sábado, 14 de maio de 2011

Não como nós

A Bíblia em um ano:
2 Reis 19-21
João 4.1-30

“Escute-Me, ó casa de Jacó, todos vocês que restam da nação de Israel, vocês a quem tenho sustentado desde que foram concebidos, e que tenho carregado desde o seu nascimento. Mesmo na sua velhice, quando tiverem cabelos brancos, sou Eu aquele, aquele que os susterá. Eu os fiz e Eu os levarei; Eu os susterei e Eu os salvarei. Com quem vocês Me compararão ou a quem Me considerarão igual? Com quem vocês Me assemelharão para que sejamos comparados?”
Isaías 46.3-5 - NVI


Quando eu comecei a conhecer e utilizar a Internet, há cerca de dez anos, estava começando a febre dos blogs. Um incontável número de pessoas montava seus blogs utilizando os modelos padrões dos provedores que gratuitamente disponibilizavam contas para os internautas, e aquelas pessoas que conseguiam criar templates próprios eram muito admiradas por todos.

Criar gifs também virou febre. Produzidas principalmente por mulheres, essas figurinhas virtuais animadas invadiram a blogsfera de forma dinâmica e criativa. Algumas com mais requintes, outras bastante simplórias, mas sempre presentes em praticamente todos os blogs. Muitos foram inteiramente dedicados a produzir e disponibilizar gratuitamente esse tipo de animação.

Mas isso só durou um curto espaço de tempo, pois logo a produção de templates tornou-se algo corriqueiro mediante o avanço tecnológico e a divulgação do conhecimento. As gifs deixaram de ser tão encantadoras diante da quantidade exorbitante que delas se viam. Os blogs foram dividindo espaço com flogs, orkuts, facebooks, myspaces e twiters, entre outros.

Os blogs ainda existem, só que agora bem mais parecidos com sites, mais produzidos e com objetivos bem mais amplos. E uma nova geração de blogueiros está atuando, só que não tão dedicada exclusivamente aos blogs, mas dividindo seus espaços com muitos outros recursos como os já citados. Das pessoas que conheci virtualmente quando comecei na blogsfera, praticamente nenhuma manteve seu blog on-line. Basicamente todos os endereços que eu costumeiramente visitava, ou foram retirados do ar, ou estão abandonados e sem atualização há anos. Novidades foram surgindo rapidamente e se mostraram bem mais interessantes, tornando as primeiras práticas de blogagem um tanto quanto obsoletas.

Ainda bem que o Deus que nos formou nos trata de maneira diferente. Quando novidades surgem, quando pessoas ainda mais novas, mais interessadas, mais espirituais e mais cheias de dons que nós vão se levantando ao nosso redor, Ele não nos troca. Temos o costume de lançar mão das coisas velhas e inúteis, mas Deus não. Sua Palavra permanece a mesma, Seu caráter é imutável, Se amor por nós não se altera mesmo quando envelhecemos, mesmo quando enfraquecemos, mesmo quando caímos ou nos desviamos. Ao contrário, Seu empenho por nos reerguer, redirecionar, fortalecer, reanimar, restaurar, é algo impressionante.

Confesso que muitas vezes me olho no espelho [principalmente depois de ter completado todos esses 34 anos, no último dia 12], vejo as marcas do tempo no meu corpo e me sinto um tanto quanto insegura acerca do futuro. Os planos que o Senhor prometeu desde a minha mocidade, muitos deles ainda não se cumpriram, pois fazem parte de um propósito ainda maior, que exige ainda mais maturidade, ainda mais intimidade com Ele. Muitos, porém, desses projetos já se cumpriram ou estão se cumprindo. Mas independente disso, o tempo não para e eu continuo envelhecendo.

“Será que ainda serei útil?” – É inevitável não questionar. E a resposta é sempre a mesma: “Os bons florescem como as palmeiras; eles crescem como os cedros dos montes Líbanos. Eles são como árvores plantadas na casa do SENHOR, que florescem nos pátios do Templo do nosso Deus. Na velhice, eles ainda produzem frutos; são sempre fortes e cheios de vida. Isso prova que o SENHOR Deus é justo, prova que Ele, a minha rocha, não comete injustiça.” [...] “Quando ficarem velhos, eu serei o mesmo Deus; cuidarei de vocês quando tiverem cabelos brancos. Eu os criei e os carregarei; eu os ajudarei e salvarei.” (Salmos 92.12-15 e Isaías 46.4 – NTLH).

Isso não traz paz a você? Traz para mim. Porque mesmo que as circunstâncias não me permitam ver o futuro, elas não podem me impedir de ver e ouvir o Deus que escreve meu futuro.

É difícil... Verdade! Mas é poderoso e confortante esperar assim, tendo o Senhor do Universo como o referencial que nos sustenta e nos ama incondicionalmente, mesmo quando a idade, o desgaste e o cansaço chegam em nossas vidas, em nossos corpos, em nossas mentes. Não há limites para Deus e Deus não é como nós. Que maravilha!

Eu continuo com o meu bloguinho no ar, desde o dia 29 de novembro de 2004. Temos resistido às tentação de nos inclinar às novidades e deixar de atualizar esse cantinho tão especial que nasceu com lágrimas [literalmente], e para um grande propósito de evangelizar, de trazer um pouquinho do Céu à terra e edificar vidas, ajudando-as a se aproximarem um pouco mais de Deus.

Naturalmente, há muitas novidades na Internet e que também servem como meios de evangelização. Mas os anos não fizeram-nos esquecer que aquele simples blog [agora mais contextualizado] alcançou milhares de pessoas, das quais centenas e centenas delas criaram um elo com nossas mensagens, um vínculo estabelecido pelo amor do próprio Deus. E, portanto, não paramos.

Creio que esse comportamento seja um pouquinho do que nosso Senhor tem nos ensinado: que os tempos mudam, o mundo se transforma, mas Deus e os Seus propósitos não. Eles permanecem considerando cada vida em particular como um tesouro muito especial e são firmados de forma a reaproximar cada uma delas cada vez mais do Criador.

Ore por nós, para que nossos olhos continuem focados nesse alvo também. E empenhe-se você também para não abrir mão de quem ou daquilo que parece te causar dores de cabeça, que tornou-se obsoleto ou pequeno demais. Existe um propósito divino para ele ter chegado até você. E os propósitos de Deus não se perdem com o tempo nem diante das dificuldades.