sábado, 7 de maio de 2011

“ELI, ELI, LAMÁ SABACTÂNI”

A Bíblia em um ano:
2 Reis 1-3
Lucas 24.1-35


“E perto da hora nona [Jesus] exclamou em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni; isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”
Mateus 27.45


Só quem já foi traído por alguém ou sofreu a dor de ser rejeitado por outra pessoa pode entender um pouquinho do que Jesus sentia no momento em que deu esse brado, ao alto do madeiro em que foi crucificado.

A dor da traição é tremenda. Ela nos faz sentir um bagaço... Um lixo, um resto imprestável e desprezível.

Diariamente somos traídos por nossos representantes políticos, por alguns de nossos líderes e superiores, por amigos ou conhecidos, por familiares, por nossas próprias emoções e atitudes.

Contudo, ser traído por alguém que se ama e por quem se está prestes a entregar a própria vida... isso parece um pouco além da nossa condição de suportar ou compreender. Mas Jesus compreendeu. E suportou. E continuou amando.

Jesus, consciente do valor da amizade, embora tendo sido decepcionado por Seu discípulo Judas, que O vendeu pelo valor de um escravo (as 30 moedas de prata que Judas recebeu para denunciar Cristo, mesmo depois de ter andado com o Mestre e recebido Seus ensinamentos, equivaliam ao preço de um escravo), olha com amor pra Judas e o saúda como “amigo” no momento em que este O denunciava com um beijo aos soldados que O queriam prender (Mateus 26.50). Ele não o xingou, nem condenou ali, nem o tornou pior, menor que ninguém. Apenas o amou e respeitou sua opção de trocá-Lo por um bem material.

É possível entender Jesus dando a Judas mais uma oportunidade para refazer sua vida pessoal diante de Deus no momento em que recebe o beijo da traição, quando Ele o faz refletir: “Com um beijo trais o Filho do Homem?” (Lucas 22.48). Mesmo sendo traído, Jesus continuou amando Seu discípulo.

E a rejeição que suportou da parte de Deus, quando O Senhor virou Seu rosto para Cristo sendo coroado com os pecados de todo o mundo naquele madeiro... A primeira pessoa que Cristo mais amou – Seu Pai Celestial – e a pessoa que mais era unida a Ele. Pelo fato de não admitir o pecado, Deus não pôde abrir exceção nem mesmo para Seu filho amado (Jesus), e deixou-O sozinho naquela cruz enquanto agonizava e desfalecia.

Contudo, Jesus não amaldiçoou o Seu Deus (que era também o Seu Pai). Mas buscou dEle o amparo. Jesus Se mostrou humilde ao ponto de estar morrendo por amor a Deus e ao mundo – e sem merecer nada daquele sofrimento – mas ainda assim buscando de Deus uma resposta... Um olhar... Um simples olhar que fosse, e que demonstrasse que o Senhor estava ali, e que não O havia abandonado.

Mas nenhum som ouviu. Nenhum gemido de Deus. Nada!

Os braços que consolaram Jesus horas antes no Getsêmani, agora Se recusavam a abraçar aquela pessoa desfigurada – pelos açoites que corajosamente suportou, e pelos pecados que prontamente admitiu sobre Si.

Deus impiedoso e cruel?

Não.

Deus profundamente sofredor, a ponto de não suportar ver a santíssima pessoa de Cristo – Seu Filho amado – Se tornando um ser maldito por requerer para Si, voluntariamente, os pecados do mundo inteiro – de todas as pessoas que já existiram, de todas os que existiam naquele momento e também daquelas que viriam a existir futuramente. Um Deus que encarnou parte de Si mesmo como homem para sofrer Seu próprio desprezo e ira, por alguns minutos apenas, em nosso lugar, porque sabia que nós os merecíamos mas jamais suportaríamos.

E nem assim, porém, vemos Cristo murmurar contra Deus. Mas O glorificou em tudo. E fez questão de ir para o Céu, onde Seu Pai estar, e assentar-Se à Sua direita, sem mágoas, sem ressentimentos, para reinar com Ele por toda a eternidade.

Se qualquer um de nós tivesse vivido esse sacrifício, com certeza teria amaldiçoado o nosso Deus, por permitir tamanha injustiça quanto a que foi despejada sobre Jesus Cristo; por nos abandonar no momento em que, aparentemente, estivéssemos mais carentes que nunca – o momento em que Cristo Se rendia aos braços de Deus, com um triste e agonizante expirar.

Não...

Definitivamente não poderia ser nenhum ser humano comum o indicado para sacrificar-se pelo mundo e para a redenção da humanidade.

Tinha que ser o Filho de Deus, nascido dEle e como Ele. Só Deus poderia entender esse propósito, e só Deus poderia suportar tudo isso.

Só mesmo sendo Deus para nos amar a ponto de Se entregar assim e ainda continuar nos amando depois de todo o desprezo que ainda Lhe damos hoje, com nossas atitudes egoístas e auto-suficientes...

Jesus morreu para nos ensinar o quanto a vida tem valor diante de Deus. Vamos, pois, mostrar com nosso novo caráter e santas atitudes que aprendemos bem essa tão cara lição.