quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Eis a igreja que cumpre o IDE!





"A religião cristã que mais cresce no mundo é a evangélica. No Brasil, seus adeptos representam hoje 18% da população – há duas décadas, essa cifra era de 7%. O crescimento do rebanho evangélico é igualmente expressivo em países da Ásia, como Coréia do Sul, Indonésia e Cingapura, na América Central e até mesmo no Leste Europeu. A evidência mais pujante do avanço dos evangélicos são os megatemplos construídos nos últimos anos para sediar seus cultos. Com o objetivo de atender aos ritos animadíssimos comandados pelos pastores, os novos templos são verdadeiras casas de espetáculos, com sistemas de som e luz semelhantes aos dos shows de rock e telões que garantem uma visão perfeita de tudo o que acontece nos cultos. A maioria delas tem assentos estofados para acomodar todos os fiéis. Como aponta a historiadora americana Jeanne Halgren Kilde no livro When Church Became Theatre (Quando a Igreja se Transformou em Teatro, inédito no Brasil), com o passar dos anos as igrejas evangélicas começaram a privilegiar o formato de anfiteatro em detrimento da arquitetura das igrejas tradicionais. Primeiro, porque a organização em auditório permite que os fiéis vejam melhor o pastor, a estrela do show. Segundo, porque se amplifica a atmosfera de comoção e envolvimento dos fiéis quando entoam hinos religiosos.

(...) O santuário (Igreja Lakewood, em Houston, no Texas) tem capacidade para abrigar 16 000 pessoas e recebe uma média de 40 000 fiéis por semana. Originalmente, o prédio da La-kewood era o ginásio esportivo do time de basquete Houston Rockets. A congregação gastou 95 milhões de dólares na conversão do imóvel. O teto conta com um sistema de iluminação que muda de cor conforme o culto se desenvolve: o azul invade o ambiente durante os sermões, e o amarelo, quando são executadas músicas ao som de guitarras. Estima-se que somente em equipamentos a igreja tenha gasto 4 milhões de dólares. Tudo para garantir que o pastor seja ouvido e visto por todos. "É necessário muito dinheiro para espalhar a palavra de Deus pelo mundo, e as grandes igrejas estão em melhor posição para cumprir essa tarefa", disse a VEJA o americano Joel Osteen, pastor-chefe da Igreja Lakewood."
(Revista Veja, ed. 2037, 05 de dezembro de 2007. Trecho. Para ler a matéria na íntegra, clique AQUI.)


A reportagem publicada há um ano atrás pela revista VEJA é intitulada "Os templos-espetáculo", e resume: "Os evangélicos celebram a expansão de sua fé com a construção de santuários gigantes nos quais o culto é um show e o pastor, seu astro principal."

Basta olhar para a realidade das nossas igrejas hoje para constatar que o título da matéria da VEJA é muito apropriado, por tratar-se da mais pura realidade no meio cristão evangélico. Gente levantada para ser luz e influenciar o mundo está sendo influenciada por ele e se tornando um grande escândalo (e uma tremenda desonra) para a história da igreja de Cristo.

Contudo, embora seja um tema propício a discussões acerca dessa mudança vergonhosa que houve na liturgia dos cultos (se é que ainda devam ser chamados assim) e nas suas reais intenções, não trataremos deste assunto especificamente, mas servimo-nos aqui da reportagem da revista VEJA para ilustrar a não menos vergonhosa realidade que conta da missão da igreja neste mundo hoje.

Impressiona ver cifras como esta citada no trecho da reportagem (95 milhões de dólares) sendo gastas para ostentar o luxo de obras que engrandecem os homens que as lideram, e não ao nome do Senhor Jesus Cristo. Estabelecem reinos dentro do Reino de Deus. E Este, muitas vezes, embora Se faça presente nos espetáculos apresentados nos megatemplos, raríssimas vezes está presente nos corações, nas vidas que dentro deles estão, fingindo cultuar e fingindo adorar.

Quem adora a Deus empenha-se em alegrar Seu coração não com atitudes extravagantes que também somente contribuem para elevar o ego de quem acha que fez grande coisa por Deus. Quem verdadeiramente adora a Deus, empenha-se em dar alegria ao coração do Amado obedecendo, fazendo o que Ele mandou que fizéssemos: indo e pregando o Evangelho a toda a criatura.

Isso é adorar em espírito e em verdade. Em espírito, porque quem verdadeiramente vive a vida de Deus, entende e pratica a verdade bíblica que os filhos de Deus não pertencem a este mundo, mas estão sendo preparados aqui para uma vida eterna com Deus nos Céus. E por isso, levam a sério a necessidade de anunciar o Evangelho aos que não O têm, para que também possam estar preparados para serem recebidos por Cristo na eternidade.

O SENHOR Deus sabe que não há salvação fora dEle: "Eu, só Eu, sou o SENHOR, somente Eu posso salvar vocês. Fui Eu quem prometeu salvá-los e, de fato, foi isso que fiz. E vocês são testemunhas de que não foi outro deus que fez isso. Eu sou o SENHOR e sempre serei..." (Isaías 43.11-13a - NTLH). E sofre em ver Sua maior criação perecendo distante da Sua Graça:

"Ele quer que todos sejam salvos e venham a conhecer a verdade. Pois existe um só Deus e uma só pessoa que une Deus com os seres humanos – o ser humano Cristo Jesus, que deu a Sua vida para que todos fiquem livres dos seus pecados. Esta foi a prova, dada no tempo certo, de que Deus quer que todos sejam salvos." (1Timóteo 2.4-6 - NTLH)

"Vocês pensam que Eu gosto de ver um homem mau morrer? – pergunta o SENHOR Deus. – Não! Eu gostaria mais de vê-lo arrepender-se e viver." (Ezequiel 18.23 - NTLH)

"Porque Deus amou o mundo tanto, que deu Seu único Filho, para que todo aquele que Nele crer não morra, mas tenha a vida eterna. Pois Deus mandou Seu Filho para salvar o mundo e não para julgá-lo." (João 3.16,17 - NTLH)

"Pois Deus revelou a Sua Graça para dar salvação a todos." (Tito 2.11 - NTLH)

"O SENHOR não demora a fazer o que prometeu, como alguns pensam. Pelo contrário, Ele tem paciência com vocês porque não quer que ninguém seja destruído, mas deseja que todos se arrependam dos seus pecados." (2Pedro 3.9 - NTLH)

São apenas alguns trechos que falam sobre o amor do nosso Deus pelos homens. Um amor que excede qualquer tempo e modo de vida aqui. Um amor que vai além da morte ou do arrebatamento e garante aos homens o direito de viverem a Paz de Cristo para todo o sempre. Esse amor é anunciado aos homens pelos próprios homens: "Vão a todos os povos do mundo e façam com que sejam Meus seguidores, batizando esses seguidores em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a obedecer a tudo o que tenho ordenado a vocês. E lembrem disto: Eu estou com vocês todos os dias, até o fim dos tempos." (Mateus 28.19,20 - NTLH)

A igreja como um todo tem se comportado como se Deus tivesse criado a Igreja e, depois disso, lhe dado uma missão na terra. Diferentemente dessa ilusão, o projeto de Deus já existia desde antes da fundação do mundo (1Pedro 1.19-21; Efésios 1.3-5) e já estava sendo anunciado desde o Gênesis para salvação do mundo e glorificação de Jesus Cristo acima de todo nome e para todo o sempre (Gênesis 3.15; Atos 3.21), até que Cristo (cerca de 4.000 anos depois) instituiu Sua Igreja para que se cumprisse a missão de Deus. Portanto, Deus não tem uma missão para Sua igreja. Ele tem uma igreja para Sua preciosa missão.

Adorar em Espírito é viver em função do cumprimento desta missão, seja renunciando o pecado para sermos exemplos de Cristo no mundo, seja preocupando-se com as causas com que realmente Deus Se preocupa. Uma missão que visa levar as boas novas do Reino de Deus onde impera o reino das trevas, e que, sendo cumprida com amor, alegra o coração de Deus.

Adorar em verdade é viver com sinceridade o que se prega. E se pregamos que queremos agradar a Deus, façamos então o que agrada a Deus. Em vez de investir 95 milhões de dólares para construir templos e projetos que só entretêm pessoas descompromissadas com a santificação, invistamos tal valor em obras sociais na nossa cidade, ajudemos quem realmente precisa, façamos evangelismo nas regiões críticas da terra; contribuamos para a obra missionária, que tanto sofre pelo descaso das igrejas mais preocupadas em construir palácios para engrandecer homens ambiciosos, produzir mega-eventos para entreter multidões e assim ganhar adeptos, e em realizar grandes festas, brigar o ano inteiro para comprar uniformes que enfeitam o corpo mas não escondem a podridão da alma. A esta Deus sonda minuciosamente.

Adorar em verdade é viver com sinceridade o que se prega. E se pregamos que amamos uns aos outros e também àqueles que ainda estão perdidos sem Jesus Cristo, por quê, então, não nos comovemos além das lágrimas para ajudá-los, de fato, a integrarem-se na grande família de Deus? (Tiago 2.14-26 – A fé sem obras não vale nada!)

Não é uma hipocrisia muito grande, falarmos tanto sobre amor de Deus em nós e não sentirmos pelas vidas a mesma coisa que Deus sente? (1João 2.6 – Ele andou amando e fazendo o bem!)

Não é um egoísmo muito grande, nos acomodarmos nas luxuosas casas de shows de que fizemos nossos templos e assistir aos cultos (porque cultuar, mesmo, pouquíssimos têm feito) com todo conforto, enquanto milhões de pessoas morrem na mais absoluta pobreza, sem nenhum tipo de aconchego, sem nem mesmo ter o que comer? (Mateus 10.7-8 – De graças recebeste, de graças dai!)

E não é uma irresponsabilidade muito grande, enviarmos missionários, obreiros, pastores para essas regiões de miséria espiritual, e não lhe darmos o devido auxílio material que necessitam e do qual nossas igrejas dispõem? (Atos 4.32-37 – Missões se fazem com os pés que vão, com os joelhos que oram e com as mãos que contribuem!)

Se temos condições de pagar mil, dois mil, cinco mil e até mais que isso para pregadores e cantores se enriquecerem às custas do Evangelho, certamente podemos trabalhar com o mesmo afinco para angariar fundos monetários que possam ajudar os desabrigados das enchentes que assolam grande parte do nosso país. Cada 5 mil reais garante em média 125 cestas básicas. Imagine quantas cestas poderíamos encaminhar às famílias carentes todos os meses, se investíssemos em obra social, em vez de pagarmos para contratar cantores e pregadores que serão idolatrados durante os espetáculos que chamamos de "cultos" (e são, na verdade: cultos aos homens...)!

Se temos condições de construir templos para 12 mil, 16 mil e até 60 mil (*) pessoas, templos estes que oferecem megas-estruturas com anexos ao auditório principal, lanchonetes, livrarias, academias de ginástica e lojas que vendem desde roupas até bíblias, além das escolas religiosas e até arenas esportivas cobertas (**), com mais um pouco de boa vontade e de vergonha na cara podemos sustentar com mais dignidade e prover recursos melhores para os poucos homens e mulheres que tiveram coragem de deixar suas próprias vidas e histórias aqui para irem mundo a fora fazer aquilo que Cristo mandou Sua igreja fazer: PREGAR O EVANGELHO A TODA CRIATURA (Marcos 16.15).

Que este grito ecoe das vozes dos atalaias de Deus, os poucos que ainda estão na torre de vigília e atentos para a volta de nosso Senhor Jesus Cristo, para despertar aqueles que dormem, a fim de que voltem para o caminho da santidade e do amor que Deus os chamou e do qual, desde que se deixaram influenciar pelo mundanismo e pelo orgulho próprio, há muito se desviaram.

A Deus, somente, seja a glória!

Amém.



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(*) Por exemplo, o templo Mega Frater, na Guatemala, a Yoido Full Gospel, na Coréia do Sul, e a sede da Igreja Universal do Reino de Deus no Rio de Janeiro, que comportam, cada uma, 12.000 pessoas; a Igreja Lakewood, nos Estados Unidos e o templo da Glória, da Igreja Pentecostal Deus É Amor, em São Paulo, que comportam 16.000 e 60.000 pessoas, respectivamente.
(**) Como a Igreja ChangePoint, em Anchorage, Alasca.