segunda-feira, 21 de março de 2011

Quanto tendes?

A Bíblia em um ano:
Josué 7-9
Lucas 1.21-38


“Jesus, porém, lhes disse: Não é mister que vão; dai-lhes vós de comer. Então eles Lhe disseram: Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes. E Ele disse: Trazei-mos aqui. E, tendo mandado que a multidão se assentasse sobre a erva, tomou os cinco pães e os dois peixes, e, erguendo os olhos ao céu, os abençoou, e, partindo os pães, deu-os aos discípulos, e os discípulos à multidão.”
Mateus 14.16-19

Existem momentos em nossas vidas em que tudo parece ter perdido completamente o sentido. São momentos de frustrações, onde nada do que temos parece significar alguma importância. Toda a situação, por menos embaraçosa que seja, parece ter saído de nosso controle. As dificuldades parecem ter consumido nossas forças por inteiro e a esperança passa a significar uma realidade muito distante de nós.

Eu também já vivi situações assim...

Mas quero te lembrar que há uma passagem na Bíblia, a qual acabamos de ler, e que, aparentemente, está bastante alheia à solução que precisamos quando nos encontramos em situações como as que descrevemos acima. Ela (a passagem) é exatamente o que precisamos fazer em todos os momentos de nossas vidas, sejam eles angustiantes ou alegres e de paz.

Quando aquela multidão no deserto não tinha o que comer e já tarde também não havia onde se comprar e nem com o que se comprar alimento para saciá-la, na mesma passagem deste devocional, narrada por São Marcos, Jesus perguntou aos Seus discípulos: “QUANTOS PÃES TENDES? IDE VER.” (Marcos 6.38).

Conjugada com a passagem descrita segundo São Mateus, Jesus ouve de Seus discípulos que tinham “cinco pães e dois peixes” (Mateus 14.17). E a resposta do Mestre para eles é: “TRAZEI-MOS AQUI” (Mateus 14.18).

Observe que Jesus não perguntou aos discípulos “O que vocês tem?”, mas perguntou “Quantos vocês tem?”. Jesus sabia que Eles possuíam algo. E para não os deixar confundidos, o Senhor os mandou ir medir o que eles possuíam e não atentavam para isso. Bastava ir buscar o que eles já tinham. Provavelmente, diante daquela situação aparentemente impossível de ser sanada aos olhos dos homens (talvez como a que alguns que lêem esta mensagem neste momento estejam passando), aqueles discípulos não conseguissem enxergar o que tinham com eles quando fossem procurar.

A pergunta de Jesus foi proposital, rigorosamente elaborada de modo a despertar neles a atenção para o fato de que aquele povo realmente possuía algo naquele lugar que se tornaria grande bênção sobre eles. Eles não estavam de todo sozinhos nem desamparados no deserto.

E essa maravilhosa realidade também é conosco. Em Romanos 12.3 o apóstolo Paulo nos lembra que todos temos uma “medida de fé que Deus repartiu a cada um”.

Hoje vemos Jesus Se transferindo às nossas vidas no deserto, quando nosso alimento parece ter cessado, nossa vida parece estar se esvaindo em dor e sofrimento... Ele está nos convidando a observarmos o que temos em nossas vidas. Não necessariamente sobre posses materiais (isso também – mas não é a base de tudo, conforme Mateus 6.33), mas principalmente sobre nossos bens espirituais.

A voz do Senhor, brandamente soa em nossos corações e nos convida a refletir: “Quantos pães você tem? Observe com atenção...”

Jesus não nos manda ver o que temos hoje... Ele nos ordena a verificarmos quanto temos. E isso faz toda a diferença.

Diante do desânimo das nossas lutas, a opressão maligna sobre nós muitas vezes tira nossa visão. Se formos procurar fé em nosso ser, muitos de nós declarará prontamente: “A minha fé acabou” ou “Eu não tenho fé”. Em outras palavras, se formos procurar a fé em nós, talvez muitos de nós não a encontre. Contudo, o Senhor nos manda não procurá-la, mas medi-la. Ele nos pergunta “Quanto tendes?” porque espera ouvir de nós: “Apenas isso...” ou, quem sabe, “muito pouco, Senhor....”, como aqueles discípulos disseram: “Apenas cinco pães e dois peixes”.

Com o mesmo amor e a mesma compaixão que Jesus sentia por aquela multidão no deserto, Ele hoje nos olha e nos manda trazer nossa fé a Ele, exatamente como fez com Seus discípulos naquela ocasião. “Trazei-mos (os peixes e os pães) aqui!”.

Ele nos ensina, com Suas próprias palavras que se tivermos fé como um grão de mostarda, montes seriam transportados pelo poder da nossa palavra, e árvores também (Mateus 17.20; Lucas 17.6).

Talvez não estejamos conseguindo observar tal fé dentro de nós. Talvez ela tenha se tornado tão pequena, sufocada pelo cansaço adquirido com tantas batalhas, que já não a conseguimos enxergar. Mas ela continua lá, dentro de nós, no mesmo lugar onde Deus a colocou, esperando ser apresentada a Jesus, para que Ele possa realizar o milagre da multiplicação em nossas vidas.

Vale observar, pois, que os pães e peixes que os discípulos tinham foram apresentados a Jesus, e não a ninguém mais. O Senhor ordenou que fossem trazidos para Si mesmo (Mateus 14.18) e não que apresentassem a outra pessoa.

Há muitas pessoas que usam sua fé erroneamente, apresentando suas causas a pessoas que não são Jesus Cristo, e que, portanto, nada podem fazer por elas. Tais pessoas canalizam sua esperança a um deus que não se move, que não vive, que não tem nenhum poder, ou mesmo aos homens, às autoridades, aos poderosos deste mundo, aos próprios amigos, que também são falíveis, limitados e tão pecadores quanto nós.

A fé existe. A fé, de fato, existe. Está dentro de cada um de nós. Mas deve ser apresentada diante de Cristo.

A Bíblia nos exorta: “Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.” (Hebreus 4:16)

O próprio Senhor Jesus intercederá por nós. Nossa fé será multiplicada, nossos dons e virtudes ampliados, nossa casa (seja espiritual ou material) será abastecida de tudo o que nos é necessário (e não do que queremos) para sermos prósperos.

E os primeiros a receberem as bênçãos do Senhor serão os Seus discípulos, como foi no deserto (Mateus 14.19), isto é, você e eu, que estamos buscando uma vida de santificação na presença do Senhor Jesus. Depois, repartirão da abundância de alimentos com a multidão...

Do mesmo modo, seguindo atentamente as ordens de Jesus (medir o que temos e apresentarmos a Ele – somente a Ele nossos pães e nossos peixinhos), o milagre da multiplicação se tornará um fato real em nossas vidas.

E a abastança de graças será tanta, que uma multidão inteira se fartará conosco, e ainda sobrarão muitos cestos para quem quiser e precisar...

O pouco diante de Cristo é muito, mas o muito sem Cristo é nada.