segunda-feira, 9 de agosto de 2010

“Irmã” Dilma Rousseff prega para evangélicos


Multidão de evangélicos vai a evento sem saber para onde estava indo
Por Julio Severo

Em época de eleição, vale tudo. Vale se fazer de diabo nos lugares infernais — o que é moleza para muitos. E vale se fazer de anjo nas igrejas — o que é muito difícil para os políticos infernais, mas nada que uma boa maquiagem e encenação teatral não ajudem. De olho nos 34 milhões de votos evangélicos, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, esteve numa grande igreja Assembleia de Deus e firmou compromisso de não propor temas como o aborto e a união homossexual, considerados polêmicos pelos evangélicos, se chegar à presidência.

Lula fez a mesmíssima promessa em 2002. E agora?

Agora a missão do Bispo Manoel Ferreira, líder supremo da segunda maior denominação assembleiana do Brasil, é tentar aglutinar e unir o maior número possível de igrejas evangélicas.

Uma multidão de 2.000 homens, mulheres e crianças de denominações como a Assembleia de Deus, Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra, Igreja Universal do Reino de Deus e de outras 13 igrejas evangélicas se reuniram, em Brasília, para encontro promovido pelo Bispo Manoel Ferreira, Bispo Robson Rodovalho e Senador Marcelo Crivella.

Pastores regionais da Assembleia de Deus da Madureira fizeram presença no encontro, movidos pela truculência denominacional de Ferreira, que cuspiria fogo e enxofre se eles faltassem.

Com exceção dos pastores e bispos, que conheciam de antemão a finalidade do evento, o público evangélico foi levado, de Bíblia na mão, de ônibus fretado grátis, de diversas regiões ao redor de Brasília, sem saber exatamente o que era o encontro. De acordo com testemunho pessoal fornecido ao Blog Julio Severo, eles achavam que ouviriam um grande pregador.

Entretanto, em vez de pregador, eles acabaram ouvindo a “pregação” da Dilma, que estava com o deputado Benedito Domingos (PP), citado do escândalo do mensalão do Distrito Federal. O evento ocorreu no principal templo da Assembleia de Deus de Brasília, na Asa Sul, no sábado passado.

Ali, Bispo Manoel Ferreira e Bispo Robson Rodovalho anunciaram oficialmente seu apoio a Dilma, porque ela se comprometeu a recuar em alguns pontos do PNDH-3.

O público estava desconfiado e apático, mas Ferreira assegurou que Dilma é digna do voto evangélico, alegando que ela havia sido uma das responsáveis pela mudança em 2003 no artigo do Código Civil que colocava em risco as igrejas.

Contudo, a memória de Ferreira parece andar fraca. Em 2003 Dilma era apenas a ministra de Minas e Energia e não tinha nada a ver com o Código Civil. Quem fez a mudança foi a Bancada Evangélica.

No evento realizado no templo da Assembleia de Deus, Dilma citou o capítulo da Bíblia que trata do milagre da multiplicação dos pães. Ela disse que quer fazer pelo Brasil a mesma coisa que Jesus Cristo fez. “Quero uma sociedade em que o princípio da distribuição e multiplicação seja base no sentido mais profundo. Eu sou a favor da vida”, pregou ela.

Mesmo sendo a favor do aborto e do homossexualismo, ela se considera a favor da vida e da família. Como se isso não fosse absurdo suficiente, Lula declarou recentemente que Dilma é igual a Jesus Cristo. Tomando literalmente essas palavras elogiosas de Lula, no evento assembleiano Dilma também citou João 10:10, que diz que Jesus Cristo veio que todos tenham vida e vida em abundância.

Como agora ela é igual a Jesus, se ganhar para presidente ela espera imitar o Mestre e “dar vida e vida em abundância”? Para alguém que fazia parte de um grupo terrorista comunista que matava, roubava e torturava, Dilma pensa que abundância de propaganda enganosa joga para debaixo do tapete seu passado sombrio e criminoso.

Ela terminou sua pregação citando Salomão. Depois disse “Paz seja convosco”, acenou, sorriu e saiu.

Apesar de tudo, Deus usou um homem. O técnico em eletrônica Silvio Moreira Santos, 35, levou uma faixa onde estava escrito “Apoiar a Dilma é negar a Bíblia”. Ele gritou na chegada de Dilma: “Essa senhora apoia o aborto e o casamento gay. Somos contra. Essa mulher não pode ganhar”.

Mas entre os grandes, em vez de voz profética, havia apenas bajulação. Benedito Domingos, que é candidato à reeleição para a Câmara Legislativa, elogiou a pregação de Dilma. “Ela foi bem instruída. Quando disse que defende a vida, está querendo dizer que é contra o aborto. Quando a candidata falou que valoriza a família, eu entendo que ela não deve ser a favor do casamento homossexual”, analisou ele.

Agora que Manoel Ferreira, Robson Rodovalho e Marcelo Crivella deram aprovação, vocês já podem convidar a “irmã” Dilma para pregar em suas igrejas. Não a recebam como pastora, bispa ou apóstola. De acordo com Lula, ela é igual a Jesus Cristo. Por isso, diante dela agora prostram-se tantos pastores, bispos e apóstolos evangélicos.

Com informações de diversas fontes de notícias.

Fonte: Júlio Severo


Nosso comentário – É lastimável ver a que nível desceu a moral do povo que se chama pelo nome do SENHOR!

Em nome de interesses pessoais e da política, líderes (grandes líderes!) evangélicos se corrompem e tentam corromper seus liderados, fazendo inclusive o uso indevido da Bíblia para justificar sua carreira e intenções políticas, e ainda divulgando campanhas políticas em vez de culto de adoração a Deus, com o único interesse de obter aprovação (para ele ou para outros) no pleito.

Toda véspera de eleição é comum ver o altar se transformar em palanque e as portas dos templos se abrindo para toda classe de charlatanismo. Contudo, em qualquer tempo, o povo de Deus – o povo que realmente forma a Igreja santa de Jesus Cristo – deve ser contra a promiscuidade entre políticos e religiosos. Dos políticos espera-se que façam de tudo para serem eleitos, mas de pastores espera-se que mantenham a dignidade do evangelho. Infelizmente, boa parte deles mostra-se pior que os piores políticos.

“Lamentavelmente, os próximos meses tornarão muitas igrejas em comitês eleitorais. Em muitos lugares do Brasil, principalmente longe dos grandes centros, pastores trocarão alguns minutos de púlpito por bancos novos, o gasofilácio será convertido em uma urna para "doações" e algumas congregações com poucos recursos, inesperadamente, vão pintar o prédio, trocar os vidros quebrados e comprar novos microfones, equipamentos de som e instrumentos. (...) O problema está no verdadeiro estupro da Verdade e violação da igreja como palanque político. A igreja, como lugar de ajuntamento dos santos, não deve ser usada como espaço para discurso político. Ali é um lugar para se proclamar o Nome que é sobre todo Nome e nada mais.” (Daniel Clós César, do Púlpito Cristão)

A Igreja é casa de oração e não de campanha eleitoral. E como Igreja é muito mais que um lugar físico – é um povo que se une pelo elo do Espírito Santo em todos os lugares e tempos dessa terra – então, os políticos, se com suas hipocrisias e intenções indecorosas, não cabem em lugar algum onde a Noiva de Cristo esteja reunida.