quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Humildade, uma lição para cada instante...



Existem algumas atitudes tão simples que nos aproximam de Deus e trazem Sua glória até nós, e são coisas tão naturais na vida de qualquer pessoa que tenha uma busca diária pelo SENHOR, que chego a pensar que a maioria dos cristãos não está vivendo essa busca e essa entrega diária a Jesus, porque embora ouçamos tanto a Palavra de Deus e Seus preciosos ensinamentos, em poucos cristãos vemos, de fato, a mudança, o novo nascimento, a postura de quem teme e honra ao SENHOR acima de tudo.

O centurião romano [Mateus 8.5-13], um cidadão de Roma – não de Israel , o povo de Deus – com simplicidade, clareza e profundidade deixou para nós alguns exemplos de atitudes que também compõem o padrão celestial que devemos seguir.

No verso 5, sabendo que Jesus estava em Cafarnaum, o chefe da centúria vai até o Mestre pedir-lhe ajuda. O verso deixa nítida a expressão “pedir ajuda”, e não a expressão “exigir uma solução”, como temos visto nossa geração cobrando do Senhor.

Um grupo de clérigos estava reunido para decidir se deveria ou não convidar Dwight Moody para sua cidade. O sucesso do afamado evangelista havia despertado a atenção da Igreja naquela cidade. Um dos ministros presentes, que se dizia não impressionado com o que falavam do pregador, comentou: "Teria o Sr. Moody monopólio sobre o Espírito Santo?" Outro homem, calmamente, respondeu: "Não, mas parece que o Espírito Santo tem monopólio sobre o Sr. Moody."

Essa mentalidade de que somos "poderosos" nas mãos de Deus, "temos a chave do poder de Deus", "temos uma oração forte" que resolve tudo, e assim por diante, faz com que os papéis sejam invertidos e Deus seja colocado no lugar de subordinado nosso. Além do mais, essa postura imponente de pastores, líderes e liderados apenas demonstra a arrogância que tem imperado no interior do homem. Ouvimos e vemos tudo isso em emissoras de rádio, televisão, Internet, em impressos, dentro dos templos, em simples encontros, a todo instante.

Melhor seria serem reconhecidos como pessoas que vivem a Graça e o amor de Deus em cada uma das questões de suas vidas, porque dependem da ajuda do Eterno Senhor e do Seu imerecido favor. É isso que nos torna diferentes do mundo, que dá-nos um semblante que irradia paz, produz em nós um brilho que dissipa qualquer sombra, porque é dependendo de Deus que nossas atitudes expressam o que somos e quem Ele é: somos nada, mas Deus é tudo em nós.

Como um pai trata com bondade os seus filhos, assim o SENHOR é bondoso para aqueles que o temem. Pois ele sabe como somos feitos; lembra que somos pó. A nossa vida é como a grama; cresce e floresce como a flor do campo. Aí o vento sopra, a flor desaparece, e nunca mais ninguém a vê.” [Salmos 103.13-16 – NTLH]

Esse lugar de glória e honra o centurião romano deu a Jesus quando lhe chamou de “Senhor...” [v. 6], mesmo sem Lhe conhecer intimamente.

Que Jesus é o Salvador do mundo, isso é verdade. Ele morreu por todos [João 3.16] e o mundo inteiro [Apocalipse 5.9] pode se achegar a Deus através do Salvador [Isaías 9.2]. Mas o próprio Jesus é quem diz: “Não é toda pessoa que me chama de “Senhor, Senhor” que entrará no Reino do Céu, mas somente quem faz a vontade do meu Pai, que está no Céu.” [Mateus 7.21 – NTLH].

Todos os homens receberam a salvação de Jesus mas nem todos os homens estão salvos. Muitas pessoas conhecem o Evangelho mas poucas O praticam. Multidões chamam o Jesus de “Senhor”, mas poucos cristãos Lhe dão o trono das suas vidas.

Quando aquele dia chegar, muitas pessoas vão me dizer: ‘Senhor, Senhor, pelo poder do Seu nome anunciamos a mensagem de Deus e pelo Seu nome expulsamos demônios e fizemos muitos milagres!’ Então Eu direi claramente a essas pessoas: ‘Eu nunca conheci vocês! Afastem-se de Mim, vocês que só fazem o mal!’” [Mateus 7.22-23 – NTLH]

O centurião romano – um estrangeiro – reconheceu algo que devia ser íntimo do povo de Deus: o senhorio de Cristo. Por isso, aquele homem não se dirigiu ao Senhor com altivez, não impôs nada, mas compreendeu – e demonstrou – que Jesus tem o poder sobre tudo e sobre todos [Salmos 103.19]. Suas palavras esclarecem o lugar em que o centurião via Jesus: “Dize apenas uma palavra, e o meu servo será curado’.” [Mateus 8.8]

Passeando pela Bíblia, encontramos diversas lições de pessoas arrogantes que caíram em si, entregando o senhorio das suas vidas a Jesus. Um desses exemplos temos em Jairo, o homem rico que não pôde curar sua filha [Lucas 8.40-56]. Apressado, insistente e altivo. Essas eram algumas de suas características. Por isso, Jesus entendia que antes de operar um milagre na saúde da filha de Jairo, o próprio Jairo precisava viver o milagre de aprender a depender da vontade de Deus.

O Senhor não atendeu de imediato a imposição de Jairo, mas prontamente atendeu à súplica do centurião romano. Jairo estava apressado e exigente. Ele chegou mesmo a dizer a Jesus o que o Mestre deveria fazer [Mateus 9.18]. Sua filha estava seriamente enferma e o homem estava apavorado por causa da possibilidade de perdê-la para sempre. Devia estar andando bem à frente de Jesus, com passos largos e acelerados. Mas Jesus não tinha pressa. Continuou devagar, sendo apertado pela multidão e ainda curando outras pessoas que encontrava enfermas pelo caminho.

Muitas vezes parece que Jesus não tem pressa em nos abençoar, não é? Mas Ele tem sim. Nós é que retardamos Seu agir. Não estamos preparados para receber o que Ele quer nos entregar, às vezes porque não compreendemos a Sua bênção, às vezes porque não temos maturidade para assumi-la, às vezes porque precisamos aprender outras lições mais importantes e necessárias antes. Jairo estava nesta última condição, e precisou ver sua filha morrer para compreender que a boa, perfeita e agradável vontade de Deus [Romanos 12.2] é que deve prevalecer sobre a nossa, e não o contrário:

Veja meu amigo, até aquele momento [a morte da sua filha] era Jairo que estava tomando Jesus pela mão e querendo levá-Lo. A partir desse momento foi Jesus que tomou Jairo pela mão, e o levou por onde Jesus quis. Isto é cristianismo. Cristianismo não é tomar Jesus e levar Jesus por onde a gente quer, cristianismo não é acomodar a Bíblia a nossa maneira de pensar. Cristianismo é acomodar a nossa vida e a nossa maneira de pensar ao que está escrito na Bíblia. Esta é, talvez, a maior lição que o cristão tem que aprender, e se para isto Deus tiver que demorar sua resposta aos nossos clamores, Ele o fará. Se para aprender esta grande lição, tivermos que chorar, não é problema, Deus vai permitir que choremos; se tivermos que falir em nossos negócios, não é problema, Ele vai permitir que cheguemos lá no fundo do poço, a fim de que lá, nos lembremos que o cristianismo não é dirigir a Deus, mas ser dirigido por Ele.” [Pr. Alejandro Bullón - “Um novo dia para Jairo” – trecho. Disponível em Jesus Voltará!]

A humildade fez o centurião – senhor de títulos honrosos e de muitas medalhas – colocar-se em seu devido lugar de submissão à Autoridade Máxima do Universo, e dar a Cristo o justo lugar de Senhor e Deus.

Respondeu-lhe o centurião: ‘Senhor, não mereço receber-te debaixo do meu teto. Mas dize apenas uma palavra, e o meu servo será curado’. Porque eu também sou homem sujeito à autoridade e com soldados sob o meu comando. Digo a um: Vá, e ele vai; e a outro: Venha, e ele vem. Digo ao meu servo: Faça isso, ele faz.” [Mateus 8.8-9]

A fé associada à submissão levou o homem grande tornar-se pequeno diante do Mestre. Nessa condição, ele também sentiu-se à vontade para expor o seu problema com clareza a Jesus, sem considerar seus próprios recursos e sugestões de solução. Ele sentiu-se à vontade porque sabia que dependia de Deus.

O orgulho do ser humano tem exposto pelas suas atitudes seu interesse apenas em receber as bênçãos de Deus sem se sujeitar a Ele, e tem tornado suas orações cheias de interesses pessoais e vazias de entrega e de sinceridade.

Deus sabe o que se passa em nossos corações, mas Ele deseja conversar conosco sobre isso. O centurião soube abrir-se com Jesus e o próprio Senhor ficou admirado com isso [Mateus 8.10]. Ele era um romano mas Jesus o exaltou dentre todo o povo de Israel, dando-lhe a certeza que sua atitude exemplar lhe faria sentar-se “à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no Reino dos Céus”, diferentemente daqueles que serviam ao Reino em obras mas jamais converteram a Ele os seus corações. Estes “serão lançados para fora, nas trevas, onde haverá choro e ranger de dentes” [Mateus 8.11-12].

O chefe da centúria romana desceu do seu pedestal e subir no conceito de Deus. Humildade, sinceridade, reconhecimento, dependência, renúncia. Essas palavras constavam no estilo de vida de um senhor de soldados do exército mais forte do mundo naquele tempo, e fizeram com que ele vivesse um grande milagre, digno de ser registrado como um exemplo a ser seguido por todos nós, que queremos ver a glória de Deus, pois nas mãos de Cristo, o pequeno exemplo se torna uma grande influência.

A soberba é que nos causa a maioria dos problemas. O orgulho é que nos conserva neles enredados. As atitudes do centurião romano nos ensinam que a maior virtude do ser humano é reconhecer os seus limites, não as suas potencialidades.