quarta-feira, 23 de junho de 2010

Da maneira correta...




Há muitos dias estou tentando escrever algo para atualizar o blog, mas nada estava dando certo. Já andei até selecionando assuntos e fatos, tentando tirar deles uma lição para publicar aqui, mas nada fluiu.

Dia desses, enquanto voltava do trabalho para casa, de dentro do ônibus eu cheguei a dizer em meu espírito ao SENHOR: “Se acontecer algo extraordinário até o momento em que eu entrar pela porta de casa, esse será o assunto da próxima publicação do blog”.

E realmente aconteceu – o que de mais extraordinário poderia acontecer: Eu cheguei bem em casa naquele dia também.

Parece um assunto tão simplório para preencher as próximas dezenas de parágrafos e garantir a sua atenção nessa mensagem... Mas prefiro arriscar e prosseguir nessa meditação.

O fato de qualquer um de nós chegar bem em casa, chegar bem ao trabalho, chegar bem a qualquer lugar a que formos, ou simplesmente chegar bem ao próximo segundo de vida, é sempre uma oportunidade que o SENHOR nos dá para recomeçarmos a vida da maneira correta.
Um exemplo simples da salvação de Deus, do Seu cuidado na vida do homem e da oportunidade de recomeço que o SENHOR dá a todo aquele que Ele chamou à Sua presença é Moisés.

Quando Moisés nasceu, as condições exteriores eram nada favoráveis a ele. Com medo de que os israelitas se multiplicassem em quantidade por causa da fertilidade daquele povo, além de submetê-los à dura opressão e cruel escravidão, o rei do Egito também ordenou às parteiras dos hebreus que verificassem se os filhos dos partos que elas fizessem eram meninos. Sendo, as parteiras deveriam matá-los. Quanto às crianças nascidas meninas, deveriam viver. Mas “as parteiras temeram a Deus e não obedeceram às ordens do rei do Egito; deixaram viver os meninos” (Êxodo 1 - NVI).

Em meio a toda essa adversidade foi que nasceu Moisés, o homem que o SENHOR usaria para libertar o Seu povo do julgo de faraó. A princípio, a mãe de Moisés tentou escondê-lo. Depois de três meses, quando já não podia mais esconder o menino, a mãe de Moisés “pegou um cesto feito de junco e o vedou com piche e betume. Colocou nele o menino e deixou o cesto entre os juncos, à margem do Nilo. A irmã do menino ficou observando de longe para ver o que lhe aconteceria.” (Êxodo 2.3-4 - NVI)

Encontrado por uma das servas da filha de faraó, Moisés foi levado com a ajuda da sua própria irmã para os braços da sua mãe, que o amamentou e criou, sem que a filha de faraó soubesse que se tratava da mãe verdadeira (Êxodo 2.5-10). E essa foi uma providência divina, uma demonstração do cuidado do SENHOR sobre aqueles com quem Ele tem um propósito.

Deus tinha, de fato, uma grande missão para Moisés, que em nada é diferente da minha ou da sua em se tratando da qualidade. Minha vida de professora pública pode parecer tão insignificante diante da de Moisés, um homem “instruído em toda a ciência dos egípcios” e “poderoso em suas palavras e obras” (Atos 7.22 – ACF). A sua vida também, com toda essa simplicidade e todas essas privações, limitações e imperfeições que você carrega...

Mas quem disse que Deus usa pessoas perfeitas?

Veja o caso de João Batista - o escolhido para anunciar a vinda do Messias. Não se tratava de ninguém com muita habilidade ou jeito. Veja o comentário de Dennis Downing sobre esse ilustre servo de Deus:

(...) Era uma figura esquisita. Ele morava no deserto, comia insetos e se vestia com peles de animais. Ele pregava sobre assuntos nada agradáveis como pecado e arrependimento. E ele fez isso em termos bem radicais. Hoje, João Batista certamente não seria visto com um bom candidato para fazer propaganda, para iniciar uma campanha para chamar a atenção das pessoas, para proclamar a vinda do Reino de Deus. Mas, aí está um dos grandes segredos do Evangelho. O importante não é o mensageiro e sim a mensagem. (...) Era alguém rude e sem sofisticação. Mas, era alguém obediente a Deus, e que estava pronto, a qualquer hora, de qualquer jeito para anunciar que o maior presente de todos os tempos estava sendo enviado por Deus. [*]

Mas, voltemos a Moisés...

O que temos a falar de Moisés? Que ele matou um egípcio e se tornou um fugitivo (Êxodo 2.11-25). Assassinos e fugitivos fogem totalmente dos padrões de pessoas qualificadas para realizarem grandes obras para os homens, não é mesmo? Mesmo assim, o SENHOR não desistiu da missão de Moisés, que era específica para o que aquele povo precisava naquela época. A minha e a sua missão se referem ao que nosso povo necessita agora. E diante do SENHOR, nenhum desses feitos (nem os nossos nem os de Moisés) sobressai a outros, porque não são obras que impressionam o SENHOR, mas nossa prontidão em realizá-las com amor e sob a dependência do SENHOR (Gálatas 2.16; 3.11).

Mas onde está o recomeço?

Deus deu o livramento para Moisés quando recém-nascido; proveu para ele uma família e trabalho (Êxodo 2.16-25, 3.1), apresentou-lhe Seu chamado (Êxodo 3.2-22), capacitou-o para realizá-lo (Êxodo 4) e formou com ele uma união permanente em toda a sua obra e peregrinação (Números 12.5-8). Superar suas dificuldades, perdoar-se pelos próprios erros, recomeçar em Deus e permitir-se ser sempre conduzido por Ele era a tarefa que cabia a Moisés.

E isso é exatamente o que acontece conosco. Cada minuto de vida é uma oportunidade que temos de rever nossos conceitos e reavaliar as motivações e a intensidade do nosso relacionamento como SENHOR e como o mundo.

Com tanta maldade aflorando pelo mundo, violência por todos os cantos e em proporções e formas cada vez mais impressionantes, com tantas doenças e epidemias, incontáveis catástrofes naturais, mediante a instabilidade dos relacionamentos e pactos humanos, o que nós podemos ter de certeza sobre o nosso futuro? Chegaremos bem em casa após um longo dia de trabalho? Voltaremos das compras no mercado? Veremos nossos filhos crescerem? Concluiremos a próxima tarefa? (...Eu estou perseverante que conseguirei concluir esse texto!)

A Bíblia não nos assegura que “quem tem promessa não morre”, como querem muitos pretensiosos transmissores de um evangelho torto, anátema e falso que não vem do SENHOR Jesus Cristo (2Timóteo 4.3-4) e que tem sido pregado veementemente em nossos dias. Mas Ela (a Palavra de Deus) nos assegura que se estivermos prontos para sermos recebidos por Cristo (seja pela morte ou pelo arrebatamento), nossa história terá um rumo incomparavelmente mealhor (Filipenses 1.21; 1Tessalonicenses 4.16-17; Lucas 12.35-38).

E sobre nossa estada nesta vida, a Bíblia é enfática em declarar que “os olhos do Senhor estão sobre os justos, e os seus ouvidos atentos ao seu clamor”, que “os justos clamam, e o Senhor os ouve, e os livra de todas as suas angústias”, que “os braços dos ímpios se quebrarão, mas o Senhor sustém os justos” (Salmos 34.15,17 e 37.17 - ACF). E justo é todo aquele que recebeu a Cristo e caminha nos propósitos do SENHOR. Quando Deus olha para um dos Seus ele o vê pelas lentes de Cristo, ou através da obra na cruz do Calvário. Fora disso, não há justificação para o homem. Nossa opinião humana de justo é de alguém que faz boas obras. A de Deus é de quem vive cada minuto buscando nos exemplos de Cristo a maneira correta para o seu viver.

Deus tem um propósito santo com cada um de nós (Jó 5.17-18; 1Timóteo 2.1-4; 1Tessalonicenses 4.3; Filipenses 2.14-15), e nos capacita para realizá-lo, seja ele grande ou pequeno aos nossos olhos. Para o SENHOR, que é o Criador de tudo e SENHOR de todos, não há diferença na qualidade desses propósitos, pois todos são para a Sua glória e para a edificação do Seu povo (Romanos 8.28; 1Coríntios 10.31; Efésios 1.14). Moisés até tentou se esquivar (Êxodo 3.11,13; 4.1,10,13), mas o SENHOR o convenceu que Ele era o SENHOR da sua vida, que Ele está sempre à frente de toda obra a que incumbe Seus servos e que é Ele mesmo quem faz gloriosas realizações através do homem.

Se Moisés tivesse trancado seu coração para o SENHOR, ele não teria sido a bênção que foi para os hebreus e nem inspiração para todas as gerações seguintes. Se ele não tivesse recomeçado em Deus depois de se tornar assassino e fugitivo, teria sido só mais um a vagar no mundo e, distante do SENHOR, se perderia da vida junto ao Santíssimo (aqui e na eternidade). Mas “pela fé Moisés, já adulto, recusou ser chamado filho da filha de faraó, preferindo ser maltratado com o povo de Deus a desfrutar os prazeres do pecado durante algum tempo. Por amor de Cristo, considerou sua desonra uma fraqueza maior do que os tesouros do Egito, porque contemplava a sua recompensa. Pela fé saiu do Egito, não temendo a ira do rei, e perseverou, porque via aquele que é invisível. Pela fé celebrou a Páscoa e fez a aspersão do sangue para que o destruidor não tocasse nos filhos mais velhos dos israelitas”. (Hebreus 11.24-28)

Talvez o que esteja faltando em nós para que nos aproximemos mais do SENHOR seja amadurecimento espiritual, seja tornar-nos “adultos” como Moisés e fazermos a escolha certa de recomeçar no SENHOR, guiados pela visão dos Céus, seja qual for a circunstância. Talvez falte celebrarmos a verdadeira páscoa do SENHOR, fazendo aspersão do sangue de Cristo para que o destruidor não toque nos tesouros mais imensos que o Eterno já nos deu – a nossa comunhão com Ele.

Talvez, tudo o que tenhamos que fazer agora, é acreditar e viver conscientes que cada hora que temos nesta vida é um grande canteiro de obras espirituais, de fé a ser concretizada, de testemunhos a serem repassados, de bênçãos a serem compartilhadas.

E se você conseguiu terminar a leitura desse texto com vida (Oh, aleluia!), adore de todo coração ao SENHOR porque você tem a oportunidade de recomeçar exatamente agora em Cristo Jesus, com mais sabedoria, santidade e entrega...

Nós não temos capacidade de saber sobre os nossos próximos cinco minutos (Tiago 4.14-15) de vida. Mas o SENHOR sabe.

E nos convida por meio dessa mensagem a vivê-los da maneira correta.

No amor dEle.


[*] Dennis Downing. Vida em Cristo: A missão de São João. In: Iluminalma