quinta-feira, 30 de junho de 2011

UM PROFETA AUTÊNTICO

A Bíblia em um ano:
Jó 15-18
Atos 10.1-23


“E de todos [os da multidão que viu Jesus ressuscitar o jovem filho da viúva de Naim] se apoderou o temor, e glorificavam a Deus, dizendo: Um grande profeta Se levantou entre nós, e Deus visitou o Seu povo.”
Lucas 7.16


Que tarefa mais difícil há que renunciar o nosso próprio orgulho e tomarmos atitudes que possam nos expor ao “ridículo”?

Jesus nos ensina uma lição nos versos 11 a 17 do capítulo 7 de Lucas, que nos faz entender o quanto é preciosa para Deus tal renúncia!

Ser um profeta de Deus exige muito de nós. Exige o uso sobrenatural de uma fé que ninguém vê nem percebe, mas que existe e que, sempre que acionada, promove milagres, curas, libertação... promove o impossível!

Havia uma multidão acompanhando a pobre viúva que havia perdido seu único filho para a morte. Jesus Cristo Se aproximou dela trazendo Consigo outra multidão em que estavam também Seus discípulos (vs.11-12). Mas ninguém de ambas as multidões ousou fazer nada por aquela mulher...

Jesus, movido de íntima compaixão por ela, disse-lhe uma palavra de consolo: “Não chores.” (v.13)

Até aqui, tudo normal. Profetas falam palavras de consolo para as pessoas quando elas se encontram em angústia. E Deus sustenta suas palavras.

A diferença está no agir.

Cristo Se aproximou do defunto (v.14). E aqui abrimos um parêntese para observar que há muitos profetas hoje que falam ao povo de Deus de cima dos púlpitos, e poucos são os que descem de lá para se aproximarem das pessoas que estão na parte debaixo, muitas vezes precisando de um olhar apenas de compaixão que lhes console, por vivem caos intensos e uma grande podridão exala da situação em que se encontram (pecados, angústias... sofrimento).

Ele fez diferente. Ao invés de apenas falar algo bonito para a viúva, o Senhor Jesus também se aproximou dela. E quebrou todas as barreiras que havia entre o orgulho humano e o amor de Deus.

Naquela época, tocar em um defunto era considerado algo imundo e digno de repulsa e exclusão. Pela tradição que era rigorosamente seguida por todos (principalmente pelos “profetas”), Jesus deveria ser afastado por um período de tempo, até que Se limpasse de sua imundícia por ter tocado no caixão daquele morto.

Ele ousou fazer o que ninguém tinha coragem por puro orgulho.

E, além de mostrar na prática que um profeta de Deus anda contrário à cultura do mundo (quando subjugou as tradições preconceituosas humanas ao tocar no esquife), Jesus ainda mostrou na prática que um profeta de Deus também anda contra sua própria vontade.

Ora, ninguém da multidão ousou orar a Deus e pedir que aquele morto se levantasse. Mas, enquanto todos estavam tristes pela perda e se condoíam pela tristeza da pobre viúva também, Jesus ousava agir de forma inusitada e extremamente atrevida: Ele conversou com o morto e disse: “Levanta-te”.(v.14)

Quantos profetas hoje andam tendo tal ousadia, de dizer aos que precisam as coisas que lhes parecem impossível de serem realizadas? Há muitas promessas de chaves, de carros, de casas, de bens materiais... pouco, porém, se tem falado de caráter, de novo nascimento, de atitudes condizentes com a vontade de Deus... de renúncia!

A multidão ficou impressionada em ver Jesus Se impor com tanta autoridade (v.16-17). E hoje vemos a igreja de Deus se impressionando também em ver pessoas se levantando como profetas do Deus Altíssimo, anunciando a verdade e falando tudo o que é preciso e ordenado pelo Senhor. Há quem chegue mesmo a se escandalizar com a ousadia de alguns profetas que não têm suas vidas preciosas para si mas anunciam tudo o que Deus lhes entrega.

Contudo, Jesus também nos dá um respaldo: depois que João Batista foi preso, ele enviou dois de seus discípulos a Cristo para saberem se Jesus era aquele Messias que havia de vir ou se deviam esperar outro (Lucas 7.18-20). Jesus respondeu primeiro com ações... Ele, “na mesma hora, curou muitos de enfermidades, e males, e espíritos maus, e deu vista a muitos cegos. Respondendo, então, Jesus, disse-lhes: Ide, e anunciai a João o que tendes visto e ouvido: que os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres anuncia-se o evangelho. E bem-aventurado é aquele que em Mim se não escandalizar.” (v.21-23)

Esse fato segue o acontecimento da ressurreição do filho da viúva de Naim, e revelam Cristo nos lembrando que a ousadia em Deus é parte indispensável do ministério dos profetas que o Senhor estabeleceu sobre a terra. E bem-aventurado é aquele que receber de bom coração o que o Senhor entregar através de seus profetas.

Temos visto, porém, muitas pessoas que se entristecem ao serem exortadas. Muitas chegam mesmo a cultivar ira e antipatia aos profetas do Senhor porque não ouviram deles o que queriam ouvir para massagearem seu próprio ego, mas receberam deles o que Deus lhes ordenou saberem para que houvesse um concerto.

Os verdadeiros profetas de Deus trazem consigo esse caráter de Cristo, de se exporem ao que parece ridículo aos nossos olhos humanos, a fim de realizarem proezas (que envolvem desde o milagre de ressuscitar um morto em seu corpo físico até o milagre de revelar pecados ocultos e exortar quem precisa ser exortado).

A sanidade de um profeta do Deus Vivo, muitas vezes, por causa da ousadia que ele tem no Senhor, é questionada. E, por vezes, tentam lhe impedir de realizar o que Deus determinou que ele fizesse.

Contudo, ainda que seu ministério dure alguns anos e depois sua cabeça seja posta em uma bandeja (como a João Batista), ainda que sua sanidade seja questionada, ainda que seja tido como “ridículo” por se expor tanto em nome do Senhor a quem serve... ainda que suas atitudes sejam consideradas ousadas por demais... um profeta autêntico sabe que feliz será todo aquele que não se escandalizar dele... e não deve se calar. Mesmo que seu trabalho não seja reconhecido nesta terra enquanto lhe houver vida, quando esse profeta chegar no céu, certamente alguém lhe dirá: “Obrigada por ter dito o que eu precisava ouvir – e não o que eu queria ouvir... naquele dia a minha vida mudou!”.

O que um profeta de Deus renuncia nessa vida por amor ao seu Senhor, é revertido em um peso muito maior de glória excelente que será vivido por ele em toda a eternidade.