domingo, 29 de março de 2009

Superficialidades...




QUEM É JESUS?

Algumas pessoas se arriscam a responder essa pergunta com algumas palavras, e resumem tudo com a mesma frase de Pedro, quando ouviu do próprio Jesus a mesma indagação:

"E vocês? – Perguntou Ele. – Quem vocês dizem que Eu sou?
Simão Pedro respondeu: Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo."

(Mateus 16.15-16 - NVI)

Mas poucas pessoas param para refletir a profundidade desse fato: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo."

Estamos vivendo nesses últimos dias um tempo de superficialidades, onde o que é mais prático é o que se abraça, mesmo que não seja o melhor. E essa situação torna-se ainda mais gritante quando olhamos para a realidade dentro da igreja e vemos a pouca profundidade do amor, da sabedoria, do conhecimento de Deus e da espiritualidade de muitos (muitos mesmos!) daqueles que se chamam pelo Seu nome.

Supostos hinos que, embora citem o nome de Deus, mais massageiam o ego de quem ouve do que adoram ao SENHOR. Chama isso de "louvor".

A Bíblia sendo usada como recurso para apoiar os exageros e heresias das palestras motivacionais que têm substituído cada vez mais a mensagem da cruz. A isso dão o nome de "pregação".

Gestos, danças e palavras representando intenções de mudança que deveriam ser comprovadas pela transformação real do comportamento de cada cristão. A isso chamam "ato profético".

Superficialidades! Apenas isso e nada mais.

Ouvir uma música é mais prático do que conversar com Deus e ouvi-Lo em oração. Assistir uma mensagem é mais prático para "receber de Deus" do que dispor tempo e atenção para meditar sobre a Bíblia Sagrada. "Comprar bênçãos" (votos) em campanhas é mais prático do que jejuar para se aproximar de Deus e conhecer Suas reais intenções para nossas vidas.

Contudo, é importante observar que quem não tem o hábito da oração não está apto a ouvir Deus falar. Quem não tem o hábito de meditar e guardar a Palavra de Deus não tem vigor espiritual algum e, e tão anêmica é a sua alma que tenta suprir suas necessidades espirituais até com os vômitos dos outros. Quem não tem o hábito de jejuar com um olhar voltado inteiramente para a face de Deus, não possui experiências pessoais com Ele, mas vive das experiências dos outros e, por isso, não sabe distinguir a Sua vontade.

"O SENHOR diz: Esse povo se aproxima de mim com a boca e Me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim. A adoração que Me prestam é feita só de regras ensinadas por homens." (Isaías 29.13 - NVI)

Os espíritos imundos, que já estiveram no Céu em outra ocasião (Lucas 10.18; Apocalipse 12.4), "vendo-O [a Jesus], prostravam-se diante Dele e clamavam, dizendo: Tu és o Filho de Deus." (Marcos 3.11). Tantas pessoas dizem ver Jesus e não conseguem nem mesmo marejar os olhos, que dirá prostrar-se diante Dele.

Superficialidade... nada mais que superficialidade!

Há uma profundidade muito grande em conhecer Jesus e compreender o que significa ser o Filho de Deus. Tão grande que palavras não descrevem por si somente. O vocabulário humano se esgota e não consegue definir nem explicar a magnitude de Deus na pessoa do Pai, do Filho ou do Espírito Santo:

"Ó, profundidade da riqueza da sabedoria
e do conhecimento de Deus!
Quão insondáveis são os Seus juízos
e inescrutáveis os Seus caminhos!
Quem conheceu a mente do SENHOR?
Ou quem foi o Seu conselheiro?
Quem primeiro Lhe deu,
para que Ele o recompense?"
(Romanos 11.33-35 - NVI)

Quem chegou mais perto de conhecer Jesus foi quem andou, literalmente, com Ele. E isso se refletiu diretamente no comportamento extraordinário da igreja primitiva que passa bem longe da realidade dos cristãos desta era.

Mas Jesus ressuscitou.

Caso isso não tivesse ocorrido, que esperança haveria para as gerações futuras de compor uma igreja santa e vitoriosa?

Jesus ressuscitou, e assim garantiu-nos que é possível vencer o mundo fazendo a diferença com a nossa maneira de ser, se olharmos para Ele e seguirmos os Seus passos sem nos desviar, seja qual for a circunstância. Ressuscitou para que também possamos conhecê-Lo um pouco mais de perto e andarmos lado a lado com Ele, ainda que não O possamos compreender totalmente nem explicá-Lo.

Contudo, que importa-nos explicar Jesus e não aprendermos nada com Ele? Que valor há em aventurar-nos em longas viagens teológicas e analisarmos Jesus como quem está fazendo uma pesquisa sobre o Big-Bang? Qual o sucesso em fazermos de Jesus mais um dos nossos objetos de estudo?

Mais importa que haja em nossas almas o sincero desejo e a busca constante de sermos como Ele é.

Por isso, nos esforçaremos para conhecer Jesus pessoalmente na simplicidade de cada dia a fim de aprendermos com Ele qual é e como satisfazer a vontade perfeita e santa de Deus Pai. Aqui, vamos apenas nos ater em algumas observações bíblicas, não para descrever quem é Jesus, mas para falar sobre quem Ele não é.

Jesus não é como um de nós: imperfeito, limitado, frágil.

Sua perfeição nos lembra que Sua obra em nós, por nós e para nós é sempre completa e de igual modo perfeita.
Dessa forma, nada do que nós possamos fazer vai impressioná-Lo. Por isso, em vez de buscar aplausos dos homens e nos engrandecer pelas coisas que fizemos ou deixamos de fazer, devemos buscar a aprovação de Deus, que pode ser facilmente alcançada quando a obediência à Sua voz se torna um prazer para nossas almas:

"...não faças tocar trombetas diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa" (Mateus 6.2 - ARA). Receberam mesmo: o aplauso dos homens, apenas. De Deus não receberam nada!

Sua imensidão nos lembra que não há limites para conter Jesus. Sejam físicos, sejam espirituais. A morte não reteve o SENHOR (Atos 2.24; Mateus 28.6; Apocalipse 1.18). Vendavais em alto mar também não (Marcos 4.35-41). E não serão as barreiras do nosso coração que irão Lhe deixar a margem de alguma coisa que se passa conosco.

Ele vê todas as coisas (Jeremias 23.24). Sonda o interior do homem (1Samuel 16.7) e conhece o que está escondido no mais oculto dos seres (Daniel 2.22). Não Se comove com falsas adorações e rituais cheios de interesses pessoais.

Contrição refere-se ao arrependimento das próprias culpas e pecados. Quebrantamento está para o ser vencido, domado, enfraquecido. Humildade é uma virtude que nos dá o reconhecimento de nossas fraquezas e nos leva à submissão ao SENHOR com o propósito de vencê-las e caminharmos acima de todo o pecado, mais perto de Deus. Freqüentar cultos e eventos assiduamente, ou ocupar cargos cobiçados dentro da congregação não santificam ninguém. Renúncia e esvaziamento do ego, sim. Sinceridade e determinação em entregar-se plenamente ao SENHOR, disponibilizando-se a obedecer Seus ensinamentos, são posturas imprescindíveis para que nossa adoração agrade o coração de Deus.

Por isso, em vez de declararmos com palavras o quanto Jesus é importante para nós, deixemos que nossas atitudes façam isso.

Sua força, Seu poder e domínio nos lembram que "Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas. A Ele seja a glória para sempre. Amém." (Romanos 11.36 - NVI).

Ora, se Jesus Cristo é o SENHOR e nós os Seus servos, se Ele é Deus e nós os Seus adoradores, se Ele é o Rei e nós os Seus súditos, convém que expressões como "determino", "ordeno", "declaro" sejam Dele e não nossas.

Quem precisa de Deus somos nós, e não o inverso, embora muitas heresias tenham sido amplamente difundidas convencendo que o SENHOR é prejudicado em estar longe de gente como nós.

Não tenho o hábito de assistir televisão. Mas há alguns meses inventei de fazer um lanche em frente a uma que estava ligada. E acabei por assistir a pregação de um renomado pastor de certa banda gospel de Minas Gerais. O programa tem o mesmo nome da banda. Nessa ocasião, o pastor ministrava sobre o salmo 40, e dizia ter uma grande revelação de Deus naquele salmo. O 1º verso diz: "Esperei com paciência no SENHOR, e Ele Se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor." (ACF)

A "maravilhosa revelação" estaria no verbo "inclinar", que supostamente estaria demonstrando aqui Deus Se curvando diante do homem para lhe mostrar o quanto Ele nos ama. E o ilustre discursador até recorreu ao Calvário, num esforço visível para comprovar que Deus está tão disposto a ter de volta a coroa da Sua Criação (o homem), que desde o Getsêmani até à cruz Ele dobrou-Se diante de toda a humanidade e Se humilhou diante dela (?) para demonstrar a grandeza do Seu amor por nós.

Honestamente, qual a base dessa teoria? Onde é que Jesus, segundo os relatos bíblicos, aparece Se humilhando diante dos homens? Vejo por essas pretensas palavras mais um sinal da altivez que tem tomado os corações da maioria dos cristãos de hoje. Jesus nunca Se rebaixou diante dos homens porque Ele nunca teve pecados a reconhecer (João 8.46), mas sempre assumiu diante deles aquilo que de fato Ele é: o Filho de Deus, o EU SOU, o SENHOR da Glória (Lucas 21.27; João 8.58). Não vemos, em nenhuma passagem bíblica, que o SENHOR tenha Se humilhado diante dos homens, mas sim que Ele foi humilhado por eles, quando estes pensavam deter sobre Cristo algum poder. O que Jesus fez foi Se permitir ser humilhado. São situações bem diferentes entre fazer algo voluntariamente e sofrer algo da parte de outrem. Jesus humilhou-Se, sim, mas diante de Deus, como lemos em Lucas 22.41-44. E não diante dos homens, como querem muitos dos presunçosos irmãos do nosso tempo.

Quando o poderoso Pilatos quis impor Sua autoridade sobre Jesus, nosso SENHOR quebrou Seu silêncio para lhe lembrar que até as autoridades governam com a permissão de Deus (Romanos 13.13) e, por isso, precisam prestar contas a Ele (João 19.10-11). "E [Jesus] sendo encontrado em forma humana, humilhou-Se a Si mesmo e foi obediente" a Deus, não aos homens (Filipenses 2.8a - NVI).

No Getsêmani Jesus já elevava ao Deus Pai uma oração sincera (exatamente como devem ser as nossas), onde Ele revela que não desejava viver as próximas horas que O esperavam: "...se possível, afasta de Mim este cálice; contudo, não seja como Eu quero..." (Mateus 26.39 - NVI).

Mas por amor a Deus, primeiramente a Deus – como Ele mesmo ensinou que deveria ser (Mateus 22.37-40) – com bom grado Jesus Se submeteu à vontade do Pai, a saber, buscar e salvar a comunhão que se havia perdido (Lucas 19.10) e, para tanto, foi "obediente até a morte, e morte de cruz!" (Filipenses 2.8b - NVI).

Muita hipocrisia admitir que alguém que é levado para a cruz, o meio mais humilhante e cruel para assassinar alguém no tempo de Cristo, poderia passar tudo o que Jesus passou regozijando em seu coração. Tanto angustiou-Se que confessou isso aos próprios discípulos (Mateus 26.38). Paz Ele tinha, e convicção dos propósitos que O levaram até ali também. Por causa disso, Jesus demonstrou serenidade em todo tempo e não abriu mão da Sua missão. Mas ouça: "Meu Deus! Meu Deus! Por que Me abandonaste?" (Marcos 15.34 - NVI). Não, esse não é o clamor de um homem que está feliz.

Ele foi levado para o matadouro como uma ovelha muda (Isaías 53.7). "Este homem que lhes foi entregue por propósito determinado e pré-conhecimento de Deus; e vocês, com a ajuda de homens perversos, O mataram, pregando-O na cruz" (Atos 2.23 - NVI). Escolheram a cruz para Jesus. Humilharam e mataram o nosso SENHOR sobre ela. Ele não escolheu passar por isso só por nossa causa. Escolheu, antes, fazer a vontade de Deus, ainda que tivesse que sofrer tudo o que Ele não queria nem merecia.

E como não bastasse esse erro na pregação do referido pastor, ainda temos a interpretação errônea do verbo "inclinar" no contexto do Salmo 40. Inclinar, neste caso, não quer dizer "ajoelhar-se", "prestar honras". Não. Quer dizer "voltar-Se para", "curvar-se para ver o que está abaixo de Si". Deus, do Seu Alto e Sublime Trono (Isaías 6.1) olhou para o Seu pequeno servo aqui embaixo e o enxergou. Foi atraído pela sinceridade e humildade sempre presentes nas orações de Davi e, por isso, não desprezou o clamor do Seu amado, porque "os sacrifícios que agradam a Deus são um espírito quebrantado." Um coração quebrantado e contrito o SENHOR não desprezará (Salmos 51.17).

Ainda discorrendo sobre o que Jesus não é, temos a certeza, mediante a Bíblia, que Ele não é um pecador, como nós:

"... Nele não há pecado." (1João 3.5b - NVI)

"Qual de vocês pode me acusar de algum pecado?..." (João 8.46a - NVI)

"Ele não cometeu pecado algum, e nenhum engano foi encontrado em Sua boca." (1Pedro 2.22 - NVI)

A Santidade de Jesus nos aponta para a necessidade de também Lhe prestarmos cultos santos, não só no tocante à decência e ordem das nossas reuniões congregacionais (1Coríntios 14.40), mas principalmente na nossa maneira de viver:

"Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão. (...) Vocês foram chamados para a liberdade. Mas não usem a liberdade para dar ocasião à vontade da carne..." (Gálatas 5.1,13 - NVI)

Nem tudo o que fala de Cristo verdadeiramente vem de Cristo. Nem tudo o que se prega em nome de Deus verdadeiramente vem de Deus: "Não enviei esses profetas, mas eles foram correndo levar sua mensagem; não falei com eles, mas eles profetizaram" (Jeremias 23.21 - NVI). Por isso, ser sempre vigilante contra as astutas ciladas do diabo (Marcos 14.38); por isso, examinar todas as coisas e só guardar o que for bom (1Tessalonicenses 5.21); por isso, fugir de tudo o que parecer mal (1Tesslonicenses 5.22).

É preciso buscar na Palavra de Deus a forma santa de vida que Ele deseja para nós, e verificar que essa mundanização disfarçada de "contextualização" não traduz a liberdade que Jesus conquistou para nós (1João 2.15-16; 2Coríntios 6.14), mas contribui deliberadamente para o declínio espiritual da Igreja.

João nos lembra que "o mundo e a sua cobiça passam, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre" (1João 2.17 - NVI). E a vontade de Deus é que sejamos salvos e cheguemos ao conhecimento da Verdade (1Timóteo 2.4). Ora, Jesus Cristo é Verdade (João 14.6), e a ordem dos fatores é (1) sermos salvos por Ele e (2) conhecermos a Sua Verdade.

Já somos salvos. Aleluia!

Agora falta conhecermos Jesus. Como vimos, explicar com detalhes Quem e como Ele é, nos gastaria toda uma vida e ainda assim resultaria em um estudo incompleto. Vamos, pois, aplicar o tempo que ainda nos resta observando o que Jesus não é e seguindo fielmente os Seus passos (1João 2.6).

Só assim deixaremos de ser superficiais em nossa adoração...

E isso realmente é um bom começo.