quinta-feira, 23 de junho de 2011

Educados frouxamente

A Bíblia em um ano:
Ester 9-10
Atos 7.1-21


“É, porém, por iniciativa dEle que vocês estão em Cristo Jesus, o qual Se tornou sabedoria de Deus para nós, isto é, justiça, santidade e redenção, para que, como está escrito: ‘Quem se gloriar, glorie-se no Senhor’.”
1Coríntios 1.30-31


Eu tenho uma tia que faz todas as vontades dos seus filhos. A educação que ela lhes ofereceu a vida inteira foi aquela paternalista, que passa a mão sobre a cabeça do filho quando nos seus erros e diz sempre “tudo bem!”. Aquela educação que não cobra, apenas doa. Uma educação que não impõe limites com medo de ofender os filhos, e que deixa de viver a própria vida para se dedicar à satisfação das vidas deles.

Por terem nascido e crescido na Igreja, aquelas duas crianças não se envolveram com a marginalidade. Contudo, mesmo já sendo, ambos, universitários, aqueles dois filhos não sabem o que significa honrar pai e mãe. Esse primeiro mandamento com promessa não entrou nos seus corações ainda [espero que esse quadro mude até que Jesus lhes chame]. Eles tratam seus pais como se fossem seus criados [e a maneira como esses pais bajulam seus filhos mostra que, na prática, o são]. Eles os tratam com autoritarismo, com arrogância e com intolerância. E eles não respeitam nem prezam seus pais.

Por vezes minha tia foi pega chorado no corredor do lado de fora da casa, às escondidas, por ter sido humilhada e ferida pelos filhos por quem ela sacrificou tudo e deu tudo o que pôde [e até o que não pôde, também]. E esse comportamento deles se dá tanto dentro quanto fora de casa.

Penso na postura de Deus para com Seus filhos e fico cada vez mais grata a Ele por não nos tratar da forma como esses meus tios tratam seus filhos. Esses meus primos são mal-educados, grosseiros, altivos, e a educação que receberam dos pais contribuiu plenamente para isso. Essa benevolência complacente extremamente exagerada, que estraga a educação dos filhos, está longe de ser uma das características da educação que o Senhor nos dá.

Ele não responde às nossas orações quando queremos, não faz as nossas vontades, não Se limita à nossa decisão para realizar nenhum dos Seus feitos. Ele não atende aos nossos caprichos e nos corrige no momento certo e na medida certa. E isso é mui excelente! É essa educação responsável e com vistas à uma real transformação que faz das pessoas a ela submetidas cristãos verdadeiramente parecidos com Cristo.

A justiça, a santidade, a redenção, a Graça maravilhosa do Senhor sobre nós, são autorias dEle, não nossa. O favor da salvação foi iniciativa dEle, não nossa, “para que, como está escrito: ‘Quem se gloriar, glorie-se no Senhor’.” (1Corintios 1.31)

E ainda assim, sem que tenhamos nenhuma participação e glória nessa obra tão maravilhosa, muitas pessoas se acham as “donas de Deus”: querem fazer dEle uma marionete, um subordinado seu, que deva realizar todos os seus sonhos, todas as suas vontades, no tempo em que elas determinarem e do jeito que elas bem quiserem.

Tente imaginar como seria esse mundo e o que seria de nós se o Senhor não tivesse pulso firme conosco... Veja o exemplo no comportamento dos filhos que foram educados frouxamente por seus pais.