domingo, 10 de abril de 2011

Senhores de Deus?

A Bíblia em um ano:
1 Samuel 13-16
Lucas 10

“Então Jesus veio da Galileia ao Jordão para ser batizado por João. João, porém, tentou impedi-Lo, dizendo: ‘Eu preciso ser batizado por Ti, e Tu vens a mim?’ Respondeu Jesus: ‘Deixe assim por enquanto; convém que assim façamos, para cumprir toda a justiça’. (...) Desde aquele momento Jesus começou a explicar aos Seus discípulos que era necessário que Ele fosse para Jerusalém e sofresse muitas coisas nas mãos dos líderes religiosos, dos chefes dos sacerdotes e dos mestres da lei, e fosse morto e ressuscitasse ao terceiro dia. Então Pedro, chamando-O à parte, começou a repreendê-Lo, dizendo: ‘Nunca, Senhor! Isso nunca Te acontecerá!’ Jesus virou-Se e disse a Pedro: ‘Para trás de Mim, Satanás! Você é uma pedra de tropeço para Mim, e não pensa nas coisas de Deus, mas nas dos homens’.”
Mateus 3.13-15 e 16.21-23


João se achava pequeno demais e tentou ensinar Jesus o que fazer. Noutro episódio, Pedro se achou grande demais e também repreendeu o Senhor, querendo instruí-Lo sobre o Seu próprio destino. De sorte que, ou pela pequenez ou pela altivez, sempre havia – e continua havendo – pessoas querendo ditar as regras para o Senhor e tentando influenciar o Seu agir.

Estou falando de algo desconhecido? Não, absolutamente! Estou falando do que eu e você costumamos viver todos os dias, querendo ensinar Deus como trabalhar. Costumeira e naturalmente deixamos as coisas mais simples nas mãos do Senhor. Deixamos que Ele tome conta e estufamos o peito para declarar que temos confiado nossas causas a Deus. Mas adultérios, traições, crimes, desemprego, doenças crônicas, desprezo, morte, entre outros, são coisas grandes demais para serem entregues nas mãos de um Deus que sabemos que existe mas ainda não conseguimos ver com nossos próprios olhos.

Contudo, quem sabe não é justamente nessas situações tão calamitosas que Ele pretende Se revelar mais de perto? Se confiamos brigas, invejas, falatórios nas mãos dEle por nos acharmos impotentes para resolver questões “pequenas”, por quê, então, tomamos as grandes em nossas mãos e decidimos quase sempre passar à frente do Senhor e fazer o que nós pensamos ser correto?

Por um lado, nos acharmos injustos demais, pensamos que não merecemos e recusamos receber os favores de Deus, dentre os quais a solução – no tempo e na forma certa – para nossos problemas. De fato, não merecemos, mas precisamos. E Deus sabe muito bem disso. E sabe tanto que Se prontifica todos os dias a nos despertar com Seu imenso amor como um aviso sorridente que traduz: “Hoje também Eu estou aqui!”. Nós é que não sabemos. E acabamos por, sutilmente, dizer ao Senhor com nossas atitudes acanhadas, esquivas: “Afaste-Se. Eu não sou digno de receber tanto...”

Por outro lado, por pensar que somos suficientemente racionais, queremos alterar a lógica de Deus e tornar Suas ações tão razoáveis quanto as nossas. Queremos ditar o que Ele deve fazer, baseando-nos naquilo que nós faríamos se estivéssemos no lugar de Deus. A grande diferença entre nós e Deus – e isso altera completamente todo o nosso curso de vida – é que Deus é santo e nós não; Ele é perfeito e jamais conheceu o pecado, quando nós fomos deformados por causa do pecado que transborda dos nossos corações e cega completamente a nossa visão, limitando-a unicamente ao aqui e ao agora.

A fé é a maneira que o Senhor nos deu para enxergarmos além do hoje. Por isso, concentrar nossas causas e sentimentos nas mãos do Senhor e permitir que Ele decida o que fazer é a melhor e mais eficaz maneira de conseguirmos êxito para essas adversidades. Contudo, um êxito que não virá da forma como nós queremos ou imaginamos. “Olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu, mente nenhuma imaginou o que Deus preparou para aqueles que O amam” (1Coríntios 2.9). Se for assim, o que vier virá de Deus, o Senhor, e será sempre o melhor, ainda que não o compreendamos agora. (João 16.20-22)

João foi surpreendido com um Deus que não Se gabava, que tinha humildade e que Se assentava à mesa com pecadores e publicanos, que conversava com prostitutas e tocava em doentes e em defuntos. E ele viu com seus próprios olhos Deus caminhando sobre a terra.

Pedro foi surpreendido com o túmulo vazio, quando na ressurreição que ele não acreditou que aconteceria. E ao terceiro dia após a crucificação viu com seus próprios olhos o Senhor Jesus ressurreto, vivo e conversando com ele.

Há muito mais surpresas de onde vieram essas. O Senhor quer torná-las reais em nossas vidas e nos surpreender também. E tudo o que precisamos fazer é não sermos pequenos demais ou grandes demais para tentar ensinar a Ele o que fazer.

Só devemos deixar que Ele faça.


"Senhor, ensina-me a cruzar o limite da minha pequena visão e entrar no vasto campo da minha fé. Preciso deixar de ser senhora do meu destino e entregar ao Dono do Universo o domínio de toda a minha vida. De toda, toda a minha vida. É muito fácil dizer que o Senhor é quem cuida de mim, mas a grande dificuldade – e também a grande prova – dessa realidade é deixar que o Senhor faça a Tua vontade quando minhas dores se tornam intensas demais e minhas batalhas grandes demais, a ponto de minha esperança se esgotar. Seja qual for a minha razão ou a minha vontade, ajuda-me a suprimi-la para que a Tua – perfeita, santa, boa e agradável – se concretize. Oro em nome de Cristo, para a honra e glória do Teu nome e para a minha alegria e satisfação em Ti. Amém."