domingo, 14 de novembro de 2010

Cristãos...



Falar sobre a vida cristã é algo polêmico, pois nem sempre encontramos pessoas dispostas a reverem seus conceitos, valores e posturas diante de Deus, pois este é o tempo em que muitos já não suportam a sã doutrina e, ao contrário, como que tendo coceira nos ouvidos, juntam “mestres para si mesmos, segundo os seus próprios desejos”, que pregam e ensinam somente aquilo que lhes é agradável. E se recusam a dar ouvidos à Verdade, voltando-se para mitos, para fábulas, para palavras e ensinamentos que o Evangelho de Cristo não disse nem ensinou. (2Timóteo 4.3-4)

Contudo, o próprio Deus tem levantado discípulos em todo o mundo, não só para ajudar pessoas alheias a Cristo a terem um encontro com o Salvador, mas também para ajudar aos próprios irmãos a se manterem retos e irrepreensíveis no caminho da salvação.

Rogo-vos, porém, irmãos, que suporteis estas palavras de exortação, pois vos escrevi em poucas palavras.” (Hebreus 13.22)

Antes exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado.” (Hebreus 3.13)

Prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda longanimidade e ensino.” (2Timóteo 4.2)

Pelo que exortai-vos uns aos outros e edificai-vos uns aos outros, como na verdade o estais fazendo.” (1Tessalonissenses 5.11)

Vós e Deus sois testemunhas de quão santa e irrepreensivelmente nos portamos para convosco que credes; assim como sabeis de que modo vos tratávamos a cada um de vós, como um pai a seus filhos, exortando-vos e consolando-vos, e instando que andásseis de um modo digno de Deus, o qual vos chama ao seu reino e glória.” (1Tessalonissenses 2.10-12)

Porque a nossa exortação não procede de erro, nem de imundícia, nem é feita com dolo. Mas, assim como fomos aprovados por Deus para que o evangelho nos fosse confiado, assim falamos, não para agradar aos homens, mas a Deus, que prova os nossos corações.” (1Tessalonissenses 2.3-4)

Mas o que profetiza fala aos homens para edificação, exortação e consolação.” (1Coríntios 14.3)

Pois é necessário que o bispo seja irrepreensível, como despenseiro de Deus, não soberbo, nem irascível, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância; mas hospitaleiro, amigo do bem, sóbrio, justo, piedoso, temperante; retendo firme a palavra fiel, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para exortar na sã doutrina como para convencer os contradizentes.” (Tito 1.7-9)

Finalmente, irmãos, vos rogamos e exortamos no Senhor Jesus que, como aprendestes de nós de que maneira deveis andar e agradar a Deus, assim como estais fazendo, nisso mesmo abundeis cada vez mais.” (1Tessalonissenses 4.1)

Amados, exorto-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências da carne, as quais combatem contra a alma.” (2Pedro 2.11)

O bem mais precioso que o homem pode ter é a salvação em Cristo Jesus. A salvação nos dá a certeza de que iremos para o céu gozar das delícias que estão sendo preparadas para nós – coisas que o homem jamais pode ver, sentir, tocar ou imaginar... Mas o nosso inimigo tenta incessantemente roubá-la de nós. Todos os dias somos tentados ao pecado e, o que causa um afastamento de Deus, pode também nos levar à morte espiritual.

Há que se observar, porém, que esperar a volta de Cristo é diferente de estar preparado para O receber.

Você já parou pra pensar se você está preparado para a volta de Jesus? Este é um assunto muito sério, pois devemos estar convictos de que, se Jesus voltasse hoje, nós certamente subiríamos com Ele.

Muitas pessoas freqüentam a Igreja, louvam a Deus, participam das atividades, oram e fazem todas as coisas que estão ao seu alcance, com a intenção de serem arrebatadas para Deus quando no Grande Dia do Senhor.

Mas outra e importante observação devemos frisar aqui: UNIR-SE A UMA IGREJA NÃO SALVA NINGUÉM. UNIR-SE A CRISTO É QUE SALVA. Uma pessoa pode praticar formas de culto religioso, sem ter profundidade religiosa (Tiago 1.27). E, de acordo com essa visão, quero falar sobre alguns tipos de crentes que encontramos dentro das Igrejas atuais.

NECESSÁRIO VOS É NASCER DE NOVO!” (JOÃO 3.7)

Existem pessoas que constam no rol de membros das igrejas mas que, por estarem no mundo vivem acomodadas com a situação atual em que ele se encontra. Essa é a classe dos CRENTES CONFORMADOS com a realidade. Uma realidade triste, de miséria espiritual que envolve as vidas de todas (TODAS) as pessoas que ainda não aceitaram a Jesus Cristo como seu único, suficiente e eterno Senhor, Intercessor e Salvador.

Os crentes conformados não se esforçam por provocar uma mudança no mundo e nem em suas próprias vidas. São pessoas que acreditam que assistir aos cultos regularmente é o suficiente para a sua entrada no céu, se esquecendo que “o reino dos céus é tomado a força.” (Mateus 11.12)

O conformismo tem atingido um aglomerado de pessoas em nossas Igrejas, fazendo-as aceitar e engolir todo tipo de comida que é oferecida pelo mundo, pelo simples fato de estar no mundo, mas sem observar que a ordem de Cristo foi andar na direção contrária à do mundo. Veja o que a Bíblia, nas palavras do apóstolo Paulo aos romanos, diz: “E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12.2)

Podemos perceber o conformismo que tem dominado muitas mentes, nos mínimos detalhes dentro da congregação: falta de reverência à presença do Grande Rei nos cultos (como uso de celulares, conversas paralelas nos cultos), ausência nos evangelismos e visitas, falta de palavra e argumentos bíblicos, falta de testemunho, preferência por atitudes e gostos que se misturam ao mundanismo, falta de opinião própria e respaldada pelo Evangelho, inobservância da ordem expressa por Deus através de Paulo a Timóteo, que diz: “Procura apresentar-te diante de Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.” (2Timóteo 2.15)

Outra curiosidade a respeito desse tipo de pessoa é que há uma notória presença do pessimismo e da falta de iniciativa dentro de si. É como se ele já esperasse que tudo tenha que dar errado em sua vida, e que nada ela possa fazer para mudar esse quadro. Esquecem-se que vitória vem através da insistência: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á. Porque aquele que pede recebe; e o que busca encontra; e, ao que bate, se abre.” (Mateus 7.7-8)

Conforma-se em orar por 30 ou 60 segundos todas as vezes que chega ao culto e sempre antes de dormir, consolidando uma rotina diária de frustrações e baixo-estima pela falta da prática da oração sincera e da busca constante da presença do Senhor.

O exercício constante do conformismo leva o crente à deformidade. E assim temos um segundo tipo de pessoa dentro da Igreja: os CRENTES DEFORMADOS, que sofrem as influências do mundo, se deixam convencer pelo pecado, se embaraçam com negócios desta vida e perdem as características dos cristãos salvos, lavados e remidos pelo Sangue de Cristo. Se deixam levar por ventos de doutrinas e, em alguns casos, chegam ao extremo de re-elaborarem o Evangelho do Senhor de acordo com seus próprios princípios.

Nenhum soldado em serviço se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra.” (2Timóteo 2.4)

A rebeldia e a desobediência são duas características notórias nesses membros.

Há ainda um terceiro grupo de pessoas que vivem de remendos espirituais. Juntos, esses milhares que acreditam em Deus somente quando tudo em suas vidas é paz e bonança, formam o grupo de CRENTES REFORMADOS. Eles receberam o Evangelho, muitas vezes são batizados, mas não têm maturidade espiritual suficiente para se manterem firmes diante das adversidades da vida.

Demonstram uma vida piedosa, mas dentro de si traduzem uma constante incerteza acerca do amanhã, porque não depositam sua fé completamente no Senhor. E isso resulta num alicerce fraco, incapaz de suportar as provas e as lutas pelas quais todos aqueles que querem servir a Deus e por Ele serem salvos têm de passar:

E na verdade todos os que querem viver piamente em Cristo Jesus padecerão perseguições.” (2Timóteo 3.12)

Filho meu, não rejeites a disciplina do Senhor, nem te enojes da sua repreensão; porque o Senhor repreende aquele a quem ama, assim como o pai ao filho a quem quer bem.” (Provérbios 3.11-12)

São pessoas que vivem de emoções, de uma falsa alegria durante os cultos somente, quando Deus visita pessoalmente Sua igreja. Mas retornam para seus lares com as mesmas dúvidas e frustrações com que entraram no templo. Não conseguem esperar no Senhor com paciência e mansidão, nem deixam de ser cuidadosas de si mesmas. Por isso, só conseguem andar bem com Deus quando não estão sendo provadas nem perseguidas. Nas dificuldades da vida, não podem contemplar o agir de Deus, porque a ansiedade que as envolve faz com que vejam Deus como alguém incompetente, cego, surdo e mudo, infiel e esquecido, irresponsável e injusto. Mantêm-se alheias ao ensinamento de Cristo, que diz:

Não estejais ansiosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer, nem quanto ao corpo, pelo que haveis de vestir. Pois a vida é mais do que o alimento, e o corpo mais do que o vestuário.(...) não andeis preocupados. Porque a todas estas coisas os povos do mundo procuram; mas vosso Pai sabe que precisais delas. Buscai antes o Seu reino, e estas coisas vos serão acrescentadas.” (Lucas 12.22,23,29-31)

Graças a Deus, porém, que na igreja também há os CRENTES TRANSFORMADOS! Esse último grupo de pessoas abandona completamente do velho homem para viver em novidade de vida.

Fomos, pois, sepultados com Ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida.” (Romanos 6.4)

São pessoas que têm deixado o cuidado pelas coisas, por outras pessoas e por si próprias para viverem sob os cuidados de Deus. São cristãos que não se importam em renunciar ao mundo, às suas próprias vontades, aos negócios desta vida, aos seus próprios valores e conceitos, para assumirem uma nova identidade a partir da vontade do Senhor Deus.

São servos que examinam seus corações diariamente, a fim de renascerem a cada dia em Jesus Cristo, pelo Espírito de Deus, para andarem pelo poder do Espírito de acordo com a Palavra do Senhor, certos que o comportamento do cristão não é uma questão de opinião pessoal, uma vez que não podem ser guias e estabelecerem seus próprios padrões: “Se, pois, fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus.” (Colossenses 3.1)

São pessoas que usam a fé para agradar a Deus praticando o que é espiritual e permitindo-lhe prevalecer sobre os desejos e as paixões da carne: “Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito.” (Gálatas 5.25)

Esse tipo de crente enfrenta as maiores e piores guerras espirituais e perseguições, mas não se cansam na batalha, porque mantêm sua paciência e esperança no alicerce mais forte que é o Senhor Jesus. “Os que esperam no Senhor renovarão as suas forças; subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; andarão, e não se fatigarão.” (Isaías 40.31)

Entendem que não podem se conformar com as concupiscências deste mundo e que são canais de bênçãos para ele, através dos quais Deus pode fluir com grande poder e glória e provocar uma mudança. São influências para sua geração: “Em tudo te dá por exemplo de boas obras; na doutrina mostra integridade, sobriedade, linguagem sã e irrepreensível, para que o adversário se confunda, não tendo nenhum mal que dizer de nós.” (Tito 2.7-8)

Etimologicamente a palavra “igreja” vem de “Ekklesia” - assembléia, significando os que “são chamados para fora”. E esse deveria ser o papel de toda a Igreja do Senhor Jesus Cristo sobre a face da Terra: ser um povo diferente, separado de toda mundanice e prática abominável ao Senhor.

Vejamos: quando alguém que não serve a Jesus vai até uma igreja evangélica esse alguém quer encontrar uma diferença que o convença que a Casa de Deus é melhor que o mundo. A Bíblia nos diz que é o Espírito Santo quem convence o homem do pecado (João 16.8). Porém, será que o Espírito Santo está dentro de uma igreja cujas atividades e membros se confundem com as atividades e pessoas que estão fora da Igreja? Será mesmo que anunciar uma vida com Deus e não se dispor a viver uma vida em santidade com Deus nos permite fazermos alguma diferença, para que o mundo olhe para nós e veja em nós a luz de Cristo?

Os membros da verdadeira Igreja de Jesus devem viver o que pregam. Não devem se mascarar como título de “evangélicos” e continuar com hábitos de vida como os do mundo. O verdadeiro cristão deve ser reconhecido pelo brilho do Espírito Santo em sua vida, que se reflete em seus atos, seus pensamentos, suas palavras, seus valores, seus sentimentos, sua prática de vida.

A Palavra de Deus não nos ensina a nos “adequar” ao Evangelho. Ao contrário: ela nos ordena a “NASCER DE NOVO” (João 3.5-7). E nos diz que somos “nova criatura” em Cristo Jesus. Diz também que quando nascemos de novo da água e do Espírito, “as coisas velhas já se passaram; eis que tudo se fez novo” (2Coríntios 5.17). Como podemos ser novas criações em Jesus Cristo e permanecermos praticando todas as coisas que fazíamos antes de sermos salvos por Jesus? Se permanecem em nós os mesmos desejos de satisfazer as nossas vontades e as mesmas práticas também, definitivamente não nascemos de novo, não nascemos do Espírito.

Para sermos salvos em Cristo, a nossa renúncia tem que ser completa. Não pode haver resquícios de nós em nós mesmos. A Palavra de Deus tem que habitar em nós por completo. Ela é o Verbo. O Verbo é Cristo. Não basta confessá-Lo como Senhor e Salvador das nossas vidas e não praticar a santificação diariamente: “Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.” (Hebreus 12.14)

Buscar a santificação exige que amemos ao Senhor Deus sobre todas as coisas, até sobre nós mesmos, e renunciemos tudo em nós para que Ele habite plenamente em nossos corações. Só assim, tudo o que pedirmos em Seu nome ao Pai nos será concedido. Isso ocorrerá porque, então, nossas vontades serão as vontades de Deus, que ocupa o lugar de primazia em nossas vidas, e que tem opiniões e projetos infinitamente melhores e mais corretos que nós.

Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e Se entregou a S mesmo por mim.” (Glálatas 2.20)

Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou e não torneis a meter-vos debaixo do jugo da servidão.” (Gálatas 5.1)

Deus não levantou Seu povo sobre esta terra amaldiçoada para se conformar com ela, tão pouco para se deixar deformar por ela. Também não nos reformou nem concertou, mas nos transformou e fez renascer:

Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, reservada nos céus para vós.” (1Pedro 1.3-4)

Hoje livres em Cristo, gozando da salvação de nossas vidas através do sacrifício da cruz. Outrora, servos do mal, escravizados pelo pecado. Quem possui a Cristo e, com Ele mantém uma vida em plena comunhão e intimidade, reconhece e expressa ao mundo o quanto valeu à pena renunciar-se a si mesmo pra renascer e viver o amor de Deus e a Sua maravilhosa Graça.

Não os crentes, mas todos os verdadeiros discípulos de Jesus souberam bem o que era ser um cristão transformado.

Eu sei bem o que significa ser um cristão transformado a cada dia.

E você?