domingo, 17 de abril de 2011

Instrumentos de tortura

A Bíblia em um ano:
1 Samuel 30-31
Lucas 13.23-35


“Ele foi a Nazaré, onde havia sido criado, e no dia de sábado entrou na sinagoga, como era Seu costume. E levantou-Se para ler. Foi-Lhe entregue o livro do profeta Isaías. Abriu-o e encontrou o lugar onde está escrito: ‘O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos e proclamar o ano da graça do Senhor’. Então Ele fechou o livro, devolveu-o ao assistente e assentou-se. Na sinagoga todos tinham os olhos fitos nEle; e Ele começou a dizer-lhes: ‘Hoje se cumpriu a Escritura que vocês acabaram de ouvir’.”
Lucas 4.16-19-21


Ontem eu estive na Casa da Cultura de Luziânia (GO). Estive também num restaurante colonial, construção da época da escravidão no Brasil. Em ambos os lugares eu pude ver objetos que lembram o passado, passado este que, para uma minoria foi de muita honra e poder, mas para uma grande maioria, na verdade, de sofrimento, dor, perseguição, tortura, morte.

O que mais me impressionou foram os instrumentos utilizados para cuidar dos cavalos: martelos e alicates para corrigir ferraduras, tesouras para aparar as crinas, ferros de marcação. Impressionou-me lembrar que aqueles instrumentos também eram utilizados para torturar escravos. Peças muitas vezes construídas por eles mesmos.

Trago essas lembranças para nossos dias, confronto-as com o estado em que vivíamos quando distantes de Cristo e observo alguns instrumentos utilizados pelo diabo para nos torturar: ansiedade, medo, incredulidade, sentimentos maus (ódio, inveja, ambição), desamor, desafeto, solidão. São palavras bastante conhecidas por pessoas como eu, que já andaram no mundo sem Cristo. E mais interessante: muitos desses instrumentos foram construídos por nossas próprias mãos, quando deixamos de atender à voz que nos chamava para a luz (João 1.11-12).

Só que ainda mais extraordinário é o fato de muitos de nós ainda sofrerem tantas torturas espirituais mesmo já tendo sido resgatados da escravidão que outrora nos subjugava. E fazem isso com suas próprias mãos, quando deixam de crer, de obedecer, de ouvir, de se humilhar, de perdoar, de amar, de esperar em Deus. E as promessas do Senhor, que deveriam ser instrumentos de bem, se tornam instrumentos torturadores.

Muitas promessas do Senhor dependem apenas de uma mudança de postura nossa para se cumprirem. Outras, ainda não estão no seu devido tempo. E desacreditar, desobedecer, passar por cima da vontade de Deus, guardar mágoa, precipitar-se são comportamentos plenamente observáveis no dia-a-dia de quem desiste de confiar nas promessas, de crer no Senhor, de aprender com a vida.

Infelizmente, mesmo depois das leis Euzébio de Queirós, Sexagenários e Ventre Livre, muitos daqueles escravos faleceram sem ouvirem o tão sonhado decreto da princesa Isabel (Lei Áurea), colocando um fim ao sistema escravocrata. E lamentavelmente muitos cristãos também desfalecem pelo caminho, antes de ouvirem do Senhor o decreto final.

Se você está passando por situação semelhante, lembre-se: A história muda quando realmente estamos dispostos a ir além das circunstâncias da vida. E para chegarmos lá, precisamos persistir na caminhada ao lado do Senhor, dure o quanto durar.