sábado, 25 de outubro de 2008

Há esperança no vale!



“Como são felizes os que em Ti encontram sua força, e os que são peregrinos de coração! Ao passarem pelo vale de Baca, fazem dele um lugar de fontes; as chuvas de outono também o enchem de cisternas. ”
Salmos 84.5-6 - NVI



Baca é um termo hebraico que significa “árido”. Por outro lado, o vale de Baca recebeu esse nome em 2Crônicas 20.26, onde lemos a palavra hebraica beraca, que significa “bênção” ou “louvor”. O Vale de Baca é ainda chamado de Vale das Balsameiras, Vale das Lágrimas e Vale Árido. Esse vale era a rota obrigatória para os israelitas nas suas peregrinações a Jerusalém, e tornou-se um símbolo das tribulações que enfrentamos nessa nossa peregrinação terrena a caminho da Jerusalém Celestial.

É um lugar muito freqüentado, pois conta de lutas, provações, dificuldades. Quem não as tem? Estamos no termo Vale das Lágrimas.

É também um lugar muito indesejado, pois conta de escassez, de privações, de espera. Quem as deseja? Estamos no termo Vale Árido.

Porém, é um lugar muito proveitoso. Vamos ao termo Vale das Balsameiras, que nos lembra que neste vale nasce naturalmente o bálsamo, uma planta que destila um líquido de aroma agradável que perfuma o lugar.

Não é importante para nós sabermos que o Bálsamo de Gileade (Jeremias 8.22), o Senhor Jesus, está no deserto em torno de nós, perfumando o lugar com o aroma agradável da Sua presença, nos lembrando quem Ele é e o que Ele pode fazer?

E não só isso, mas presente, sendo Ele mesmo o remédio, o bálsamo a curar nossas feridas provocadas pelas provações, pelas adversidades, pelo cansaço da espera?

Espiritualmente, o vale de Baca é nossa rota obrigatória para o Céu, para a vitória em Cristo, para a vida eterna. Mas há esperança no vale. Há um Bálsamo no vale.

Jesus está no vale conosco. E isso faz toda a diferença!

CAVANDO POÇOS

Como já sabemos, Baca é um termo hebraico que significa “árido”. E a aridez é um símbolo imediatamente associado às situações espirituais de adversidades que todo cristão enfrenta.

No Vale de Baca, os peregrinos eram obrigados a cavarem poços para obter água, caso contrário, nem as pessoas nem seus animais suportariam atravessar o vale. Algumas pessoas não tinham tanto trabalho, pois encontravam poços cheios pela chuva, já cavados por outros que passaram ali antes deles.

Vemos aqui uma clara demonstração de provisões que o Senhor nos envia enquanto passamos pelo vale. Algumas vezes, Ele mesmo provê os poços que Ele já cavou para nos saciar enquanto estamos na aridez do nosso vale espiritual. Jesus já andou pelo deserto. Ele sabe o que é estar lá. Outras vezes, Ele nos ensina a cavar nossos próprios poços... nós mesmos!

O vale serve para isso também. Nós aprendemos a cavar poços.

Sabe aquele casamento tão desejado, pode não ter chegado ainda certamente porque Deus está te preparando para ser um bom esposo ou uma boa esposa. Quem sabe você precise de mais paciência, de aprender a conviver com alguém do sexo oposto em casa, de saber ouvir mais e falar menos... Há um poço que você precisa cavar. Lembre-se: Deus não está somente preparando alguém especial para você, mas está te preparando para alguém muito especial também.

Sabe aquele sonho ainda não realizado? Se ele não contradiz a perfeita e santa vontade de Deus para tua vida, certamente será realizado, mas no momento em que teu poço estiver bem cavado, para que possa receber as águas da chuva abundante do Senhor. O que será que Deus está querendo te ensinar?

Pergunte isso a Ele. E vá cavando seus poços conforme Ele for te orientando. Não desanime. Logo a chuva descerá e você deve estar preparado para recebê-la, reservá-la e usufruí-la muito bem!

ENCONTRANDO FORÇA NO VALE

No árido Vale de Baca somos privados, somos provados, somos afrontados. Estamos mais próximos das feras e menos providos de recursos para enfrentá-las. Cada vez mais distante de soluções visíveis e cada vez menos possibilitados de agir.

É pra isso que servem vales! Para nos expor quem realmente somos e nos mostrar quem realmente Deus é.

“Como são felizes os que em Ti encontram sua força!”, disse o salmista. Força que vem do Senhor. Força que não se esgota quando a ciência chega ao seu limite. Força que não termina junto com o dinheiro. Força que não mingua quando os sonhos ou as amizades se frustram. Força que excede toda a razão humana. Força que só conseguimos enxergar que existe quando ficamos sozinhos com ela, longe dos nossos recursos, bem no meio de um vale árido (!).

É nesse ponto que compreendemos o quanto somos carentes de Deus, e o quanto nosso dinheiro, amizades influentes e hierarquias não contribuem em nada para a nossa salvação, felicidade e paz interior. E é por isso que o Senhor jamais prometeu nos tirar de um vale. Contudo, prometeu fazer todo o trajeto conosco. Repare:

“Quando você atravessar as águas, Eu estarei com você; quando você atravessar os rios, eles não o encobrirão. Quando você andar através do fogo, não se queimará; as chamas não o deixarão em brasas. Pois Eu sou o Senhor, o Seu Deus, o Santo de Israel, o seu Salvador...” (Isaías 43.2-3).

O adjunto adverbial aqui explícito é “quando”, e não “se”.

Caso Deus tivesse usado o termo “se”, haveria uma possibilidade de não andarmos pelas águas, nem pelos rios ou pelo fogo: “se você andar... se atravessar...”. Nunca seríamos provados e, conseqüentemente, não teríamos a oportunidade de confrontar nossos valores e motivações, nem de ficarmos a sós com nós mesmos, a fim de fazermos análises mais precisas sobre o nosso ego. Mas não foi “se”, que Deus colocou. Ele expressou claramente que nós enfrentaremos adversidades, e quando isso acontecer, Ele será a força a nos sustentar e o provedor de tudo o que for necessário para que alcancemos vitória.

Jesus foi ainda mais enfático e direto na mesma colocação. Ele afirmou com todas as letras: “No mundo tereis aflições...” (João 16.33), mas esclareceu que deveríamos ter bom ânimo, pois Ele venceu o mundo em estar amparado por Deus.

E se nós seguirmos o Seu exemplo, o desfecho da nossa peregrinação será tão cheio de gozo como o dEle!

PEREGRINOS DE CORAÇÃO

Não há nada mais terrível para uma vida do que se convencer que sua morada está no vale ou que a sua morada eterna é aqui, na terra.

Tanto para uma visão quanto para a outra, vemos o desânimo estabelecendo o fim de tudo na vida de muitas pessoas.

O Vale de Baca era passagem obrigatória para os israelitas que peregrinavam para Jerusalém. Tratando disso numa visão espiritual, o salmista expressou que “são felizes... os que são peregrinos de coração”, isto é, não aqueles peregrinos que sabem que são peregrinos, mas aqueles peregrinos que vivem realmente como peregrinos.

Peregrinos de coração são aquelas pessoas que não vêem o vale como um fim em si mesmo, mas como o começo de um período de experiências pessoais com Deus. Elas não entendem que o vale seja para lhes destruir, para lhes empobrecer, para lhe fazer infelizes, mas para lhes edificar, lhes enriquecer da presença de Deus e lhes ensinar a viverem felizes com Deus em qualquer situação.

Peregrinos de coração sabem que o vale tem um fim. Eles jamais se esquecem disso. E sabem também que o vale é perigoso, por isso jamais se afastam de Deus. Ao contrário, apegam-se ainda mais ao Senhor para que sobrevivam e cheguem vitoriosos do outro lado, onde o vale termina.

E não se vêem em peregrinação apenas em um momento de adversidade, mas entendem que seu destino não é morrer e concluir suas histórias nesta vida. Os peregrinos de coração caminham olhando para a eternidade, onde está o seu destino com Cristo. Eles jamais se esquecem que, nesta vida, são peregrinos, e que tudo o que eles passarem aqui será incomparavelmente menor do que a vida maravilhosa que lhes espera no Céu.

Por isso, os peregrinos de coração buscam forças de Deus, e não do seu próprio braço, nem dos homens por maiores que pareçam. Por isso, os peregrinos de coração não limitam sua esperança à essa vida. Por isso, os peregrinos de coração cavam poços, aprendem com Deus e fazem em seus desertos muitas fontes cheias das águas do Senhor, capazes de saciar sua sede e de quem mais se achegar a eles.

Continue buscando auxílio e força do Senhor, bebendo das fontes que o Bondoso Deus te dá, aprendendo com Ele cavando os poços onde, quando e como Ele te indicar, esperando pelas Suas águas (bênçãos) límpidas e abundantes para encher as cisternas (esperança) que você cavou.

Você precisa de tudo isso para chegar ao outro lado do seu Vale de Baca nesta vida.

E como um peregrino de coração, você precisa de tudo isso para chegar à Jerusalém Celestial.

Que o Espírito Santo fale melhor em teu coração...