sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Crucificados!

A Bíblia em um ano:
Gênesis 49-50 e Êxodo 1-3
Mateus 13.31-58 e 14.1-21

“Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e Se entregou a Si mesmo por mim.”
Gálatas 2.20


Atualmente é comum se observar a doutrina da prosperidade, um evangelho onde o cristão não pode sofrer, nem passar por lutas e provações. Contudo, queremos chamar sua atenção para esse verso que Paulo escreve sobre a nova vida em Cristo e que nos deixa um legado de atitudes que um cristão disposto a viver para Deus deve entender, enfrentar e praticar.

“Crucificado”. Eis a primeira observação: “crucificado com Cristo”. O que uma pessoa crucificada pode sentir enquanto estiver consciente? A dor dos cravos, por exemplo. Cristo sentiu cada um daqueles três grandes cravos rasgando a carne de Suas mãos e Seus pés. Isso expressa a nós, que também devemos estar “crucificados”, a marca de Cristo em nossos pés, que já não andarão como antes, mas deverão seguir pelo caminho da salvação, onde o pecado não está, onde a maldade não atua. Por onde os teus pés têm andado? Eles têm deixado pegadas que conduzirão outras pessoas a Cristo? Eles já foram cravados ou ainda permanecem andando por onde Deus Se desagrada e por onde Ele não iria?

E os cravos das mãos? Ora, quem está crucificado em Cristo têm suas mãos marcadas pelos cravos a fim de que parar de praticar o que é abominável ao Senhor e se voltar a abençoar, a ajudar, a trabalhar da maneira correta e a manusear as coisas certas, que contribuem para a expansão do Reino de Deus e o engrandecimento da pessoa de Cristo. Suas mãos, o que têm feito? Deus tem Se agradado da obra que elas têm realizado? Já trabalham para abençoar ou ainda permanecem destruindo e amaldiçoando ou na posição de petição a Deus, somente? Depois de tantos anos de Evangelho, elas ainda estão fechadas, inertes?

Observemos ainda a colocação do verbo como o profeta escreveu: “estou crucificado com Cristo”. Ele não disse: “fui crucificado com Cristo”. O verbo está no presente e traz a impressão da continuidade, da permanência: “estou” (hoje, agora). Muitas vezes é difícil para nós prosseguirmos irrepreensíveis para com as atitudes dos nossos pés e das nossas mãos... por isso, devemos nos lembrar que os cravos “estão” (hoje, agora) ainda em nós. Não devemos nos esquecer disso. Nossas mãos e nossos pés devem permanecer crucificados a fim de desenvolverem toda boa obra para o Senhor e dar todo bom testemunho.

Numa quarta abordagem, observamos que após ter levado o peso de todo o pecado do mundo na cruz, Cristo sofria como pés o do Seu próprio corpo pregado sobre o madeiro. Ele tornou-se maldito quando assumiu todos nossos pecados e morreu na cruz (Gálatas 3.13). O peso do seu fardo é grande? No momento em que você é erguido no madeiro como Cristo foi (aceitação de Jesus como teu Salvador e Senhor), o teu fardo passa a ser o de Cristo, que é mais leve e suave (Mateus 11.28-30), para que você possa assumir sua condição de pecador e reconhecer que precisa de Cristo como o teu Senhor. E esse é o grande peso do pecado: renunciar todo o “eu” e permitir Cristo ser tudo em você. Percebemos que quem está crucificado está morrendo... Crucificados com Cristo estamos morrendo para o pecado a cada dia (porque ainda não saímos do madeiro... lembre-se: “estamos” – hoje, agora – crucificados). Morrendo para o pecado, para o eu, para o orgulho, para a arrogância, para a promiscuidade, para o mal, enfim, para tudo o que é abominável ao Senhor.

No momento da crucificação, Cristo sentia a dor da humilhação. Queremos nós de livre e espontânea vontade sermos humilhados? Em outra observação, vemos Cristo nos ensinando que todos quantos queiram viver para Deus padecem perseguição, se tornam motivo de zombarias e são reprovados aos olhos do mundo. Contudo, Cristo suportou a dor da opressão e da rejeição até dos que Ele tanto amava, ainda que tenha ouvido alguém dizer: “Se és o Rei de Israel, desça, agora, da cruz, e creremos!” (Mateus 27.42). Ora, quantas vezes alguém nos disse: “deixe tudo isso!” , num intento de nos convencer a descer do alto da cruz? Cristo poderia ter feito isso. Ele poderia ter usado Seu poder e ter descido de lá. A coragem de Cristo, porém, não estava em fugir da morte, mas sim em enfrentá-la para nos salvar. E essa é outra grande lição do Senhor Jesus para nós no exato momento da crucificação: não abandonar nossa cruz, não fugir da situação, mas enfrentar tudo com honra e coragem. Ainda que nos custe o peso da humilhação, da zombaria, da reprovação, do abandono.

Estar crucificado com Cristo a cada dia é a maneira mais eficaz que temos para dar valor a todo sofrimento que Ele viveu e reconhecermos que também devemos morrer para o mundo a fim de sermos como Cristo é.

No tempo certo Cristo ressuscitou, glorioso, majestoso, honrado, vitorioso. Três dias depois da Sua morte o mundo contemplou o maior fato que já aconteceu: Cristo ressuscitou. O que Ele esteve fazendo durante entre o momento após Seu expiro e Sua ressurreição, a Bíblia não nos conta e nem abre espaço para especulações. Mas o fato é que Ele ressuscitou. Nós não sabemos o que Ele anda fazendo agora, neste tempo, em que muitos de nós ainda não chegaram ao Seu dia da ressurreição, o momento de sair de dentro do túmulo, de ver sua vida mudada, sua história exaltada por Deus. Mas ainda que não vejamos, Ele está fazendo.

E não só para esta vida aqui, mas muito mais para a vida eterna, porque o maior acontecimento de todos será, não o dia das bênçãos recebidas, mas o arrebatamento dos santos do Senhor, aqueles “estão” (hoje, agora, e permanecerão assim até a volta do Senhor) crucificados com Ele.

Cristo levou três dias para ressuscitar. Como tudo já está consumado (obra completa por Cristo), para aqueles que vivem em comunhão com o Senhor, porém, será mais rápida a ressurreição: como num abrir e fechar de olhos os que estão crucificados com Jesus morrerão completamente para o mundo...

E acordarão com Cristo na Glória.