domingo, 4 de setembro de 2011

A honra das primícias

A Bíblia em um ano:
Salmos 141-144
1Coríntios 14




“Porventura pode uma mulher esquecer-se de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo Eu não Me esquecerei de ti.”
Isaías 49.15


Há quem fique horrorizado quando lê que Abraão aceitou imolar seu único (e tão esperado) filho – Isaque – em holocausto a Deus. Abraão demonstrou com essa atitude de fé e coragem sobrenatural que Deus estava sobre tudo em sua vida, inclusive sobre seu próprio filho.

E Deus?

Vendo a devoção e fidelidade daquele homem, não só proibiu Abraão de sacrificar Isaque (Gênesis 22.12), como também constituiu a Abraão o título de pai da fé das gerações futuras (Gálatas 3.7), além de tê-lo honrado com uma atitude extraordinária da parte do Senhor: Deus lhe chamou de “amigo” (Tiago 2.23).

Abraão não negou a Deus tudo o que tinha, inclusive a vida de seu único filho. Abraão não negou a Deus a honra das primícias e o trono da sua vida.

Muitas vezes nós procuramos motivos para colocarmos Deus em primeiro lugar em nossas vidas. Queremos que Deus faça tudo o que achamos ser correto para nós e, caso Ele Se recuse a cumprir nossa vontade, logo nos dispomos a enfrentá-Lo, a nos irar contra Ele, a nos afastar dEle.

Certo irmão aproximou-se ao pastor da congregação onde sirvo a Deus, dizendo que ia deixar a igreja porque Deus havia levado o que ele tinha de mais importante na sua vida. Disse que seu filho de quatro anos de idade era o seu maior tesouro e estava acima de tudo. Por isso, ele não aceitava que Deus tivesse recolhido a criança da terra dos viventes (morte) para Si.

Para pessoas que entendem o lugar que Deus deve ocupar em nossas vidas, fica claro entender o motivo pelo qual Deus levou o filho daquele homem: aquela criança estava sendo o tudo em sua vida, e não Deus.

Que ser humano pode, na sua condição de pecador imundo e desmerecedor da graça, se imaginar sendo amigo de Deus? Creio que, por mais criativos que sejamos, um salvo em Cristo reconhece que jamais alcançaríamos o nível da fidelidade, do companheirismo, da majestade, da formosura e da perfeição de Deus, a ponto de Ele nos chamar de Seus amigos.

Mas Deus chamou Abraão assim porque Abraão soube dar a Deus o lugar que Lhe é devido em sua vida: o lugar de honra, o centro, o trono, o reino. E Jesus reforçou isso quando disse que seríamos Seus amigos se fizéssemos o que Ele nos mandasse (João 15.14-15). E o que Ele nos manda é: “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento.” (Marcos 12.30)

O próprio Deus já havia alertado o mundo sobre isso, quando determinou em Êxodo 20.2-3: “Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim.”

O filho do irmão cuja história resumi há pouco estava sendo endeusado por seu pai, no lugar do Deus Supremo do Universo. E o próprio Senhor da vida encarregou-Se de tirar do Seu caminho naquela vida o que estava ocupando Seu lugar (não... não estou dizendo que a criança tinha culpa – e Deus soube disso primeiro que todos nós – certamente o menino está no Reino, já vivendo a alegria que tanto almejamos). O irmão não entendeu essa mensagem, e se prontificou a deixar Deus porque Deus havia contrariado sua vontade.

Amigos de verdade não abandonam o outro quando ficam contrariados... Deus Se contraria incontáveis vezes conosco, e nem por isso nos joga fora, nos abandona. Sua atitude, muitas vezes, parece bastante radical – e não deixa de ser mesmo –, pois muitas vezes Ele tem que apelar para conseguir chamar nossa atenção, como no caso da morte do filho do irmão citado.

Mas o Senhor quer nos ensinar com isso que antes de amar a nós mesmos, antes de amar nossos filhos, antes mesmo de amar nossos pais, parentes e amigos, devemos amar a Deus, que criou todos eles para nos alegrarem e dividirem a vida conosco. Este é o primeiro mandamento.

Foi Ele quem Se empenhou em nos tirar da escravidão do pecado. Ninguém mais se importou com a nossa alma. Deus nos amou primeiro que qualquer outra pessoa – e antes que nós O amássemos –, e viu em nós um potencial e um valor que ninguém mais no mundo conseguiu enxergar. Ele investiu o que tinha de mais precioso – que foi a vida do Seu Unigênito Filho Amado – para que nossas vidas fossem reconhecidas como bem de altíssimo valor. Por isso, em nossas vidas esse Deus deve ser o primeiro, continuamente, e estar acima de tudo, sempre!

Nossos pais, parentes, amigos, filhos, irmãos, vizinhos, bens, são limitados e seu amor, por mais que seja declarado e demonstrado na prática, pode vir a falhar. Mas o amor de Deus, este jamais nos abandonará, ainda que qualquer pessoa nos falte. O Senhor estará acima deles, Santo e Perfeito, e nos garantirá o que precisamos para vivermos em paz e seguros. Porque Ele está acima de tudo, e nunca falha!

Deus deve estar sempre acima de tudo em nossas vidas, porque Ele permanece no alto e sublime trono em qualquer situação, sem nunca descer um nível da Sua glória.