito: encontrar alguém que Lhe tocou na grande multidão que O espremia de todos os lados.

Honestamente, não consigo imaginar Jairo com uma cara diferente daquela pessoa indignada porque Jesus parece dar tanta importância a uma coisa tão boba enquanto o seu problema tão grande está agonizando sobre uma cama, lá na sua casa. Imagino as caretas de preocupação, os gestos de espanto e (por quê não?) a fúria em seu olhar...

Fúria em ver outra pessoa tão menor que ele sendo abençoada antes dele. E mais: sendo abençoada sem se humilhar, sem se lançar diante dos Seus pés, sem suplicar nada a Jesus como ele havia feito alguns instantes atrás. Muito similar com as atitudes de muitas pessoas que servem o Senhor há muitos anos e ainda não viram cumpridas Suas promessas, quando outras pessoas bem menos experientes com Deus já dão testemunhos de grandes bênçãos alcançadas.

Jairo ainda não tinha aprendido tudo o que precisava aprender. Se as promessas de Deus ainda não se cumpriram para você, certamente você também ainda não aprendeu.

Não é que Deus Se importa mais com quem atravessa o nosso caminho do que conosco. É que nós precisamos apreender melhor das lições que o Senhor sabe que precisamos ter. “Sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Romanos 8.28). Cabe a nós absorver os ensinamentos tão preciosos do Senhor, contidos em cada fato, seja grande ou pequeno, que contribuirão para que nosso caráter seja mais semelhante ao de Cristo.

Alguns dias para Jairo (desde a queda da saúde de sua filha até sua ressurreição) foi o tempo que Deus estabeleceu para que esse processo acontecesse na vida daquele homem. Há um tempo estabelecido também para mim e para você.

O que Jairo precisava aprender era a determinar menos e a humilhar-se mais diante de Deus. A mulher do fluxo de sangue já sabia fazer isso.

E você, já sabe?

Creio que Jairo deva ter pensado: “Por que esse Jesus não dá uma ordem daqui, como Ele fez com o centurião romano outro dia? Tudo se resolveria de uma vez!”(2).

Mas Jesus não trabalha assim. Ele age de acordo com o que demonstramos ser e ter diante dEle. Nossa vontade, nossa religiosidade, nossa sabedoria não induzem Jesus a fazer nada por nós. Nosso quebrantamento e contrição é que O fazem movimentar-Se em nosso favor. E Jairo precisava saber que “perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado, e salva os contritos de espírito” (Salmos 34.18), não ao lado dos religiosos sobre pedestais.

Ele saberia, nos próximos minutos. Depois que recebesse a notícia de que sua filha tinha morrido e visse Jesus finalmente realizando o desejo do seu coração, mas não dentro dos prazos estabelecidos pelas condições humanas, e sim dentro da supremacia do poder de Deus que não respeita nossa lógica.

Ombros caídos. Rosto abatido. Coração despedaçado. “Acabou!”, Jairo concluiu. Meia volta: “Vamos sepultá-la... Não preciso mais que o Senhor vá até minha casa...”, confessou humilhado.

Humilhado. Essa era a palavra que tinha que entrar no rol de qualidades sobre Jairo. E não só nas qualidades dele, mas entre as nossas e entre as do mundo inteiro.

O mundo cobra de Deus explicações para as catástrofes que assolam a humanidade. Mas veja a realidade dele: o mundo pensa que todo o poder de decisão sobre a vida e o destino dos homens esteja em suas mãos. Reuniões de cúpulas são realizadas em todas as partes todos os dias, mas praticamente para nenhuma delas Deus é convidado a participar. Pedem a direção de Deus para governar? Pedem a opinião de Deus quando precisam tomar decisões? Querem fazer Deus conhecido em todos os lugares para que as pessoas possam ter um bom referencial?

Para todas as perguntas acima a resposta imediata e precisa é “Não!”. Não há lugar nas salas de reuniões nem nos gabinetes dos presidentes e reis das nações para Deus. As opiniões sobrenaturais e com vistas à eternidade vindas de Deus não importam para homens com uma vida tão curta e uma lista tão longa de bens para adquirir nesta terra. Um Deus invisível não deve ser tomado como referencial para pessoas físicas e com problemas visíveis. Portanto, a resposta para Deus continua sendo “Não... não! Nada de Deus. Nós damos conta do recado sozinhos. E ponto.

Este mundo não está humilhado diante de Deus. Por isso sofre o que sofre.

Quando o “eu” de Jairo foi sucumbido, Jesus pôde ser visto. E agora sim Deus agiria. A filha de Jairo, na verdade, não precisava de um milagre. Jairo é que precisava. E Jesus sabia disso desde o início.

Por isso a demora. Por isso a espera. Por isso a perda. Deus tem Seus meios de trabalhar. Parecia pouco, mas o orgulho era motivo suficiente para afastar aquele homem de Deus eternamente. Jesus queria anular essa possibilidade. O orgulho de Jairo tinha que ser quebrado e o seu ser renovado pela presença real do Senhor em sua casa – no sentido literal e no figurado (espiritual), principalmente.

Mas o orgulho não se renderia tão fácil assim. O orgulho humano ainda daria seus últimos suspiros e tentaria erguer sua mão trêmula depois dessa derrota, querendo convencer que ainda não tinha sido vencido depois daquele nocaute. Quando lá na casa de Jairo Jesus disse: “Não chorem. Ela não está morta, mas dorme” (Lucas 8.52), todos começaram a rir Dele, “pois sabiam que ela estava morta”.

Sabiam. Eles sabiam mais que o Mestre. Ou, pelo menos, pensam que sabiam. Veja a sabedoria humana ainda tentando resistir e se impor mais uma vez sobre a de Deus. Mas a nossa sabedoria vê a morte como o fim, enquanto Deus a vê como um sono que, ao ser despertado, permite que o homem veja Deus mais de perto, seja para ser condenado por Ele no juízo, seja para ser convidado por Ele para começar uma nova vida aqui na terra (ressurreição) ou no Céu (transladação).

Essa “sabedoria” que convenceu as pessoas na casa de Jairo que não havia mais solução para o caso da menina falecida, é exatamente a mesma sabedoria que previu que o barco afundaria com os discípulos no alto mar (3), a mesma que previu que Israel morreria diante do Mar Vermelho (4), a mesma que determinou o fim dos três jovens dentro da fornalha (5). Foi também a mesma que elevou a soberba de Davi e o fez pensar que adultério e homicídio não eram considerados crimes se o autor fosse o rei de Israel, um homem vivendo debaixo da bênção de Deus (6), a mesma que convenceu Ananias e Safira que a mentira seria melhor negócio que ser fiel a Deus (7), e a mesma que fez Esaú trocar as bênçãos eternas da primogenitura por um prato de guisado que mataria sua fome apenas pelas próximas horas (8).

E é a mesma sabedoria que nos faz tomar atitudes erradas diante do medo ou diante do pecado. Sabedoria humana. Falível, limitada, contaminada.

Essa sabedoria não era a de Jó:

Eu sei que o meu Redentor vive, e que no fim Se levantará sobre a terra. (...) Sei que podes fazer todas as coisas; nenhum dos Teus planos pode ser frustrado” (Jó 19.25 e 42.2 - NVI).

Nem era a de Paulo, também:

...Porque eu sei em Quem tenho crido, e estou certo de que é Poderoso para guardar o que Lhe confiei até aquele dia” (2Timóteo 1.12 - NVI)

Porque para mim, tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada.” (Romanos 8.18)

E nem era a de Jetro (sogro de Moisés):

Agora sei que o Senhor é maior do que os outros deuses, pois Ele os superou exatamente naquilo que se vangloriavam.” (Êxodo 18.11)

Tampouco era a sabedoria de João, o apóstolo que afirmou com toda segurança: “Sabemos que somos de Deus e que o mundo todo está sob o poder do Maligno” (1João 5.19).

Eles sabiam o que nós jamais devemos nos esquecer: que Deus é o Senhor, e não há impossíveis para Ele (Lucas 1.37), seja para realizar um grande milagre diante dos nossos olhos, seja para realizar um grande milagre em nós mesmos. No caso de Jairo, o Senhor fez os dois. A sua filha foi ressuscitada diante dos olhos de todos os que riram das palavras do Mestre Jesus, inclusive Seus discípulos, e o caráter de Jairo foi curado.

Aos olhos do homem, a bênção de Jairo demorou mais do que a da mulher do fluxo de sangue. Poderíamos concluir que foi uma bênção ainda maior e mais difícil de ser realizada, se a pudéssemos medir. Mas como para o Senhor do Universo, a Potência Máxima da Existência, nada é difícil, tudo tem o mesmo peso, Ele não precisou concentrar esforços para ressuscitar uma menina mais do que para estancar um sangramento numa mulher. Ele não vê dificuldades para resolver o seu e o meu problema assim como não vê dificuldade para assentar-Se em Seu Trono.

E Ele não teme nem Se acovarda sobre nada que seja preciso fazer por você. A demora que mais parece uma desfeita de Deus para você pode estar acontecendo porque Ele esteja querendo te ensinar algumas coisas pelo caminho, que nos ajudarão a conservar nossas bênçãos e manter-nos retos diante das orações respondidas. Valores como humildade, arrependimento, renúncia.

O fato que o Senhor Jesus experimentou tanto desprezo deve ensinar seus discípulos que sucesso, como o mundo (e muita religião) considera sucesso, não deve ser nenhum critério para nosso discipulado. Sucesso no sentido Cristão é a habilidade de ser como Jesus.” (Dale Bruner)

Por isso, confie Nele. Sujeite-se a Ele. Não exija nada Dele. Procure aprender com Ele as lições que a vida te dá a cada momento (Romanos 8.28) e permita-se parecer cada vez mais com Jesus, andar como Ele andou e viver como Ele viveu.

O Senhor Jesus ensinou a Jairo que antes de qualquer bênção material que Deus possa nos dar, a primeira coisa que temos que aprender é que contentamento não está baseado na satisfação das nossas circunstâncias, mas sim na salvação das nossas almas.

Que o Espírito Santo faça essa mesma obra em você.

Com o amor do Senhor.


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(1) BULLÓN, Pr. Alejandro. “Um novo dia para Jairo” – trecho. Disponível em Jesus Voltará!
(2) Sobre a cura do oficial do centurião romano, em Mateus 8.5-13 e Lucas 7.1-10.
(3) Mateus 8.23-27; Marcos 4.35-41; Lucas 8.22-25
(4) Êxodo 14.10-12
(5) Daniel 3.15
(6) 2Samuel 11 e 12
(7) Atos 5.1-11
(8) Gênesis 25.29-34