quarta-feira, 22 de julho de 2009

Eclipse espiritual

Em 21/07/2009, eclipse solar escurece o céu do município de Chongqing, na China.
(Imagem: Último Segundo - BBC Brasil)




ECLIPSE ESPIRITUAL



"Nas primeiras cidades, onde o eclipse apareceu no Oeste da Índia, o sol já nasceu encoberto pela lua. Milhares de pessoas passaram a madrugada na beira do rio Ganges, esperando a chegada do fenômeno que é cheio de significados na religião hindu, a maior do país.
O ritual com fogo tinha o objetivo de afastar possíveis males. Muitos aproveitaram para tomar banho nas águas sagradas. Eles acreditam que é o melhor momento para se livrar das impurezas. A corrida em direção ao rio para aproveitar os poucos minutos de eclipse, provocou uma tragédia: uma mulher morreu sufocada e quatro pessoas ficaram feridas.
Trinta astrônomos amadores pagaram U$ 1.500 para ver o fenômeno de um lugar privilegiado: a bordo de um avião que foi seguindo a sombra que a lua provocou ao cobrir o sol.
Na Tailândia, fiéis acompanharam o fenômeno nos templos budistas. Os hindus rezaram no templo do deus da escuridão.
Nos países da Ásia, onde o tempo ajudou, multidões pararam para assistir ao espetáculo. No Vietnã, pôde ser visto no reflexo na água. Nas Filipinas, surgiu em meio às nuvens.
Em Xangai, na China, lotada de turistas, apreensão. O céu estava encoberto, mas na hora do eclipse, as nuvens se abriram, e lá surgiu ele, para alívio da multidão, que ficou extasiada. Em Pequim, o eclipse foi parcial. E o que mais se ouvia era: 'Eu consegui ver!'. A meteorologia dizia que não daria para ver nada aqui em Tóquio. Na hora do eclipse, estava nublado. Mesmo assim, milhares de japoneses saíram às ruas para tentar enxergar alguma coisa. Por alguns segundos, conseguiram... Atrás das nuvens apareceu uma bola luminosa parcialmente coberta pela lua. Foi só o que deu para ver, mas será, com certeza, um momento inesquecível.
A transmissão ao vivo, dos lugares onde não estava nublado, atraiu uma multidão. Fotos para mostrar e dizer: 'Eu vi!', mesmo que tenha sido por um telão.
Um espetáculo como este, somente daqui a 123 anos.
" (Roberto Kovalick, sobre o maior eclipse do século XXI in Bom Dia Brasil, ed. 22/07/2009. Disponível em Globo Vídeos.)


A reportagem, por si só, conta sobre o grande interesse de multidões por contemplar o eclipse solar, um fenômeno que ocorre quando a Lua atravessa o eixo entre a terra e o Sol. A Lua, literalmente, esconde o Sol atrás de si e tudo o que se pode ver por alguns instantes é um imenso e longínquo anel de luz que emana do Sol por detrás da Lua.

Interessante é que o Sol sempre está lá, no alto, acima de todos, dispersando luz e calor para beneficiar a Terra. Mas poucas pessoas são as que se lembram disso no seu dia-a-dia. A maioria – a grande maioria – só atenta para o Sol quando acontecem fenômenos associados a outros elementos da criação e que também lhe envolvam.

Na verdade, quando o calor é imenso, nós nos lembramos do Sol e reclamamos. Quando ele não aparece, nós também reclamamos porque muitas vezes deixamos de realizar certas atividades por causa da ausência do Sol. Contudo, vivemos de olho nas fases da Lua tentando decifrar a sua influência nas marés, no humor das pessoas, a melhor época para cortar os cabelos, para plantar, para colher, etc.

Nosso relacionamento com o Sol e com a Lua se parece muito com o nosso relacionamento com Jesus e com os astros que usam o Seu Nome, não é?

Há grande interesse de multidões em visualizar os movimentos dos astros que giram em nome de Jesus Cristo, a saber, as estrelas gospel. Mas pouca força é empregada para observar Jesus e a Sua vontade.

Embora Jesus esteja em todo o tempo nos abençoando e livrando do mal, nossa tendência primeira é reclamar quando Ele age diferente do que desejávamos, ou quando Ele simplesmente não age quando nós esperamos. Muitas pessoas apelam e, simplesmente, pressionam Deus exigindo dEle uma resposta, uma solução, como se isso tivesse algum fundamento lógico divino. É uma maneira ingrata de viver com Cristo, exatamente como fazemos ao reclamarmos sempre que o Sol está muito quente ou ausente, mas nunca agradecemos por ele manter a terra aquecida e iluminada todos os dias.

Temos o hábito de não dar o devido valor ao Sol, mas sonharmos com noites enluaradas e nos fascinarmos com a beleza exuberante da Lua e do céu estrelado. Na verdade, nos emocionamos mais com noites que têm uma bela lua e muitas estrelas do que com dias ensolarados. Cabe fazer uma interessante comparação com aquelas pessoas que sonham com seus ídolos evangélicos, adoram cantores e pregadores diversos, ainda que essas pessoas não tenham experimentado a verdadeira comunhão com Cristo. Suas vidas, muitas vezes, não deixaram a escuridão nem vivenciaram uma mudança real e completa da parte de Deus. Mas elas seguem modelos criados pela indústria fonográfica, e continuam rejeitando tomar a cruz e seguir o modelo de Cristo. Vivem impressionadas com o que falam os cantores e pregadores, mas não valorizam como deveriam o que fez Jesus, morrendo por Elas e lhes abrindo a porta da salvação, do regresso para Deus (1João 2.6; Lucas 9.23).

Acontece que, sem a lua, nós vivemos. Mas sem o Sol, não haveria vida na Terra. Da mesma forma, cantores e pregadores são importantes e há no meio deles muitos eleitos pelo SENHOR para tais ministérios. Mas esses homens não podem nem devem jamais se tornar o centro das atenções na vida de um cristão, pois nenhum deles é o Salvador, nenhum deles é santo e nem nenhum deles é capaz de transformar o coração do homem. "Todos pecaram e carecem da glória de Deus" (Romanos 3.23), pelo que somente o Espírito Santo convence o homem "do pecado, da justiça e do juízo" (João 16.7-11).

Ministros de Deus são importantes, mas os ídolos devem ser dispensados. Sem ídolos nós vivemos (e muito bem!); sem Jesus, porém, a vida é vazia, sem paz, sem luz, sem graça. Sem essa Graça de Deus, o homem é simplesmente um desgraçado. E quem já viveu (ou vive) assim sabe exatamente o quanto isso pesa. A idolatria afasta o homem de Deus assim como a Lua oculta a visão do Sol num eclipse solar. Vemos os raios do Sol por detrás dela, mas não vemos o Sol. Ouvimos o nome de Jesus das bocas dos ídolos e nos emocionamos, mas emoções não transformam vidas. Estamos ouvindo sobre o nome de Jesus para receber coisas do nosso interesse, contudo, é o interesse de Jesus Cristo que nos edifica e transforma. E o Seu interesse é que sejamos iluminados e aquecidos por Ele (1Timóteo 2.4-6).

Infelizmente, há muitos, muitos cristãos que se curvam em homenagens aos seus cantores e pregadores mas não se dobram em joelhos para conversar com Jesus. Passam horas na Internet ou com revistas gospel procurando novidades sobre cantores e pregadores da hora, mas pouco se dedicam ao estudo da Palavra de Deus, que a única forma do homem purificar-se e tornar-se sábio (Salmos 119.9; João 17.17; Isaías 5.13). Vão aos cultos para conseguir bênçãos, para fotografar e até, quem sabe, conseguir autógrafos do cantor ou pregador tão querido, mas não consideram a reverência à presença do Santíssimo, nem que os cultos são reuniões realizadas exclusivamente para adorar a Deus e aprender da Sua Palavra (2Crônicas 20; Eclesiastes 5.1; Efésios 5.18,19; Colossenses 3.16; Amós 5.23; Isaías 29.13; João 4.23,24; Salmos 57.5; Neemias 8).

Em contra-partida, nos deparamos com a triste realidade de ídolos cada vez mais buscando sua glória, querendo tampar o Sol da nossa justiça, fazer sucesso às custas do nome de Jesus. São "luas" se alinhando entre o Sol (Jesus) e os planetas (nós) que não têm luz e carecem do brilho e do calor do Sol. Eles provocam um verdadeiro eclipse espiritual e as atenções de multidões em todo o mundo estão voltadas para esses astros extravagantes, que se posicionaram no centro da nossa visão de Deus.

Tais multidões concentram-se em frente às plataformas, nas cruzadas da vitória, nos louvorzões, em megashows, formando auditórios de cultos (cultos?) cujos propósitos passam bem distantes da adoração espiritual e verdadeira (João 4.23-24) ao SENHOR. Essas multidões se contentam em ver raios do verdadeiro Sol escapando por detrás da Lua à Sua frente. Como no eclipse solar, formam um gigantesco e longínquo anel de luz que é apreciado pelos cristãos, mas não tanto quanto é a Lua – o centro das atenções. É como se acreditassem realmente que "desde que seja feito em nome de Jesus, tudo é válido e bem recebido por Deus. Por que não deveria sê-lo pelos cristãos?" Mas não é isso que Mateus 7.21-23 diz.

Além de tudo, a Lua não nos permite ver as cores nem as formas como, de fato, elas são. A luz do Sol, sim. É autêntica e perfeita. Ela nos permite ver com clareza as coisas ao nosso redor. A luz que vem da Lua é a luz do Sol refletida nela e, as formas que ela nos permite ver do mundo ao redor, muitas vezes, são apenas sombras e imagens distorcidas. Jesus nos alertou sobre isso antecipadamente. Disse que "surgirão falsos cristos e falsos profetas que realizarão grandes sinais e maravilhas para, se possível, enganar até os eleitos" (Mateus 24.24-25-NVI). São tempos já chegados, previstos também por Paulo, em que muitos "não suportarão a sã doutrina; ao contrário, sentindo coceira nos ouvidos, juntarão mestres para si mesmos, segundo os seus próprios desejos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos" (2Timóteo 4.3-4-NVI). E, então, temos tantas doutrinas falsas, tantos evangelhos diferentes, tantas heresias em nosso meio.

Deixemos os ídolos e passemos a amar mais o nosso SENHOR Jesus Cristo. Ele somente deve ser o centro, o tudo, a razão. Sem o sol não haveria eclipse. Nem mesmo a Lua poderia ser vista sem o Sol, pois ela não tem luz própria. Brilha e pode ser vista do que recebe do "astro rei".

Tanto quanto nós, planetas – astros sem luz própria – as "luas" que encontramos neste grande mercado gospel dependem de Jesus. Muitas subestimam essa verdade, embora sirvam-se do nome do SENHOR para progredirem profissionalmente. Buscar nelas uma palavra de consolo, um conforto, um socorro, é coisa muito vã. Quem faz isso, se prostra e cai (Salmos 20.7-8), vive num eterno eclipse espiritual, enfraquecido com a pouquíssima luz que recebe, e sempre errante em seu caminho.

Mas quem vive sob a intensidade da clareza e do calor dos raios que emanam de Cristo Jesus, está sempre de pé, pois tem seus ossos bastante calcificados. E segue confiante e acertadamente pelo caminho reto da salvação, até que por fim chegue ao Céu, o seu lugar de triunfo e glória eterna.

Que este Sol Maravilhoso brilhe cada vez mais sobre ti.

No amor dEle... e para o Seu louvor somente!