segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A procura do Pai desaparecido





À PROCURA DO PAI DESAPARECIDO


Se um dos seus filhos se perdesse (caso você tenha filhos), como você faria para encontrá-lo?

Ficaria sentado à frente da televisão, comendo pipoca, assistindo um bom filme e, vez em quando, chamando pelo nome do desaparecido? Ou, quem sabe, faria um churrasco de domingo, convidaria seus amigos e, entre um copo e outro de refrigerante (ou de cerveja!) comentaria o nome da criança desaparecida, na esperança de encontrá-la?

Certamente que não. Minhas hipóteses, no mínimo, parecem loucura e terrível insensibilidade em se tratando de um filho desaparecido. Afinal, trata-se de uma pessoa que é sangue do seu sangue, e não de um cachorrinho que fugiu para a rua e nunca mais voltou. (Se bem que há muitos pais que valorizam – e até parecem amar – mais seus bichos de estimação do que os próprios filhos... Mas isso não vem ao caso agora.)

A realidade é que você, provavelmente, se desesperaria e tomaria uma iniciativa para reaver seu filho. Sairia de casa em casa conversando com os vizinhos e conhecidos, pediria informações a estranhos, publicaria fotos pela cidade inteira, ligaria a cada quinze minutos para o celular dele, chamaria a imprensa, reviraria cada esquina, cada beco, cada barracão abandonado. Passaria freqüentemente por todos os lugares que ele comumente freqüentava. Iniciaria uma maratona infindável a hospitais, delegacias, I.M.L. Tudo porque seu filho é seu maior tesouro e você não admite perdê-lo.

Mas e, quando se trata do Deus que te deu seu filho, sua vida e tudo o que você tem, como você O procura (se é que procura)?

Esporadicamente você chama pelo Seu nome ou pergunta se alguém onde Ele está? Comenta sobre Ele enquanto trabalha calmamente, como se seu Pai estivesse sempre – e sempre – ao seu lado? Fica tranqüilo e segue sua vida normalmente, esperando que Ele entre repentinamente pela sua porta e diga: “Eu voltei! Voltei para ficar. Porque aqui, aqui é o meu lugar...”? (Essa citação é um trecho da música O portão, de Roberto Carlos. Eu ouvia muito quando Jesus ainda não era a única música da minha alma e nem o único motivo e o único tema do meu cantar. Eu escolhi dedicar tudo isso somente a Ele. E sou muito feliz por isso!)

Ou, na sua procura por Deus, é correto afirmar que arde em seu coração o desejo de encontrar o SENHOR assim como arderia o de reencontrar seu filho perdido? (Olha que, se o SENHOR é o seu Pai de amor, o sangue derramado na cruz deve estar jorrando em você também!). Será que você vai a lugares prováveis onde Ele possa estar? Procura ter mais informações sobre o Seu paradeiro lendo literaturas apropriadas que possam te ajudar a encontrar o Pai? Você pede ajuda e informações às pessoas que legitimamente andam com Ele?

(Honestamente, eu espero que seu perfil de filho se enquadre no último parágrafo que escrevi acima.)

Mas, faça comigo outra reflexão: você se contentaria apenas em ter noticias sobre seu filho sumido? Certamente que não. Natural e imediatamente você correria para o local onde disseram que ele foi visto pela última vez, na esperança encontrá-lo ou de, pelo menos, encontrar novas pistas sobre o seu paradeiro.

Contudo, acredite: como há pessoas satisfeitas apenas em ter notícias sobre Deus! Elas sabem que Ele existe e acreditam que Ele é Pai de todos. Mas veja só quanta contradição: elas mesmas são filhos e filhas que, ou se perderam do seu Pai, ou não O conhecem ainda, não sabem como Ele é, nem onde Ele está e nem como encontrá-Lo (e ainda menos se importam com isso!). E, quando sabem, simplesmente não vão à Sua casa.

Agora, permita-me fazer ainda uma última pergunta: Você se contentaria em receber apenas as roupas de seu filho e não ter o paradeiro do próprio menino? “Jamais!” Certamente é a sua resposta. Nesse caso, a sua busca se intensificaria ainda mais, pois agora você admitiria a hipótese de morte. E o seu precioso filho, vivo ou morto, merece a honra de ser cuidado pela sua família.

Porém, imagine só a quantidade de pessoas que se contentam apenas com as coisas que chegam em nome de Deus. Elas não se importam se Ele é um Deus vivo ou inanimado. Querem apenas riquezas, exigem prosperidade, boas colheitas, sucesso e prestígio, estabilidade social. Mas não entendem que se elas encontrarem o Dono das bênçãos, conhecerão alguém muito mais importante e agradável que todas as riquezas que possam ter. E, junto à satisfação de conhecer Deus, elas se tornariam ainda mais ricas e, o que é melhor: receberiam riquezas eternas!

Eu amo os que Me amam, e quem Me procura Me encontra.” (Provérbios 8.17)

Os que procuram Deus, Lhe encontram. Os que procuram apenas o conforto que Ele pode dar, até encontram conforto vez em quando, mas não encontram Deus. E permanecem vazios em seus corações.

É que o coração do homem é a morada que Deus escolheu para habitar eternamente (Ezequiel 36.26-27). Se Ele não está lá, a casa permanece vazia, tal qual o quarto do filho desaparecido, que foi preservado intacto com seus pertences no devido lugar, esperando o seu regresso, que nunca aconteceu. O quarto está cheio de móveis e objetos, mas permanece vazio pois o seu dono está distante. A casa de Deus estará vazia, porque coisas que lembram o SENHOR estão lá, mas Ele não.

Procurar exige um firme esforço, um deslocamento constante de lugar, uma imutável atitude de ir ao encontro, um permanente empenho por encontrar. Só quem perdeu bens valiosos é que sabe disso.

Se você perdeu-se do Pai, por qualquer motivo que seja (afastamento da família de Deus, esfriamento da fé, afastamento do próprio Deus, ou ainda não foi apresentado a Deus), pode até parecer que Ele esteja muito distante de você agora, mas certamente não está mais longe que a distância de uma oração sincera e contrita.

Meu conselho é que você ore espontaneamente e cheio de sentimentos pelo SENHOR que te criou e te formou, e que te sustentou até aqui. Informe-se mais sobre Ele através da Sua Palavra e freqüente uma Igreja que pratique a Bíblia corretamente. Seguindo esses conselhos, com certeza você encontrará o Pai que você perdeu.

Palavras de uma testemunha que se encontrou com Ele neste mesmo caminho há poucos instantes.