terça-feira, 22 de março de 2011

Desviando a atenção

A Bíblia em um ano:
Josué 10-12
Lucas 1.39-56


“Harpas e liras, tamborins, flautas e vinho há em suas festas, mas não se importam com os atos do Senhor, nem atentam para obra que as Suas mãos realizam.”
Isaías 5.12

Numa conversa com dois irmãos da igreja, neste fim de semana, pude perceber o amor do Senhor mais uma vez sendo derramado sem medidas sobre nós.

Francisco lia trechos de um livro muito interessante sobre judaísmo. Depois, nós três – eu, Francisco e Rogério - comentávamos sobre o trecho numa conversa bastante informal. Isso se repetiu algumas vezes.

De repente, um desses comentários se prolongou mais do que devia entre mim e o Rogério. Desse comentário um diálogo bastante diversificado se estendeu. O irmão Francisco, que estava com o livro nas mãos, por vezes nos encarava, ia e voltava pelas páginas, nos encarava de novo, tamborilava os dedos sobre o livro aberto, nos encarava outra vez... Até que finalmente, depois de muitos minutos de conversa somente entre eu e Rogério, percebi que Francisco já de muito, havia fechado o livro e guardado dentro da sua pasta.

Tentei até remediar a situação fazendo algumas piadinhas, mas piadinhas – mesmo de pessoas queridas – não curam o coração de quem se sente excluído. E Francisco, já com uma cara de nítida insatisfação apenas me respondeu: “Ninguém me deu moral, então eu não vou ler mais nada!”

Alguém pode até dizer que isso é criancice. Mas, de fato, quem gosta de ser esquecido pelos que estão ao seu redor? Quem gosta de ser ignorado pelos do seu convívio diário? Quem gosta de se sentir excluído do seu meio, principalmente se está fazendo uma grande obra pelas pessoas que ama?

Não é obra extraordinária ler trechos de um livro e ouvir simples comentários dos amigos [embora isso estivesse nos trazendo grande gozo naquele momento], mas é incomparável obra amar altruisticamente e se entregar para morrer crucificado e de maneira terrível no lugar dos verdadeiros culpados. Em ambos os casos, porém, desviamos nossos olhares de quem estava no centro e nos voltamos para outras coisas menores, porém, aparentemente mais interessantes ou importantes.

Mais do que ninguém, Jesus conhece bem o amargo sabor da exclusão. E não estamos falando aqui de um mundo que jamais O conheceu por causa da dureza dos corações do homem, mas de um povo que foi eleito pelo Senhor para ser santificado sobre a terra; um povo que viveu [e ainda vive] experiências extraordinárias com o Salvador e, sempre que um grande evento lhes acontece, este toma praticamente toda a atenção dos que se chamam filhos de Deus.

Jesus não Se permite abater por nada – nem pelo desafeto de muitos dos Seus queridos, nem pela desatenção do Seu povo, nem mesmo por ser posto de lado por outras pessoas e coisas. Contudo, Ele tem ciúmes dos Seus [Tiago 4.5]. O dicionário Aurélio tem a seguinte definição para a palavra "ciúme": "Sentimento doloroso causado pela suspeita da infidelidade da pessoa amada; Zelo; Angústia provocada por sentimento exacerbado de posse"[1]. Quantos de nós têm parado para refletir sobre esse sentimento que Deus tem a nosso respeito? E quantos de nós O tem conhecido mas não O tem levado à sério?

A situação de domingo à tarde me deixou muito pensativa sobre o que ando fazendo para Deus, quais têm sido minhas prioridades, quem tem sido o alvo da minha dedicação, como anda a minha escala de valores. Espero que este devocional faça o mesmo com você.


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[1] HOLANDA, A. B., 1988, Dicionário Aurélio Escolar da Língua Portuguesa, 1 ed., Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, RJ.