quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A doença do "EU"

A Bíblia em um ano:
Salmos 132-134
1Coríntios 11.17-34




“Tiveram mais os filisteus uma peleja contra Israel; e desceu Davi, e com ele os seus servos; e tanto pelejaram contra os filisteus, que Davi se cansou. E Isbi-Benobe, que era dos filhos do gigante, cuja lança pesava trezentos siclos de cobre, e que cingia uma espada nova, intentou ferir a Davi. Porém, Abisai, filho de Zeruia, o socorreu, e feriu o filisteu, e o matou. Então os homens de Davi lhe juraram, dizendo: Nunca mais sairás conosco à eleja, para que não apagues a lâmpada de Israel.”
2Samuel 21.15-17



O individualismo é um mal que tem danificado a unidade cristã.

Como todos os cristãos sabem, nós vivemos uma guerra constante contra o mal e este tem se lançado contra o povo de Deus de todas as maneiras imagináveis e inimagináveis, a fim de destruí-lo. Porém, a nossa luta não é “contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade”, e não é aqui, em terra, mas “nos lugares celestiais” (Efésios 6.12). Interessante é observar que o povo de Deus é o único povo da terra que luta contra o que não vê e nunca perde a batalha se esta foi combatida pela fé em Cristo Jesus.

Contudo, há algo que enfraquece o exército de Deus e deixa o povo à mercê do domínio inimigo: é o “eu sou”. Segundo a Bíblia, “Eu sou” é o nome que se atribui somente ao único Deus e Senhor de todo o Universo (Êxodo 3.14; João 8.57-58). O que vemos dentro das congregações, porém, são muitos cristãos se classificando como “eu sou isso...”, “eu sou aquilo...”, “eu sou aquele outro...”, “eu sou eu...”, “eu sou...”, “eu....”, “eu...”. Dirigem suas próprias vidas, são insubmissos a Deus e aos seus líderes, ao seus governantes e até aos seus chefes no trabalho. E se isolam por achar que são melhores que, ou, simplesmente, por não se importarem com os outros semelhantes a eles.

Entre tantas outras batalhas, Davi estava iniciando um período de 4 (quatro) guerras consecutivas contra os filisteus, um povo que se manteve constantemente em guerra contra os hebreus (2Samuel 21.15-22). Nessas guerras, ele não ia pelejar sozinho, embora fosse o rei, o homem mais forte de Israel. E nem por isso também ele permita seus súditos guerrearem sozinhos.

Traçando um paralelo comparativo em relação aos dias de hoje, vemos muitos cristãos sobrecarregando seus pastores com a missão de batalhar contra o mal. A impressão que se tem é que querem ganhar o Reino dos Céus – que é tomado à força (Lucas 16.16) – mas não querem fazer nada por isso. Esperam que o pastor ou os líderes paguem o preço para que seus ingressos na Glória sejam garantidos. O IDE ordenado por Jesus (Marcos 16.15) não foi para os pastores somente, mas para todos os discípulos do Senhor. A obra de evangelizar é uma missão que está ordenada para todos os servos de Deus. Cuidar das vidas não é um trabalho somente para o pastor e para os obreiros. Nós também devemos cuidar delas com oração, com auxílio material quando possível, com aconselhamento, com amor e amizade. É assim que vencemos as guerras.

O pastor é alguém especial que Deus colocou para zelar das nossas almas, nos instruir e orientar neste mundo. Abaixo de Cristo é ele o maior responsável por nossas vidas neste mundo. Um anjo, que o Senhor separou para nos abençoar aqui. Certamente – e ilusão seria dizer o contrário – existem muitos pastores que, na verdade, são lobos enganadores disfarçados de ovelhas, pessoas que não têm um chamado de Deus para esse trabalho mas foram instituídos por homens, ou, se têm esse chamado se corromperam no decorrer do caminho. São homens e mulheres intitulados “pastores” mas que não têm zelo, nem amor pelas ovelhas mais caras que existem (as do rebanho de Cristo) e que, em vez de ajuntá-las no Aprisco, as espalham; em vez de contribuir, se engordam às custas dos sacrifícios das ovelhas. Para estes, porém, o Senhor tem um juízo formado (Jeremias 23.1; Ezequiel 34)

O fato, porém, é que não há autoridade que não tenha sido instituída por Deus (Romanos 13.1). A nossa parte, vendo esses problemas dentro da igreja, não é afrontá-los e abrir brechas para que satanás gere contendas e divisões dentro da unidade da igreja, porém, orar, jejuar, enfrentar com armas espirituais – as mais poderosas que existem – esse grande mal. Enfrentar com amor, paciência e mansidão a situação e suportar até que uma providência de Deus seja tomada. É Ele quem deve tomar a frente da batalha.

Há muitos cristãos que vêem os seus líderes e pastores sofrendo na obra de Deus e não têm coragem nem se prontificam a ajudá-los. Quando os servos de Davi viram que ele estava cansado, eles foram ajudá-lo prontamente. E quando viram que havia alguém queria o ferir com espada, eles se prontificaram a exterminar essa pessoa má que já se levantava contra o rei. Diferentemente da maioria dos cristãos que hoje, vendo alguém falar mal de seus pastores, ajudam-no. Vendo alguém se levantando contra seus líderes e pastores, se agregam ao grupo do “sou contra”. Vendo as dificuldades na vida dele, declaram: “não me importo” ou “é merecido” – esquecendo-se que somente a Deus cabe o julgamento das vidas.

Os erros existem, as falhas são inevitáveis. Todos somos seres humanos. Os nossos pés também podem tropeçar. Somos uma unidade instituída por Deus e a separação do individualismo ou da arrogância não deve existir dentro deste aprisco. As falhas do pastor e de qualquer um de nossos irmãos em Cristo são a nossa oportunidade de demonstrarmos, como ovelhas, o quanto temos aprendido de Deus sobre amor e tolerância. Se o reino se dividir, não subsistirá (Mateus 12.25).

A história dessas batalhas de Davi se encerra dizendo que “estes quatro (...) caíram pela mão de Davi e pela mão de seus servos” (2Samuel 21.22). Eles estavam juntos, batalhando por um mesmo propósito. Foi a unidade de Davi com seus servos que os levou à vitória em todas as pelejas. O rei não deixou seus súditos guerrearem sozinhos. Os pastores que Deus nos deu também estão guerreando comigo e com você. A oração deles em favor das nossas vidas faz muita diferença. A palavra que Deus lhes entrega é alimento para nós.

Aqueles homens se preocuparam em não deixar que a lâmpada de Israel fosse apagada (v.17), isto é, que Davi – o rei – morresse. Também devemos ter essa preocupação, em ajudar como pudermos para que nossos pastores não desfaleçam nesse árduo caminho nem se deixem influenciar pela ótica humana nessa guerra contra o mal. Afinal, embora Jesus Cristo seja o nosso Grande Pastor, Ele instituiu outros pastores para cuidarem de nós. Se estes não se importassem conosco, certamente seríamos um rebanho disperso, e estaríamos nos alimentando do capim seco, que são as tantas heresias ensinadas ao mundo hoje, proclamando uma falsa salvação.

Temos Jesus. Temos salvação. Temos alguém pagando um preço para que permaneçamos no caminho de Deus. Temos pastores e líderes. Nos juntemos a eles no mesmo propósito. Jesus Se agrada disso. E nós venceremos os filisteus das nossas vidas porque eles não verão em nós pequenos fragmentos isolados, lutando cada um por si, mas combaterá um gigantesco corpo unido, onde o cabeça é o Senhor dos senhores e Rei dos reis. Amém.