sexta-feira, 4 de março de 2011

Vinde, voltemos ao Senhor!

A Bíblia em um ano:
Números 31-33
Marcos 9.1-29


“Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o Meu jugo, e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.”
Mateus 11.28-29


Beatriz é uma pequenina de três aninhos de idade, apenas. Cachinhos nos cabelos, gorduchinha, com uniforme verde e branco da creche, meias até os joelhos e mochilinha nas costas, com uma mãozinha segurava um balão amarelo e com a outra segurava na mão da sua mãe, enquanto adentrava portões da escola onde trabalho. Cena encantadora, não?

Mas esse momento era perigoso para a pequena Bia, pois era o término da aula. Um entra e sai de pessoas que parecia o fim do mundo para aquele pingo de gente. Sua mãe trabalha comigo. Tinha ido buscá-la na creche ao lado e voltou à nossa escola para pegar o carro. Nesse momento, precisou dar um pouco mais de atenção à sua irmãzinha ainda menor – a Bruna, de dois anos.

Não sei o porquê, mas a Bia deixou de segurar a mão de sua mamãe por alguns instantes. Pouco menos de um minuto. Pouco tempo para se tirar os olhos de uma criança, mas tempo o bastante para que uma criatura de três anos de idade se perdesse no meio de uma multidão de pais arrastando seus filhos que, por sua vez, arrastam suas mochilas, se esbarrando uns nos outros à procura de qualquer uma das saídas da escola – a que estivesse mais acessível.

Segundos depois, a mãe deu-se por si:
___ Elaine, você viu a Bia?
___ Não. Ela não estava com você agorinha mesmo? – Respondi com outra pergunta, já quase concluindo com meus olhos um giro de 360 graus ao redor, tentando ver a menina de algum ângulo.
___ Estava, mas soltou minha mão e eu já não a estou vendo mais... – Respondeu a mãe, já se retirando à procura da filha.

Dois minutos depois – pouco tempo para se achar alguém perdido, mas uma eternidade para uma mãe que acabou de perder um filho – chega uma senhora, responsável por um aluno que não sei qual, arrastando a Beatriz pela mãozinha:

___ Essa menina é sua? – Perguntou-me. – Eu a vi perto de você há pouco, e logo em seguida já a vi caminhando sozinha em direção à creche, chorando e gritando pela sua mãe.

Ainda chorando mas com uma expressão de grande alívio, a menina estendeu os bracinhos em direção à sua mãe e se entregou aos seus cuidados outra vez.

Paro por aqui, e observo que essa história se parece muito com a minha história de vida, quando, por um motivo que eu realmente ainda desconheço, deixei de segurar a mão do Senhor. No meio da multidão eu também fui, mas quando me dei por mim, estava tão longe de Deus e não sabia mais voltar.

Que bom que o Espírito Santo me encontrou pelo caminho, me viu chorando querendo o encontrar o meu Pai e percebeu que eu estava caminhando para o lugar errado. Como a Bia, eu não estava indo par onde Ele estava, mas para onde eu pensava que Ele estivesse. Pensava que Ele estaria na igreja, nos rituais, no peso absurdo das doutrinas severas dos homens que aprendi, na religiosidade das pessoas que pareciam tão santas ao meu redor, nas campanhas, no pagamento dos dízimos, nos próprios irmãos. O Senhor, porém, estava mais além – lá no lugar das provações, das lutas, dos desertos aonde Ele me levou, bem segura em Sua mão, e de onde eu desisti de continuar quando me encantei com pessoas indo e vindo, tão mais sorridentes e ativas do que eu, mesmo sem ter Jesus.

Pareceu ser tão fácil ser feliz longe dEle... Mas precisou que eu me perdesse no meio daquelas pessoas para perceber que eram tão vazias em si mesmas, tão egoisticamente reservadas em seus mundinhos, tão solitárias e temerosas. Todas passavam ao meu redor e não me enxergavam, não me compreendiam, não podiam me ajudar nem tinham nada de bom a me oferecer.

Apenas uma parou e me viu. Apenas uma estendeu a mão e me levou de volta ao Pai.

Posso vê-La ainda hoje estendendo a mão a pessoas como você, que por ventura encontra-se afastado de Deus, por algum motivo.

Você pode vê-Lo? Pode ver Jesus em meio à multidão? Pode vê-Lo estendendo a afável mão e dizendo: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.” ? [1] Essa pessoa sabe o caminho de volta porque andou muitas vezes por lá. Sabe exatamente onde Deus está porque é íntima dEle.

Jesus é como aquela mulher que veio sorridente até mim e me falou ter encontrado a Beatriz.

A mãe da Bia, embora tenha dado um pequeno sermão na filha, lhe abraçou com um gesto amplamente amoroso e demonstrou grande paz em ter de volta sua pequena adorável.

Imagine só como Se alegra o Pai Celeste, cujo amor por nós é infinito, ao receber de volta aos Seus braços o filho que se perdeu e por Jesus foi reencontrado.


__________________
[1] Mateus 11.28-29