domingo, 22 de março de 2009

"Adeus" até daqui a pouco...




Enquanto alguns se isolavam e suspiravam pensativos pelos cantos, o SENHOR me falava sobre os encantos da Glória eterna. Enquanto uns se lamentavam pelas coisas que a falecida deixou de gozar em seus últimos dias desta vida, Jesus me contava sobre a alegria dos anjos em recebê-la lá no Céu onde seu gozo agora é pleno e eterno. Enquanto alguns desmaiavam em redor do caixão ou se contorciam inconsoláveis sobre a cama, o Espírito Santo me embalava em Seus braços de amor e paz.

Essa segurança me amparou e confortou em todos os instantes, desde que eu soube do falecimento da minha avó materna, na madrugada desta última sexta-feira (20/03/09). Na verdade, o SENHOR já havia me informado com antecedência em uma madrugada no início deste ano que este seria o ano da sua partida, pois Ele a colheria de novo para Si: "E o pó volte à terra, de onde veio, e o espírito volte a Deus, que o deu." (Eclesiastes 12.7)

A notícia da sua morte física não me pegou de surpresa. Tampouco ver minha avó dentro de um caixão foi algo que me impressionou tanto. É que depois da morte do meu pai, há pouco mais de 2 anos*, o SENHOR fez-me observar a morte por outro ângulo: aquele que nos assegura que para os cristãos salvos, a morte não é o fim de tudo, mas o começo da melhor parte.

De ante-mão deixo a observação que não há hipocrisia alguma em minhas palavras, pois a saudade fica (sim!), o vazio da ausência de minha amada avó e do meu querido pai é real, e as lembranças dessas pessoas que tanto amo me acompanharão por toda a minha vida, pois cada ser humano é único e insubstituível em sua essência. Mas se as amo, desejo para elas o melhor, ainda que esse "melhor" inclua eu me afastar delas por um tempo que não sei determinar o quanto será.

Desejei o melhor para a minha avó e a bênção do SENHOR repousando sobre ela eternamente. E Ele, como sempre, tomou a melhor decisão: libertou-a de todas as enfermidades da carne e dos ossos que já não lhe permitiam ouvir direito, nem enxergar direito, nem caminhar. Livrou-a das dores crônicas dos rins, da pneumonia que lhe roubou a paz nos últimos dias, do desconforto total causado pela insuficiência cardíaca. Libertou-a da solidão e do desamparo, do descaso da sociedade para com os idosos e do sentimento perverso da inutilidade. Fê-la dormir para as dores deste mundo e acordar no descanso eterno na Glória, onde nenhum tipo de enfermidade ou qualquer outro agente da dor pode existir (Apocalipse 21.4).

Com meu pai também foi assim. Acometido de um tumor maligno raro, após a maldita chaga se desenvolver em uma de suas pernas a partir de um corte com telha de amianto por ocasião de um acidente de trabalho, em um ano o pastor José Mendes de Castro já não conversava, não comia sozinho, não andava. Minha primeira reação foi chorar e lamentar a morte do meu pai que eu vi 2 vezes nos últimos 20 anos e há 12 não via. Mas a Palavra do SENHOR docemente ressoava me lembrando: "Ele está melhor agora."

Ainda que não seja por ocasião de doenças físicas, a morte dos cristãos salvos deve ser motivo de paz interior daqueles que ficam, pois o Céu é o melhor lugar onde alguém pode estar. Infinitamente superior a qualquer situação de vida que o homem possa ter neste mundo, por melhor que ela seja.

Conforta-me saber que a maior bênção de todas esses meus amados já conquistaram, pois o SENHOR consumou em suas vidas a melhor graça que alguém pode receber: a eternidade ao Seu lado. É tudo pelo que eles lutaram enquanto viveram aqui. Suportaram todo tipo de afronta, calúnia e perseguição mas não desistiram desse alvo, e foram fiéis a Jesus até seu último suspiro.

Será mesmo que se sentiriam felizes lá no Céu se pudessem olhar para cá e vissem em nós tanto desespero e egoísmo, pensando somente na lacuna que eles deixaram para nós aqui? E com o gozo que lhes preenche por completo agora, lá no Céu, ninguém está se importando? Creio que se pudessem se aproximar de nós em seus velórios, os santos do SENHOR diriam: "Alegrem-se, pois agora estou feliz como jamais estive!" (Romanos 8.18)

Não... não devemos desejar a morte para nossos irmãos, mas aceitá-la com brandura quando chegar (se chegar), pois ela não é o fim de tudo, e sim o começo da eternidade lado a lado com Jesus. Além disso, lembremo-nos sempre que a morte é o começo de uma separação temporária entre irmãos em Cristo, salvos pelo Seu Sangue, que terminará quando no arrebatamento da Igreja do SENHOR (1Coríntios 15.51-53).

Infelizmente não temos a mesma segurança em relação àqueles que morrem freqüentando uma igreja, sem nunca terem entregado seus corações verdadeiramente a Jesus Cristo. Ainda menos podemos afirmá-lo acerca daqueles que declaradamente rejeitam Jesus como o único SENHOR e Salvador de suas vidas.

Mas como cooperadores de Deus, nós, cristãos salvos, insistimos com estes "para não receberem em vão a graça de Deus. Pois ele diz: 'Eu o ouvi no tempo favorável e o socorri no dia da salvação.' Digo-lhes que agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação!" (2Coríntios 6.1-2)

Uma vez que conhecemos Jesus, procuramos persuadir os homens para que aquilo que recebemos de Deus também seja manifesto a todos (2coríntios 5.11). Por isso, sirvo-me até mesmo deste momento de luto em minha família para contar ao mundo das maravilhas do Deus que é Eterno e que tem para Seus filhos a eternidade.

A morte veio para estes meus dois entes queridos, e eles estavam preparados para retornarem a Deus em santificação (Hebreus 12.14). Mas não nos foi dado o poder de conhecer o futuro acerca de nós (Tiago 4.13-15; Eclesiastes 9.12; Jeremias 10.23). Por isso, que o nosso hoje seja um constante presente na presença de Cristo, ainda que se intensifiquem as perseguições, ainda que aumentem as aflições, mesmo que chegue o tempo da morte.

"Por isso não desanimamos. Embora exteriormente estejamos a desgastar-nos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia, pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles. Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno" (2Coríntios 4.16-18).

No sincero amor de Cristo.

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(*) Leia um artigo in memoriam AQUI.