domingo, 3 de janeiro de 2010

Epístola de Judas: o retrato de um salvo em Jesus Cristo




Epístola de Judas: o retrato de um salvo em Jesus Cristo



Alguém, certa vez, escreveu: “Um dia me disseram uma coisa que deixou realmente preocupado: se o Senhor Jesus ainda não voltou não é por causa dos de fora da igreja e sim por causa dos de dentro!

Se confrontarmos bem a idéia implícita nessa afirmação com a realidade dos nossos dias, concluiremos que ela tem um fundamento coerente. A Igreja está repleta de pessoas que pregam em pé e nem mesmo sentadas podem suportar o que pregam. São crentes, mas não santas. São cristãs, mas não salvas.

E nós conseguimos facilmente identificar essas pessoas. Basta observar as suas atitudes, pois “uma árvore é conhecida por seu fruto.” (Mateus 12.33-NVI)

O ano que começa é propício para mudanças. E sabendo que os filhos de Deus devem manter-se constantemente numa auto-análise, te convido a fazer um exame pessoal a partir da carta de Judas, o retrato bíblico de um salvo em Cristo Jesus.

Judas, “irmão de Tiago” (e, com certeza, irmão de Jesus – Marcos 6.3) escreveu a todos os cristãos para preveni-los dos falsos mestres que estavam espalhando idéias erradas nas igrejas. Ele fez isso em 25 versos apenas. Poucos, mas suficientes para expressar que suas atitudes são de um cristão autêntico, verdadeiramente salvo no SENHOR. Vejamos...

O salvo em Cristo não tem vergonha, mas honra sua identidade celestial e assume sua posição diante do SENHOR. Veja como Judas começa sua epístola: “Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago...” e veja como ele a termina: “...Jesus Cristo, nosso SENHOR, antes de todos os tempos, agora e para todo o sempre. Amém” (v. 1 e 25). Começa admitindo-se como servo e termina reconhecido Jesus como o SENHOR. E não fez isso para seus amigos mais próximos, mas para todas as pessoas, em todos os tempos, que lerem sua carta, Judas se apresentará da mesma maneira. Ele fez questão de contar sua identidade ao mundo.

O salvo reconhece o valor e a identidade dos seus irmãos em Cristo. As palavras que seguem expressam esse gesto da parte do irmão Judas: “...aos que foram chamados, amados por Deus e Pai e guardados por Jesus Cristo....” (v.1). Não vemos nenhuma diminuição por parte do autor para com aqueles irmãos mais fracos, caídos, errados, com cargos menores que o dele, com menor formação episcopal, ou coisas assim.

Não. Judas sabia que as diferenças entre irmãos podem (e devem) ser superadas pelo amor. É o amor que leva o cristão a reconhecer que alguém continua sendo Filho de Deus, chamado, amado por Deus e guardado por Jesus Cristo, mesmo que tenha se tornado pródigo (Lucas 15.11-32).

O salvo em Cristo deseja para os outros o mesmo que deseja para si. Nem mesmo o fato de Judas ser irmão de Jesus lhe fez pensar ser maior ou melhor que seus irmãos na fé. Lemos que o discípulo desejou para seus irmãos o mesmo que procurava para si: “Misericórida, paz e amor lhes sejam multiplicados” (v. 2). Sobre qual fundamento será que muitos cristãos têm agido de forma contrária?

O salvo em Cristo tem desejo de compartilhar a salvação e a Graça que recebeu do SENHOR Jesus.Amados, embora estivesse muito ansioso por lhes escrever acerca da salvação que compartilhamos...” (v. 3). Ele não se enclausura entre quatro paredes de um templo e se obstina a buscar todo tipo de bênçãos somente para si. Não. Ele tem necessidade de compartilhar essas bênçãos com outros irmãos e também com necessitados da fé, que perecem no mundo inconscientes do abundante amor e perdão de Deus.

O salvo em Cristo é sensível às necessidades do próximo. Diferente da maioria de canções e pregações que ouvimos hoje, cujo centro é o próprio eu, a atitude de um salvo é olhar para a necessidade do próximo com olhos de amor, visando a glória de Deus. “Senti que era necessário escrever-lhes...” (v.3). Judas viu a necessidade de alertar seu povo para que Deus fosse glorificado em todo o seu estilo santo de vida.

A carta de Judas fez muita diferença para o povo de Deus. E certamente não foi uma epístola escrita em alguns minutos, como fazemos com um e-mail. Considerando as dificuldades daquele tempo e a dedicação daqueles homens que compunham o apostolado de Cristo podemos, sem questionar, concluir que ele deixou muitos afazeres pessoais para cuidar de algo coletivo e de interesse celeste. É que Judas era um salvo, e salvos são sensíveis às necessidades do mundo e à vontade de Deus.

O salvo em Cristo encoraja os irmãos a perseverarem. Mesmo que sob intensa perseguição, o amado Judas entendeu que deveria escrever aos seus irmãos na fé, “insistindo que batalhassem pela fé de uma vez por todas confiada aos santos” (v.3). Na sua fraqueza ele foi forte (2Coríntios 12.10) e, ainda que estivesse passando por lutas intensas encontrou forças para aconselhar e encorajar. Judas sabia bem que momentos de tribulação não são suficientemente fortes para calar a boca de um salvo.

O salvo em Cristo adverte o próximo sobre os riscos do pecado e da perdição. Não era porque Judas amava seus irmãos da fé que ele deixaria de exortá-los à luz da Bíblia. Por isso, advertiu: “Certos homens, cuja condenação já estava sentenciada há muito tempo, infiltraram-se dissimuladamente no meio de vocês. Estes são ímpios, e transformam a Graça de nosso Deus em libertinagem e negam Jesus Cristo, nosso único Soberano e SENHOR. Embora vocês já tenham conhecimento de tudo isso, quero lembrar-lhes que o SENHOR libertou um povo do Egito mas, posteriormente, destruiu os que não creram” (v.4-5).

O compromisso de Judas não era primariamente com homens, mas com Deus. Por isso, foi severo em lembrar-lhes que sem santidade, renúncia e obediência, não haverá salvação (Hebreus 12.14; Efésios 1.4; Isaías 5.20-24).

O salvo em Cristo prega a Bíblia e não foge dela. Judas, do começo ao fim de sua carta, usou princípios bíblicos para apoiar suas palavras. Um exemplo está nos versos 6 a 16, transcritos a seguir:

____6 “E, quanto aos anjos que não conservaram suas posições de autoridade mas abandonaram sua própria morada, Ele [o SENHOR] os tem guardado em trevas, presos com correntes eternas para o juízo do grande Dia. 7 De modo semelhante a estes, Sodoma e Gomorra e as cidades em redor se entregaram à imoralidade e a relações sexuais antinaturais. Estando sob o castigo do fogo eterno, elas servem de exemplo. 8 Da mesma forma, estes sonhadores contaminam o próprio corpo, rejeitam as autoridades e difamam os seres celestiais. 9 Contudo, nem mesmo o arcanjo Miguel, quando estava disputando com o diabo acerca do corpo de Moisés, ousou fazer acusação injuriosa contra ele, mas disse: ‘O SENHOR o repreenda!’ 10 Todavia, esses tais difamam tudo o que não entendem; e as coisas que entendem por instinto, como animais irracionais, nessas mesmas coisas se corrompem.
____11 Ai deles! Pois seguiram o caminho de Caim, buscando o lucro caíram no erro de Balaão, e foram destruídos na rebelião de Corá. 12 Esses homens são rochas submersas nas festas de fraternidade que vocês fazem, comendo com vocês de maneira desonrosa. São pastores que só cuidam de si mesmos. São nuvens sem água, impelidas pelo vento; árvores de outono, sem frutos, duas vezes mortas, arrancadas pela raiz. 13 São ondas bravias do mar, espumando seus próprios atos vergonhosos; estrelas errantes, para as quais estão reservadas para sempre as mais densas trevas.
____14 Enoque, o sétimo a partir de Adão, profetizou acerca deles: ‘Vejam, o SENHOR vem com milhares de milhares de Seus santos, 15 para julgar a todos e convencer todos os ímpios a respeito de todos os atos de impiedade que eles cometeram impiamente e acerca de todas as palavras insolentes que os pecadores ímpios falaram contra Ele’. 16 Essas pessoas vivem se queixando, descontentes com a sua sorte, e seguem os seus próprios desejos impuros; são cheias de si e adulam os outros por interesse.”

Um relato fiel sobre os nossos dias, não é?

A diferença é que Judas, conhecendo a Bíblia, usou dela mesma para provar onde estavam os erros dos falsos profetas e os denunciou de forma aberta e ousada ao mundo. A maioria dos cristãos de hoje não segue essa linha. Prefere viver em paz com todos ao redor e evitar desgastes dos quais a Igreja primitiva jamais se desviou por amor a Jesus.

O salvo em Cristo identifica e denuncia o pecado. Assim como nos versos que lemos acima (6 a 16), Judas prossegue identificando o pecado ao seu redor e denunciando-o: “Todavia, amados, lembrem-se do que foi predito pelos apóstolos de nosso SENHOR Jesus Cristo. Eles diziam a vocês: ‘Nos últimos tempos haverá zombadores que seguirão os seus próprios desejos ímpios”. Estes são os que causam divisões entre vocês, os quais seguem a tendência da sua própria alma e não têm o Espírito” (v. 17-19).

É lastimável ver como desejos pessoais têm interferido e redimensionado os propósitos do povo de Deus nesses últimos dias! E mais deplorável ainda é verificar a aceitação pacífica com que os cristãos lidam com isso.

Judas fez a diferença em sua geração porque ele, assim como os demais apóstolos do SENHOR, se recusou a aceitar o mundanismo dentro da Igreja de Jesus Cristo. Eles identificaram o pecado, renunciaram o pecado, denunciaram o pecado e se empenharam a instruir a Igreja a fazer o mesmo. Não é à toa que mereceriam um espaço entre os autores das Páginas Sagradas e um galardão extraordinário no Céu.

Para os cristãos de hoje, a missão é um pouco mais fácil. Basta seguir o que nossos irmãos primitivos já nos apontaram, e não erraremos o caminho.

O salvo em Cristo dá bons conselhos, embora digam por aí que “se conselho fosse bom não era dado mas sim vendido” (ditado popular). Contudo, a Bíblia prova exatamente o contrário: bons conselhos precisam estar mais altos do que interesses pessoais e devem ser transmitidos gratuitamente, de forma a alcançar o maior número possível de pessoas. Judas fez isso. Veja:

“Edifiquem-se, porém, amados, na santíssima fé que vocês têm, orando no Espírito Santo. Mantenham-se no amor de Deus, enquanto esperam que a misericórdia de nosso SENHOR Jesus Cristo os leve para a vida eterna.” (v. 20-21)

Quem guardar esses preciosos conselhos viverá em Paz com Deus aqui e, no além, entrará com honra pelos portões celestiais.

O salvo em Cristo busca a vida eterna. Os versos 20-21 supracitados, mostram que conselhos de Judas não visam posses e bens, embora saibamos que todos os homens têm necessidades materiais e que Deus é capaz de supri-las perfeitamente (Mateus 6.25-34). A prioridade dos salvos é a vida eterna e, para alcançá-la, renunciam tudo o que for necessário nesse mundo e em si mesmos.

Por isso, diferentemente do evangelho da prosperidade que visa apenas o enriquecimento material, os “que foram chamados, amados por Deus e Pai e guardados por Jesus Cristo...” (v.1) não esperam em Cristo somente para esta vida aqui para que não sejam “os mais miseráveis de todos os homens” (1Coríntios 15.19-ACF).

O salvo em Cristo é primeiramente espiritual e pratica aquilo que é bom e eterno. Os próximos conselhos de Judas incentivam o trabalho incessante pelo Reino de Deus, a fim de demonstrar aos homens deste mundo o que Jesus declarou no alto da cruz: “Tenham compaixão daqueles que duvidam; a outros, salvem, arrebatando-os do fogo; a outros ainda, mostrem misericórdia com temor, odiando até a roupa contaminada pela carne” (v. 22-23).

Judas sabia que se o sal não prestar e não salgar, somente servirá para ser jogado fora e pisado por homens iguais ou ainda piores do que ele (Mateus 5.13). E se este servo tinha tanta honra a receber das mãos do próprio SENHOR (Apocalipse 2.20), por que guardar seus talentos e se tornar uma luz apagada, confundida com as trevas exteriores às quais será lançado se encontrado em reprovação pelo mesmo SENHOR que lhe capacita e auxilia a vencer todo o mal? (Gênesis 28.15; Isaías 41.10; João 14.12)

O salvo em Cristo remete todo poder e toda glória a Jesus, por maiores que sejam os seus troféus neste mundo. Tenha quantas faculdades tiver, seja reconhecido entre os homens como for, o crente fiel atribui a Jesus – e somente a Ele – toda honra, e permanece humilde entre os seus irmãos. E permanece assim de todo coração, não apenas de palavras, tentando convencer as pessoas ao seu redor sobre uma santidade que suas frases gritam mas suas atitudes não demonstram.

Esses dois versos que encerram a epístola de Judas formam uma doxologia (fórmula de louvor e glorificação) que, em nossas vidas, deveria encerrar cada dia e abrir cada noite e vice-versa.

Àquele que é poderoso para impedir-lhes de cair e para apresentá-los diante da Sua glória sem mácula e com grande alegria, ao único Deus, nosso Salvador, sejam glória, majestade, poder e autoridade, mediante Jesus Cristo, nosso SENHOR, antes de todos os tempos, agora e para todo o sempre! Amém” (v. 24-25).

Em suas palavras, o irmão Judas expressa a fé em um Deus que está acima de qualquer fraqueza humana e de qualquer contratempo exterior.

Atribui-Lhe, também, a exclusividade do poder e do domínio sobre o amplo reino das trevas, trevas que são capazes de consumir o homem da existência em frações de segundo, com maior ferocidade do que o fogo de um grande incêndio transforma uma pequena folha de papel em cinzas.

Cindy Hess Kasper conta uma experiência que ilustra e esclarece melhor o que quero dizer. Ela diz:

____“A estrada que serpenteia pela margem sul do Lago Michigan é muitas vezes traiçoeira no inverno. Certo fim de semana em que dirigíamos voltando de Chicago, para Grand Rapids, nos EUA, um acúmulo de neve e gelo fez o tráfego ir devagar, causou inúmeros acidentes,e quase dobrou o tempo que teríamos que dirigir. Ficamos aliviados quando saímos da rodovia expressa para o trecho final da estrada. Foi então que meu marido disse alto: ‘Obrigado, SENHOR. Acho que posso dirigir daqui em diante.’
____Ao finalizar suas palavras, nosso carro fez um giro de 180 graus. Quando paramos, com os corações batendo forte, dava só para imaginar Deus dizendo: ‘Tem certeza?’.”
[1]

Sabendo que somos apenas pó (Salmos 103.14) e que podemos ser consumidos facilmente pelo peso do mal, o SENHOR tem Se prontificado a dirigir nossas vidas, a estar conosco “todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mateus 28.20), para nos dar todo o suporte que precisamos pra vencermos as trevas e alcançarmos o Céu (Romanos 8.37; Filipenses 4.13).

Deus sabe que somos totalmente dependentes de Deus a cada segundo de nossas vidas. E todo o esforço que Ele espera de nós é apenas que compreendamos isso também.

As palavras de Judas, servo do SENHOR, apontam, ainda, o lugar onde Deus merece estar em nossos louvores, mas não somente quando nossas alegrias pesam mais que nossas tristezas. Porém, “antes de todos os tempos, agora e para todo o sempre!” (v. 25).

Adoração sincera e espontânea antes, durante e depois da tempestade. Não somente depois que atravessarmos o grande mar, quando (e se) o mar se abrir.

Por fim, a carta de Judas é o retrato de pessoas que estão aqui na terra aprendendo a viverem como cidadãs do Céu. Elas entendem que é por causa da rica misericórdia de Deus que suas vidas estão amarradas ao futuro de Jesus ao invés do futuro que teriam merecido.

E é por isso que vivem de forma diferente, são facilmente identificadas no meio em que estão, e não se corrompem pelo pecado, não negociam sua fé, não trocam sua cruz pela coroa dos homens. Uma vez livres em Jesus, permanecem vivendo a liberdade que o SENHOR lhes concedeu, e influenciam pessoas que buscam uma novidade de vida, pessoas que jazem neste mundo perdido.

Se até aqui sua história foi diferente do que requer a carta de Judas, aproveite a oportunidade e comece este ano com um novo propósito, buscando em Deus uma mudança completa e constante.

O ano é novo mas a proposta de Deus para você é antiga. E o Sangue de Cristo permanece a postos para reescrever a sua história.

O caderno é o seu coração.

Apenas abra-o.

No amor do Eterno, Aquele capaz de realizar gloriosas mudanças em você e por você.

_____________________

[1] Nosso Andar Diário. 1º trimestre de 2010. RBC Ministries, Grand Rapids, Michigan, USA. Devocional de 02 de janeiro de 2010. Edição em português.
[2] Toda a citação da carta de Judas foi extraída da Bíblia na Nova Versão Internacional.