sábado, 23 de maio de 2009

USOS E COSTUMES





BEM ALÉM DOS USOS E COSTUMES


Usos e costumes. Eis aí o subterfúgio de quem quer praticar todo tipo de mundanismo dentro da igreja e não ser exortado à luz da Bíblia. Em nome da cultura do homem, a excelência da Palavra de Deus tem sido menosprezada. E o resultado dessa troca, é a superficialidade que assina a maioria das conversões de vida: mais palavras que atitudes, mais choro que transformação, mais exibicionismo do que entrega a Deus. Para não perder a suas tradições mais prazerosas, o homem está perdendo Deus de vista.

Antes de tudo queremos sobressaltar que não somos legalistas, e que entendemos plenamente que os usos e costumes de cada região e época devem ser considerados para a aplicação correta do Evangelho da Graça de Cristo. Afinal, estamos quase dois mil anos à frente do período histórico das cartas de Paulo, quatro mil anos longe de Abraão e mais de seis mil anos além de Adão. Muita coisa mudou de lá para cá em termos de realizações humanas, e tais mudanças não podem e nem devem ser ignoradas pela igreja que pretende ser um agente influenciador e transformador no mundo. A tecnologia dos nossos dias, a proximidade das nações via globalização, a velocidade da informação, as diferenças entre as raças. Nada disso precisa ser desconsiderado para que o Evangelho cumpra o Seu papel na terra, mas nenhuma dessas coisas também deve ter maior importância que a própria essência do Evangelho que é Jesus Cristo. Tampouco, nada disso deve ser justificativa para distorcer os princípios da Palavra de Deus, que são imutáveis (Tiago 1.17; Números 23.19; 1Coríntios 3.11).

Diante do exposto, precisamos entender que a Bíblia, quando foi escrita, não foi escrita para nós, nos dias de hoje. Não. Quando Pedro escreveu aos dispersos gálatas – entre outros – não estava pensando nos amigos de Brasília, do Rio Grande do Sul ou do Japão. Ele estava pensando nos cristãos dispersos que moravam na Galácia, no Ponto, na Capadócia, Ásia e Bitínia. Quando Paulo escreveu a Timóteo, não estava pensando em mim, nem no pastor da minha igreja. Estava escrevendo para Timóteo. Quando escreveu aos romanos, estava escrevendo para os cristãos que moravam em Roma.

Naturalmente que as verdades espirituais que foram escritas para eles servem para nós hoje, porém, temos que ter em mente que os tempos mudaram. Por exemplo: a roupa era um estilo naquele tempo, e hoje é completamente diferente. O cabelo era usado de um jeito, e hoje é de outro. Naquele tempo não havia gravata, e hoje a usamos. Antigamente a roupa era túnica, mas hoje seria engraçado se nós chegássemos em nosso trabalho trajando uma túnica. Então, há coisas periféricas de usos, de cultura, de costumes que mudaram. Porém, os princípios são eternos e não mudam nunca: matar sempre foi errado, roubar sempre foi errado. A veracidade, o respeito pela vida, são princípios eternos. A consagração do corpo e a santificação do espírito continuam sendo requisitos para que o homem entre na eternidade com Deus (1Coríntios 6.19-20; Hebreus 12.14).

Os detalhes mudam, mas os princípios permanecem.

Contudo, o que vemos em nosso tempo é o exagero com que se define a palavra "liberdade" e a facilidade com que lha transformam em "libertinagem" em nome dos usos e costumes. Nunca a mensagem de 2Coríntios 3.17 foi tão distorcida!

A Bíblia ensina que "o Senhor é Espírito; e onde o Espírito do Senhor está, aí há liberdade" (2Coríntios 3.17 – ACF). Mas não se trata aqui da liberdade para que uma mulher (ou mesmo um homem) vista uma roupa sensual e exiba seu corpo como um objeto de culto, ainda que considerando o respeito de Deus ao seu livre-arbítrio. A liberdade que o Senhor nos garante é, sim, aquela que permite à pessoa escolher não ser sensual, lasciva, vulgar e insinuante, e em vez disso, escolher ser moderada, vestindo-se com sobriedade e sem exageros, não para inflamar os desejos do sexo oposto, mas para agradar seus esposos e/ou o seu Deus. Para o mundo, escravizado no pecado, a única alternativa para os homens enquanto perdidos que são, é pecar. Eles não podem escolher serem honestos, descentes, irrepreensíveis diante de Deus. Mas os cristãos achados por Cristo Jesus e verdadeiramente libertos pelo Seu Sangue sim!

"A beleza de vocês não deve estar nos enfeites exteriores, como cabelos trançados e jóias de ouro ou roupas finas. Ao contrário, esteja no seu interior, que não perece, beleza demonstrada num espírito dócil e tranquilo, o que é de grande valor para Deus. Pois era assim que também costumavam adornar-se as santas mulheres do passado, que colocavam sua esperança em Deus." (1Pedro 3.3-5 – NVI)

O Pr. Antonio Gilberto nos lembra que, quanto aos usos, práticas e costumes, "esses... quando bons, devem ser o efeito da santificação, e não a causa dela” (1). E a Bíblia é quem afirma que temperança é fruto do Espírito Santo (Gálatas 5.22). Pessoas verdadeiramente cheias do Espírito Santo são comedidas, moderadas, sóbrias. Guardam temor a Deus e guardam seus corpos com total respeito ao Deus que habita neles:

"Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo que habita em vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não são de si mesmos? Vocês foram comprados por alto preço. Portanto, glorifiquem a Deus com o seu próprio corpo." (1Coríntios 6.19-20 – NVI)

"Vocês não são de si mesmos."

Essa afirmação tem um peso de responsabilidade muito grande para nós e uma profunda verdade da qual a humanidade, em geral, tem escolhido passar bem longe. Ora, se não somos de nós mesmos, se somos um santuário que pertence a Deus, então não podemos fazer qualquer coisa com o corpo que é de Deus. Se a casa pertence a outra pessoa, que autoridade ou, antes, que direito temos de abrir vãos nas suas paredes, de derrubar seus muros e colocar grades, de fazer pomares no lugar dos jardins? Se não nos é dado esse direito em relação à casa física de outra pessoa, ainda menos podemos fazer o que quisermos com a casa que pertence a Deus, a saber, o nosso corpo, o templo do Espírito Santo.

No livro de Ezequiel, o SENHOR Deus faz menção das ações vergonhosas de Jerusalém, que firmava alianças políticas e comerciais com outros povos, as quais sempre traziam consigo um componente religioso e levavam esse povo espontaneamente a adorar outros deuses. O SENHOR faz uma comparação da cidade com uma prostituta, e menciona Sua visão do corpo – sem distinção de sexo – sendo exposto de maneira vil, sedutora, carnal, denotando assim Sua repulsa a esse tipo de comportamento:

"No começo de cada rua você construiu seus santuários elevados e deturpou sua beleza, oferecendo seu corpo com promiscuidade cada vez maior a qualquer um que passasse. Você se prostituiu com os egípcios, os seus vizinhos cobiçosos, e provocou a Minha ira com sua promiscuidade cada vez maior." (Ezequiel 16.25-26 – NVI)

Deus fez uma alegoria à Jerusalém infiel, que deixou a adoração sincera e trocou o SENHOR pelos deuses estranhos. Mas Suas palavras, ainda que simbolicamente, expressam que o SENHOR reprova o ofertar do corpo como beleza a ser vista. Fosse o contrário, Deus faria comparação com outra coisa ou a outro comportamento que não merecesse censura. Mas Ele deixa claro que reprova o nosso corpo sendo oferecido como um manequim de exposição da moda, como uma expressão da nossa vaidade, ou ainda como uma casa para prostituição, pois seu fim primeiro é ser um santuário onde o SENHOR tenha prazer de habitar. Não deve, portanto, ser adornado como se fosse uma escultura a que todos devem contemplar e desejar, mas deve ser cuidado de forma responsável e muito descente, na certeza que "se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; pois o santuário de Deus, que são vocês, é sagrado" (1Coríntios 3.17 – NVI). Nenhum de nós deve desejar ser o dono do nosso corpo mais do que o Espírito Santo, a quem, de fato, ele pertence. E nossos usos e costumes não podem nos induzir a queremos praticar o contrário.

Em nome dos usos e costumes, vemos uma permissividade horrenda acontecendo dentro da igreja, desfigurando completamente a imagem da santidade requerida pela Bíblia. Os permissivistas chamam a todo tipo de mundanismo de "cultura", e inserem o apoio a tais práticas nas suas mensagens (Mateus 24.11; 1Timóteo 4.1-2; 2Tessalonicenses 2.2-3), formulando heresias e ensinando um "outro evangelho" ao povo (Gálatas 1.1-9). E pela facilidade de se seguir esse evangelho mundanizado, somas de multidões são os números que seguem pelo largo caminho proposto por esses libertinos religiosos (Mateus 7.13-14).

Contudo, a doutrina bíblica é que santifica o crente, mediante a Palavra de Deus (1Timóteo 4.4-5). Jesus disse; “Santifica-os na verdade; a Tua Palavra é a verdade” (João 17.17). O ensino da Palavra de Deus, das doutrinas bíblicas, é um os meio para levar o crente a uma vida reta, assim como escreveu o salmista: “Como purificará o jovem o seu caminho? Observando-o conforme a Tua Palavra”(Salmos 119.9). John Henry Jowett disse: “Você não pode abandonar os grandes temas doutrinários e ainda assim produzir grandes santos” (2), e, nessa mesma linha, o Pr. A. W. Tozer escreveu: “O propósito que está por trás de toda doutrina é garantir a ação moral” (3). E Agostinho arremata a afirmativa que a doutrina bíblica deve prevalecer à vontade que satisfaz nossa carne e o nosso ego, observando que "se você crê somente no que gosta do evangelho e rejeita o que não gosta, não é no evangelho que você crê, mas, sim, em si mesmo"(4). Por isso é bom lembrar que a doutrina bíblica produz, naturalmente, bons costumes.

A Bíblia, Palavra Santa e Viva de Deus, sendo um livro de princípios, registra coisas que agradam a Deus e que não agradam; ensina o que é bom e o que é ruim para os filhos de Deus; ensina o caminho do Céu e o do inferno. Escolher por onde seguir é uma decisão somente nossa (Deuteronômio 30.19), mas devemos sempre ser conscientes que toda ação que tivermos nesta vida terá uma consequência (Provérbios 12.14; Salmos 62.12). A Palavra de Deus contém princípios pelos quais o SENHOR controla todo o nosso viver. Nas palavras do Pr. Ciro Zibordi Sanches, "os princípios, diferentemente dos mandamentos, são gerais. Não há especificidade neles, mas por meio deles sabemos se a tatuagem, por exemplo, combina ou não com a vida cristã." (5)

Ser cristão implica renúncia ao “eu”, à própria vontade:

"Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me." (Mateus 16.24 – ARF)

Quem segue a Cristo deve ou não abandonar efemeridades como roupas sensuais, maquilagens pesadas, tatuagens, piercings, penteados extravagantes, músicas profanas, vídeos e imagens imorais?

Além desse princípio, a vida cristã também implica não amar o mundo nem o que nele há, tampouco conformar-se com a sua filosofia (1João 2.15). E “mundo” aqui denota “o modo de viver das pessoas ímpias” ou “o sistema dominado por Satanás” e que já está condenado (1Coríntios 11.32; 1João 2.17). "Sabemos que somos de Deus, e que o mundo todo está sob o poder do maligno" (1João 5.19 - NVI).

Ainda que seja a cultura dos nossos tempos, a prática sexual antes do casamento é ilícita à luz da Bíblia (1Coríntios 7.9). A fim de prevenir contra a imoralidade sexual, Deus ordenou o sagrado relacionamento do matrimônio (Hebreus 13.4). Tenho lido, porém, artigo de pastores "modernos", que apóiam tal costume, mesmo conhecendo que em Apocalipse 21.8 há previsão de pena eterna "aos impuros" (fornicadores) que não se arrependeram das suas práticas reprováveis diante do SENHOR.

O homossexualismo, prática abominável à vista de Deus (Romanos 1.26-27), também tem ganhado seu espaço em dias de sociedade inclusiva, e também no meio evangélico. E não só há uma aceitação parcial dos cristãos, como também há homossexuais intitulados pastores (pastores?) que, além de não buscarem para si a redenção em Cristo Jesus, ainda dirigem outras vidas pelo mesmo caminho da sua promiscuidade. Atropelam e ignoram as palavras de Paulo aos coríntios, que advertem severamente: "Vocês não sabem que os perversos não herdarão o Reino de Deus? Não se deixem enganar: nem imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem homossexuais passivos ou ativos, nem ladrões, nem avarentos, nem alcoolatras, nem caluniadores, nem trapaceiros herdarão o Reino de Deus." (1Coríntios 6.9-10 – NVI)

Leiamos o que a Palavra de Deus adverte aos homens que pensam que o Evangelho deva ser adaptado aos interesses e às paixões dos homens:

"Não amem o mundo, nem as coisas que há nele. Se vocês amam o mundo, não amam a Deus, o Pai. Nada que é deste mundo vem do Pai: os maus desejos da natureza humana, a vontade de ter o que agrada aos olhos e o orgulho pelas coisas da vida, tudo isso não vem do Pai, mas do mundo. E o mundo passa, com tudo aquilo que as pessoas cobiçam; porém aquele que faz a vontade Deus vive para sempre." (1João 2.15-17 – NTLH)

Este é apenas um dos tantos exemplos de modo ímpio de vida que têm seduzido muitos cristãos. Que o SENHOR abra os seus olhos enquanto ainda há tempo, para que "não participem das obras infrutíferas das trevas; antes, exponham-nas à luz." (Efésios 5.11 - NVI)

Há outro princípio bíblico, que expressa claramente que, embora tenhamos livre-arbítrio, todas as coisas são permitidas, mas nem tudo convém e nem tudo edifica (1Coríntios 6.12 e 10.23). Nesse caso, tudo deve ser examinado devidamente à luz da Bíblia e verificado se fere ou não os princípios bíblicos, uma vez que nós podemos mas não devemos usar roupas que expõem o nosso corpo, e da mesma forma podemos mas não devemos usar piercings, podemos mas não devemos fazer tatuagem, podemos mas não devemos pesar o tom da maquilagem, podemos mas não devemos abusar nas qualidades e quantidades de adornos, podemos mas não devemos tosquiar nossos cabelos, podemos mas não devemos vestir roupas do sexo oposto, podemos mas não devemos assistir filmes ou ler revistas pornográficas, podemos mas não devemos fazer sexo antes do casamento, ouvir ou compor músicas que não têm ligação com a adoração a Deus, podemos mas não devemos frequentar praias de nudismo ou juntamente com pessoas que maliciosamente possam observar e desejar o nosso corpo, podemos mas não devemos frequentar lugares badalados da cidade, podemos mas não devemos comprar CDs e DVDs piratas, podemos mas não devemos reproduzir obras literárias sem expressa autorização do autor, etc, etc, etc. Ainda nas palavras de A. W. Tozer, "santos sem santidade são a tragédia do cristianismo." (6)

A Bíblia também nos ensina que tudo o que fazemos deve glorificar a Deus (1Coríntios 10.31). Como pretendemos fazer isso expondo nosso corpo de forma a chamar toda a atenção para nós mesmos? Vamos confrontar esse comportamento com o princípio contido em Filipenses 4.8, de que devemos atentar para o que é de boa fama. Tatuagens têm boa procedência? Piercings estão associados aos grandes nomes da Bíblia ou aos grandes homens do resto da humanidade? Roupas decotadas, que expõem as curvas do corpo ou lhes deixam à mostra condizem com santidade ou com imoralidade? Músicas criadas com o propósito de expor sentimentos de fúria, desejos carnais, ou mesmo um amor alucinado por outra pessoa têm origem em Deus? Livros, textos e imagens que contradizem o comportamento moral são, acaso, respeitados por todos (ou, pelo menos, pela maioria)? Esportes violentos ou que incitam violência podem trazer a Paz de Cristo aos espíritos? Podem contribuir para a unidade do corpo de Cristo? Podem garantir simpatia entre os irmãos? Observando apenas estes dentre alguns princípios bíblicos, não temos dúvidas que tais práticas não combinam com a vida cristã autêntica, ainda que não haja um mandamento específico e expresso condenando-as.

Mas há, ainda, um princípio bíblico contido em 1Tessalonicenses 5.22, que mostra que devemos evitar também a aparência do mal. E existem pecados e embaraços, como vemos em Hebreus 12.1. E estes podem se tornar piores do que pecados expressos mediante mandamentos.

Martinho Lutero sabiamente observou que "qualquer ensinamento que não se enquadre nas Escrituras deve ser rejeitado, mesmo que faça chover milagres todos os dias" (7). Isso não é religiosidade, mas vigilância e temor aos princípios bíblicos, pois existe uma diferença entre o santo e o profano, "entre o justo e ímpio, entre os que servem a Deus e os que não servem" (Malaquias 3.18 - NVI). Músicas, amizades, ambientes, roupas, linguajar, lazer, etc. não são apenas uma questão de usos e costumes, mas de respeito à santidade de Deus. Nossos usos e costumes nos permitem selecionar músicas que exaltam a Deus e edificam nossas almas, em vez de gastar nosso tempo e ouvidos com coisas que não edificam, mas nos tornam rebeldes no mundo. Nossos usos e costumes nos permitem usar roupas decentes, que guardam o templo do Espírito Santo com modéstia e vergonha. Eles também nos permitem escolher palavras doces e educadas para conversar, em vez de adotar um vocabulário chulo, desrespeitável e cheio de termos desconhecidos e tanto quanto ofensivos. Os usos e costumes possuem um lado exagerado, extravagante, libertino. Mas, por outro lado, também permite-nos optar por lazeres e ambientes que não nos façam disponibilizar brechas que o diabo espera para penetrar e trabalhar em nossas vidas, desvirtuando nossa fé.

Há que se afirmar ser, verdadeiramente, erro terrível da parte daqueles que excluem pessoas diferentes, permitindo a altivez dos seus espíritos sobressair ao valor do próximo. Deus não quer que sejamos assim. Contudo, Deus também não quer que nos igualemos a eles para que possamos ganhá-los. Espera o Senhor que possamos influenciá-los pelo nosso testemunho, conscientes, porém, que a mudança seja produzida pelo Espírito Santo de Deus e não por nós. Paulo não praticou os erros dos fracos se fazendo de fraco, nem se tornou judeu para ganhar os judeus, tampouco deixou a lei para ganhar os sem lei (1Coríntios 9.19-22), mas ele ganhou almas para Cristo fazendo da sua vida um exemplo para o mundo (1Timóteo 4.7; Filipenses 4.4) e falando de maneira clara, pregando sem rodeios e sem discriminação; disponibilizando-se a ouvir sem condenar, colocando-se no lugar do outro para tentar sentir o que ele sentia, e aconselhando com a mesma linguagem sem, jamais, distorcer as Escrituras:

"Porque, embora seja livre de todos, fiz-me escravo de todos, para ganhar o maior número possível de pessoas. Tornei-me judeu para os judeus, a fim de ganhar os judeus para os que estão debaixo da Lei, tornei-me como se estivesse sujeito à Lei (embora eu mesmo não esteja debaixo da Lei), a fim de ganhar os que estão debaixo da Lei. Para os que estão sem lei, tornei-me como sem lei (embora não esteja livre da lei de Deus, e sim sob a lei de Cristo), a fim de ganhar os que não têm a Lei. Para com os fracos tornei-me fraco, para ganhar os fracos. Tornei-me tudo para com todos, para de alguma forma salvar alguns." (1Coríntios 9.19-22 – NVI)

Esse também tem sido um trecho bíblico base para justificar essa mundanização geral da igreja. Para ganhar as pessoas para Cristo, Paulo seguia alguns costumes que nada tinham a ver com as doutrinas da fé cristã, penetrando assim o mundo das pessoas e fazendo a diferença para que elas percebem nele o Espírito de Deus. Mas para ganhar um número cada vez maior de membros, a igreja tem apoiado costumes mundanos que ferem a sã doutrina. Contudo, ao contrário do que os permissivistas sustentam com essa passagem, Paulo, momentaneamente, se fez "como" e não decididamente "igualou-se" para ganhar aqueles que precisavam deixar as trevas e vir para a luz.

Fosse para haver misturas, Deus não teria dito ao Seu povo: "Retirai-vos, retirai-vos, saí daí, não toqueis coisa imunda; saí do meio dela, purificai-vos, os que levais os vasos do Senhor" (Isaías 52.11 - ARF; Jeremias 51.45; Apocalipse 18.4).

Jesus mesmo advertiu aos Seus discípulos: "Vigiem e orem, para que não caiam em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca" (Mateus 26.41 - NVI), pois nosso Senhor bem sabe que aquilo que pode nos fazer pecar, misturar e perder da direção de Deus, deve ser totalmente renunciado (Lucas 9.23). Isso é cruz: RE-NUN-CI-AR, mesmo aquilo que nos satisfaz; sujeitar-se às críticas impiedosas do mundo e, até, de muitos irmãos na fé, para que não pequemos contra nosso Senhor e sejamos por Ele aprovados, agradáveis, sem nada a nos envergonhar, "porque Deus nos escolheu nEle antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em Sua presença. Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos, por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da Sua vontade, para o louvor da Sua gloriosa Graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado." (Efésios 1.4-6 - NVI).

Facilitar o Evangelho e querer adequá-Lo para o mundo é a maneira mais sutil que o diabo inventou para levar muitos crentes para o inferno. Lembremo-nos e exerçamos, em todo tempo, as palavras do apóstolo Paulo, a nos alertar: "Por estarem unidos com Cristo, vocês foram circuncidados não com a circuncisão que é feita no corpo, mas com a circuncisão feita por Cristo, pela qual somos libertados do poder da natureza pecadora." (Colossenses 2.11 – NTLH)

Deus nos ajude a sermos sempre sal e luz, "puros e irrepreensíveis, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e depravada" brilhando "como estrelas no universo, retendo firmemente a palavra da vida" (Filipenses 2.15-16 – NVI), fazendo a diferença no mundo enquanto estamos no mundo, mas sem nos misturarmos com ele.


Amém.



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(1) GILBERTO, Antonio. Verdades Pentecostais. 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006. p 142.

(2) Appud REACHERS, Sammis. Sabedoria: breve manual do usuário. (E-Book) P. 100. Disponível em Sabedoria - Breve Manual do Usuário. Acesso em 23/05/2009.

(3) TOZER, A. W. O melhor de A. W. Tozer. 2007. São Paulo: Mundo Cristão, P. 69.

(4) Appud MARÇAL, Luan. Disponível em Doutrina e Teologia. Acesso em 23/05/2009.

(5) ZIBORDI, Ciro Sanches. É pecado fazer tatuagem? In Pastor Ciro Responde. Acesso em 14/05/2009.

(6) Appud REACHERS. Op. Cit. P. 29.

(7) Appud MARÇAL. Op. Cit.