domingo, 14 de agosto de 2011

O lugar da bênção

A Bíblia em um ano:
Salmos 88-90
Romanos 13


“Mas glorie-se o irmão abatido na sua exaltação.”
Tiago 1.9


Quando Ester casou-se com o rei Assuero, seu primo Mardoqueu (que a criara como filha) passou a estar à porta do rei. Hamã, um servo fiel ao rei Assuero, planejava matar Mardoqueu porque este não se prostrava à imagem que o poderoso Hamã havia criado de si mesmo para ser venerada pelo povo. Mas Mardoqueu continuava assentado à porta do rei, mesmo correndo esse risco.

No passado, Mardoqueu havia descoberto uma conspiração contra o rei Assuero, e por causa disso, o rei sofreu um grande livramento. Quando o rei Assuero tomou conhecimento desse caso (tempos depois), ordenou conversou com Hamã sobre fazer honras a alguém de quem se agradou muito. Hamã, que já havia recebido o anel do rei e seu mais alto homem de confiança, disse no seu coração: “De quem se agradaria o rei para lhe fazer honra mais do que a mim?” (Ester 6.6), e sugeriu que ao tal fosse colocada a veste real que o rei costuma vestir, como também o cavalo em que o rei costuma andar montado, e ainda a coroa real na sua cabeça, certo que o rei Assuero faria isso com o próprio Hamã. Eis a resposta do rei Assuero:

“Apressa-te, toma a veste e o cavalo, como disseste, e faze assim para com o judeu Mardoqueu, que está assentado à porta do rei; e coisa nenhuma omitas de tudo quanto disseste.” (Ester 6.10)

A prima de Mardoqueu reinava, enquanto Mardoqueu, que a criara como filha, vivia à porta do palácio. (Leia toda a história nos dez capítulos do livro de Ester)

As bênçãos de Deus em nossas vidas nem sempre vêm como nós queremos ou esperamos. Mas, embora muitas vezes elas não sejam condizentes com nossas vontades, sempre são as bênçãos que realmente necessitamos e vêm sempre da maneira que serão melhores para nós.

Se Mardoqueu tivesse saído do lugar da bênção, isto é, da porta do rei – onde Deus o havia colocado, certamente ele teria morrido, porque Hamã já havia criado ódio dele (cap.3) e não teria sido exaltado acima do próprio Hamã, por ordem do grande rei Assuero.

Muitas vezes nós estamos em um lugar, sofrendo adversidades que nos causam grandes desgostos, e por muito tempo não recebemos a bênção que almejamos. Porém, se Deus não nos mandou sair daquela posição, o correto é que fiquemos nela, até o momento em que Ele venha a nos abençoar. Ele sabe que o que nos abate hoje será revertido em exaltação num amanhã que desconhecemos.

Por isso meditamos hoje que o abatido deve gloriar-se na sua exaltação (Tiago 1.9). É no meio da espera que Deus está trabalhando e providenciando nosso momento de glória. É no enquanto esperamos que Deus Se revela como a força que nos sustenta e nos dá ânimo para prosseguir ainda esperando... Ele mesmo é a força para a nossa exaltação.

Assim orou Habacuque: “O Senhor é a minha força, e fará os meus pés como os das cervas, e me fará andar sobre as minhas alturas.” (Habacuque 3.19)

E declarava sua esperança em Deus – somente em Deus – que lhe fortaleceria na árdua jornada, e lhe ensinaria a se manter em lugares altos, acima de problemas e perseguições, de dores e tentações, de tristezas e necessidades.

Habacuque guardava uma fé e canalizava essa fé para Deus.

A mulher do fluxo de sangue (Marcos 5.25-34) também tinha uma fé que seria curada. A Bíblia diz que ela “havia padecido muito com muitos médicos, e despendido tudo quanto tinha, nada lhe aproveitando isso, antes indo a pior” (v.26). Entendemos que ela acreditava que havia uma cura para ela, mas a buscava na medicina e nos homens.

Ela teve que esperar doze anos para que Jesus Cristo passasse no lugar onde ela estava. Quando aquela mulher canalizou sua fé para o Senhor, ela entendeu que aquele momento era o momento da sua bênção e, então, nem mesmo a multidão que cercava Jesus a pode vencer. Ela tocou em Jesus e foi curada.

Ela poderia ter desfalecido no decorrer daqueles doze anos de sofrimento. Poderia ter voltado para sua casa quando viu aquela multidão cercando Jesus. Ela poderia ter se desiludido. Mas ela sabia que o lugar onde ela deveria estar era aquele, exatamente onde o Mestre estava passando naquele momento.

A relação entre a mulher do fluxo de sangue e Mardoqueu é que ambos permaneceram no lugar da bênção, até que fossem exaltados por Deus. E em mais ou menos dias, eles realmente o foram.

Por vezes não entendemos o motivo pelo qual o Senhor nos mantém num lugar em que vivemos perseguições, lutas, dores, decepções. Mas é ali que o Senhor está moldando nosso caráter, fortalecendo nossa fé, aumentando nossa paciência, nos enchendo de virtudes, para fazer com que nossas vidas – que antes eram tão humilhadas e desprezadas pelos que convivem conosco – sejam exaltadas por eles, e a glória do Senhor seja vista em nós.

A nossa parte é confiar em Deus e obedecê-Lo, permanecendo no lugar onde o Senhor nos colocou. É ali que o perfume de Cristo será revelado através de nossas vidas, quando florescermos onde Deus nos plantou.

Pois, muitas vezes, não entendemos a vontade de Deus, mas é certo admitir que Deus tem um jeito todo especial de trabalhar para que haja perfeição no resultado de tudo o que Ele produz.

Sair da posição que Deus nos colocou nos faz perder o equilíbrio e até nos espatifarmos ao sofrermos uma – bem provável – queda.